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Rio Grande do Norte
25 jul

Setor da pesca diz que, com tarifaço, embarcações não vão sair em agosto

Setor da pesca diz que, com tarifaço, embarcações não vão sair em agosto

O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte pode enfrentar grandes desafios com o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, anunciado pelos Estados Unidos. Em visita à empresa Produmar, o presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), Roberto Serquiz, discutiu os impactos da medida que estabelece uma tarifa de 50% sobre a importação de pescados brasileiros. De acordo com especialistas da indústria, caso a tarifa seja mantida, embarcações de pesca do Estado podem deixar de operar a partir de agosto.

Serquiz destacou a importância da visita técnica à empresa, uma das principais exportadoras de pescados do RN, para avaliar os possíveis danos que o aumento da taxação pode causar ao setor. Também ressaltou o trabalho em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para buscar alternativas, “como estamos fazendo desde o começo, para levarmos os dados ao governo brasileiro”. O objetivo, segundo ele, é mitigar os efeitos da medida imposta pelo governo norte-americano.

Segundo o diretor da Produmar e presidente do Sindicato da Indústria da Pesca (Sindipesca-RN), Arimar França Filho, o RN exporta anualmente cerca de US$ 50 milhões em produtos pesqueiros para os Estados Unidos. Ele alertou que, se a tarifa não for revista, as embarcações não sairão para a pesca a partir do próximo mês, o que pode impactar toda a economia local. “A CNI tem um acesso muito bom com o Governo e estamos aguardando para entender quais são as alternativas”, afirmou.

Entre janeiro e junho de 2025, o Estado exportou mais de US$ 11,5 milhões em peixes frescos ou refrigerados para os Estados Unidos, de acordo com dados do Observatório da Indústria MAIS RN. O setor pesqueiro está entre os cinco principais segmentos exportadores do Estado, ao lado de óleos de petróleo (US$ 24, 3 milhões) e produtos de origem animal (US$ 10,3 milhões), que ocupam a primeira e terceira colocação, respectivamente.

O aumento da tarifa de 10% para 50% foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 9 de julho de 2025. A medida começa a valer em 1º de agosto e foi direcionada ao Brasil por meio de uma carta ao presidente Lula (PT). Em resposta, o governo brasileiro criticou a decisão e anunciou que tomará medidas de retaliação por meio da Lei de Reciprocidade Econômica. Antes, o País tinha ficado com a sobretaxa mais baixa, de 10%, nas chamadas tarifas recíprocas, anunciadas pelo presidente norte-americano em 2 de abril.

Segmento vai enfrentar paralisia se tarifa de Trump for implantada, alerta Sindipesca

Em entrevista ao AGORA RN no último dia 12, o presidente do Sindipesca-RN, Arimar França Filho, já havia alertado para a possibilidade da paralisação total da pesca oceânica de atum no RN, devido ao tarifaço. Na ocasião, ele afirmou que a margem de lucro do setor varia entre 10% e 15%, apenas, e como até 80% do atum pescado no Estado é exportado para os Estados Unidos, o setor não terá capacidade para competir caso a tarifa de 50% seja mantida. Isso afetaria, ainda, aproximadamente 1 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.

Segundo Arimar, o setor espera para o próximo mês, o primeiro após a implementação da tarifa, a possibilidade de uma mudança na política dos Estados Unidos. No entanto, ele não descarta demissões caso a sobretaxa seja mantida por mais tempo. “Vamos aguentar o primeiro mês, mas posteriormente, se não houver reversão, não tem muito o que fazer”, afirmou na ocasião.

Embora as embarcações ainda operem, as exportações de atum para os Estados Unidos estão sendo suspensas gradualmente. O setor planeja realizar o último embarque até o dia 27 deste mês, com a interrupção das remessas prevista para o dia 30. Arimar alertou que, ao contrário do que se imagina, a suspensão das exportações não deve resultar em uma queda no preço do atum no mercado interno. Pelo contrário, a escassez do produto devido à paralisação da pesca poderá elevar os preços. “Vai aumentar o preço porque a frota vai diminuir. Vai ter menos oferta”, afirmou.

Diálogo como solução

Em relação à postura do governo brasileiro frente à tarifa, Arimar defendeu que a solução deve passar pelo diálogo entre as partes envolvidas. Ele destacou que, embora o setor evite envolvimento político direto, a polarização tem prejudicado a economia e os setores produtivos, que se veem no meio de um embate político sem uma resolução clara. “Tudo tem que ter conversa, né? Tem que ter diálogo. A intransigência de ambos os lados é muito difícil”, completou.

A pesca oceânica de atum no estado é mais intensa durante o período de lua cheia, que em agosto ocorrerá entre os dias 9 e 16. Caso a tarifa de 50% seja mantida, a frota de barcos do Rio Grande do Norte não deverá ir ao mar nesse período crítico, comprometendo ainda mais a produção e as exportações para o mercado norte-americano.

Foto: José Aldenir

Agora RN

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