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Futebol
13 jul

Chelsea e PSG decidem Copa do Mundo de Clubes impulsionados por donos bilionários e projetos semelhantes

Chelsea e PSG decidem Copa do Mundo de Clubes impulsionados por donos bilionários e projetos semelhantes

Chelsea e Paris Saint-Germain decidem neste domingo, a partir das 16h (de Brasília), quem levanta o inédito troféu do Mundial de Clubes. Ingleses e franceses se enfrentam no MetLife Stadium com uma semelhança: ambos chegaram ao topo a partir de investimentos bilionários de seus donos, os magnatas Todd Boehly e Nasser Al-Khelaifi. O perfil de investimento dos dois na montagem do elenco também se assemelha, de modo que a prioridade é apostar em jovens talentos.

Desde maio de 2022, o Chelsea pertence a um grupo de empresários liderado pelo americano Todd Boehly, dono do time de beisebol Los Angeles Dodgers. Ele comprou por 4,2 bilhões de libras (R$ 26 bilhões na cotação da época) a agremiação do magnata do petróleo russo, Roman Abramovich, que decidiu vender suas ações para não sofrer sanções do governo britânico assim que as tropas russas invadiram a Ucrânia, no fim de fevereiro daquele ano.

Como Abramovic, Boehly manteve o Chelsea como protagonista no mercado. Só nesta janela de transferências, foram gastos 243 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) em contratações, segundo números do Transfermarkt.

A presença na final oferece ao técnico Enzo Maresca a chance de redenção após ser questionado devido a dificuldades em alcançar o topo com um elenco numeroso e que custou mais de 1 bilhão de euros na ultima temporada, com a aquisição de jovens caros e talentosos. No cargo desde junho do ano passado, ele ganhou apenas a Conference League, título de menor importância na Europa.

A partida será um jogo de xadrez, comparou Maresca. “Não acredito em movimentos de xadrez durante as partidas, mas o técnico precisa reagir quando o outro técnico reage. Será um jogo de xadrez contra Luis Enrique, mas vamos tentar nos divertir”.

Para o argentino Enzo Fernández, o Chelsea vai encarar o “melhor time do mundo”, considerado favorito. ”Mas temos um grande grupo e saberemos usar nossas armas”, ressaltou. “É muito importante esse título a nível de clubes”.

Fernández não sabe se terá ao seu lado o parceiro Moisés Caicedo, com o qual forma uma das melhores duplas de volante do mundo. O equatoriano se recupera de entorse no tornozelo esquerdo e não treinou na sexta-feira.

Na frente, um dos protagonistas é o português Pedro Neto, que quer dedicar a conquista ao amigo Diogo Jota, morto há duas semanas em acidente de carro. “Temos feito coisas boas e melhorado muito. Todos nós acreditamos que esta equipe pode fazer mais”.

No PSG, a estrela são todos

Considerado um dos homens mais ricos do mundo, Al-Khelaifi, de 51 anos, está à frente do PSG há uma década e não se importa em gastar quantias estratosféricas para fazer com que o clube domine o futebol mundial. Ex-tenista profissional e membro da família real do Catar, o dono da Qatar Sports Investments conseguiu primeiro tornar o clube soberano na França. O projeto alcançou seu auge com a conquista da Champions League neste ano a partir de uma mudança importante.

Depois de se livrar de Neymar, Messi e Mbappé, o PSG continuou a gastar quantias vultosas para trazer protagonistas. A diferença é que nenhum é do calibre dos três, mas todos jogam para o time, como preza e determina o técnico Luis Enrique.

Uma alteração profunda da diretoria na estratégia de contratações renovou a equipe, formada hoje por muitos jovens, e o plano deu certo. Os franceses ganharam tudo o que disputaram na última temporada, incluindo a Champions League pela primeira vez. Buscam, agora, a taça do Mundial – o time nunca ganhou o torneio organizado pela Fifa, seja ele em qualquer versão.

A explicação para essa mudança de rumo na política de reforços passa pela administração do Qatar Sports Investments (QSI) fundo ligado ao Governo do Catar, que se tornou dono majoritário do PSG em 2011. O país do Oriente Médio tinha de contratar grandes astros para tornar o time conhecido antes da Copa do Mundo de 2022, sediada pela nação árabe. O outro motivo é simples: o fracasso esportivo com as estrelas em campo.

