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01 nov

Petrobras: querosene de aviação sobe 7,2% a partir deste domingo

Petrobras: querosene de aviação sobe 7,2% a partir deste domingo

Foto: Freepik

A Petrobras informou que elevou o querosene de aviação em 7,2%% a partir deste domingo, 1º, resultando em um acréscimo de R$ 0 45 por litro em relação ao mês anterior. O reajuste reflete a elevação das cotações internacionais do QAV, em um cenário de intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e de redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, em decorrência do conflito entre os dois países, explicou a estatal em nota.

A Petrobras reajusta mensalmente o combustível por meio de uma fórmula paramétrica contratual que funciona como amortecedor de curto prazo, resultando em reajustes mais moderados que os praticados internacionalmente. Ao contrário do que fez em outubro, a empresa não mencionou se está atendendo a todos os pedidos para o mês de novembro das distribuidoras.

Até setembro, a alta acumulada pelo QAV da Petrobras era de 53 3%. A empresa parou de informar o porcentual acumulado do combustível em outubro, quando reajustou o QAV em 11,8%.

A estatal destacou ainda, que nos principais mercados internacionais, os preços do QAV para companhias aéreas são ajustados com frequência chegando até a reajustes diários, refletindo imediatamente as condições de mercado.

“Nesse contexto, as variações acumuladas desde o início do conflito têm sido superiores nos mercados internacionais às observadas no Brasil, indicando que o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo”, explicou a companhia em nota.

Estadão Conteudo

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01 nov

Femurn alerta para piora das contas e recomenda contenção de gastos no RN

Femurn alerta para piora das contas e recomenda contenção de gastos no RN

Foto: Reprodução

A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) recomendou aos prefeitos potiguares que contenham gastos, evitem novos compromissos sem recursos garantidos e priorizem os serviços essenciais. A orientação foi divulgada neste domingo 1º, após a entidade alertar para a piora da situação financeira das administrações municipais.

A nota é assinada pelo presidente da Femurn e prefeito de Portalegre, José Augusto de Freitas Rêgo (União). Segundo a Federação, a redução das receitas, o crescimento das despesas e o aumento das responsabilidades assumidas pelos municípios diminuíram a capacidade financeira das prefeituras.

A entidade afirma que algumas administrações já precisam adiar ou cancelar eventos, rever investimentos, renegociar contratos e reprogramar pagamentos. As medidas de contenção, segundo a Femurn, podem ser necessárias para preservar os serviços públicos.

“O momento é de cautela, planejamento e união. Precisamos agir agora para evitar que as dificuldades de hoje se transformem em uma crise ainda mais grave amanhã”, declarou a Federação.

Em março, José Augusto já havia afirmado que os municípios potiguares estavam no limite financeiro, pressionados pelo aumento das despesas e pela falta de previsibilidade na transferência de recursos.

Repasse federal sustenta as prefeituras menores

A Femurn atribui parte da pressão sobre as contas ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma das principais fontes de receita das cidades menores.

O fundo é formado por parcelas da arrecadação federal com o Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os recursos são distribuídos pela União a cada dez dias, de acordo com critérios como a população e o coeficiente de cada município.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) já havia recomendado cautela aos gestores no segundo semestre, período em que normalmente ocorre desaceleração da arrecadação.

Outras verbas federais também estão bloqueadas

Em outro levantamento, divulgado em 27 de outubro, a CNM identificou R$ 2,5 bilhões em verbas federais destinadas aos municípios que estavam bloqueadas ou contingenciadas no Orçamento de 2026.

Esse valor não corresponde a uma redução do Fundo de Participação dos Municípios. O levantamento trata de outras dotações federais e foi incluído como contexto sobre as dificuldades financeiras relatadas pelas prefeituras.

O contingenciamento limita temporariamente o uso de uma verba para permitir o cumprimento das metas fiscais. O bloqueio, por sua vez, reserva parte do orçamento para um possível cancelamento.

Os R$ 2,5 bilhões representam 6,8% dos R$ 36,8 bilhões autorizados para essas transferências. A Saúde concentrava R$ 713,6 milhões do total atingido, enquanto o Ministério das Cidades reunia R$ 595,9 milhões.

Na Educação, R$ 424,9 milhões estavam bloqueados ou contingenciados, principalmente em ações relacionadas ao programa Caminho da Escola.

