RN ocupa 3ª posição entre estados do NE com mais educação profissional
O Rio Grande do Norte ocupa a terceira posição entre os estados da região Nordeste com maior integração entre ensino médio e educação profissional, com 28,2% das matrículas articuladas na rede pública. No recorte nacional, cuja média foi de 20,1%, o estado aparece na sexta colocação. Os dados são da primeira etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), sobre o crescimento das matrículas na Educação Profissional e Tecnológica (EPT).
De acordo com o levantamento, entre os estados da região Nordeste, o percentual de matrículas integradas no Rio Grande do Norte perde apenas para o registrado pelo Piauí (68,8%), líder no ranking nacional, e pela Paraíba (34,7%). Em todo o país, houve um salto de 68,4% no número de estudantes nessa modalidade nos últimos cinco anos. Em 2021, eram 1,8 milhão de matrículas registradas nacionalmente, enquanto em 2025 o total chegou a 3,1 milhões de alunos.
Para o professor Dante Henrique Moura, do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (PPGED/IFRN), o percentual de matrículas da educação profissional no estado indica a continuidade da política pública de expansão da modalidade.
“Um marco importante dessa expansão foi, inicialmente, a criação dos Centros Estaduais de Educação Profissional (CEEPs) há alguns anos e, posteriormente, já no governo atual, a criação do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN). É um avanço porque traz a possibilidade de os filhos e filhas da classe trabalhadora terem acesso a um ensino médio que garante toda a formação necessária ao prosseguimento de estudos, mas também uma profissionalização”, destaca o docente.
Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC-RN) também destacou que o percentual de 28,2% demonstra avanço nas políticas públicas voltadas à formação técnica. É o caso da efetivação das sete unidades do IERN em funcionamento.
Entre as áreas técnicas com maior procura na rede estadual, de acordo com a pasta, estão cursos ligados aos eixos tecnológicos de Administração, Logística, Planejamento e Controle da Produção, Redes de Computadores, Informática e Manutenção de Computadores. A secretaria informou ainda que mantém um planejamento contínuo de ampliação da oferta, considerando tanto a demanda dos estudantes quanto as necessidades produtivas e econômicas das diferentes regiões do estado.
Para o ano letivo de 2026, segundo dados da Subcoordenadoria de Educação Profissional (SUEP) cedidos pela SEEC-RN, a rede estadual registra 21,5 mil matrículas na educação profissional. No total, são 144 unidades escolares da rede estadual ofertando cursos técnicos, o que representa cerca de 45% das escolas estaduais de ensino médio que disponibilizam formação técnica.
Especialista aponta desafios
Apesar da expansão no ensino técnico, Dante Henrique Moura afirma que alguns desafios precisam ser superados. Entre eles, o professor cita a necessidade de melhorar a infraestrutura das escolas para receber os estudantes e a falta de professores efetivos na educação profissional em diversos cursos técnicos.
“O Rio Grande do Norte nomeou professores efetivos para a educação profissional, mas apenas em dois cursos técnicos: administração e informática. Existe uma quantidade grande de outros cursos técnicos que não têm quadro de professor efetivo e funcionam com professores com contrato temporário e sob condições de trabalho que não são as mais adequadas”, destaca o docente.
“Entre as principais estratégias adotadas estão a ampliação da rede de escolas que ofertam cursos técnicos, a implantação dos Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação (IERN), além da adequação de laboratórios e ambientes de aprendizagem nas unidades que passaram a ofertar cursos técnicos integrados ao ensino médio”, aponta a secretaria em nota.
De acordo com a SEEC-RN, foram convocados 194 professores efetivos no início deste ano para sustentar a expansão do ensino médio técnico. A pasta não cita a possibilidade de aumento desse quantitativo, mas destaca que tem investido na formação continuada de professores e equipes pedagógicas que atuam na modalidade para garantir a qualidade da oferta e promover a atualização curricular alinhada às demandas do mundo do trabalho e às novas tecnologias.
