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28 out

Flávio Bolsonaro altera carta e troca “presidente eleito” por “líder do Brasil”

Flávio Bolsonaro altera carta e troca “presidente eleito” por “líder do Brasil”

O senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou a carta divulgada nesta quarta-feira (28) após chegar aos Estados Unidos. Na nova versão, ele retirou a expressão “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e passou a se apresentar como “líder do Brasil”. Esse é o primeiro pronunciamento do candidato depois que deixou o Brasil após ser derrotado na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A mudança no texto ocorreu minutos depois da divulgação inicial do documento no X, antigo Twitter. A versão anterior foi apagada. O senador contestou o resultado das eleições de domingo (25), acusou instituições brasileiras de perseguição política e afirmou que lideraria a oposição a partir do exterior. Na primeira versão, Flávio abriu a carta dizendo se dirigir aos brasileiros e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A carta foi publicada, incialmente, pelo aliado político Paulo Figueiredo.

A nova carta altera o termo presidente eleito tanto na abertura como no décimo parágrafo do texto anterior. De resto, o conteúdo permanece igual.

Leia carta na íntegra, após edição de Flávio Bolsonaro:

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o líder e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularly ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Flávio Bolsonaro”

Tribuna do Norte

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28 out

PF investiga como Flávio Bolsonaro descumpriu ordem de não deixar o Brasil; há suspeita de que o irmão Eduardo ajudou a despistar a fuga

PF investiga como Flávio Bolsonaro descumpriu ordem de não deixar o Brasil; há suspeita de que o irmão Eduardo ajudou a despistar a fuga

A Polícia Federal está investigando os detalhes de como Flávio Bolsonaro descumpriu a ordem de não deixar o Brasil.

A Polícia Federal ainda não sabe como o senador Flávio Bolsonaro conseguiu chegar à fronteira do Brasil com a Argentina na noite de terça-feira (27). A primeira informação oficial confirmando que Flávio Bolsonaro havia deixado o Brasil veio na madrugada desta quarta-feira (28). Em um comunicado publicado em uma rede social, a Direção Nacional de Migrações argentina confirmou que ele havia entrado no país com a esposa e as filhas. O governo argentino informou que o grupo atravessou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na Argentina.

Imagens de uma câmera de segurança mostram o movimento na Ponte Internacional Tancredo Neves por volta das 22h50 de terça-feira (27), pouco antes do horário de entrada registrado pelo controle migratório argentino. O repórter Marcos Landim esteve no local nesta quarta-feira (28) e mostrou que não é preciso apresentar documentos a autoridades brasileiras para atravessar para a Argentina.

“Nós estamos passando pelo posto de migração da Polícia Federal aqui na Ponte Tancredo Neves, também conhecida como Ponte da Fraternidade. Muitos brasileiros não fazem o registro de saída pela fronteira. Não é obrigatório. A passagem é rápida, não leva nem cinco minutos quando não tem trânsito. Do lado da Argentina, a parada é obrigatória. É preciso mostrar passaporte ou RG atualizado há menos de dez anos. Os dados são registrados no sistema. A partir daqui, são 20 km até o Aeroporto Internacional das Cataratas do Iguaçu, onde Flávio embarcou com a família”, conta o repórter Marcos Landim.

A Polícia Federal informou que não há nenhum registro oficial de saída de Flávio, da esposa e das filhas do Brasil. Já a Direção Nacional de Migração da Argentina afirmou que Flávio Bolsonaro e família apresentaram documentação de viagem válida e não possuíam qualquer impedimento legal para a entrada no país; e que o trâmite foi registrado pela autoridade competente sem intercorrências.

Após mandar cancelar os passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro, o ministro do STF Alexandre de Moraes emitiu uma segunda decisão, a que a TV Globo teve acesso. Moraes afirmou que a proibição para o senador deixar o país era uma medida lógica e natural a partir da ordem de cancelamento e entrega de passaportes.

Mas o senador tem passaporte italiano e, segundo a declaração de voo, que registra todos os passageiros e tripulantes de aeronaves, foi esse o passaporte utilizado por Flávio Bolsonaro para embarcar no jatinho particular. A esposa dele, Fernanda, e as duas filhas menores de idade do casal usaram o passaporte brasileiro.

