Morre Lito Sousa, referência da aviação brasileira, aos 59 anos
Especialista em aviação, piloto, mecânico de aeronaves e criador do canal “Aviões e Músicas”, Lito morreu nesta quinta-feira (1º), após uma rápida batalha contra uma doença rara
A aviação brasileira perdeu nesta quinta-feira (1º) uma de suas vozes mais conhecidas e admiradas. Lito Sousa, nascido em Natal (RN), em 1967, morreu aos 59 anos, após enfrentar uma rápida evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara, grave e sem cura. A morte foi confirmada pela família nas redes sociais.
Lito construiu uma trajetória de mais de três décadas ligada à aviação. Começou ainda jovem, aos 19 anos, trabalhando na manutenção de aeronaves e passou por empresas como Varig, Transbrasil e United Airlines. Foram cerca de 36 anos dedicados à aviação, sendo 27 deles na área técnica como mecânico de aeronaves.
Mas foi na internet que seu trabalho ganhou uma dimensão ainda maior. Com o canal “Aviões e Músicas”, Lito conseguiu transformar assuntos considerados complexos em explicações simples e acessíveis. Ao falar sobre aviões, segurança de voo, acidentes e bastidores da aviação, ele também ajudou milhares de pessoas a enfrentarem um dos maiores medos relacionados ao transporte aéreo: o medo de voar.
Seu trabalho ultrapassou os vídeos. Lito escreveu o livro Onde Morrem os Aviões, criou cursos voltados à formação na área de manutenção e também um programa dedicado a pessoas que tinham medo de viajar de avião. Em 2021, recebeu homenagem do CENIPA por sua contribuição à cultura de segurança de voo no Brasil.
Uma despedida rápida e dolorosa

A doença que levou Lito avançou de maneira extremamente rápida. Antes do diagnóstico definitivo, ele havia sido diagnosticado com câncer de próstata e começou a apresentar alterações neurológicas, incluindo perda progressiva de controle motor no braço e na mão esquerda. Após uma série de exames, veio o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob.
O diagnóstico da DCJ foi divulgado em agosto, e, desde então, Lito e sua família travaram uma corrida contra o tempo em busca de alternativas de tratamento. Ele chegou a receber autorização para um medicamento experimental, mas a doença continuou avançando. Segundo o UOL, Lito morreu 41 dias após revelar publicamente o diagnóstico.
Nos últimos dias, sua família e seus seguidores acompanharam com esperança cada atualização. Mesmo diante de uma doença sem cura e de evolução tão rápida, Lito continuou compartilhando mensagens sobre a vida e demonstrando preocupação principalmente com a esposa, Mila Seidl, e o filho, Malone.
Do medo de voar à paixão por ensinar
Talvez um dos capítulos mais simbólicos da história de Lito seja justamente o fato de que a aviação não foi apenas sua profissão — foi também o caminho que transformou sua própria vida pessoal.
Foi através do trabalho que desenvolvia com o Aviões e Músicas que Lito conheceu Mila. Ela procurou o especialista em 2014 porque tinha medo de voar e precisava viajar para a França. Uma conversa que deveria durar apenas alguns minutos se estendeu por horas. Os dois se aproximaram, se casaram em 2016 e tiveram um filho.
Assim, o homem que passou tantos anos explicando como aviões chegam, partem, enfrentam turbulências e seguem seus planos de voo acabou fazendo da própria vida uma história profundamente ligada à aviação.
E foi justamente usando a linguagem que dominou durante tantos anos que sua esposa se despediu dele.
Na mensagem de despedida divulgada pelo canal, Mila comparou a partida de Lito a um novo voo, lembrando que ele ensinou tantas pessoas a não terem medo de voar.
A morte de Lito deixa um vazio entre profissionais da aviação, apaixonados por aeronaves e milhões de pessoas que aprenderam a olhar para o céu com outros olhos.
Hoje, os aeroportos continuam funcionando. Os aviões continuam decolando. As turbinas continuam cortando o céu. Mas, para muita gente que aprendeu a amar a aviação através de Lito, haverá uma ausência impossível de ignorar.
Lito passou a vida ensinando que não era preciso ter medo de voar.
E talvez essa seja a forma mais bonita de lembrar sua história: olhar para o céu e lembrar de alguém que dedicou a vida a mostrar que, por trás de cada avião, existe uma história — e que algumas dessas histórias permanecem mesmo depois da última partida.
Lito Sousa, 1967–2026. Que seu próximo voo seja em paz.