“É uma equipe com 11 estrelas”, definiu Luis Enrique. “Não queremos uma estrela, queremos 11, e é o que temos. Aliás, temos até 15 estrelas. Nós conseguimos alcançar esse compromisso com o acordo da direção, de ter 11 a 15 estrelas. Queremos estrelas, claro, mas que joguem em prol da equipe”.

A estratégia mudou, o investimento caiu um pouco, mas o clube segue sendo um dos que mais gasta com reforços no mundo. Em 2024-25, investiu mais de 239 milhões de euros (R$ 1,56 bilhão) em contratações, pouco mais do que a quantia gasta apenas em Neymar sete anos antes. Em 2023-24, foram 454 milhões de euros (R$ 3 bilhões) torrados em novos atletas pelo clube francês.

O posicionamento e movimentação dos jogadores do PSG revela uma sincronia pouco vista e os gols divididos entre diferentes atletas demonstram que a estrela do grupo é, mesmo, o coletivo, como realçam todo os jogadores. Todos se dedicam a marcar, a construir e a atacar. O coração da equipe é o meio de campo, setor em que jogam os portugueses João Neves e Vitinha e o espanhol Fabián Ruiz.

Do vice-campeonato europeu em 2020, restar apenas o zagueiro brasileiro Marquinhos, capitão da equipe. “Nos últimos meses a gente tem, de fato, jogando num nível excelente. Do ponto de vista da mentalidade, o time está pronto”, garantiu o defensor, há mais de uma década no clube.

O campeão vai levar US$ 40 milhões brutos (cerca de R$ 223 milhões), enquanto que o vice ficará com US$ 30 milhões (R$ 166 milhões). O PSG já arrecadou US$ 106 milhões até o momento, e o Chelsea embolsou US$ 104 milhões. Portanto, com ou sem a taça, os dois vão voltar pra casa com mais de US$ 130 milhões.

Foto: Luke Hales/Getty Images

Estadão

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Brasil
13 jul

PGR apresenta nesta segunda (14) ao STF alegações finais em ação contra Bolsonaro e sete réus

PGR apresenta nesta segunda (14) ao STF alegações finais em ação contra Bolsonaro e sete réus

A Procuradoria-Geral da República deve entregar, até esta segunda-feira (14), as chamadas alegações finais na ação penal contra o “núcleo crucial” do que considera uma organização criminosa que atuou em uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022.

O caso tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como um dos réus. O documento resume o processo e traz a posição do Ministério Público Federal. Depois desta etapa, serão abertos prazos para que os oito réus no processo apresentem seus entendimentos.

No fim de junho, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de prazo para a apresentação dos documentos. A fase de alegações finais é a última etapa antes do julgamento que vai decidir se o grupo deve ser acusado ou absolvido.

A ação investiga a conduta de oito acusados – entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Compõem este núcleo, além de Bolsonaro:

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro.

Eles respondem por cinco crimes:

  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • tentativa de golpe de Estado;
  • participação em organização criminosa armada;
  • dano qualificado; e
  • deterioração de patrimônio tombado.

Alegações finais

As alegações finais são a última oportunidade antes do julgamento para que acusação e a defesa apresentem argumentos, analisem provas e fatos apresentados durante a instrução processual.

As partes entregam ao Supremo suas informações por escrito, em memoriais. Nos documentos, eles resumem o andamento do processo e reforçam seus argumentos pela absolvição ou condenação, tendo como base as provas que foram produzidas ao longo da tramitação da ação.

São as últimas considerações antes do julgamento. Os documentos são analisados pelos ministros da Primeira Turma. No entanto, não são pronunciamentos que precisam ser obrigatoriamente seguidos: os ministros avaliam o caso de forma independente, apreciando as provas produzidas no processo como um todo.

O prazo é 15 dias e é contado de forma sucessiva: começou com a Procuradoria-Geral da República.

Na sequência, a defesa do tenente-coronel Mauro Cid terá outros 15 dias para se manifestar (por ter fechado acordo de colaboração no âmbito do processo, deve apresentar suas alegações antes dos demais réus). Depois, as defesas dos demais acusados terão prazo conjunto de 15 dias.

Como há réu preso – o general Braga Netto – os prazos correm mesmo durante o recesso do Judiciário, de 2 a 31 de julho.

Fases do processo

A denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o “núcleo crucial” foi apresentada em fevereiro deste ano.

