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26 out

Brasil despenca do 28º para o 62º lugar em ranking de crescimento da indústria

Brasil despenca do 28º para o 62º lugar em ranking de crescimento da indústria

© Shutterstock

Apesar de uma pequena recuperação recente, a indústria de transformação brasileira segue entre as que menos crescem no mundo e está bem abaixo da posição que ocupava em 2024, quando figurava na metade de cima do ranking global.

Há apenas dois anos, no segundo trimestre de 2024, o Brasil ocupava o 28º lugar na lista dos países com maior avanço na produção industrial. Após forte aumento na taxa básica de juros (Selic), despencou para a 62ª posição no segundo trimestre deste ano.

A conclusão é de uma análise feita pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) a partir de dados da Unido, a organização da ONU (Organização das Nações Unidas) para o desenvolvimento industrial.

Os números apontam que, enquanto a indústria de transformação mundial avançou 7,6% entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2024, a brasileira cresceu somente 0,84% na mesma comparação.

O economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin, afirma que a escalada da Selic, que penaliza a indústria tanto do lado do investimento como da demanda dos consumidores, está diretamente relacionada ao tombo brasileiro no ranking durante o período.

Em setembro de 2024, os juros básicos, então em 10,50% ao ano, começaram a subir e atingiram 15% em junho de 2025, patamar onde se mantiveram até o início deste ano. Hoje a taxa, em um ciclo de queda desde março último, está em 13,75% ao ano.

“A taxa de juros é um condicionante poderoso da produção industrial. A indústria é muito sensível a ela porque produz bens duráveis, onde a demanda depende do patamar da Selic, e depende também de crédito para investir”, diz Cagnin.

No final de 2025, o Brasil chegou a atingir o 75º lugar no ranking, mas subiu algumas posições nos últimos trimestres. Para o economista do Iedi, a base de comparação fraca do ano passado, aliada à queda recente dos juros, ajudaram nesse movimento.

Ele afirma que, após amargar três trimestres consecutivos de queda anual, a indústria avançou 0,5% entre abril e junho sobre igual período de 2025. Apesar disso, ressalva, a manufatura mundial cresceu 3,7% nessa comparação, ritmo sete vezes maior, o que mostra um descompasso prejudicial ao Brasil em relação ao resto do mundo.

“Na margem melhorou um pouco, mas ainda próximo de zero, e muito longe do que estávamos em 2024”, afirma.

Entre os ramos da indústria mais afetados, ele diz que o destaque são os bens de capital (máquinas e equipamentos), onde juros elevados são especialmente prejudiciais. Esse segmento acumula queda de 5,3% da produção no ano até agosto, depois de fechar 2025 com recuo de 1,7%. Em 2024, havia crescido 9%.

“Essa é a parcela da indústria que está travada, porque existe o custo de oportunidade: para investir em bens de capital, as empresas precisam ter um retorno de no mínimo os juros básicos, porque senão vale mais a pena aplicar em títulos públicos.”

Outro destaque negativo são os bens de consumo duráveis, que também dependem de financiamento e que tiveram crescimento de apenas 2,1% no acumulado do ano até agosto -em 2024, a alta havia sido de 10,7%.

Já os segmentos ligados à renda corrente, como alimentos, bebidas, vestuário e calçados, são menos afetados porque dependem menos de crédito para serem consumidos, apesar de ainda demandarem algum grau de financiamento no Brasil, segundo Cagnin.

Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a indústria brasileira enfrenta uma série de desafios. “O problema estrutural da indústria é o custo elevado em praticamente todos os itens que compõem sua produção”, diz.

Ele cita o custo Brasil (dificuldades estruturais, burocráticas, tributárias e econômicas que tornam o ato de produzir e fazer negócios no Brasil mais caro), além do custo trabalhista elevado e do custo de energia, historicamente alto. “Sem falar nos juros.”

Para Vale, o fato de a economia brasileira ser uma das mais fechadas do planeta manteve o país afastado das cadeias globais de produção, o que fica mais visível na comparação setorial entre países.

“Nosso foco de competitividade é nos setores que têm exposição aos mercados externos, como as commodities. A indústria relacionada a esses setores foi ganhadora. Mas aqui há um novo problema no horizonte, que é a forte presença da China em nossa pauta importadora industrial”, aponta.