O governo argentino afirmou que às 23h30, 40 minutos depois de entrar no país, o grupo embarcou em um voo privado, operado pela empresa argentina Baires, com destino à cidade de Guayaquil, no Equador.

Segundo o site da Baires, o Gulfstream G400 tem capacidade para levar até 13 passageiros, com cama para seis deles e cozinha na parte traseira. A empresa oferece serviço personalizado durante todo o trajeto. E, segundo a imprensa argentina, é alvo de investigação na Justiça por um suposto esquema de propina que envolve a irmã do presidente Javier Milei. Karina Milei nega.

Um site de monitoramento do sistema aéreo mostra que o avião decolou do aeroporto de Puerto Iguazú à 0h22, horário de Brasília, com destino a Guayaquil, no Equador, em uma rota que evitou o território brasileiro. O jatinho chegou no Equador às 5h46. Às 6h22, levantou voo para os Estados Unidos.

Em nota, a Polícia Federal confirmou que os passaportes comum e diplomático do senador foram cancelados e que inseriu um alerta no sistema Sonar – usado pela PF para o controle migratório e monitoramento de entradas e saídas de pessoas nos postos de fronteira, aeroportos e portos do Brasil -; que a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares.

Desde terça-feira (27), equipes da Polícia Federal investigam como Flávio Bolsonaro descumpriu a decisão do Supremo que o proibia de deixar o país. Investigadores também analisam a divulgação de uma série de informações desencontradas que teriam sido usadas para desviar a atenção da rota construída para o senador fugir da Justiça brasileira. Há uma suspeita de que o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e o governo argentino podem ter ajudado Flávio Bolsonaro.

g1

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28 out

Vereador do PT volta a ser preso por suspeita de ligação com o PCC

Vereador do PT volta a ser preso por suspeita de ligação com o PCC

Foto: Afonso Braga/CMSP

O vereador licenciado de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso preventivamente nesta quarta-feira 28, pela segunda vez, durante uma investigação sobre a suposta utilização de uma empresa de ônibus para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O parlamentar é suspeito de participar da gestão financeira da Transunião, companhia que atua no transporte coletivo da capital paulista e está sob intervenção da prefeitura.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Última Parada, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. Senival havia sido detido anteriormente em 25 de junho e colocado em liberdade em 5 de agosto, após permanecer cerca de 40 dias preso. A nova ordem judicial foi expedida pelo juiz Antonio Carlos Martins, da 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Senival seria um dos integrantes do núcleo responsável pelo controle financeiro da Transunião. Embora não ocupasse formalmente um cargo de direção na companhia, o parlamentar teria influência sobre decisões administrativas, movimentações financeiras e parte da frota de ônibus.

Os investigadores identificaram movimentações de R$ 8,6 milhões em contas bancárias vinculadas ao vereador entre janeiro de 2019 e maio de 2022. Desse total, aproximadamente R$ 2,3 milhões não teriam origem declarada. A análise compreendeu 3.134 lançamentos bancários.

Na decisão que determinou a prisão, o magistrado considerou os indícios de que Senival exerceria controle econômico sobre veículos da empresa e utilizaria familiares e terceiros como titulares formais de bens. Para a Justiça, essas circunstâncias representariam risco de continuidade da atuação sobre a estrutura empresarial investigada.

Parte das informações utilizadas na investigação foi obtida a partir de planilhas apreendidas durante a apuração do assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, morto em 2020.

Os documentos teriam permitido identificar pessoas que, segundo a polícia, seriam os verdadeiros proprietários de veículos utilizados pela companhia. Um dos ônibus aparecia associado ao CPF da esposa de Senival, Maria de Lourdes Andrade de Moura. Outro estaria vinculado ao CPF de Ítalo Andrade de Moura, filho do parlamentar.

Para os investigadores, os registros reforçam a suspeita de que pessoas próximas ao vereador participavam da estrutura financeira relacionada à empresa. As informações fazem parte da apuração sobre possível ocultação patrimonial e circulação de recursos de origem ilícita.

Além de Senival Moura, foram presos Lourival de França Monário, Osiel Bernardino Pinto, Jair Ramos de Freitas e Fábio Fernandes de Souza. Outros dois investigados, Leonel Moreira Martins e Devanil Sousa Nascimento, não haviam sido localizados até a divulgação do balanço da operação.

