‘Não digo que concordo porque não fui consultado’, afirma Rogério
Foto: Jonas Pereira/Senado
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta terça-feira 27 que foi surpreendido pelas informações sobre uma possível saída do aliado do Brasil. O potiguar disse desconhecer o paradeiro de Flávio e relatou que, pela manhã, o parlamentar havia pedido “um tempo” para descansar.
“Nós não tivemos notícia ainda por parte do Flávio e advogados do que de fato aconteceu. Tentamos contactar o Flávio após as informações”, declarou Marinho.
O senador disse que recebeu uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h, mas não obteve esclarecimentos sobre a viagem. Os dois haviam se encontrado na tarde de segunda-feira 26 para conversar sobre a votação recebida e a atuação na oposição após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Recebi uma mensagem de texto dizendo que iria dar um tempo hoje e depois conversaria conosco, por volta das 8h da manhã. Estamos surpresos porque conversamos ontem sobre a necessidade para que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição”, afirmou.
“Fiquei surpreso porque ontem conversamos sobre a necessidade de que Flávio assumisse esse papel de liderança da oposição. Temos um governo que fez mal ao país e precisamos ficar vigilantes”, declarou.
A manifestação ocorreu após uma reunião na sede do PL, em Brasília, com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e outros parlamentares, entre eles o senador Efraim Filho (PB) e o deputado federal Hélio Lopes (RJ). Marinho afirmou que a direção partidária não havia sido comunicada sobre os planos do candidato derrotado.
Ao chegar à sede da legenda, Marinho havia evitado responder sobre a viagem. “Só falo depois que o Flávio falar”, disse. Mais cedo, havia negado que o aliado tivesse deixado o país.
Embora tenha se declarado “surpreso”, o senador disse compreender uma eventual decisão de Flávio de deixar o território brasileiro. Ressaltou, porém, que não participou de conversas sobre a viagem. “Então até compreendo caso Flávio tenha saído do Brasil. Não digo que concordo porque não fui consultado”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de concessão de asilo político pelo governo do presidente americano Donald Trump, Marinho disse não ter informações a respeito. Também reforçou que os dirigentes do PL não tinham conhecimento prévio de um eventual deslocamento do senador.
“Não tenho a notícia de que Trump daria asilo ao Flávio. Vamos deixar claro uma coisa: é evidente que não fomos comunicados sobre Flávio ter viajado, mas existe uma situação que precisa ser esclarecida”, declarou.
Ao comentar o episódio, Marinho criticou as medidas adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Flávio. O senador questionou a rapidez das decisões judiciais após a divulgação do resultado eleitoral e sustentou que a suspeita de uma conta conjunta entre o aliado e o advogado Willer Tomaz, apontada por ele como um dos principais elementos da investigação, teria sido afastada durante a apuração.
Segundo Marinho, a Polícia Federal solicitou medidas cautelares sete minutos depois da proclamação do resultado da eleição, e Moraes autorizou os pedidos aproximadamente uma hora e meia depois. Os horários mencionados pelo parlamentar não foram confirmados de forma independente.
“Em uma democracia, é muito estranho que um candidato a presidente seja alvo de medidas cautelares. Me parece uma preparação para uma coisa mais persecutória”, afirmou.
A ordem judicial foi expedida no processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro. Os dois negam irregularidades. O prazo para apresentar os passaportes à Polícia Federal terminou às 11h desta terça-feira, sem a entrega dos documentos.
O Departamento de Estado informou que concederá vistos a Flávio e à família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos.
Na segunda-feira 26, o parlamentar havia afirmado publicamente que cumpriria a determinação judicial e que não pretendia deixar o Brasil.
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