Em março, ao admitir a acusação, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal permitiu a abertura da ação penal contra o grupo.

O processo passou pela fase de instrução – coleta de provas e depoimentos em abril, maio e junho. Também foram feitas acareações, como diligências adicionais.

Próximos passos

Encerrados os prazos de alegações, a ação estará apta a ser levada a julgamento na Primeira Turma da Corte, em data ainda a ser marcada no segundo semestre.

Esta deliberação vai definir se o grupo será condenado ou absolvido.

O colegiado julga por maioria, analisando a situação de cada acusado. Pode seguir por dois caminhos:

  • absolvição, se os ministros entenderem que não houve crime ou o grupo não é o autor, por exemplo; neste caso, o processo é arquivado e não há punição.
  • condenação, se os magistrados concluírem que o grupo cometeu os crimes apontados pela PGR; neste caso, eles apresentam propostas de cálculo da pena, a partir de cada situação individual.

Nas duas circunstâncias, acusação e defesas podem recorrer da decisão ao próprio STF.

Foto: (Adriano Machado/Reuters, Geraldo Magela/Agência Senado, Marcos Corrêa/Presidência da República, Wilton Junior/Estadão Conteúdo, Geraldo Magela/Agência Senado e Isac Nóbrega/PR)

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Policial
13 jul

Ocorrências policiais — 13º BPM divulga balanço das ações entre os dias 12 e 13 de julho de 2025

Ocorrências policiais — 13º BPM divulga balanço das ações entre os dias 12 e 13 de julho de 2025

O 13º Batalhão de Polícia Militar, com sede em Currais Novos, divulgou neste domingo (13) o relatório das principais ocorrências registradas entre os dias 12 e 13 de julho de 2025. As ações da PM envolveram apoio a mulheres em situação de violência, atendimento a chamadas emergenciais, acidentes, incêndio e até encontros de cadáveres.

Na área da 1ª Companhia (Currais Novos), destacam-se:

2 apoios a mulheres em situação de violência doméstica e familiar (visitas);

2 ocorrências de encontro de cadáveres;

1 averiguação em chamada para atendimento;

1 caso de perturbação de sossego;

1 ocorrência de desordem em residência.

Nas Companhias e Destacamentos da Região:

2ª CPM

Acari: 1 ocorrência de vias de fato;

São Vicente: apoio à Secretaria de Saúde;

Florânia: registro de um incêndio e um acidente de trânsito sem vítima fatal.

3ª CPM

Lagoa Nova: 6 apoios a mulheres vítimas de violência doméstica (visitas);

Cerro Corá: 5 apoios a mulheres vítimas de violência doméstica (visitas);

Tenente Laurentino Cruz: 1 averiguação de chamado emergencial;

Bodó: sem alterações relevantes.

A atuação da PM demonstra o comprometimento com a segurança e o bem-estar da população, com atenção especial às ações de enfrentamento à violência doméstica em toda a região do Seridó.

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Saúde
13 jul

Hepatites virais: Julho Amarelo alerta para doenças silenciosas que podem evoluir para câncer de fígado

Hepatites virais: Julho Amarelo alerta para doenças silenciosas que podem evoluir para câncer de fígado

As hepatites virais são doenças silenciosas e ainda subdiagnosticadas no Brasil e no mundo. Julho é o mês em que o fato ganha destaque global com a campanha nacional Julho Amarelo e o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais (28/07), duas ações que visam a conscientização sobre um problema considerado questão de saúde pública pela Organização das Nações Unidas (ONU). A informação pode salvar vidas e ajudar no controle de uma das principais causas de cirrose e câncer de fígado ao redor do planeta.


As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem causar alterações leves, moderadas ou graves nos indivíduos. No Brasil, existem três tipos mais comuns, a hepatite A, a hepatite B e a hepatite C. As hepatites do tipo A e B possuem vacinas disponíveis de forma gratuita nas unidades de saúde dos municípios em geral.


A doença não apresenta sintomas na fase inicial. Segundo a gastroenterologista Renata Quirino, médica do serviço de hepatologia do Hospital Onofre Lopes (HUOL), o paciente raramente sentirá algum sinal de alerta se a doença não estiver na fase aguda. “Na fase crítica ele poderá apresentar icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, náuseas, dor abdominal, enjoos, e fadiga”, diz.