Segundo a CNM, a indisponibilidade dessas verbas pode obrigar as prefeituras a utilizar recursos próprios para impedir a paralisação de obras e serviços.

Femurn relata atrasos em repasses do Estado

A Femurn também relata possíveis retenções ou atrasos em transferências sob responsabilidade do Governo do Rio Grande do Norte. A entidade menciona recursos provenientes do ICMS e do IPVA, além de verbas destinadas à assistência farmacêutica básica, à assistência social, à educação e ao Fundeb.

A nota não informa o valor atualizado das pendências mencionadas, os períodos correspondentes nem quais municípios teriam sido afetados.

Segundo a Federação, quando os recursos não chegam regularmente, as prefeituras precisam utilizar receitas próprias para manter políticas públicas que deveriam contar com participação financeira estadual.

A entidade defendeu a regularização dos repasses eventualmente pendentes e afirmou que o equilíbrio financeiro dos municípios também depende do cumprimento das obrigações do Estado.

O Agora RN procurou o Governo do Estado e pediu informações sobre os valores citados pela Femurn, as áreas e os municípios eventualmente afetados e a existência de um cronograma de regularização. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O texto será atualizado quando houver manifestação.

Saúde e educação pressionam os orçamentos

A Saúde aparece entre as principais fontes de pressão sobre as contas municipais. Conforme a Femurn, as prefeituras estão destinando parcelas cada vez maiores das receitas a consultas, exames, medicamentos, transporte de pacientes e manutenção das unidades de atendimento.

A entidade sustenta que os municípios vêm assumindo responsabilidades originalmente atribuídas à União e aos estados sem receber a transferência correspondente de recursos.

Na Educação, as administrações municipais precisam aplicar pelo menos 25% das receitas de impostos e transferências na manutenção e no desenvolvimento do ensino, conforme determina a Constituição.

O financiamento dos serviços públicos e o fortalecimento das administrações locais também foram discutidos no Conecta Municípios, evento promovido pela Femurn em maio. Na ocasião, gestores já demonstravam preocupação com a dependência das transferências constitucionais e com o aumento dos custos dos serviços básicos.

Transição pode adiar soluções para 2027

A Femurn avalia que o período de transição entre governos aumenta as incertezas para as prefeituras. A entidade teme que medidas destinadas a aliviar as dificuldades municipais sejam adiadas para 2027.

A Federação informou que continuará acompanhando a situação em articulação com a CNM. Também pretende cobrar do Governo Federal e do Congresso Nacional medidas de apoio e compensação financeira aos municípios.

A orientação é que os prefeitos acompanhem o comportamento das receitas, evitem despesas sem recursos disponíveis e preservem o funcionamento das áreas essenciais.

Agora RN

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01 nov

Confronto entre torcidas organizadas mobiliza Guarda Municipal de Parnamirim na manhã deste domingo, dia 1º

Confronto entre torcidas organizadas mobiliza Guarda Municipal de Parnamirim na manhã deste domingo, dia 1º

Na manhã deste domingo, 1º de novembro, um confronto entre torcidas organizadas mobilizou a Guarda Municipal de Parnamirim, na Grande Natal.

Diante da confusão, equipes da GM entraram em ação e intervieram para controlar a situação, evitando que o tumulto ganhasse maiores proporções.

A ocorrência chamou a atenção de quem estava nas proximidades. Não foram divulgadas informações sobre feridos ou possíveis prisões.

Jair Sampaio

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01 nov

“A eleição reposicionou as forças políticas”, diz Cadu Xavier, governador eleito do RN

“A eleição reposicionou as forças políticas”, diz Cadu Xavier, governador eleito do RN

