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24 jun

Governo anuncia R$ 130 milhões em apoio à população em situação de rua

Governo anuncia R$ 130 milhões em apoio à população em situação de rua

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou nesta terça-feira (23), em Brasília, um pacote de ações de saúde, emprego, assistência e direitos humanos voltadas à população em situação de rua.

Os investimentos ultrapassam R$ 130 milhões e, segundo a pasta, são o maior orçamento já endereçado à proteção de direitos deste público.

De acordo com o secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges, o trabalho foi construído com outros ministérios, estados, municípios e sociedade civil para dar acesso a direitos e dignidade a essas pessoas.

“Reconhecer a dignidade de todos os brasileiros e de todas as brasileiras significa que todo ser humano tem o mesmo valor intrínseco, digno de igual respeito e consideração.”

Durante a cerimônia de entregas do Governo Federal para a População em Situação de Rua, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou a urgência de enxergar essa população como cidadãos de direitos.

“Por mais que esse preconceito ecoe nas mentes de parte da sociedade brasileira, nós não vamos desistir dos valores de solidariedade e humanidade e vamos pagar o preço que for necessário para manter esses valores como orientadores da política pública”, disse o ministro Guilherme Boulos.

Profissionais de segurança pública

O MJSP anunciou a formação, em direitos humanos e respeito à dignidade das pessoas em situação de vulnerabilidade, de 5.077 profissionais de segurança pública que atuam em contato direto com a população em situação de rua. O investimento será de R$ 900 mil.

Convidado para o evento na capital federal, o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, reivindicou o fim da violência de agentes da segurança pública contra a população de rua.

“Há princípios fundamentais que não podem ser desrespeitados, e, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, está que ninguém pode ser submetido à tortura, a tratamento vexatório, de constrangimento, e é isso o que nós vemos em muitos municípios”, protestou Júlio Lancellotti.

O padre ainda cobrou a atuação dos Ministérios Públicos Federal e estaduais e da Defensoria Pública para proteger os interesses das pessoas mais vulneráveis.

Brasília (DF), 23/06/2026 -O padre Júlio Lancellotti, durante anúncio de ações nas áreas da saúde, emprego, assistência e direitos humanos para a população em situação de rua. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O padre Júlio Lancellotti, durante anúncio de ações nas áreas da saúde, emprego, assistência e direitos humanos para a população em situação de rua. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ações integradas de ministérios

Entre as iniciativas apresentadas nesta terça, está o lançamento das ações preparatórias para o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).​​

​Além do censo demográfico inédito, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) também firmaram um acordo de cooperação técnica e financeira para fortalecer a rede de serviços do Sistema Único de Assistência Social (Suas).

A iniciativa prevê o investimento anual de R$ 50 milhões, para integrar 263 Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros-Pop) à Rede Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social (Cais).

O ministro do MDS, Wellington Dias, defende que o ponto principal é tirar essas pessoas da invisibilidade. O chefe da pasta reconheceu que o conjunto de anúncios de políticas governamentais deve cruzar as barreiras institucionais e chegar de fato, “lá na calçada, na praça, onde as pessoas estão”.

Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, os repasses financeiros respeitarão as peculiaridades locais, considerando as diferenças de demanda entre uma capital e uma cidade de médio porte, para garantir as condições de atendimento.

Em outra parceria do Ministério da Justiça, essa com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o governo federal vai investir R$ 2,9 milhões no fortalecimento das Cozinhas Solidárias, para garantir alimentação digna a este público.

O valor servirá para contratar e capacitar 88 bolsistas, que atuarão como agentes formadores e articuladores da economia popular e solidária junto à população em situação de rua, em todas as 27 unidades da federação.

De acordo com o MDS, o programa Cozinha Solidária distribuiu, em 2025, cerca de 15 milhões de refeições nas unidades em funcionamento no Brasil. A nova etapa do Cozinha Solidária terá foco na população em situação de rua.

O secretário nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Fernando Zamban, afirmou que é prioritário garantir a dignidade e os direitos deste público, sem medidas assistencialistas, que não resolvem o problema da invisibilidade das pessoas que estão em situação de vulnerabilidade e de rua.

“É preciso ter ações concretas, mais estruturantes, que deixem o legado histórico para essa população que foi tão marginalizada pelo Estado brasileiro.”

“Reconhecer os talentos que as pessoas em situação de rua têm hoje e dar a elas a oportunidade de reconstruir suas vidas economicamente, baseadas em princípios de cooperação, de solidariedade, de autogestão, é fundamental e necessário.”

Saúde

O Ministério da Saúde anunciou R$ 120 milhões anuais para políticas voltadas à população em situação de rua. De acordo com a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, a pasta atingiu o número recorde de equipes do Consultório na Rua (eCR), formadas por equipes multiprofissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).  A expansão consolida a presença do Estado em todas as 27 unidades da federação.

