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05 set

Carlos Alberto Parreira recebe alta após quase três meses internado

Carlos Alberto Parreira recebe alta após quase três meses internado

© Getty Images

Carlos Alberto Parreira, 83, recebeu alta do Hospital Samaritano Barra, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, na manhã deste sábado (5), após quase três meses de internação.

“É com grande satisfação que o Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, informa que, após 80 dias internado, Carlos Alberto Parreira receberá alta médica neste sábado (5)”, informou a instituição, em nota.

Parreira deixou a unidade por volta das 11h. “A partir de agora, ele fará acompanhamento domiciliar e ambulatorial para monitoramento do seu quadro geral”, acrescentou o comunicado.

O ex-técnico da seleção brasileira foi internado em 16 de junho na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital, onde permaneceu sob os cuidados do pneumologista intensivista Arthur Vianna e de uma equipe assistencial e multidisciplinar.

“Ele foi internado por insuficiência respiratória aguda provavelmente causada por uma toxicidade pulmonar medicamentosa. Foi submetido a ventilação mecânica invasiva, hemodiálise e uma série de procedimentos para manter a vida”, afirmou Vianna.

Ao longo da internação, Parreira chegou a respirar com a ajuda de aparelhos e precisou ser submetido a uma cirurgia para conter um sangramento nasal.

Em 2024, Parreira realizou quimioterapia para tratar um linfoma de Hodgkin.
Comandante da campanha do Brasil no tetracampeonato da Copa do Mundo de 1994, Parreira participou por vídeo da apresentação de Carlo Ancelotti na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), no ano passado. Na ocasião, ele estava nos Estados Unidos e saudou a chegada do italiano em uma gravação.

Parreira foi preparador físico da seleção brasileira no tricampeonato mundial de 1970, comandada por Zagallo, e técnico do tetra, em 1994. A dupla voltou a trabalhar na seleção na Copa do Mundo de 2006 –Parreira como treinador e Zagallo como auxiliar.

Parreira também integrou a comissão técnica do Brasil na Copa do Mundo de 2014, disputada em casa e comandada por Luiz Felipe Scolari.

Além das quatro Copas do Mundo em que acompanhou a seleção brasileira, Parreira dirigiu Kuwait, em 1982, Emirados Árabes Unidos, em 1990, Arábia Saudita, em 1998, e África do Sul, em 2010.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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05 set

Ala pró-Mendonça vê tentativa de Moraes de contaminar todo o STF para se blindar

Ala pró-Mendonça vê tentativa de Moraes de contaminar todo o STF para se blindar

© Getty Images

Uma ala de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) tem avaliado a tentativa de Alexandre de Moraes de abrir uma investigação contra André Mendonça por abuso de autoridade como uma ação para envolver todo o tribunal na disputa. A medida, anunciada na quinta (3), gerou desconfortos internos, especialmente entre magistrados próximos a Mendonça.

Para um grupo de ministros, Moraes tenta equiparar condutas de diferentes colegas surgidas ao longo da investigação do caso do Banco Master e angariar apoios internos. Dessa forma, ele contaminaria todo o tribunal e ampliaria a crise já instalada.

Ainda segundo esse grupo, as condutas apontadas por Moraes em suas acusações a Mendonça não são comparáveis ao elo identificado entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Há, ainda, um entendimento de que Moraes também extrapolou na resposta a Mendonça ao escolher o inquérito das fake news como meio de contra-ataque. O procedimento é controverso e há uma discussão ao menos desde a gestão de Luis Roberto Barroso (2023-2025) de que ele deveria ser encerrado.

Dessa forma, essa ala de ministros argumenta que Moraes abriu ainda mais espaço para críticas à corte e afastou o tribunal da possibilidade de retomar a normalidade. Segundo essa visão, Moraes deveria ter somente enviado um ofício ao presidente da corte pedindo providências diante do que considerou abuso de autoridade por parte de Mendonça.

Os ministros relatam, nos bastidores, terem sido avisados por Fachin, presidente do STF, da decisão de pedir explicações a todos os envolvidos no caso: Mendonça e Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A decisão de Moraes no âmbito do inquérito das fake news, no entanto, pegou colegas de surpresa. Para os magistrados críticos aos métodos de Moraes, ele poderia explicar as alegações contra ele em vez de envolver outros membros.

