Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O mercado financeiro brasileiro encerrou esta segunda-feira 26 com forte queda das ações, alta do dólar e avanço dos juros futuros no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 8,21% e terminou cotado a R$ 5,403.
Foi a maior perda percentual diária da Bolsa desde março de 2020, quando os mercados foram atingidos pelo início da pandemia de covid-19. Durante a manhã, o principal índice da B3 chegou a recuar 17,34%, aos 169.516 pontos, e as negociações foram interrompidas por 30 minutos depois que a queda atingiu 10%.
Fechamento em números
- Ibovespa: 176.608,23 pontos, queda de 13,88%
- Dólar comercial: R$ 5,403, alta de 8,21%
- Mínima do Ibovespa no dia: 169.516 pontos, recuo de 17,34%
- Ações em queda: 68 dos 76 papéis que compõem o índice
Mercado desfez apostas feitas entre os turnos
O movimento refletiu principalmente a revisão de posições montadas nas semanas anteriores. Depois do primeiro turno, parte dos investidores passou a apostar em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), associada pelo mercado a uma política de maior contenção de despesas e mudanças na condução de empresas estatais.
Essa expectativa ajudou a levar o Ibovespa acima dos 200 mil pontos e a fortalecer o real. Na sexta-feira 23, último pregão antes da votação, o índice havia fechado aos 205.083 pontos e o dólar, a R$ 4,993. Com a vitória de Lula, as posições foram rapidamente refeitas, ampliando a volatilidade.
A reação desta segunda-feira representa o ajuste dos preços e das expectativas dos investidores no primeiro dia útil após a eleição. O desempenho de um único pregão não determina, isoladamente, a trajetória da economia, que dependerá das medidas anunciadas pelo governo, da relação com o Congresso, das contas públicas, da inflação e da política de juros.
Bancos lideraram as perdas
Os bancos ficaram entre as ações mais pressionadas do dia. Os papéis do Banco do Brasil caíram 29,33%. BTG Pactual recuou 24,83%, Bradesco perdeu 21,70% e Itaú Unibanco caiu 13,66%.
A Petrobras também terminou em baixa. As ações preferenciais recuaram 8,18%, enquanto as ordinárias perderam 6,81%. O desempenho refletiu a revisão das expectativas para empresas controladas pelo governo e para setores mais ligados à economia doméstica.
Na direção contrária, empresas exportadoras se beneficiaram da valorização do dólar. A Vale avançou 4,01%, e a Suzano, que recebe parte relevante de suas receitas em moeda estrangeira, subiu 9,85%.
Juros futuros sobem e Tesouro cancela leilões
Os contratos de juros futuros também registraram forte alta. O vencimento para janeiro de 2033 indicava taxa de 15,24% ao ano no fim da tarde, ante 12,65% no fechamento anterior. A elevação mostra que os investidores passaram a exigir maior remuneração para financiar prazos mais longos.
Em meio à volatilidade, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos prefixados e vinculados à inflação previstos para terça-feira 27 e quinta-feira 29. A medida evita a venda de papéis em um momento de formação de preços mais instável.
Contas públicas entram no centro das atenções
A condução da política fiscal será o principal foco do mercado nos próximos dias. Investidores aguardam sinais sobre despesas, metas para o resultado das contas públicas, trajetória da dívida e composição da equipe econômica no quarto mandato de Lula.
Também serão acompanhadas as primeiras conversas do presidente reeleito com o Congresso. A capacidade do governo de aprovar medidas e apresentar um plano para as contas públicas poderá influenciar o comportamento do dólar, dos juros e da Bolsa depois do ajuste inicial.
No exterior, a agenda da semana inclui decisões de bancos centrais e novos balanços de grandes empresas. Esses fatores podem reforçar ou reduzir os movimentos dos ativos brasileiros, além dos desdobramentos políticos internos.