Dois guardas nacionais são baleados em ataque próximo à Casa Branca
Dois membros da Guarda Nacional foram baleados nesta quarta-feira, 26, em Washington, perto da Casa Branca, e estão em estado crítico. A prefeita da capital dos Estados Unidos classificou o ocorrido como um “ataque a tiros direcionado”.
O diretor do FBI, Kash Patel, informou que os dois soldados ficaram gravemente feridos, afastando rumores errados de que teriam morrido. “Dois dos nossos valentes integrantes da Guarda Nacional foram atacados em um ato horrível de violência. Eles foram atingidos por disparos e estão em estado crítico”, declarou Patel durante entrevista coletiva.
Este é o incidente mais grave envolvendo a Guarda Nacional desde que o então presidente Donald Trump começou a enviar tropas às ruas de cidades governadas por democratas, logo após iniciar seu segundo mandato, em janeiro.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou em visita à República Dominicana que enviará mais 500 militares a Washington, aumentando para mais de 2.500 o número total de agentes da Guarda Nacional destacados na cidade. Segundo ele, o reforço fortalecerá a determinação em garantir que Washington, DC, seja uma cidade segura.
A prefeita Muriel Bowser reafirmou que o ataque foi direcionado contra os guardas. A porta-voz do governo, Karoline Leavitt, também avaliou o ocorrido como uma “situação trágica” e informou que Donald Trump continua acompanhando os desdobramentos.
A polícia de Washington prendeu um suspeito, um homem afegão que trabalhou por 10 anos com as forças de Washington no Afeganistão e foi levado aos Estados Unidos em agosto de 2021. Segundo a imprensa americana, ele foi identificado como Rahmanullah Lakanwal, de 29 anos.
Fontes policiais e o diretor da CIA, John Ratcliffe, relataram que o suspeito colaborou com várias agências dos Estados Unidos, incluindo serviços de inteligência.
De acordo com a CNN, com base em dados do FBI, o homem solicitou asilo em 2024 e teve o pedido concedido no início do ano.
Em um breve vídeo, Trump comentou que o suspeito chegou aos EUA em 2021 “naqueles voos infames”, em referência à evacuação de afegãos após o avanço dos talibãs.
Antes da divulgação do estado de saúde dos militares, o presidente afirmou em sua rede social Truth Social que o agressor, que feriu gravemente os dois guardas e também ficou ferido, “pagará um preço muito alto”.
Em seguida, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) anunciou a suspensão imediata e por tempo indeterminado do processamento de pedidos de imigração de cidadãos afegãos para revisão de protocolos de segurança.
Shawn VanDriver, presidente do AfghanEvac, grupo que auxiliou na realocação de afegãos nos EUA após a retirada das forças americanas, destacou que “o ato isolado deste indivíduo não deve servir para julgar toda a comunidade”.
Jornalistas da AFP registraram a evacuação de uma pessoa vestida com uniforme militar em uma maca, a poucas quadras da Casa Branca.
Três pessoas feridas por arma de fogo foram atendidas pelas equipes de emergência, segundo os serviços de resgate.
Uma testemunha relatou ouvir disparos enquanto esperava no semáforo e viu membros da Guarda Nacional correndo em direção ao metrô com armas em punho.
O ataque ocorreu na estação de metrô Farragut West no começo da tarde, em área normalmente movimentada.
O chefe adjunto da polícia local, Jeffery Carroll, afirmou que o agressor emboscou os membros da Guarda Nacional, atirando ao virar a esquina, mas foi rapidamente detido por outros guardas e forças da ordem.
No local, um repórter da AFP ouviu várias detonações e viu pessoas fugindo, enquanto a área foi isolada e dezenas de viaturas foram mobilizadas.
Militares da Guarda Nacional estão destacados em Washington desde agosto a pedido de Trump, embora o governo local tenha acusado o Executivo federal de extrapolar seus poderes.
Desde junho, o presidente enviou tropas para Los Angeles, Washington e Memphis, contrariando líderes locais democratas, alegando que a ação é necessária para combater a criminalidade e apoiar o órgão federal de imigração ICE.
Créditos: CartaCapital