Na medida assinada na quinta, Moraes diz que há relatórios de inteligência da PF que falam em direcionamento da produção de provas para falsa imputação de crimes a ministros do STF, com expressa citação a ele próprio, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

O filho de Kassio, o advogado Kevin de Carvalho Marques, recebeu R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025 de uma consultoria que atuou para o Master. Já o filho de Fux, Rodrigo Fux, recebeu uma oferta de ingresso para o camarote VIP de Daniel Vorcaro na Marquês de Sapucaí. Convidado pelo ex-banqueiro, ele assistiu ao Desfile das Campeãs do Carnaval do Rio, em 2025.

No caso de Toffoli, a Folha revelou em janeiro que empresas da família foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Master. A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação, em fevereiro.

O caso de Moraes inclui a revelação de que o escritório de advocacia da esposa dele, Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master, além de mensagens de Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa.

Também despertou incômodo o fato de Moraes ter incluído crime de responsabilidade nas práticas que quer ver apuradas. A escolha foi vista como um sinal de que o magistrado enxerga a possibilidade de impeachment de Mendonça.

Nesse caso, aliados de Mendonça no tribunal afirmam, sob reserva, que Moraes é o alvo do maior número de pedidos do tipo no Senado, casa legislativa responsável por processos desse tipo, enquanto o relator do Master é destinatário de apenas um.

De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação “por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares” a serem apresentadas pela Polícia Federal.

Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador é um aliado de Moraes. E, como presidente do Senado, é o responsável por abrir pedidos de impeachment de ministro do Supremo.

Ainda na terça, Alcolumbre afirmou não ser normal haver 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF. A declaração foi uma resposta às novas mensagens de Vorcaro e Moraes.

A oposição bolsonarista do Congresso e o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, voltaram a pressionar pelo impeachment de Moraes. Mas aliados de Alcolumbre consideram que a chance de um processo como esse avançar no momento é zero.

SUSPEITAS E INCONSISTÊNCIAS NA ATUAÇÃO DE MORAES
– Edição de contrato com escritório de advocacia da esposa
– Pagamento do Banco Master ao escritório de advocacia da esposa
– Acesso prévio a investigações policiais
– Conversa com Vorcaro sobre fuga
– Relatório sem valor probatório no pedido de investigação contra Mendonça

SUSPEITAS E INCONSISTÊNCIAS NA ATUAÇÃO DE MENDONÇA
– Ordenar investigação de ministro sem passar pelo plenário
– Pressão sobre a PF e pedido acesso a dados brutos
– Extrapolou a função de juiz, segundo a PGR
– Mirou favorecimento de grupos políticos, segundo Moraes
– Encontro com Vorcaro antes de assumir a relatoria e antes de deflagração da operação

LINHA DO TEMPO DA DISPUTA
– 24.ago – Mendonça pede relatório à PF
– 27.ago – Mendonça recebe relatório sobre Moraes
– 1º.set – Mendonça retira sigilo e pede sessão a Fachin
– 1º.set – Suspeitas contra Moraes vem à tona
– 1º.set – Gonet defende anulação do relatório
– 2.set – Mendonça admite encontro privado com Vorcaro
– 3.set – Fachin manda Mendonça, Moraes, Gonet e chefe da PF prestarem informações
– 4.set – Fachin retira pedido de Moraes do inquérito das fake news

ANA POMPEU
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

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05 set

Novo mapa-múndi corrige tamanho da África, América do Sul e Ásia

Novo mapa-múndi corrige tamanho da África, América do Sul e Ásia

No mapa-múndi, a África, a América do Sul e o Sul da Ásia foram representados, desde o século 16, menores do que são. Nessa sexta (4), a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu corrigir a distorção ao examinar a proposta intitulada “Corrija o mapa”, liderada pelo Togo e outros países africanos.

Ao todo, representantes de 164 países votaram a favor da mudança. Apenas os Estados Unidos foram contrários. Houve seis abstenções. A proposta altera a representação cartográfica global para “mostrar de forma mais justa algumas regiões do mundo”, como explica a ONU.

Ao discursar antes da votação, o ministro das Relações Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, disse que a aprovação envia a mensagem de que a Assembleia Geral acredita na “verdade científica”. 

Ainda, de acordo com ele, a decisão reforça a equidade de representação e a dignidade dos povos. Para ele, não se trata apenas de corrigir um mapa e sim de corrigir a percepção. 

Distorção

Segundo o argumento, a projeção de Mercator, concebida em 1.569 para fins de navegação, foi amplamente usada em materiais educacionais, midiáticos, digitais e oficiais.

No entanto, a distorção fez com que as massas de terra ao Norte e ao Sul da linha do Equador fossem ampliadas. Essa representação fez com que se perpetuasse “uma visão desequilibrada do mundo”, apontaram os africanos.