Foto: Magnus Nascimento

O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), pretende iniciar sua administração com foco no equilíbrio das contas públicas, no controle do crescimento das despesas e na ampliação das receitas sem aumento de impostos. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, ele afirmou que a responsabilidade fiscal será fundamental para assegurar investimentos em saúde, segurança pública e infraestrutura. “É o equilíbrio das contas que vai permitir que a gente faça investimentos nessas áreas aqui no Estado”, declarou. Cadu também reconheceu que os apoios recebidos no segundo turno representam o início de uma nova composição política no Rio Grande do Norte. Segundo ele, a eleição provocou um reposicionamento das forças políticas que deverão participar da construção do futuro governo. Na escolha dos secretários, afirmou que não abrirá mão de três características: “honestidade, perfil técnico e sensibilidade social”. O governador eleito também assegurou que manterá uma relação institucional com os prefeitos, independentemente do posicionamento adotado durante a campanha. Entre as prioridades da futura gestão, Cadu destacou a aceleração das obras do Hospital Metropolitano, a continuidade da duplicação da BR-304 e a construção da Terceira Ponte de Natal, projetos para os quais pretende contar com a parceria do presidente Lula. Na segurança pública, defendeu o fortalecimento da presença policial, o uso de tecnologia e a ampliação dos serviços públicos nas comunidades como instrumentos de enfrentamento às facções criminosas. Eleito com 50,77% dos votos válidos, Cadu assumirá o Governo do Estado para o mandato de 2027 a 2030.

Que leitura faz desse resultado e qual considera ser a principal mensagem das urnas para o seu futuro governo?
O sentimento de esperança, o sentimento realmente de que o Estado tenha políticas para atender principalmente as pessoas que não têm acesso à saúde, que os filhos estudam em escola pública, a agricultura familiar, que a gente tem um olhar cada vez mais específico para isso, que impacta na vida de muita gente.

O senhor integrou a equipe da governadora Fátima Bezerra, de quem recebeu apoio decisivo durante a campanha. A partir de janeiro, terá a responsabilidade de conduzir sua própria administração. O que pretende preservar da atual gestão e quais mudanças considera necessárias para imprimir sua identidade ao Governo do Estado?
Eu acho que os princípios da honestidade do governo são fundamentais, não vou abrir mão. O fortalecimento do serviço público é fundamental também. A gente, por outro lado, vai ter um olhar mais voltado para o desenvolvimento do Estado, para as condições de quem vai gerar empresa aqui no nosso Estado ter essas condições. Eu acho que é uma maneira que a gente vai trabalhar já desde os primeiros dias para ampliar essas condições de atuação de investimentos aqui para o Estado.

Quais serão os critérios para a escolha dos secretários e como pretende conciliar a participação das forças políticas que apoiaram sua eleição com a autonomia administrativa do futuro governo?
A gente vai ter um governo amplo, vou dialogar com a central administrativa, formar uma base forte, mas eu não vou abrir mão de que os quadros que vão para o governo são: honestidade, perfil técnico e sensibilidade social. Essas são as três características que eu não vou abrir mão. Nosso governo vai ter um grande ponto para a participação das forças políticas que nos ajudaram a eleger e também aquelas que vão nos dar sustentação nas assembleias legislativas.

No segundo turno, sua candidatura recebeu o apoio de importantes lideranças regionais, como Ezequiel Ferreira, no Seridó; Cristiane Dantas, no Agreste; e Dr. Gustavo Soares, no Vale do Açu. Qual foi o significado político dessas adesões para a campanha e como essas lideranças participarão da construção do seu governo?
Todas as forças que se somaram com a gente no segundo turno foram fundamentais para a gente ampliar a nossa votação e ter a vitória que a gente teve no domingo passado. Isso foi muito importante, até pelo símbolo da Assembleia, da chegada dele, da perspectiva de vitória que nós tínhamos nesse processo no segundo turno.

Esses apoios representam apenas uma aliança eleitoral ou o início de uma nova composição política para governar o Rio Grande do Norte?
Iniciou uma nova composição política. Acho que essa eleição, ela trouxe um fato que é um reposicionamento das forças políticas para ter conosco o futuro governo. Houveram migrações que a gente entende que vão configurar esse novo quadro, esse novo símbolo de quatro anos.

O senhor conhece a estrutura financeira do Estado por ter comandado as secretarias de Tributação e da Fazenda. Qual será sua primeira medida na área fiscal?
O compromisso com a trajetória de crescimento de receitas sem aumento de impostos e do controle do crescimento das despesas e do crescimento sustentável dentro daquilo que é a inflação do ano. A gente vai ter compromisso com essa pauta.