“Estamos falando literalmente de 170 equipes, até 2022, e, hoje, são 333 equipes espalhadas ao longo do território nacional.”

A representante da Saúde adiantou que uma agenda em São Paulo formalizará, nesta quarta-feira (24), um aumento imediato de 20% de equipes na capital paulista. 

“Onde tem gente, tem SUS presente. Então, onde tiver população em situação de rua, vai ter o SUS presente, chegando a cada uma e cada um que precisar do cuidado, da assistência, da articulação intersetorial, baseada na ‘rualidade’ e na territorialidade”, defendeu Ana Luiza Caldas.

O ministro Guilherme Boulos revelou também que o governo está finalizando a regulamentação, junto à Caixa Econômica Federal e ao Ministério das Cidades, para garantir um percentual obrigatório de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida reservado especificamente para a população em situação de rua e mulheres vítimas de violência.

Reivindicações

A vice-presidente do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para Inclusão Social da População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), Joana Basílio, enfatizou que a situação de vulnerabilidade é fruto do abandono do próprio Estado. Joana argumentou que, para cobrar deveres dos cidadãos, o Estado precisa, primeiramente, ofertar e garantir os seus direitos básicos.

“A gente precisa fazer com que essa política chegue na ponta e, de fato, a quem está na rua.”

Conhecido por denunciar sistematicamente a instalação da chamada “arquitetura hostil” para impedir a permanência e abrigo de pessoas em situação de rua em espaços públicos, como em viadutos, pontes e marquises, o padre Júlio Lancellotti ainda pediu ao ministro Boulos que os órgãos federais sejam os primeiros a retirar este tipo de estrutura de seus prédios. São exemplos de arquitetura hostil pedras e grades pontiagudas, pinos chumbados e arames.

Por fim, Boulos disse que, brevemente, será lançada a segunda edição do Plano Nacional Ruas Visíveis. A iniciativa do governo federal, articulada a estados e municípios, visa ao enfrentamento das vulnerabilidades sociais e à promoção de mais inclusão da população em situação de rua no Brasil. 

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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24 jun

STF reúne grupo para modernizar Justiça e entregar propostas até o fim do ano

STF reúne grupo para modernizar Justiça e entregar propostas até o fim do ano

Antonio Augusto/STF

O grupo de trabalho criado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, para planejar uma reforma e modernizar o sistema judicial do país vai se reunir pela primeira vez nesta quarta-feira (24), às 10h.

A ideia é reunir grandes nomes do direito, juízes e especialistaspara discutir como mexer na estrutura da Justiça, usando a tecnologia para agilizar os processos. O grupo tem como missão entregar todas as propostas de mudança até o fim deste ano.

O documento final terá que apresentar propostas concretas que podem virar:

  • PECs (Propostas de Emenda à Constituição);
  • Projetos de leis ordinárias ou complementares;
  • Novas resoluções dos próprios órgãos da Justiça.

Todo o material produzido será enviado diretamente ao plenário do STF, a quem caberá analisar, debater e deliberar sobre as sugestões encaminhadas.

“É hora de recolher o que foi feito em pesquisas e traduzir os principais problemas atuais. Ouvir os segmentos. Todas as pessoas deverão ser ouvidas. Não se trata apenas do Poder Judiciário. Essa ação vai modernizar o sistema de Justiça”, disse Fachin.

Entre as justificativas para criação do grupo, o presidente do STF destacou a “necessidade de fomentar espaços permanentes de diálogoinstitucional, reflexão técnica, cooperação interinstitucional, bem como elaboração de diagnósticos, estudos e propostas voltados ao aperfeiçoamento do sistema de Justiça brasileiro”.

“A iniciativa decorre da constatação de que os desafios contemporâneos da jurisdição constitucional e da administração da Justiça demandamambientes institucionais aptos a reunir diferentes perspectivas acadêmicas, profissionais e institucionais”, acrescentou o ministro.

Última alteração

A última grande alteração estrutural do Poder Judiciário brasileiro ocorreu em 2004, com a promulgação da Emenda Constitucional 45, conhecida historicamente como a Reforma do Judiciário.

Após tramitar por 13 anos no Congresso Nacional, essa emenda foi publicada em 31 de dezembro de 2004 e trouxe transformações profundas para a estrutura e o funcionamento da Justiça no país.

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24 jun

STM decide sobre suspeição de ministro em processo de patente de Bolsonaro nesta quarta-feira

STM decide sobre suspeição de ministro em processo de patente de Bolsonaro nesta quarta-feira

Montagem – Beto Barata/PL e Divulgação/STM

STM (Superior Tribunal Militar) julga nesta quarta-feira (24) um recurso da defesa de Jair Bolsonaro para afastar o ministro tenente-brigadeiro do ar e vice-presidente do tribunal, Joseli Parente, do julgamentoque pode fazer com que o ex-presidente perca a patente de capitão reformado do Exército.