Leonel é apontado pelos investigadores como possível intermediário entre integrantes do PCC e a Transunião. Devanil, por sua vez, é investigado por suposta participação no núcleo operacional do esquema e também responde a uma ação penal relacionada ao assassinato de Adauto Soares Jorge.

A investigação apura a participação individual dos suspeitos na administração da empresa, na movimentação de recursos e em possíveis vínculos com a organização criminosa.

Senival Moura está em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo e já exerceu a liderança da bancada do PT. Após deixar a prisão em agosto, o parlamentar utilizou a tribuna da Casa para contestar as acusações e afirmar sua inocência.

Na ocasião, disse que havia sido “pintado como o demônio” durante a investigação. A nova prisão ocorreu após o Ministério Público concluir o inquérito e apresentar denúncia à Justiça.

O Estadão informou que procurou Senival Moura e os demais citados para manifestação, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem consultada.

A Transunião permanece sob intervenção da Prefeitura de São Paulo, com a SPTrans responsável pela administração operacional do serviço. As suspeitas investigadas ainda dependem de julgamento judicial.

Agora RN

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28 out

Cadu Xavier defende maior contribuição dos Poderes para reduzir déficit de R$ 200 mi na Previdência do RN

Foto: Magnus Nascimento/TN

O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT), defendeu uma maior contribuição dos Poderes para enfrentar o déficit previdenciário estadual, estimado por ele em quase R$ 200 milhões mensais. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal, nesta terça-feira (27), o petista afirmou que o equilíbrio das contas públicas será uma das prioridades da gestão a partir de janeiro de 2027 e apontou a necessidade de discutir a participação financeira de instituições como o Judiciário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas.

“O que a gente precisa ter no Rio Grande do Norte hoje é um grande projeto para sanar o déficit previdenciário. São quase 200 milhões por mês de déficit”, afirmou Cadu. Segundo ele, a discussão deve envolver as contribuições patronais destinadas ao Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipern). “A gente precisa que os poderes contribuam mais na contribuição patronal, porque quando os servidores do MP, do TJ, do TCE se aposentam, eles vão para o IPERN”, defendeu.

A situação fiscal foi apresentada como o principal desafio do próximo governo. O petista afirmou que pretende ampliar a capacidade de investimento do Estado por meio do crescimento da arrecadação em ritmo superior ao das despesas, sem responsabilizar os servidores públicos pelo desequilíbrio financeiro.

“Eu não vou fazer isso vilanizando os servidores, nada disso mais, entendendo que tudo tem o limite do possível. A gente precisa fazer com que a receita do Estado cresça mais do que a despesa, num ritmo maior do que a despesa”, afirmou.

Cadu admite discussão sobre salários de secretários e cargos de gestão

Durante a entrevista, Cadu também abordou a estrutura administrativa estadual e a remuneração de ocupantes de cargos de direção. O governador eleito avaliou que os salários de determinadas funções de gestão são baixos diante das responsabilidades exercidas e defendeu que o assunto seja discutido com a sociedade.

“Hoje, os secretários ganham mal. O diretor de um hospital como o Walfredo Gurgel ganha 5 mil reais. Você já imaginou o tamanho da responsabilidade? Claro que eu não estou aqui dizendo que é pouco, porque tem muita gente no nosso país que vive de salário mínimo, não é isso. Mas olha o tamanho da responsabilidade”, questionou.

Segundo ele, a valorização dessas funções é necessária para atrair profissionais qualificados à administração pública. O petista argumentou que a discussão não deve ser confundida com a defesa de benefícios pessoais.

Foto: Magnus Nascimento/TN

Terceira ponte de Natal dependerá de recursos federais

Outro tema abordado foi a construção da terceira ponte sobre o Rio Potengi, uma das propostas discutidas durante a campanha eleitoral. Cadu reconheceu que o Estado não possui, atualmente, capacidade financeira para executar sozinho uma obra estimada por ele entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões.

O governador eleito disse que pretende iniciar, ainda durante a transição, conversas com a Casa Civil do Governo Federal para viabilizar a intervenção. Segundo ele, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode contribuir para o andamento de projetos estruturantes no Estado.

“A gente já vai iniciar agora na transição esse debate com a Casa Civil do Governo Federal para a gente entregar essa obra para o povo do nosso Estado”, declarou.

Cadu também citou a duplicação da BR-304 e o hospital metropolitano entre as obras que considera importantes para o desenvolvimento potiguar.

