bannner-geraldo
Rio Grande do Norte
17 out

Relatório final sobre cassação de Brisa deve estar pronto nos próximos 15 dias

Relatório final sobre cassação de Brisa deve estar pronto nos próximos 15 dias

O processo de cassação da vereadora Brisa Bracchi (PT) na Câmara Municipal de Natal entrou em sua fase decisiva. O relator do caso na comissão especial, vereador Fúlvio Saulo (Solidariedade), afirmou em entrevista nesta quinta-feira 16 que seu parecer final deve ser concluído em aproximadamente 15 dias. A expectativa é que a votação em plenário ocorra já em novembro.

Atualmente, o processo aguarda a apresentação da defesa da vereadora, que tem um prazo de cinco dias para se manifestar após a fase de oitivas e a inclusão de novos elementos, como vídeos. Em seguida, a comissão especial terá mais cinco dias para elaborar e apresentar seu relatório, que recomendará a cassação ou o arquivamento do pedido para cassar o mandato da vereadora.

“O meu papel é de pegar tudo que está no processo e fazer as considerações”, explicou o relator, ressaltando a delicadeza do caso. “O julgamento de um colega sempre é difícil […] Eu tento me isentar o máximo possível, porque eu sou relator. Eu nem posso acusar, nem posso defender”, completou Saulo durante sua participação no Jornal da Mix, da Mix FM Natal.

A acusação, formalizada pelo vereador Matheus Faustino (União), alega que Brisa Bracchi utilizou uma emenda parlamentar de R$ 18 mil para financiar um evento político-partidário. Isso porque dias antes do evento cultural “Rolê Vermelho”, ela convidou os participantes a usar o momento para comemorar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relator disse que o processo inicialmente carecia de substância, mas foi robustecido com novas informações.

Fúlvio Saulo enfatizou que seu parecer será estritamente técnico. “Esse processo vai ser judicializado. Então, não adianta a gente se afobar em um pré-julgamento. O cuidado é para que o relatório que colocarmos para ser votado no plenário seja o mais técnico possível”, afirmou.

A comissão especial que analisa o caso é presidida pela vereadora Anne Lagartixa (Solidariedade) e conta também com o vereador Daniel Valença (PT) como membro. Após a apresentação do relatório de Fúlvio Saulo, o parecer será submetido à votação de todos os vereadores no plenário da Câmara.

Para que a cassação seja aprovada, são necessários os votos de 20 dos 29 vereadores. No entanto, o relator disse não ter segurança para prever quanto à existência de apoio político para uma punição tão severa, com o número de votos necessários para prosseguir a cassação da parlamentar. A Câmara aprovou a abertura do processo de cassação do mandato da vereadora em 19 de agosto.

Pressão e posicionamentos

Na entrevista, o vereador também admitiu estar recebendo mensagens em redes sociais sobre o caso, mas garantiu que não se deixa influenciar pela polarização política. “Eu não me contaminei pelo ódio. Tenho minhas convicções políticas partidárias, mas não me contaminei”, finalizou.

A postura do relator tem sido alvo de críticas por parte do autor do pedido. Em nota enviada à imprensa nesta quarta-feira 15, o vereador Matheus Faustino demonstrou insatisfação com a condução dos trabalhos, acusando Fúlvio Saulo de favorecer a petista por não ter sido “contundente” durante o depoimento.

“Vejo risco real de a cassação não acontecer neste momento. Não vi uma postura condizente de quem quer investigar e cassar quem realmente cometeu irregularidades”, declarou Faustino no comunicado.

Por sua vez, a vereadora Brisa Bracchi se manifestou em suas redes sociais, classificando o processo como uma manobra para calar sua atuação parlamentar. “Não tenham dúvidas, trata-se de uma tentativa de silenciar o nosso mandato”, disse em vídeo. Segundo a vereadora, não existe embasamento jurídico para a denúncia.

“Somos líder da oposição em Natal. Fiscalizamos, denunciamos e ecoamos vozes de quem não se sente representado pela atual gestão. E essa atuação ousada incomoda”, afirmou Bracchi.

Entenda rito do processo: fase de instrução e relatório

Após a defesa preliminar, a Comissão decide em cinco dias se arquiva ou inicia a Fase de Instrução (investigação formal). Nessa fase, a Comissão realiza oitivas (denunciado e testemunhas), requisita provas e faz diligências, devendo intimar o denunciado previamente de todos os atos para garantir a ampla defesa.

A instrução tem um prazo máximo de 90 dias corridos (a partir da notificação inicial), findo o qual o processo é arquivado automaticamente. No caso de Brisa Bracchi, a Câmara de Natal ouviu nesta terça-feira 14 o último depoimento na oitiva da comissão especial.
Encerrada a instrução, a Comissão elabora um relatório (pela absolvição ou cassação), que é pautado na sessão seguinte. O vereador acusado deve ser intimado sobre o julgamento com, no mínimo, 24 horas de antecedência.

Julgamento em plenário

O julgamento é feito em sessão especial do plenário. O presidente da Câmara conduz os trabalhos, concedendo a palavra ao relator e, em seguida, ao vereador acusado ou a seu advogado, que pode fazer sustentação oral por até 2 horas.

A votação é nominal e aberta, ou seja, cada vereador declara publicamente seu voto. Para que haja cassação, é necessário o apoio de dois terços dos vereadores da Câmara. Se não houver esse quórum, o processo é encerrado e o vereador absolvido.

Consequências da cassação

Se aprovada a cassação, a decisão é formalizada em Decreto Legislativo, publicado no Diário Oficial do Município. O ato é comunicado imediatamente ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), para que seja providenciada a posse do suplente.

A perda do mandato é imediata, e o suplente convocado assume na sessão seguinte. No caso de Brisa, o primeiro suplente da federação PT-PV-PCdoB é a ex-vereadora Júlia Arruda (PCdoB) – que atualmente é secretária estadual de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Todo o processo segue os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Sem o cumprimento de cada etapa e de cada prazo, o processo não pode prosseguir.
Assim, o Regimento Interno da Câmara de Natal estabelece um equilíbrio entre a necessidade de preservar a dignidade do parlamento e a proteção contra cassações arbitrárias.

Foto: Elpidio Júnior/CMN

Agora RN

CURRAIS-NOVOS-BLOG-NOVEMBRO-JEAN-SOUZA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WhatsApp