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A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou nesta terça-feira 27 que viajará a Brasília na próxima semana acompanhada do governador eleito Cadu de Lula (PT) para discutir a continuidade de obras e novos investimentos federais no Rio Grande do Norte. A agenda deverá incluir conversas com a Casa Civil sobre empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e propostas como a terceira ponte de Natal.
“É importante ir porque o Rio Grande do Norte tem pressa”, declarou Fátima.
A governadora destacou que Cadu, que a acompanhava em compromissos na capital federal como secretário, participará agora das discussões na condição de sucessor eleito. “Vou na próxima semana para Brasília. Já vou levando o governador junto comigo”, afirmou.
Na avaliação de Fátima, a continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência permitirá a Cadu iniciar o mandato em condições mais favoráveis para viabilizar investimentos. A governadora argumentou que, no começo da atual gestão federal, o presidente precisou concentrar esforços na recuperação de políticas públicas e na retomada de obras paralisadas. Disse que os resultados mais expressivos da parceria com o governo estadual começaram a aparecer a partir do ano passado. “Cadu chega agora com as obras já em curso”, afirmou.
Entre os empreendimentos citados, Fátima destacou a duplicação da BR-304. Em setembro, os primeiros 10 quilômetros da obra foram entregues e outros 8 quilômetros deverão ser liberados em dezembro. A governadora manifestou confiança de que a obra será concluída até 2030, durante os próximos mandatos estadual e federal.
Na saúde, a governadora projetou a entrada em funcionamento do Hospital Metropolitano em 2028, já na administração de Cadu. Afirmou que a construção começou e apresentou a unidade como uma resposta a uma necessidade antiga do Estado, com potencial para reduzir a pressão sobre o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. “Esse é um dos grandes legados que nós vamos deixar”, declarou. Fátima classificou o empreendimento como uma obra estruturante para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte.
A infraestrutura hídrica também deverá integrar as discussões sobre a continuidade dos investimentos. Fátima citou a chegada das águas do Rio São Francisco ao Seridó e a Pau dos Ferros e apontou a conclusão dos sistemas adutores do Seridó e do Agreste como compromissos para o próximo período. No caso do Agreste, afirmou que a parceria entre Cadu e Lula permitirá levar água até o município de Santa Cruz.
Sobre a terceira ponte sobre o Rio Potengi, em Natal, a governadora atribuiu a Cadu a iniciativa de apresentar a proposta durante a campanha. Segundo relatou, ele a procurou depois de conversar com profissionais da área e se convencer da importância do equipamento para a mobilidade urbana. “Foi ideia dele”, afirmou. Além de melhorar os deslocamentos e a segurança viária, a ponte foi apresentada pela governadora como um investimento com potencial para beneficiar o turismo da capital potiguar.
Fátima disse que intermediou os primeiros contatos com a Casa Civil e que Cadu passou a conduzir as conversas sobre o projeto. A estimativa mencionada por ela é de um investimento entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. Segundo a governadora, o compromisso recebeu autorização de Lula, que posteriormente o confirmou durante a visita ao Alecrim, em Natal. “O presidente Lula deu Ok”, declarou.
Ao reunir as obras rodoviárias, hospitalares e de abastecimento, Fátima defendeu que a relação com o governo federal tem resultados concretos a apresentar e deverá sustentar novas entregas. “Nós estamos falando de ações concretas”, afirmou. Na avaliação dela, a manutenção da parceria permitirá ao sucessor avançar em projetos que já passaram pelas primeiras etapas de articulação e execução.
Vitória nas eleições
O anúncio da viagem ocorreu em meio ao balanço que a governadora fez das eleições. Fátima classificou a vitória de Cadu e a reeleição de Lula como o encerramento de uma jornada iniciada no primeiro turno, quando seu grupo ampliou as bancadas estadual e federal e elegeu Samanda de Lula (PT) ao Senado. “O campo democrático e progressista colhe nessas eleições de 2026 o melhor resultado político da sua história no Rio Grande do Norte”, afirmou.
A governadora interpretou a eleição do sucessor como uma renovação da confiança recebida ao longo de sua trajetória política, que inclui mandatos de deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Disse ter começado a segunda-feira considerando aquele um dos dias mais felizes de sua vida. “Eu não vou esquecer isso nunca, nunca”, declarou, ao agradecer ao eleitorado pela escolha de Cadu e Lula.
Embora tenha reconhecido sua participação nas articulações, Fátima ressaltou que o resultado foi construído coletivamente. “Essa vitória é fruto do esforço coletivo. Ninguém faz nada sozinho”, afirmou. A governadora agradeceu aos parlamentares e às lideranças que apoiaram a candidatura desde o início, aos aliados que chegaram no segundo turno e à militância. Também atribuiu a Lula influência decisiva no resultado estadual e destacou a identificação do presidente com o Nordeste.
Sobre a disputa pelo governo, Fátima disse que passou a acreditar sem dúvidas na vitória quando Cadu chegou ao segundo turno. Na avaliação dela, a comparação de trajetórias e perfis, especialmente nos debates, favoreceu o aliado. “Cadu conseguiu transmitir muita veracidade, muita credibilidade”, afirmou. A governadora também ressaltou que o sucessor assumiu publicamente a ligação com sua administração e demonstrou conhecer tanto os avanços quanto os problemas do Estado.
Projetos a partir de 2027
Ao tratar do que pretende fazer depois de deixar o governo, Fátima afirmou que deseja descansar e tirar férias em janeiro, mas assegurou que continuará participando da vida política. “A militância política faz parte da minha trajetória, da minha história, e você não faz política só estando num mandato eletivo”, declarou. “Eu vou continuar sempre exercendo a militância política, como sempre fiz, sem dúvida nenhuma.”
Questionada sobre a possibilidade de assumir um ministério no próximo mandato de Lula, a governadora negou que tenha discutido o assunto com o presidente. “O presidente Lula nunca conversou comigo sobre isso”, afirmou. Apesar de dizer que não está concentrada nessa hipótese neste momento, deixou aberta a possibilidade de integrar a futura equipe federal. “Evidentemente, se esse convite for feito, claro que eu vou avaliar”, declarou.
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