A médica explica que as hepatites virais cursam de forma subclínica, especialmente as do tipo B e C, sendo diagnosticadas incidentalmente em exames de rotina, ou até que haja complicações como cirrose ou câncer de fígado, por exemplo. Em fases avançadas podem surgir sintomas graves, como aumento da barriga por acúmulo de líquido (ascite), confusão mental (encefalopatia hepática) e sangramentos digestivos (vômitos com sangue ou sangue nas fezes).


Para se chegar ao diagnóstico com mais exatidão, é preciso conhecer a situação em que cada tipo de hepatite viral pode ser transmitida. Renata Quirino explica que a hepatite A, por exemplo, é normalmente transmitida por via fecal-oral, ou seja, através de alimentos ou água contaminados, ou por contato pessoal próximo. Raramente é transmitida por via sexual.


Já a hepatite B tem transmissão vertical (mãe para o feto), parenteral (sangue) e também por secreções humanas incluindo saliva, líquido de feridas, e sêmen. “No Brasil, a via de transmissão mais comum de hepatite B é a sexual. A hepatite C tem como principal via de transmissão o sangue ou material contaminado por sangue”, completa.


O diagnóstico pode ser feito por testes rápidos, nos casos das hepatites B e C, ou por exames laboratoriais, quando se colhe a amostra de sangue – que pode incluir, neste caso, a pesquisa, também, do vírus A da hepatite. Renata diz que não há um consenso sobre a frequencia com que esses exames sejam realizados, mas o Ministério da Saúde (MS) orienta que toda pessoa acima de 20 anos e, que não esteja com cartão vacinal completo para hepatite B (suscetíveis), seja testado pelo menos uma vez na vida.


Outra estratégia de rastreamento se baseia na priorização de algumas populações mais vulneráveis à infecção pela hepatite B, como por exemplo, profissionais de saúde e de segurança pública; pessoas com antecedente de exposição percutânea/ parenteral a materiais biológicos que não obedeçam às normas de vigilância sanitária; pessoas privadas de liberdade ou em outras situações de restrição, trabalhadores do sexo e em situação de rua.


Se uma hepatite não for diagnosticada ou tratada a tempo, as consequencias podem ser diversas, segundo o tipo de vírus. “A hepatite A tende a ter uma evolução benigna e autolimitada. Já as hepatites B e C, principalmente a hepatite C, evolui para a cronicidade, ambas podendo progredir para cirrose e carcinoma hepatocelular”, alerta a médica.

Prevenção e tratamentos

As principais formas de prevenção incluem vacinas contra as hepatites A e B, uso de preservativos nas relações sexuais, não compartilhar agulhas, seringas, escovas de dente ou lâminas de barbear. Cuidados em procedimentos com risco de contato com sangue (tatuagens, piercings, manicure). Acesso a água tratada e boa higiene para prevenir a hepatite.


Houve muitos avanços nos tratamentos às hepatites virais ao longo do tempo. A gastroenterologista explica que as atuais alternativas terapêuticas para o tratamento da hepatite C, com registro no Brasil e incorporadas no SUS, apresentam alta efetividade terapêutica com taxa de cura de 94 a 99%. “O avanço está na medicação pangenotípica, que abrange todos os tipos de genótipos do vírus C, dispensando a necessidade da realização de exames de genotipagem pré-tratamento”, explica.


Em relação à hepatite B, apesar de não ter cura, a novidade é a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT 2023), e a incorporação de mais um medicamento, o Tenofovir alafenamida (TAF). Já a hepatite A geralmente é uma infecção leve e que se cura sozinha, porém o curso sintomático e a letalidade aumentam de acordo com a idade.


Segundo Renata, a estratégia de redução de exames exigidos proporciona a ampliação do acesso ao tratamento medicamentoso a todos os pacientes infectados pela hepatite C, sendo fundamental para o sucesso do ‘Plano para Eliminação da Hepatite C no Brasil’, uma meta mundial que visa eliminar o vírus até 2030.

Vírus silencioso

A forma silenciosa com que a hepatite se manifesta, teve efeitos diversos na família de Walter Bento de Lima, funcionário público aposentado. O irmão sentiu fortes dores na altura do abdome, foi internado e faleceu em torno de 40 dias. Ele tinha cirrose causada por hepatite C. Um trauma familiar que foi revivido tempos depois, quando um exame de sangue de Walter registrou uma alteração estranha. Após uma elastografia hepática, foi encontrada a hepatite C.