RESILIÊNCIA DA INDÚSTRIA MUNDIAL

Há outro lado que explica a forte queda do Brasil no ranking, e ele está relacionado com a resiliência mostrada pela indústria internacional, a despeito de guerras, que levaram a rupturas em cadeias globais de fornecimento, e inflação persistente.

O motor, segundo dados da Unido citados pelo Iedi, são os setores de alta intensidade tecnológica, ligados à digitalização e à transição energética. Eles cresceram 2% no mundo no trimestre, com destaque para outros equipamentos de transporte (+3,8%) e computadores e eletrônicos (+3,4%).

Enquanto isso, os setores de menor intensidade tecnológica avançaram 0,4%. “Existe um processo de dinamismo industrial, e o que está por trás é principalmente a indústria de alta intensidade tecnológica, liderada por computação, transporte, digitalização e eletrificação”, diz Cagnin. “A Unido aponta que, desde a pandemia, essas atividades cresceram praticamente o dobro do que cresceu a indústria como um todo.”

O Brasil, entretanto, não vem conseguindo aproveitar esse movimento, aponta o economista do Iedi, já que esses segmentos não possuem a força que poderiam ter no mercado doméstico.

“São os ramos mais dinâmicos da indústria global nesse momento da história, mas são sub-representados na estrutura da produtividade brasileira”, diz. “Isso faz com que o Brasil perca o vento de popa que impulsiona o mundo.”

Para Cagnin, o cenário para os próximos meses segue restritivo. Os juros caem lentamente, mas o endividamento de famílias e empresas e a incerteza eleitoral pesam sobre os setores que dependem de confiança para decidir investimentos, como os de bens duráveis.

O mercado interno, com emprego e renda razoáveis, evita uma queda maior, mas não basta para iniciar um ciclo de expansão. “A indústria reage, mas o suficiente apenas para estancar a queda”, afirma.

Em 2027, ele espera mais desaceleração. O resultado dependerá da estratégia econômica do próximo governo e do ritmo de redução dos juros.
“A queda de juros demora para bater na atividade”, lembra. “O cenário para os próximos meses e a primeira metade do ano que vem ainda é muito restritivo, de freio de mão puxado.”

Vale, da MB Associados, afirma que a solução passa por buscar acordos com outros países e reduzir os custos de produção. “O caminho é por mais acordos comerciais com países mais ricos, como estamos fazendo com a União Europeia”, defende.

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26 out

Trump mantém silêncio após vitória de Lula

Trump mantém silêncio após vitória de Lula

© Getty Images

Até a madrugada desta segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não havia feito pronunciamento sobre o resultado do pleito presidencial no Brasil. O líder republicano desembarcou na Casa Branca na noite de domingo (25) e preferiu não falar com a imprensa.

Por outro lado, diversos líderes internacionais manifestaram-se prontamente para parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela conquista da reeleição. Entre as autoridades de direita na América Latina, a peruana Keiko Fujimori, o chileno José Antonio Kast e o presidente paraguaio, Santiago Peña, reagiram com rapidez ao pleito. Da mesma forma, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, felicitou Lula, ressaltando que a parceria entre ambos fez florescer as relações bilaterais entre os dois países.

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25 out

Flávio Bolsonaro diz que não reconhece resultado e anuncia pedido de anulação da eleição

Flávio Bolsonaro diz que não reconhece resultado e anuncia pedido de anulação da eleição

Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo 25 que não reconhece o resultado da eleição presidencial e anunciou que pedirá a anulação da votação. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin sobre a prorrogação do horário de votação.

“O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável”, declarou Flávio. O senador relacionou sua contestação à mudança no horário de encerramento da votação.

Flávio também questionou as diferenças na aplicação da prorrogação entre cidades e estados. “Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável o que aconteceu”, afirmou.

“Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou. O senador afirmou ser impossível reconhecer o resultado nas condições que descreveu.

O anúncio expressa a intenção de recorrer à Justiça. As informações disponíveis não confirmam o protocolo de uma ação nem detalham os fundamentos jurídicos do pedido de anulação.

Na parcial nacional das 22h15, com 99,99% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula tinha 64.249.053 votos, equivalentes a 51,78% dos válidos. Flávio somava 59.822.251 votos, ou 48,22%. A diferença era de 4.426.802 votos.