O texto ainda afirma que a correção dessas distorções cartográficas de dimensões continentais vai proporcionar “justiça cognitiva e reparação memorial” para fomentar a compreensão mútua entre os povos.

Precisão

Os representantes da União Africana apresentaram o modelo de “Terra Igual” como a projeção cartográfica que representaria com mais precisão as dimensões de todos os continentes. A ONU espera que a aprovação da resolução encoraje a adoção desse modelo por governos, organizações internacionais e outras entidades.

Ainda nos argumentos da União Africana, os mapas constituem uma ferramenta educacional, científica e cultural fundamental que “molda a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos”.

Segundo o texto, as distorções têm impactos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos e constituem “vieses históricos, cuja correção promoverá reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.

A ONU argumentou que o Pacto para o Futuro, aprovado pelos Estados-Membros em 2024, enfatizou a necessidade de eliminar os vestígios de desigualdades históricas e estruturais e de erradicar todas as formas de discriminação.

Agência Brasil

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05 set

Saúde mental após perda gestacional requer atenção de profissionais

Saúde mental após perda gestacional requer atenção de profissionais

Nascida em uma família grande em Manaus, Kalyane Ribeiro não imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas, aos 32 anos, após um ano e meio de tentativas, ela passou pela perda gestacional precoce, uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até a 20ª semana da gestação.

“Eu sempre falo para as pessoas que quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro, e as pessoas que estão do lado de fora não conseguem saber o que tem lá”, disse. 

O cuidado e a atenção com a saúde mental após a perda gestacional, como a vivida por Kalyane, são ainda negligenciados, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Neste Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio no Brasil, a associação chama atenção para a questão.

Muitas vezes, a perda gestacional é negligenciada por familiares, amigos e até mesmo por profissionais de saúde, conta Kalyane.

“As pessoas do mundo real, aqui fora, elas não querem saber. Você só escuta um ‘você vai ter que tentar de novo, vai dar certo’. Só que não é uma questão de substituir o filho, né? A gente não tá procurando um substituto”, diz.

Trauma

A perda gestacional constitui um evento traumático e exige acolhimento e assistência especializada, ressalta o vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo, o obstetra Romulo Negrini.

Independentemente da idade gestacional, a perda pode provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e perda do interesse pelas atividades do dia a dia. Sofrer intensamente nesse momento é uma reação humana esperada e não significa, por si só, que a mulher tenha desenvolvido uma doença psiquiátrica”, diz Negrini.

De acordo com o obstetra Eduardo Felix Martins Santana, entre 15% e 20% das gestações não evoluem. O integrante da Comissão da Febrasgo e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do curso de Pós-Graduação do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta a necessidade de apoio durante o luto.

“É um desafio passar por isso e é muito importante que a mulher não passe por isso sozinha”, enfatiza Santana.

A psiquiatra Andréa Cristina Galastri, professora do Instituto de Educação Médica (Idomed), acrescenta que questões hormonais que fazem parte do processo da perda também impactam a saúde mental. As alterações hormonais duram cerca de 15 dias, de acordo com a médica.

“Os hormônios aumentam durante a gravidez e no pós-parto da mulher. Os hormônios são para manter a placenta, para manter o feto viável. Então, quando a mulher tem a perda da gestação, os hormônios também caem. Então, junto à queda hormonal, que seria igual a uma TPM [tensão pré-menstrual], só que maior, tem a questão da sensibilidade da perda”, explica.

Alerta

Segundo Galastri, o quadro se agrava quando o estado persiste, e a mulher apresenta ansiedade, depressão e chega a achar que não tem mais razão para viver ou se considerar um fracasso. “Aí, o quadro já está bem grave”, afirmou a médica.

Se ela começa a perder função, para de comer, não consegue mais dormir, o choro não para em nenhum momento do dia e aquilo vai durando mais de 15 dias, mais de um mês, aí já se tem um problema mais grave, passível de tratamento, descreve.

“O sofrimento é esperado e é natural. Mas a paralisia da vida, não”, afirmou a médica.

Quando se chega ao ponto de ter um sofrimento que desencadeia uma depressão posterior, ou um luto patológico, a indicação é psicoterapia e medicação, para reajustar a parte bioquímica que o estresse altera.

Papel dos médicos

O obstetra Eduardo Felix Martins Santana defende que, para lidar com uma mulher que tenha passado pela experiência de perda gestacional, a primeira regra é aproximá-la do cuidado, envolvendo o cuidado médico, familiar e dos amigos.

