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02 jul

Uso de IA e combate às fake news: presidenciáveis se adaptam às novas regras do TSE

Uso de IA e combate às fake news: presidenciáveis se adaptam às novas regras do TSE

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com a aproximação do início da campanha eleitoral, marcada para 16 de agosto, as equipes de marketing dos pré-candidatos à Presidência da República intensificam o planejamento das estratégias digitais. O desafio, porém, vai além da disputa por engajamento nas redes sociais: as campanhas também precisam se adaptar às regras mais rígidas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre o uso de inteligência artificial (IA) e o combate à desinformação nas eleições de 2026.

O TSE tem reforçado que o enfrentamento à desinformação será uma das prioridades da Corte neste pleito. Recentemente, o tribunal aprovou alterações na resolução que trata da propaganda eleitoral, entre elas a exigência de maior transparência no uso de IA nas campanhas em plataformas digitais.

Pela norma, o responsável pela propaganda deverá informar de forma explícita quando houver uso de conteúdo sintético multimídia — ou seja, materiais criados integralmente ou alterados de forma significativa por inteligência artificial ou tecnologia semelhante.

Em caso de descumprimento das normas, o conteúdo poderá ser removido imediatamente, por iniciativa da plataforma ou por determinação judicial. Além da exclusão do material, os responsáveis poderão ser multados em valores que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil.

A reportagem entrou em contato com equipes de marketing de pré-candidatos à Presidência para entender como as campanhas estão se adaptando às novas exigências do TSE.

Ronaldo Caiado

Para o marqueteiro Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha de Ronaldo Caiado (PSD), a inteligência artificial deve ser usada como ferramenta de apoio, sem substituir a autenticidade da comunicação política.

“A IA representa uma evolução tecnológica importante e pode ajudar na resolução de problemas, na construção de cenários e na otimização de processos. Mas, em campanhas políticas, ela não pode afastar o candidato das pessoas. Quanto mais criatividade, autenticidade e conexão real houver, mais eficiente tende a ser a comunicação”, afirma.

Segundo Vasconcelos, a IA pode acelerar análises e simplificar processos que antes levariam dias para serem concluídos.

“Ela precisa ser usada de forma inteligente, para encurtar caminhos e tornar a comunicação mais eficiente”, diz.

O marqueteiro afirma ainda que a equipe está atenta às regras estabelecidas pelo TSE.

“Respeitar a legislação é fundamental. Cumprir as regras demonstra responsabilidade, solidez e confiança. Quando se tenta burlar a lei, isso também transmite fragilidade”, avalia.

Na visão dele, um dos principais desafios da campanha será captar a atenção do eleitor em um ambiente de comunicação cada vez mais fragmentado.

“O tempo de campanha é curto, enquanto o público está dividido entre televisão, streaming e redes sociais. O grande desafio é conseguir se destacar e se conectar com o eleitor nesse ambiente”, conclui.

Samara Martins

A equipe da pré-candidata Samara Martins (Unidade Popular) afirmou à reportagem que tem utilizado as redes sociais para mostrar o trabalho realizado nas ruas.

“Usamos as redes digitais para divulgar nosso trabalho nas ruas, fábricas e universidades, porque nosso objetivo vai além da eleição: é a organização dos trabalhadores e do povo.”

Sobre o uso de IA, a equipe afirmou que a tecnologia não substitui o trabalho humano.

“Entendemos que a inteligência artificial não substitui o trabalho indispensável da classe trabalhadora. A produção do nosso conteúdo é feita pela militância de jovens, mulheres e trabalhadores informais, que constroem a comunicação da nossa pré-candidatura.”

Como protocolo para garantir conformidade com as regras do TSE, a equipe afirma que fará checagens constantes.

“Nosso protocolo é a checagem de todos os materiais e fontes para evitar desinformação. Temos ganhado cada vez mais apoio do povo trabalhador por defender a verdade e abordar temas que a grande mídia muitas vezes não traz.”

Para a equipe, o principal desafio é enfrentar a desigualdade na disputa eleitoral, especialmente em relação ao acesso aos meios de comunicação.

“Somos impedidos de ter acesso à televisão e ao rádio. Também na internet enfrentamos desigualdades, com candidatos que investem milhões em impulsionamento e ainda contam com algoritmos que ampliam determinados conteúdos.”

Augusto Cury

A equipe do pré-candidato Augusto Cury (Avante) afirmou que o partido dispõe de fundo eleitoral e de tempo de TV, ainda que limitado, por ter representação no Congresso Nacional.

“A pré-campanha de Augusto Cury pretende aproveitar todos os espaços possíveis para divulgar sua candidatura, ainda pouco conhecida pela maior parte do eleitorado. Mesmo assim, ele já aparece tecnicamente empatado com nomes mais conhecidos, em razão de sua trajetória como psiquiatra e escritor, com mais de 42 milhões de livros vendidos em 90 países”, informou a equipe.

Sobre o uso de IA nas redes sociais, a campanha afirmou que seguirá integralmente as regras e exigências do TSE.

“A estratégia digital de Augusto Cury é apresentá-lo ao eleitorado como uma alternativa fora da polarização, com propostas centradas no que importa para os brasileiros e foco nas pessoas.”

Outros pré-candidatos

A reportagem também entrou em contato com a equipe do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que agradeceu o espaço, mas optou por não participar.

A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi procurada, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

R7

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