“O governador eleito fui eu”, diz Cadu sobre relação com Fátima

Questionado sobre a autonomia que terá em relação à governadora Fátima Bezerra (PT), de quem foi secretário estadual, Cadu afirmou que pretende manter o diálogo com sua antecessora, mas ressaltou que as decisões da próxima gestão serão de sua responsabilidade.

“Eu tenho muita gratidão à Fátima, muita lealdade, ela sabe disso, ela sabe disso”, afirmou. Em seguida, destacou: “Mas o governador eleito fui eu. Eu tenho uma trajetória diferente de Fátima.”

Cadu disse que pretende imprimir um estilo próprio à administração, com maior agilidade na prestação dos serviços públicos e atenção às demandas da população. “Ela sabe como eu penso. Ela sabe exatamente como eu penso. E a gente vai construir um governo com a minha cara”, declarou.

O petista também afirmou que não pretende restringir a composição política do governo a aliados partidários. Segundo ele, eventuais indicações de deputados para cargos na administração serão avaliadas com base em três critérios.

“Não tem problema nenhum de um deputado indicar um quadro pro nosso governo. Agora eu não vou abrir mão de três critérios: a honestidade, o critério técnico e a sensibilidade social”, afirmou.

Governador eleito diz que pretende dialogar com oposição

Cadu também defendeu a aproximação com parlamentares de diferentes partidos e posicionamentos políticos. Ele afirmou que já conversou com o prefeito de Natal, Paulinho Freire, e com integrantes da bancada federal potiguar. “Falei com o Paulinho Freire ontem. Vamos governar pra Natal”, relatou.

O governador eleito afirmou que pretende superar as disputas da campanha para buscar apoio a projetos considerados prioritários para o Estado. “Acho que chegou a hora de a gente unir a classe política do nosso estado, seja de direita, seja de esquerda, seja de centro”, declarou.

Segundo Cadu, o diálogo também deverá envolver deputados estaduais, com o objetivo de construir uma base de apoio na Assembleia Legislativa.

Concursos e segurança pública dependerão da capacidade financeira

Na área da segurança pública, Cadu reconheceu a necessidade de ampliar o efetivo policial, mas evitou estabelecer um número de convocações para o início do mandato. “A gente vai ter uma política de recomposição do quadro da polícia, de acordo com a nossa capacidade financeira”, afirmou.

Segundo ele, a necessidade de contratar profissionais também se estende às áreas da educação e da saúde. O governador eleito defendeu a manutenção da validade de concursos públicos para permitir futuras convocações, respeitando as condições financeiras do Estado.

Transição terá levantamento das secretarias e da fila de cirurgias

O governador eleito informou que a primeira reunião para discutir a transição de governo está marcada. Cadu afirmou que pretende receber um diagnóstico detalhado da situação de todas as secretarias, com informações sobre avanços, dificuldades e demandas pendentes.

Entre os problemas que deseja mapear está a fila de cirurgias eletivas da rede estadual de saúde, que, segundo ele, reúne cerca de 20 mil pessoas. “Eu quero um raio-x de todas as pastas, os avanços, mas eu quero também saber mais profundamente dos desafios”, afirmou. O petista disse que pretende utilizar esses dados para organizar a futura equipe e definir as primeiras medidas de governo.

Na área econômica, também prometeu discutir com entidades empresariais a adaptação dos incentivos fiscais à reforma tributária e trabalhar para ampliar investimentos e empregos.

Cadu defendeu ainda a redução da burocracia no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), sem flexibilizar os cuidados ambientais. Segundo ele, os processos de licenciamento precisam ter critérios objetivos e prazos definidos.

Ao encerrar a entrevista, o governador eleito voltou a defender o fim das disputas políticas após o resultado das urnas. “Agora é hora de desarmar as bandeiras e trabalhar pelo povo. É isso que eu vou fazer”, declarou.

Tribuna do Norte

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28 out

Avião com Flávio Bolsonaro segue para Miami; entenda a linha do tempo

Avião com Flávio Bolsonaro segue para Miami; entenda a linha do tempo

Foto: Reprodução

O avião particular que transporta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e três familiares decolou de Guayaquil, no Equador, às 6h22 desta quarta-feira 28, no horário de Brasília, com destino a Miami, nos Estados Unidos. A chegada ao aeroporto executivo Opa-locka estava prevista para as 10h40, segundo o serviço de monitoramento FlightAware.