Como pretende conciliar o equilíbrio das contas públicas com as demandas por investimentos em saúde, segurança, infraestrutura e valorização dos servidores?
A gente precisa do equilíbrio das contas para atender essas demandas. As políticas públicas elas nascem de recursos públicos. Para isso, a gente vai controlar o crescimento dessas despesas, para ter dinheiro para investir nessas áreas. É o equilíbrio das contas que vai permitir que a gente faça investimentos nessas áreas aqui no Estado”.

Durante a campanha, o senhor destacou a parceria com o presidente Lula e assumiu compromissos relacionados à duplicação da BR-304, ao hospital metropolitano e à terceira ponte de Natal. Quais desses projetos poderão avançar no primeiro ano de governo, quais recursos já estão assegurados e que cronograma pretende apresentar à população?
A eleição do presidente Lula foi muito importante para o Brasil, é lógico, para o Nordeste, mas especialmente para o Rio Grande do Norte. Algumas obras estruturantes que custam bilhões, como a duplicação da BR-304, são prioridades para o presidente Lula e a eleição dele foi fundamental. E a gente vai acompanhar para que a duplicação da BR-304 continue. É o compromisso dele que a gente termine essa obra dentro do próximo mandato. O Hospital Metropolitano é uma obra que precisa andar no ritmo mais acelerado. Eu vou à Brasília já nos próximos dias para acompanhar e para cobrar que haja a aceleração da obra do Hospital Metropolitano e a obra, que foi um compromisso assumido pelo presidente em praça pública. A gente inseriu no PAC, a Terceira Ponte de Natal foi um compromisso dele e a gente tem a confiança que a gente vai ter a honra de entregar junto com o presidente Lula essa Terceira Ponte ainda no nosso mandato até 2030.

Como o senhor pretende enfrentar a atuação das facções criminosas no Rio Grande do Norte?
Com firmeza. Polícia na rua, educação, colocando nossas crianças em tempo integral nas escolas, tecnologia, vídeo monitoramento. Nenhum território do Rio Grande do Norte a polícia é proibida de entrar. E a gente vai forçar cada vez mais as nossas forças de segurança para que a gente com integração com as forças federais, com as forças municipais, a gente combata o crime organizado. O crime pra mim se combate com polícia na rua, com presença do Estado, nas comunidades. A gente precisa aumentar a presença do Estado, os serviços públicos precisam chegar às comunidades e é assim que a gente vai combater as organizações criminosas aqui no Estado”.

Como será a relação do seu governo com os prefeitos, inclusive aqueles que apoiaram seus adversários? O senhor pretende estabelecer um programa permanente de investimentos e parcerias com as administrações municipais?
A gente foi eleito para governar o Rio Grande do Norte, independente de quem votou ou quem não votou. Agora a eleição acabou, a gente vai conversar com as forças políticas para entregar ao povo as demandas que o povo espera e que a gente se comprometeu ao longo do processo eleitoral. Agora é trabalhar com força, a relação vai ser institucional com quem não votou na gente e a gente vai fazer entrega para o povo. No fim da história, quem é beneficiado pelas políticas públicas é o povo do nosso Estado, independente, inclusive, de se votou ou se não votou em mim. A gente vai criar as condições para no futuro, a gente ter condições de colocar mais recursos no Estado, um orçamento do Estado para realizar obras nos municípios. Quero dizer ao povo do nosso Estado: quem votou, quem não votou, que a gente já está trabalhando para fazer um grande governo para atender as demandas, os anseios da população.

QUEM

Carlos Eduardo Xavier, Cadu Xavier, 48 anos, é o governador eleito do Rio Grande do Norte para o mandato 2027–2030.

Natural do Rio de Janeiro, foi criado em Natal. É engenheiro de computação e mestre em Engenharia de Produção pela UFRN.

Auditor fiscal de carreira desde 2005, ocupou cargos técnicos na área tributária até assumir, em 2019, a Secretaria de Tributação do RN, no início da gestão Fátima Bezerra. Em 2023, passou a comandar a Secretaria de Estado da Fazenda, após a fusão das pastas de Tributação e Finanças.

Também presidiu o Comsefaz entre 2023 e 2025, participando das discussões nacionais sobre a reforma tributária. Em março de 2026, deixou a Fazenda para disputar sua primeira eleição. No segundo turno de 2026, foi eleito governador com 50,77% dos votos válidos.

