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Rio Grande do Norte
05 nov

Melão do RN conquista mercado do Sudeste Asiático, mas logística freia otimismo

Melão do RN conquista mercado do Sudeste Asiático, mas logística freia otimismo

O Rio Grande do Norte conquistou dois novos mercados para a exportação de melão: Indonésia e Malásia. A abertura desses novos destinos para exportação foi anunciada após uma missão oficial do governo brasileiro realizada entre os dias 23 e 28 de outubro aos respectivos países. O setor produtivo potiguar vê o anúncio com otimismo, mas avalia que a exportação não será possível inicialmente em razão de dificuldades logísticas e de infraestrutura.

Fábio Queiroga, presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do RN (COEX) afirma que apesar da abertura de mercados como a Indonésia e a Malásia, o estado não tem a infraestrutura necessária para atender à demanda desses novos destinos. “Não temos logística disponível para estes mercados, de forma que não há nenhuma perspectiva neste momento”, afirmou.

De acordo com Guilherme Saldanha, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Pesca, é possível atender à demanda: “Eu acredito que a gente pode ter a necessidade de produzir 20 a 25 mil hectares a mais de melão. Isso obviamente eu estou falando de 50 mil empregos de carteira assinada”, afirma.

Para ele, o desafio é fazer com que a fruta chegue nesses países em condições de consumo. “Nós temos condições sim. O grande desafio é a questão da logística para a fruta chegar com condições de ser consumida”, disse Saldanha.

Ele explica que a solução para este problema é estabelecer uma rota direta com o objetivo de reduzir o tempo de transporte para cerca de 28 a 30 dias. Se a fruta chegar dentro desse prazo, ela terá condições adequadas para ser distribuída e comercializada mantendo sua qualidade para o consumo.

A expectativa é de que a partir do próximo ano seja possível testar um navio menor em uma rota direta, sem paradas intermediárias. Atualmente, já existe uma rota de exportação pelo Porto de Pecém, mas com um tempo de transporte ainda longo, em torno de 42 dias, embora anteriormente ultrapassasse 50 dias. Antes, os navios seguiam para um porto na Europa, depois para o Oriente Médio, e só então chegavam à China, fazendo com que a fruta chegasse em condições inadequadas para comercialização e consumo.

Alan Silveira, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN), ressaltou a importância da abertura de novos mercados para o melão potiguar. “A abertura de novos mercados é fundamental para o desenvolvimento econômico, impulsiona o crescimento, aumenta a produtividade, cria empregos e renda e fortalece a balança comercial”, afirmou Silveira.

Mercado Chinês está aberto há seis anos

Embora um acordo para abertura do mercado chinês para o melão potiguar tenha sido assinado há seis anos, em outubro de 2019, o RN ainda não conseguiu se apropriar efetivamente desse mercado. A dificuldade, mais uma vez, esbarra na questão logística.

Fábio Queiroga explica que o principal obstáculo está relacionado à indisponibilidade das companhias marítimas abrirem rotas a partir de portos próximos ao RN com destino à China. “Possivelmente, só teremos esta rota quando houver estabelecimento de empresas chinesas em nossa região, recebendo materiais vindo da China, de forma que viabilize o trânsito de navios com cargas nos dois sentidos”, disse Queiroga.

Ele analisa ainda que, com o estabelecimento de uma rota marítima direta entre a China e o Brasil, seria possível atender a mercados como a Indonésia e a Malásia a partir dessa mesma via de navegação. “Com uma rota marítima de nossa costa para a China, poderia atender a estes dois países com essa mesma rota”, afirmou.

O secretário Alan Silveira (Sedec) informou que, para solucionar o problema, o Porto de Natal está em processo de reforma, por meio de um convênio recente assinado para realizar a dragagem do terminal, além de obras nas defensas da ponte, reforma de galpões e instalação de uma usina fotovoltaica.

A dragagem do Porto de Natal, que está orçada em R$ 60 milhões, está com processo licitatório em curso, com os recursos já assegurados. A obra visa ampliar a profundidade do canal de acesso do porto para a operação de navios maiores, essenciais para atender à crescente demanda das exportações de frutas e outros produtos.

Guilherme Saldanha ressaltou que a viabilidade de novas rotas de exportação, incluindo a possibilidade de aumentar o número de navios, depende de decisões comerciais entre compradores e vendedores. “Essa questão da exportação envolve muita decisão comercial e privada entre compradores e vendedores”, afirma.

  • RN tem potencial em fruticultura

O melão é o principal produto de exportação do RN e, para a safra 2025/2026, a expectativa é alta. O Porto de Natal espera movimentar até 300 mil toneladas de frutas frescas, um volume que representa o dobro da quantidade exportada na safra anterior.

“Nosso estado é muito forte na fruticultura irrigada e já exportamos para diversos países. Essa competição nos mercados globais estimula a inovação e aprimoramento de nossos produtos e serviços”, ressaltou o secretário.

Em 2025, o RN expandiu a presença no comércio internacional. Foram 75 países alcançados, com a conquista de 8 novos mercados, entre eles Geórgia, Mauritânia, Suécia e Ucrânia.

Para o secretário Guilherme Saldanha, a localização geográfica do RN também favorece o setor: “O Rio Grande do Norte tem uma situação geográfica, uma posição geográfica espetacular. Nós temos segurança hídrica, temos estradas que nos permitem escoar bem a produção”.

Foto: Emanuel Amaral/Arquivo TN

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