A manifestação do senador ocorreu após a disputa pela Presidência chegar ao segundo turno. Na primeira etapa, Flávio havia terminado à frente de Lula; na votação decisiva, o petista reverteu a desvantagem nacional.

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25 out

Presidente e governadores eleitos tomam posse em novas datas em 2027

Presidente e governadores eleitos tomam posse em novas datas em 2027

Geraldo Magela/Agência Senado

A posse dos chefes dos Executivos federal e estaduais passa a ter novas datas em 2027. O presidente e o vice-presidente da República eleitos em 2026 serão empossados em 5 de janeiro. Os governadores e vice-governadores, em 6 de janeiro.

A mudança foi estabelecida pela Emenda Constitucional 111, de 2021. Desde a promulgação da Constituição de 1988, a data de posse ocorria sempre no dia 1º de janeiro para esses cargos. Antes de 1988, os chefes do Executivo eram empossados em 15 de março. 

A posse dos chefes dos Executivos federal e estaduais em dias diferenciados possibilita aos novos governadores participarem da investidura do presidente e de seu vice em Brasília, algo que não ocorria anteriormente, já que as cerimônias aconteciam no mesmo dia.

É o Congresso Nacional quem dá posse ao presidente eleito. Na mesma solenidade, realizada geralmente no Plenário da Câmara dos Deputados, também é empossado o vice-presidente.

O evento é comumente antecedido de desfile do eleito em carro aberto e recepção na rampa do Congresso pelos presidentes do Senado e da Câmara.

Câmara e Senado

Na Câmara e no Senado, a data de posse dos novos senadores e deputados permanece inalterada: 1º de fevereiro. A posse ocorre em reuniões preparatórias nos Plenários das respectivas Casas. Os parlamentares eleitos prestam o compromisso regimental, sem discurso dos presentes.

Na mesma data, ocorre a eleição das Mesas de cada Casa, para mandato de dois anos.

No Senado, a segunda reunião preparatória é destinada à eleição do presidente da Casa. Após fala dos candidatos, é feita a votação secreta, com uso de cédula a ser depositada em urna. Para ser eleito, o senador precisa conquistar a maioria absoluta dos votos, ou seja, 41 votos. Os parlamentares são chamados a votar de acordo com a ordem de criação dos estados, assim como ocorre na posse.

Na terceira reunião preparatória são eleitos os demais cargos da Mesa — primeiro e segundo vice-presidentes e quatro secretários, com os respectivos suplentes.

Fonte: Agência Senado

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25 out

Mais de 2 milhões de eleitores justificam ausência no segundo turno até as 12h, diz TSE

Mais de 2 milhões de eleitores justificam ausência no segundo turno até as 12h, diz TSE

© Nelson Jr./ ASICS/TSE

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou 2.644.306 justificativas de ausência às urnas pelo aplicativo e-Título até o meio-dia deste domingo (25), dia de votação do segundo turno das eleições de 2026 em todo o país.

Segundo o TSE, o aplicativo também emitiu mais de 2,3 milhões de títulos eleitorais digitais e contabilizou mais de 14 milhões de consultas à ferramenta “Onde Votar”, usada para verificar o endereço dos locais de votação.

A Justiça Eleitoral informou ainda ter enviado 1.174.076 notificações a eleitores que tiveram alterações em seus locais de votação.

A justificativa pode ser apresentada pelo e-Título durante o horário de votação, das 8h às 17h. O procedimento é destinado a quem está fora do município onde deveria votar. O aplicativo utiliza a geolocalização do celular para verificar a localização do eleitor, sem exigir documentos que comprovem o motivo da ausência.

Também é possível justificar presencialmente por meio do Requerimento de Justificativa Eleitoral (RJE), formulário que deve ser apresentado em uma mesa receptora de votos ou de justificativas. Nesse caso, é necessário levar um documento oficial de identificação com foto, mesmo que esteja com a validade expirada.

Quem não justificar a ausência no dia da eleição poderá apresentar o pedido posteriormente, com documentos que comprovem o motivo da falta. Para o segundo turno, o prazo termina em 8 de janeiro de 2027, segundo o TRE-SP.
A justificativa deve ser feita para cada turno em que o eleitor deixar de votar. Caso o pedido não seja aceito ou não seja apresentado dentro do prazo, será necessário pagar multa de R$ 3,51 por turno.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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