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Brasil
28 fev

Fim da escala 6×1 pode encarecer fretes, afetar abastecimento e atingir consumidor

Fim da escala 6×1 pode encarecer fretes, afetar abastecimento e atingir consumidor

Entidades representativas do setor produtivo têm reagido com preocupação à proposta de extinção da escala 6×1, apontada como uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026.

As associações alertam para riscos como aumento expressivo dos custos operacionaispressão sobre a folha de pagamentospossível elevação de preços ao consumidor e até queda na produção e no emprego.

Segundo as entidades, a mudança pode agravar a escassez de mão de obra em setores essenciais, comprometer a competitividade das empresas brasileiras e gerar impactos negativos sobre o PIB.

Duas propostas em tramitação no Congresso Nacional preveem a redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 36 horas.

O avanço das matérias acende um alerta entre empresários, que discutem os possíveis impactos trabalhistas e econômicos caso a nova carga horária seja aprovada, incluindo efeitos sobre custos, produtividade e geração de empregos.

Para o advogado trabalhista Cid de Camargo Júnior, a mudança trará reflexos relevantes tanto para empregadores quanto para trabalhadores.

“A alteração da escala de trabalho 6×1 trará impactos significativos para as empresas brasileiras. Uma das principais mudanças será a reorganização das jornadas de trabalho, exigindo novas escalas e, possivelmente, a contratação de mais funcionários para manter o nível de produtividade. Isso pode gerar aumento nos custos operacionais, especialmente com salários e encargos trabalhistas”, afirma.

A seguir, veja os posicionamentos de quatro entidades sobre o fim da jornada de trabalho 6×1:

CNT

CNT (Confederação Nacional do Transporte) afirma que tem acompanhado com atenção os desdobramentos do projeto de lei e defende que eventuais mudanças ocorram com responsabilidade.

“O setor produtivo está aberto ao diálogo, mas reforça que qualquer alteração deve ser conduzida com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o país”, argumenta a entidade.

Segundo a confederação, a redução da jornada sem considerar as especificidades do transporte pode gerar impactos relevantes para toda a sociedade, especialmente porque o setor já enfrenta dificuldades significativas na reposição de mão de obra qualificada.

“O transporte é uma atividade essencial, estratégica para a economia e para a qualidade de vida da população. O setor garante o direito constitucional de locomoção e viabiliza o deslocamento de absolutamente tudo o que é produzido, consumido e utilizado no Brasil”, destaca.

Para a entidade, reduzir a jornada sem trabalhadores suficientes para suprir a demanda pode ampliar o déficit de profissionaiselevar custos e comprometer a regularidade dos serviços prestados à população.

Outro ponto levantado é o impacto fiscal. A CNT argumenta que a alteração da jornada não afetaria apenas o setor privado, mas também a administração pública, exigindo novas contratações em um cenário de restrição orçamentária.

A entidade defende que o caminho mais adequado para tratar da jornada de trabalho é a negociação coletiva, permitindo ajustes conforme as especificidades de cada setor, região e empresa.

R7

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