Inflação de alimentos no Brasil reflete pressões estruturais como combustíveis
Foto: José Aldenir/Agora RN
A inflação de alimentos no Brasil apresenta características estruturais e tem impactado de forma mais intensa os produtos frescos em comparação aos industrializados, segundo estudo divulgado nesta terça-feira 31, pela organização ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori. A análise sugere que o encarecimento da alimentação não decorre apenas de fatores conjunturais, mas de elementos permanentes ligados à organização da economia nacional.
O levantamento foi elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior e aponta que a dinâmica de preços dos alimentos no País não pode ser explicada apenas por oscilações sazonais, como variações de safra, nem por choques temporários, como flutuações cambiais. Segundo o estudo, há uma base estrutural que sustenta a elevação contínua dos preços. De acordo com o pesquisador, a inflação alimentar no Brasil está associada a características históricas do modelo de desenvolvimento econômico.
Esse padrão, segundo ele, dificulta a reversão dos aumentos, mesmo após períodos de crise ou de redução de custos, como o caso dos combustíveis atrelados à guerra. Os dados mostram que, entre junho de 2006 e dezembro de 2025, o custo da alimentação subiu 302,6%, enquanto a inflação geral medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 186,6%. Na prática, o encarecimento dos alimentos superou em 62% a inflação oficial, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias.
O impacto é mais intenso nos alimentos in natura. No período analisado, frutas registraram alta de 516,2%, carnes avançaram 483,5% e tubérculos, raízes e legumes subiram 359,5%. Como consequência, houve perda de poder de compra para itens considerados mais saudáveis, enquanto produtos ultraprocessados ganharam espaço na cesta de consumo. Segundo o estudo, essa mudança está associada à menor volatilidade de preços dos alimentos industrializados, que utilizam insumos padronizados e aditivos, além de dependerem de cadeias produtivas mais concentradas.
Agora RN