Tribuna do Norte

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01 nov

Governo vai propor aos Poderes taxa de 20% para reduzir déficit da Previdência

Governo vai propor aos Poderes taxa de 20% para reduzir déficit da Previdência

Foto: Adriano Abreu

O Governo do RN propõe aos Poderes e órgãos autônomos uma contribuição patronal suplementar de 20% sobre a folha salarial para reduzir o déficit previdenciário. A medida elevaria a alíquota de 27% para 47%, sem aumento da contribuição dos servidores, e será negociada com as instituições.

O Governo do RN vai propor aos Poderes e órgãos autônomos uma contribuição suplementar de 20% sobre a base salarial dos servidores para reduzir o déficit da Previdência estadual. A taxa se somaria à contribuição patronal de 27%, elevando o recolhimento das instituições para 47%. A proposta integra o plano apresentado pelo Estado à Justiça, ao qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso com exclusividade, e terá como próximo passo a negociação com os Poderes. A cobrança extra seria de responsabilidade das instituições empregadoras, sem aumento da contribuição dos servidores. O governo chama essa proposta de “esforço compartilhado”, dentro do que denomina “matriz de solidariedade”.

A proposta abrange o Poder Executivo, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça , a UERN, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública. A previdência é um dos principais problemas fiscais do Estado, e o governo pretende ampliar a participação dos Poderes e órgãos autônomos no seu financiamento. Em dezembro de 2025, o déficit atuarial do Ipern alcançou R$ 55,94 bilhões. O valor corresponde à diferença projetada, no longo prazo, entre os compromissos com aposentadorias e pensões e os recursos para financiá-los. Atualmente, o Tesouro Estadual precisa aportar cerca de R$ 150 milhões por mês para cobrir a diferença entre a arrecadação e o pagamento dos benefícios.

Segundo Nereu Linhares, presidente do IPERN, o plano de equalização do déficit previdenciário já foi concluído pelo Governo do Estado e encaminhado à Justiça. “Essa dívida, ela não é só do Executivo, ela é de todos os poderes. Então todos terminam aqui nessa folha, seja através de aposentadoria, seja através de pensão”, defendeu.

Antes de apresentar o plano no processo judicial, a governadora reuniu representantes dos Poderes e das instituições envolvidas. Segundo Nereu Linhares, não houve questionamentos durante o encontro. “A governadora, antes de apresentar essa proposta no processo judicial, convidou cada representante de cada Poder e cada órgão desses. Eles participaram de uma reunião com ela, diretamente. Ninguém questionou. De certa forma, indiretamente concordaram e ela apresentou esse processo”, relatou.

Ele ressalta, no entanto, que o valor a ser pago não está definido, pois ainda acontecerá audiência de conciliação, que não tem data definida. “Feita essa audiência e feita uma conciliação, aí sim, se prepara um projeto e manda o projeto para a Assembleia”, afirmou.

Para estabelecer os valores, foram realizadas avaliações atuariais individualizadas. “A gente está sugerindo uma alíquota patronal extraordinária, e aí foi quando a gente fez, mandou fazer um cálculo atuarial. Então foi feito o cálculo atuarial por poder, e aí foi dado o percentual de débito que caberia a cada poder separadamente”, afirmou.

O plano apresentado pelo Estado à Justiça Estadual considera que o problema previdenciário tem duas dimensões. A primeira é o desequilíbrio financeiro, caracterizado pela diferença entre o que o regime arrecada e o que precisa pagar em benefícios. Quando as despesas superam as receitas, o Tesouro Estadual precisa fazer aportes para garantir os pagamentos.

A segunda é o desequilíbrio atuarial, que corresponde à diferença projetada, no longo prazo, entre os compromissos com aposentadorias e pensões e os recursos disponíveis para custeá-los. Na avaliação do Governo, portanto, a solução não deve se limitar à cobertura da insuficiência de caixa de cada ano.
O plano afirma que “o déficit previdenciário não pode continuar sendo tratado exclusivamente como uma insuficiência anual de caixa a ser coberta pelo Tesouro Estadual”.

 Foto: Magnus Nascimento

Plano prevê mudanças na Previdência estadual

Além da contribuição extraordinária dos Poderes e órgãos autônomos, o plano de equalização do déficit previdenciário apresentado pelo Governo do RN prevê mudanças na organização do regime, novas fontes de recursos e a criação de um colegiado para discutir alterações na legislação.