O blog Quarta Instância apurou que o tribunal deve rejeitar o pedido. O julgamento do recurso deve referendar a posição da presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha.

Em março, ela já havia negado o pedido de suspeição apresentado pela defesa de Bolsonaro contra Parente, arquivando a tentativa de retirá-lo do caso.

A defesa do ex-presidente, no entanto, recorreu contra a decisão sob o argumento de que o tenente-brigadeiro não teria a neutralidade necessária para relatar ou votar no processo.

Os advogados querem que Parente seja impedido de julgar o caso pelo fato de, em entrevistas dadas em 2023, ter defendido punição a militares envolvidos nos atos golpistas do 8 de Janeiro.

Entretanto, a tendência pacificada no tribunal é de que os argumentos da defesa não possuem amparo legal ou técnico para justificar o afastamento do ministro.

Se condenado neste processo, Bolsonaro perderá formalmente o posto de capitão e as prerrogativas associadas à patente militar.

Acusações do MP Militar contra Bolsonaro

Em fevereiro deste ano, o MPM (Ministério Público Militar) apresentou ao STM uma representação pedindo que o ex-presidente seja declarado indigno para o oficialato e, como consequência, perca o posto e a patente de capitão reformado do Exército.

Segundo o MPM, a gravidade das condutas imputadas a Bolsonaro na trama golpista torna o ex-presidente moralmente incompatível com a condição de oficial das Forças Armadas.

O órgão ressaltou que Bolsonaro violou preceitos éticos que regem a carreira militar, destacando que houve ofensa à verdade e à probidade. Segundo o MP Militar, ao se apoiar em mentiras e desinformação sobre o sistema eleitoral, Bolsonaro afrontou o dever de “amar a verdade e a responsabilidade”.

O MP também afirmou que houve deslealdade à pátria e à Constituição, já que Bolsonaro, mesmo tendo jurado defendê-las, teria atuado para abolir o Estado democrático de Direito.

A representação citou ainda o desrespeito à hierarquia e às autoridades civis, ao tentar subverter a submissão do poder militar ao poder civil e ao atacar reiteradamente membros do Poder Judiciário.

Além disso, o MP mencionou a falta de decoro e de camaradagem, com o uso de linguagem ofensiva contra ministros do STF e ataques a militares que não aderiram às iniciativas golpistas.

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24 jun

INSS começa a pagar benefícios regulares de junho; veja calendário

INSS começa a pagar benefícios regulares de junho; veja calendário

Aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) começam a receber o pagamento regular de junho nesta quarta-feira (24), após a antecipação do 13º salário nos últimos dois meses.

Os depósitos serão feitos de hoje até o dia 7 de julho, para quem recebe até um salário-mínimo (R$ 1.621). Os primeiros beneficiados serão os que têm cartão com final 1 (dígito antes do traço).

Para quem ganha acima do piso nacional, os créditos serão feitos de 1º a 7 de junho, a começar pelos segurados que têm final de matrícula 1 e 6 (veja calendário abaixo).

Para verificar a data de pagamento, o segurado deve considerar o número final do cartão de benefício, sem o último dígito verificador que aparece depois do traço. Por exemplo, se o número do benefício for 0108-4, o dígito final a ser considerado é o 8.

Como consultar

  • Para consultar o número do cartão do benefício, acesse o site ou aplicativo Meu INSS
  • clique no serviço “extrato de pagamento”
  • Também é possível obter a informação pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.

Veja calendário de junho

Quem ganha até um salário mínimo:

  • Final 1: 24 de junho
  • Final 2: 25 de junho
  • Final 3: 26 de junho
  • Final 4: 29 de junho
  • Final 5: 30 de junho
  • Final 6: 1º de julho
  • Final 7: 2 de julho
  • Final 8: 3 de julho
  • Final 9: 6 de julho
  • Final 0: 7 de julho

Quem ganha acima do piso nacional:

  • Finais 1 e 6: 1º de julho
  • Finais 2 e 7: 2 de julho
  • Finais 3 e 8: 3 de julho
  • Finais 4 e 9: 6 de julho
  • Finais 5 e 0: 7 de julho

Ressarcimento

INSS também tem pago aposentados e pensionistas com direito ao ressarcimento de descontos indevidos.

O prazo para fazer o pedido acabou em 20 de junho, mas quem contestou dentro desse período poderá ter a adesão ao acordo liberada posteriormente, após a análise do caso.

O número de contestações registradas atingiu 6,6 milhões, mas foram pagos R$ 3,2 bilhõesa 4,7 milhões de segurados vítimas de descontos indevidos em benefícios.

Muitos casos ainda estão em análise ou tiveram a regularidade dos descontos comprovada.

Números do INSS

O instituto pagou em maio 42 milhões de benefícios, num total de R$ 89,4 bilhões.

Isso representa aproximadamente R$ 1,3 trilhão por ano em benefícios previdenciários e assistenciais.

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