Resultado de júri do Caso Zaira deve sair nesta semana

Passados seis anos da morte da estudante universitária Zaira Dantas Silveira Cruz, a Justiça do Rio Grande do Norte deu início nesta segunda-feira (02) ao júri popular do policial militar Pedro Inácio Araújo, acusado de estupro e homicídio da jovem durante o Carnaval de Caicó, em março de 2019. A expectativa é de que o júri e o resultado aconteçam durante esta semana. Ao longo do processo, 22 pessoas serão interrogadas pela acusação e defesa junto ao Tribunal do Júri, formado por sete jurados.
O Tribunal do Júri está acontecendo no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal. Pela manhã, o prédio chegou a receber reforço no policiamento e grades de isolamento foram instaladas na calçada do fórum para evitar movimentações na área. Durante o processo, a defesa do PM Pedro Inácio Araújo pediu e obteve o desaforamento do júri popular para Natal, antes previsto para Caicó, alegando dúvidas sobre a imparcialidade do júri na região do Seridó, devido à repercussão do caso. O processo conta com 7 mil laudas.
Antes previsto para iniciar às 8h desta segunda-feira, a sessão do júri do caso Zaira Cruz teve início oficialmente às 11h07 após um curto circuito em um poste provocar a falta de internet no local do julgamento, o que motivou o atraso para a abertura da sessão. A internet é necessária para os trâmites da sessão, inclusive para o depoimento de três testemunhas que participam por videoconferência.
Após a abertura dos trabalhos, antes do sorteio para composição do Conselho de Sentença, a defesa do réu Pedro Inácio chegou a solicitar nulidade no júri, tendo pedido rejeitado. Por se tratar de um processo que tramita em sigilo de justiça, e para preservar a dignidade da vítima e demais dados sensíveis do processo, o acesso ao julgamento está limitado aos familiares da vítima, Zaira Cruz, e do réu, Pedro Inácio Araújo.
De acordo com informações da unidade judicial, seis pessoas foram autorizadas a acompanhar a sessão: a mãe, o pai, a irmã da vítima e uma psicóloga do Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência Letal e Intencional do Ministério Público do RN. A mãe do réu e um acompanhante também foram autorizados a acompanhar a sessão.
O caso
Zaira Cruz, 22 anos, foi estuprada e morta no dia 02 de março de 2019. A jovem, natural de Currais Novos e estudante de Engenharia Química na Universidade Federal Rural do Semi-Árido, foi encontrada morta dentro do carro do acusado, que estava trancado. O veículo precisou ser aberto pelos bombeiros. Em abril de 2019, o Ministério Público do Rio Grande do Norte denunciou à Justiça potiguar o policial militar Pedro Inácio Araújo pelos crimes de estupro e homicídio quadruplamente qualificado da estudante. Segundo o inquérito policial do caso, na madrugada do dia 2 de março de 2019, entre 2h14 e 4h, em local ainda não esclarecido, no interior do veículo, o policial constrangeu Zaira Cruz, mediante violência física extrema, com chutes, agressões e imobilização, e a estuprou.
Em seguida, o denunciado assassinou a vítima mediante asfixia por esganadura, com o objetivo de assegurar a ocultação do crime sexual, tendo agido à traição e movido por razões da condição do sexo feminino da vítima.
A mãe de Zaira, Ozanete Dantas, que mora com a família em Currais Novos, relatou na reportagem “Núcleo ajuda famílias de vítimas da violência no RN a superar o luto“, publicada pela TRIBUNA DO NORTE em 14 de setembro do ano passado, a dor que enfrenta diariamente com a perda violenta da filha. “Eu estou atrás, eu corro, eu grito, eu falo, eu busco e não me canso. Eu quero fechar o caixão da minha filha. Eu quero poder encerrar esse ciclo e dizer assim: hoje eu posso deitar e sentir o coração um pouquinho mais leve, mais calmo. Porque todas as noites eu durmo e é aquela noite agoniada. Eu acordo todas as noites de duas, duas e meia, três horas, que é o horário que ele assassinou ela”, disse.
NÚMEROS
22
é o número de pessoas interrogadas
7 mil
laudas é o tamanho do processo
Tribuna do Norte