Uma das propostas é realizar uma nova segregação de massa, com a criação de um fundo previdenciário específico para os servidores que ingressaram no Estado a partir de 2025 e estão vinculados à Previdência Complementar.

Nesse modelo, as contribuições desses trabalhadores seriam acumuladas e destinadas ao pagamento dos benefícios futuros do próprio grupo, em vez de serem utilizadas para custear as aposentadorias e pensões dos servidores que já estão na inatividade.

Segundo o presidente do IPERN, Nereu Linhares, a medida busca separar os recursos destinados aos novos servidores daqueles utilizados para pagar os benefícios atuais. “A partir da criação da Previdência Complementar, que foi agora junho de 2025, a partir daí, sim, esse pessoal vai ficar num fundo separado e vai ser capitalizado”, explicou. A proposta prevê a formação de uma reserva financeira para garantir o pagamento dos benefícios desse grupo no futuro.

O plano também prevê reunir imóveis pertencentes ao Estado em uma carteira patrimonial, cuja gestão seria direcionada à geração de receitas para a Previdência. A proposta é que os recursos obtidos com a administração desses bens sejam destinados ao fundo previdenciário, funcionando como uma fonte adicional de financiamento para o pagamento dos benefícios.

Nereu Linhares explicou que a iniciativa prevê utilizar o patrimônio imobiliário estadual para contribuir com o equilíbrio do regime. “Uma carteira de imóveis, que seria a gestão dos imóveis do Estado, os recursos também viriam pra esse fundo”, afirmou.

Outra mudança é a criação de um Conselho Consultivo Superior, formado pelos titulares dos Poderes e órgãos autônomos. A proposta é ampliar a participação das instituições nas decisões sobre a Previdência, fazendo com que os chefes dos órgãos acompanhem diretamente as discussões e as mudanças propostas para o regime. De acordo com Nereu Linhares, o modelo atual conta com representantes indicados para os conselhos previdenciários, mas nem sempre há uma interlocução direta entre esses integrantes e os titulares dos respectivos Poderes.

Com o novo colegiado, a intenção é aproximar as decisões dos responsáveis por cada instituição.
O conselho também teria a função de analisar previamente propostas de alteração na legislação previdenciária antes que elas fossem encaminhadas à Assembleia Legislativa. “Esse projeto já chegaria na Assembleia devidamente revisado pelos próprios chefes do poder”, explicou Nereu Linhares.

Desafios do plano previdenciário

O cientista atuarial Victor Diógenes avalia que o plano de reequilíbrio previdenciário pode contribuir para reduzir o déficit do Estado, mas ressalta que a viabilidade financeira das medidas precisa ser demonstrada. “Essas receitas envolvem incertezas e, portanto, precisam ser estimadas com prudência”, afirmou.

A proposta divide os segurados em dois grupos, com formas distintas de financiamento. No modelo de capitalização, as contribuições dos novos servidores serão destinadas ao pagamento dos benefícios futuros.

“Como as contribuições dos novos servidores passarão a financiar exclusivamente o novo plano, esses recursos deixarão de contribuir para o pagamento dos benefícios do grupo antigo. Consequentemente, a necessidade de aportes ao Plano Financeiro poderá aumentar no curto e médio prazo”, explicou.

Para enfrentar esse custo de transição e o déficit acumulado, o plano prevê medidas complementares, como a contribuição suplementar compartilhada entre os Poderes e a obtenção de receitas com a exploração econômica de imóveis estaduais.

Diógenes considera positiva a divisão da responsabilidade pelo financiamento, já que o déficit representa uma pressão significativa sobre o orçamento do Executivo. Sobre o uso dos imóveis, o especialista alerta para a diferença entre receitas patrimoniais e despesas previdenciárias. “A venda de um imóvel gera uma receita pontual, enquanto as despesas previdenciárias são contínuas. Portanto, essas receitas não devem ser consideradas garantidas antes de sua efetiva realização”, ponderou.

Na avaliação dele, o plano combina o compartilhamento das responsabilidades com a busca por novas fontes de financiamento, mas a suficiência ainda precisa ser demonstrada. “Embora a suficiência da alíquota suplementar proposta ainda dependa de uma demonstração atuarial mais detalhada, considero que o plano segue uma direção adequada”, afirmou.

Tribuna do Norte

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