“Eu não sentia nada, não tinha sintomas. Mas fiquei muito abalado, chorei. Lembrei do que tinha acontecido com meu irmão”, conta. No entanto, Walter foi devidamente medicado, e teve sua carga viral zerada. Desde então ele faz exame de imagem uma vez por ano no abdômen para ver o estado do fígado, e exame de sangue de seis em seis meses. “Tenho 75 anos, uma boa qualidade de vida, sem sintomas da hepatite, mas me mantenho sempre atento”, conclui.

Foto: Aléx Regis

Tribuna do Norte

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Rio Grande do Norte
13 jul

Uso de IA para produzir vídeos falsos utilizados em golpes preocupa o RN

Uso de IA para produzir vídeos falsos utilizados em golpes preocupa o RN

O boom das ferramentas de Inteligência Artificial nos últimos anos e a chegada de interfaces que simulam a realidade humana têm gerado um debate intenso sobre o perigo do uso desenfreado da tecnologia na sociedade. Prova disso é um vídeo que circulou nas últimas semanas em que a imagem do Arcebispo de Natal, Dom João Santos Cardoso, aparecia pedindo dinheiro para custear o tratamento de uma criança. Os deep fakes, como são chamados, têm crescido de maneira exponencial na sociedade e gerado danos em alguns casos irreversíveis para usuários. Especialistas, advogados e entusiastas do tema veem com preocupação e cobram ferramentas que permitam ao usuário distinguir o real do virtual.

O caso envolvendo o Arcebispo de Natal não é o primeiro nem foi o último. São vários os relatos de utilização de deep fake em várias esferas da vida social. Em 2023, alunas de um colégio em Recife denunciaram divulgação de ‘nudes’ falsos criados com inteligência artificial. Além da criação e uso indevido de imagens, os áudios também ganham conotação diferente, com golpistas e criminosos se aproveitando das inteligências artificiais generativas para aplicar o golpe do falso sequestro, do Pix, em eleições, entre outros. Em junho, um caso emblemático fez com que a deputada Laura McClure, da Nova Zelândia, imprimiu e mostrou no parlamento uma imagem dela nua que foi criada por ferramentas de I.A. A ideia era conscientizar sobre o perigo das plataformas e o dano devastador das deep fakes.

Embora o boom das I.As tenha se iniciado no segundo semestre de 2022, segundo especialistas, sua popularização e uso têm se intensificado dia após dia. Prova disso é a chegada da Veo3, ferramenta da Google que gera vídeos realistas e complexos em alta definição, com efeitos de câmeras, transições suaves, efeitos sonoros e ambientes de diálogos nos vídeos. Um dos casos emblemáticos foi a criação do programa de auditório fictício “Marisa Maiô”, que chegou a receber anúncios publicitários e gerou uma série de debates e discussões nas redes sociais acerca dos limites envolvendo a inteligência artificial e a criação de personagens.

Segundo Daniel Sabino, professor associado do Instituto Metrópole Digital da UFRN e especialista em temas como Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina e Big Data, há modelos de IA que são treinados para reconhecer a face de uma pessoa e o comportamento natural da face. A partir disso, esses modelos detectam essas faces a partir de características comuns de um rosto humano, como localização de pontos específicos e até a forma como os movimentos mais comuns acontecem, como piscar de olhos, inclinação da cabeça e movimento da boca na fala.

“Outros modelos são treinados para gerar novas imagens a partir de muitas outras. Nesse caso, um modelo pode aprender como gerar faces a partir de uma grande base de dados de imagens de pessoas. Da mesma maneira, pode se fazer com a parte de áudio para identificar e produzir a fala das pessoas. Ao juntar todas essas técnicas, é possível produzir um vídeo completo de uma pessoa a partir de uma ou mais fotos dela ou ainda substituir a face de uma pessoa por outra em um vídeo existente”, acrescenta o professor da UFRN.

Segundo a especialista em Inteligência Artificial Aplicada à Educação e gerente de qualidade e inovação do Senac-RN, Priscila Silveira, as deep fakes geram problemas sociais das mais diversas camadas, com a necessidade de as grandes empresas tecnológicas criarem ferramentas para auxiliar o usuário a distinguir o que é I.A. do que é real.