A pessoa vai passar por diferentes estágios de aceitação, negação, raiva, tristeza profunda. “E a verdade é que, para todos eles, a gente precisa de acolhimento”, ressalta.

Para Santana, é preciso que haja uma proatividade dos médicos, dos órgãos que regulamentam os profissionais médicos e das sociedades médicas. Ele destaca que, na Febrasgo, existe essa comissão que presta assistência ao abortamento, parto e pós-parto.

“Existe essa preocupação. O problema está em difundir isso para todo o Brasil. É um desafio muito grande”.

“A gente precisa que os médicos corram atrás também dessa assistência e se preocupem com esse estado. Porque se formos esperar a paciente retornar ao consultório quando já está deprimida, vamos perder muita gente”.

Rede de apoio

Hoje aos 34 anos, Kalyane atua na área de marketing em Campinas, no estado de São Paulo, onde vive com o marido. Ela conta que encontrou força, além da ajuda profissional, também nas experiências de outras mulheres.

04/09/2026 - Rio de Janeiro – Vinda de uma família grande em Manaus, Kalyane Ribeiro não imaginava que teria dificuldades para engravidar. Mas aos 32 anos, após um ano e meio de tentativas, ela passou pela perda gestacional precoce, uma interrupção involuntária da gravidez que pode ocorrer até à décima segunda ou a vigésima semana da gestação. Foto: Kalyane Ribeiro/Arquivo Pessoal
Kayane Ribeiro criou comunidade na internet para reunir mulheres que viveram essa experiência. Foto: Kalyane Ribeiro/Arquivo Pessoal

Por não encontrarem espaços de acolhimento onde realmente possam se sentir ouvidas, diversas mulheres procuram comunidades online onde podem conversar, trocar experiências e falar sobre assuntos mais cotidianos. Kalyane é responsável por uma dessas comunidades, que nasceu da sua presença nas redes sociais. 

“Não é todo mundo que está preparado para ouvir e lidar com esse sentimento. Eu abri essa conta no TikTok e comecei a me conectar com as mulheres que passaram por isso”. 

“Chegaram mulheres de todas as faixas etárias, desde meninas de 13 anos que passaram por perda gestacional, às vezes, meninas que engravidaram de seus abusadores e mesmo assim queriam continuar com essa gravidez, até mulheres que tiveram uma perna gestacional há mais de 20 anos e nunca tiveram a oportunidade de conversar sobre isso com outras pessoas”. 

Desses encontros e conversas, surgiu o livro Ainda me Sinto Mãe — mesmo nome da página nas redes sociais —, uma série de textos escritos por Kalyane, que já atuou profissionalmente como pedagoga, acerca das experiências vividas por ela e outras mulheres com a perda gestacional. 

Onde buscar ajuda

Pessoas com pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos, educadores e também em serviços de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, é muito importante conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda, inclusive para serviços de saúde.

Serviços de saúde que podem ser procurados para atendimento: 

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
  • UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
  • Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (188), e-mailchat e voip 24 horas todos os dias.

*Estagiária sob supervisão de Mariana Tokarnia.

© Tomaz Silva/Agência Brasil

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05 set

Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes

Eleições 2026: candidaturas de autistas aumentam mais de cinco vezes

As candidaturas de pessoas que se declaram autistas cresceu mais de cinco vezes entre as eleições gerais de 2022 e as de 2026, saltando de 13 para 70 os pedidos de registro.

Trinta e nove desses candidatos concorrem a uma vaga como deputado estadual. Outros 22 almejam ser eleitos deputado federal. Há também cinco candidatos à Câmara Legislativa do Distrito Federal; três a vice-governador e um primeiro suplente.

Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e vão na contramão das candidaturas gerais, que diminuíram de 29.262, em 2022, para 20.829, este ano – dado que ainda pode variar, conforme o TSE atualiza sua base de dados.

Segundo o Ministério da Saúde, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do desenvolvimento do cérebro que pode afetar a comunicação, as interações sociais e os comportamentos, manifestando-se de formas diferentes em cada pessoa, de quadros leves até casos que exigem maior apoio.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria (APA), classifica o TEA em diferentes níveis de suporte, conforme o grau de autonomia de cada pessoa. Em geral, uma pessoa com autismo de nível 1 de suporte que recebe ajuda adequada tem plenas condições de trabalhar, estudar, praticar atividades culturais e físicas, desenvolvendo uma vida independente e exercendo plenamente sua cidadania.