A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, operada pela empresa argentina Baires Fly, fez escala no Equador após sair de Puerto Iguazú. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que o senador e a família entraram no país na noite de terça-feira 27 e embarcaram para Guayaquil cerca de 40 minutos depois.

A viagem ocorreu apesar da proibição de Flávio deixar o Brasil, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo para apresentar os passaportes à Polícia Federal havia terminado às 11h de terça-feira, sem a entrega dos documentos.

A saída do país ocorreu dois dias após a derrota do senador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Veja a sequência dos acontecimentos.

Snt.Rita Cassia

Domingo 25 — Derrota e anúncio de contestação da eleição

Flávio perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Lula. Após a divulgação do resultado, afirmou que não reconhecia o desfecho e anunciou que pediria a anulação da eleição.

O senador criticou a decisão que prorrogou o horário de votação e alegou que a medida comprometeu a igualdade de condições entre eleitores de diferentes localidades.

Na noite de domingo, Moraes determinou a retenção dos passaportes de Flávio e o proibiu de deixar o Brasil. A decisão foi expedida no processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas do advogado e plataformas de apostas. Os dois negam irregularidades.

Segunda-feira 26 — Intimação e promessa de permanecer no Brasil

Flávio afirmou que foi intimado pela Polícia Federal após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo publicado nas redes sociais, disse que entregaria os documentos e que não pretendia sair do país.

“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.

Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros do parlamentar, incluindo o diplomático, e a entrega de documentos de viagem estrangeiros. Flávio possui passaporte italiano, concedido em 2023.

Terça-feira 27, às 11h — Prazo termina sem entrega dos documentos

O senador não apresentou os passaportes à PF dentro do prazo determinado.

Ao solicitar a apreensão, a corporação havia apontado risco de fuga e citado estruturas de apoio no exterior. Os investigadores mencionaram a capacidade financeira do parlamentar e uma declaração do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro recomendando que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota eleitoral.

O pedido também citou a presença de Willer Tomaz em Miami e a estrutura mantida por Eduardo nos Estados Unidos. A investigação examina suspeitas sobre o destino de recursos enviados ao exterior pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Terça-feira 27 — Notícias sobre viagem e anúncio de vistos

Ao longo do dia, surgiram informações sobre uma possível passagem de Flávio pela Argentina com destino aos Estados Unidos. Pela manhã, o controle migratório argentino informou que não havia registro de entrada do senador no país.

Uma autoridade americana informou à Reuters que Flávio estava a caminho dos Estados Unidos. Também circularam informações de que ele já teria chegado ao país, contrariadas pelos registros posteriores da passagem pela Argentina e da escala no Equador.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do aliado, inicialmente negou a saída de Flávio do Brasil. Depois, ao chegar à sede do PL, em Brasília, disse que só falaria após uma manifestação do parlamentar.

O governo americano anunciou que concederá vistos ao senador e à família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos.

Terça-feira 27, às 22h50 — Entrada registrada na Argentina

A Direção Nacional de Migrações confirmou que Flávio, a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as filhas Carolina e Luiza cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves. A passagem liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.

Segundo o órgão, os quatro apresentaram documentação válida, passaram pelo controle sem incidentes e não tinham impedimentos legais para ingressar na Argentina. A autorização de entrada no país vizinho não alterava a proibição de saída imposta pela Justiça brasileira.

Terça-feira 27, às 23h30 — Embarque para o Equador

Cerca de 40 minutos depois de cruzar a fronteira, o grupo embarcou no avião particular operado pela Baires Fly. O plano apresentado às autoridades argentinas indicava Guayaquil como destino imediato.

No trecho entre a Argentina e o Equador, a aeronave sobrevoou Paraguai, Bolívia e Peru, sem atravessar o espaço aéreo brasileiro, conforme o FlightAware.

Quarta-feira 28, às 6h22 — Decolagem com destino a Miami

Após a escala em Guayaquil, o avião decolou para o aeroporto executivo Opa-locka, na região de Miami. A previsão de chegada era às 10h40, no horário de Brasília.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que aprova a ida do senador. “Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas”, afirmou ao ser questionado por jornalistas. Trump voltou a levantar suspeitas sobre a eleição brasileira sem apresentar provas.

Agora RN

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