“As eleições do ano que vem serão desafiadoras porque não temos ferramentas de detecção para facilmente dizer se algo foi gerado com I.A ou não, que é um dos grandes desafios que é impor às empresas capazes de gerar ferramentas que processam o vídeo tal ou similar a um ser humano, que tragam uma marca d’água, ou uma ferramenta associada que leve a detectar que aquilo foi criado com I.A, para facilmente verificarmos a autenticidade de uma imagem, de um vídeo. Isso é essencial”, acrescenta.

Do ponto de vista legal, Priscila Silveira explica ainda que a legislação referente à Inteligência Artificial aguarda regulamentação por parte do Governo Federal. A Câmara dos Deputados está analisando o Projeto de Lei 2338/23, do Senado, que regulamenta o uso da inteligência artificial (IA) no Brasil. A proposta classifica os sistemas de inteligência artificial quanto aos níveis de risco para a vida humana e de ameaça aos direitos fundamentais. Também divide as aplicações em duas categorias: inteligência artificial; e inteligência artificial generativa.

IA reformula a maneira de encarar o mundo

A chegada dos deep fakes e a disseminação de ferramentas que criam vídeos, imagens e áudios falsos gera um alerta também no Direito Penal. Na opinião do advogado criminalista e especialista em Inteligência Artificial, Gabriel Bulhões, as deep fakes “reformulam a forma como enxergamos o mundo”.

“Aquele adágio de ver para crer ou de que uma imagem vale mais do que mil palavras não tem mais sentido atualmente nessa nova conformação. Com o avanço das I.As generativas de imagem e áudio, temos um problema enorme porque qualquer prova pode ser falseada, produzida, deturpada, plantada, independentemente do contexto e das pessoas envolvidas”, cita.

Embora montagens, edições de imagens e falsos áudios já existam há anos, a chegada de ferramentas que criam isso com poucos cliques e de maneira acessível para usuários sem tanto conhecimento tecnológico gera uma preocupação nos processos judiciais. Bulhões explica que o mundo jurídico ainda não está preparado para lidar com essa problemática do mundo moderno.

“Surge daí uma importância maior para dois temas: a cadeia de custódia da prova, que é aquilo que garante a originalidade e integridade das evidências que serão usadas no processo, e a prova pericial, de imagem, de vídeo, de comparação fonética, análise de fotogrametria, por exemplo, se tornam cada vez mais importantes e necessárias e dentro de um processo penal justo e democrático vão ser cada vez mais indesviáveis”, complementa.

Segundo Priscila Silveira, especialista em IA, as deep fakes geram problemas sociais de difícil solução | Foto: ALEX RÉGIS

Eleições de 2026 serão desafiadoras, diz especialista

Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tenha editado regulamentações e normas sobre o uso de Inteligência Artificial no período eleitoral na última eleição ocorrida em 2024, o uso segue sendo disseminado e desenfreado em muitos dos casos. A Resolução Nº 23.610, de 18 de dezembro de 2019, atualizada recentemente em 2024, prevê a vedação na campanha eleitoral de conteúdo fabricado ou manipulado de fatos inverídicos ou descontextualizados. Há ainda menção específica para as deep fakes, proibindo o uso da tecnologia para prejudicar ou para favorecer candidatura.

Na avaliação de Priscila Silveira, especialista em Inteligência Artificial Aplicada à Educação e gerente de qualidade e inovação do Senac-RN, as eleições do ano que vem, terão repercussão em todo o país com a escolha do próximo presidente da República, serão desafiadoras para eleitores e candidatos.

“Como o impacto da rede social é enorme, daqui que se corrija que aquilo ali é fake, as eleições podem ter sido definidas por causa disso”, cita.

Segundo Daniel Sabino, professor associado do Instituto Metrópole Digital da UFRN e especialista em temas como Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina e Big Data, em um período eleitoral as utilizações de deep fake tornam-se cada vez mais sensíveis por dois motivos: a deturpação de imagens de candidatos e o pouco tempo para se reverter um dano à imagem.

“Com a tecnologia atual, é possível produzir conteúdo com qualidade muito próxima da realidade e em um contexto onde as atitudes de uma pessoa são rapidamente julgadas por meio das mídias sociais, a divulgação de deep fakes pode provocar danos à imagem de candidatos ou de pessoas envolvidas no cenário eleitoral, muitas vezes irreversíveis”, finaliza.

Foto: ALEX RÉGIS

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