Deficiências

No total, 524 candidatos declararam à Justiça Eleitoral que têm algum tipo de deficiência física (208); visual (112); auditiva (59) entre outras (145), incluindo o autismo.

Em 4 de outubro, data do primeiro turno, eles disputarão a preferência de cerca de 158,74 milhões de eleitores, dos quais aproximadamente 1,97 milhão têm algum tipo de deficiência – um crescimento de 42% em relação aos 1,38 milhão registrados em 2022.

Mãe de duas filhas autistas e há 30 anos militando a favor da promoção e garantia dos direitos das pessoas com deficiência, a presidenta da Associação Vozes Atípicas (AVA) e terapeuta Simone Alli Chair, considera que o aumento do número de candidaturas é reflexo da crescente visibilidade social que o segmento vem conquistando ano a ano.

“Graças aos avanços da ciência, hoje são diagnosticados casos que, até há pouco tempo, não eram considerados. Isso não significa que o número de autistas, por exemplo, é maior, mas sim que, antes, os casos eram subnotificados. De qualquer forma, estas pessoas estão chamando cada vez mais atenção”, ponderou Simone

Consequentemente, acrescenta a ativista, o número de candidaturas também vem aumentando gradualmente para todos os cargos. “Como o tema parece estar em alta, há cada vez mais candidatos e políticos tentando se aproximar do segmento”, acrescentou Simone. Porém, ela alerta que nem sempre este aparente interesse vem acompanhado de compromisso real com a causa.

“Muitos candidatos não estão interessados em realmente nos ajudar, mas sim em arregimentar eleitores. Quando chega a hora de pedirmos apoio a projetos que beneficiem nossa comunidade, querem condicioná-la à propaganda, nos deixam em segundo plano ou ignoram nossas reais necessidades e sugestões”, disse a presidenta da AVA.

Para Simone, muitos candidatos pecam pela superficialidade ao priorizar, em suas propostas, a quantidade em detrimento da qualidade. Distorção que, segundo a terapeuta, muitos mantém após serem eleitos.

“Em geral, os políticos querem apresentar números, quantidade. Só que nós precisamos e queremos qualidade. Se uma criança autista precisa de uma psicóloga, não é qualquer psicóloga. É uma profissional com formação específica para atender esta criança”, frisou Simone.

“Não adianta prometer, por exemplo, que vai construir CAPS [Centros de Atenção Psicossocial] ou ampliar o número de atendimentos sem levar em conta a especificidade dos casos e a necessidade de profissionais qualificados. Ou, quando eleito, dizer que ajudou a que fossem feitos não sei quantos atendimentos – o que é importante, mas precisa ser contextualizado – sem atentar para o tempo de espera; a qualidade do atendimento; se o tratamento foi continuado ou se há equipes multidisciplinares”, acrescentou.

Simone ressalta a necessidade de os eleitores analisarem com rigor o histórico e a viabilidade técnica das propostas apresentadas nas urnas.

Segmentação

Para o cientista político e sócio-fundador do Instituto Vox Populi João Francisco Meira o crescimento das candidaturas voltadas à neurodiversidade e aos direitos das pessoas com deficiência atende a uma lógica de segmentação e diferenciação, especialmente nas eleições proporcionais, ou seja, o sistema pelo qual são eleitos vereadores e deputados federais, estaduais e distritais.

“Há, hoje, três grandes categorias ideológicas dentro do eleitorado: do centro para a esquerda; do centro para a direita e, entre estas duas, os nichos dentro dos quais os candidatos proporcionais buscam se diferenciar em meio a centenas, milhares de outros candidatos que oferecem mais ou menos um mesmo cardápio”, explicou Meira.

Para ele, a segmentação pode ajudar um candidato proporcional a atrair eleitores para além das divisões partidárias tradicionais.

“Alguém que não comungue com suas ideias em geral pode prestar atenção em uma determinada proposta segmentada. Ou seja, há aí um pouco de economia da atenção, de segmentação de mercado e um aspecto importante de diferenciação da narrativa”, comentou Meira.

Ele sustenta que é comum que, a cada eleição, novos temas ganhem visibilidade e passem a atrair maior interesse de candidatos e eleitores, impactando as estratégias de campanha.

“Na medida em que alguns problemas vão sendo resolvidos ou equacionados, novas preocupações – demograficamente menos densas [em contraposição a temas de apelo universal e massivo, como segurança pública e saúde] – passam a receber um olhar diferenciado e entram na agenda política”, concluiu Meira.

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

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