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02 nov

Viver o luto exige tempo de adaptação e acolhimento, avaliam especialistas

Viver o luto exige tempo de adaptação e acolhimento, avaliam especialistas

Foto: Alex Régis

Neste Dia de Finados, psicólogas reforçam a importância de acolher o luto, respeitar o tempo de cada pessoa e compreender que a dor da perda pode se manifestar de diferentes formas.

O luto é um processo de adaptação à perda que exige tempo, acolhimento e respeito às diferentes formas de vivenciar a ausência. As psicólogas Millena Câmara e Rafaela Gimenez explicam que a experiência vai além da morte de uma pessoa querida e pode envolver outras perdas significativas, com impactos emocionais, físicos e sociais. Com a proximidade do Dia de Finados, no dia 2 de novembro, as especialistas ressaltam a importância de reconhecer a dor sem impor prazos ou maneiras certas de enfrentá-la.

A psicóloga Rafaela Gimenez explica que o luto é uma resposta emocional, física e psicológica diante de uma perda significativa, e suas manifestações variam de acordo com a história e as circunstâncias de cada indivíduo. “Se a psicologia pudesse definir o que é o processo de luto, é o processo de adaptação a uma realidade que mudou”, esclarece.

Neste processo, a especialista em psicologia do luto, Millena Câmara, esclarece que o indivíduo pode sentir tristeza, alterações no sono, perda de interesse por atividades, culpa e raiva. “Não existe, porém, uma forma única de atravessar esse período. As chamadas cinco fases do luto, frequentemente mencionadas em explicações sobre o tema, são uma referência didática, mas não representam uma sequência obrigatória. Nem todas as pessoas passam por todas elas, e as experiências não seguem necessariamente uma ordem”, afirma.
Millena Câmara destaca que uma perda costuma envolver outras mudanças além da ausência principal. “Quando você tem uma perda, você nunca perde uma coisa só. Uma perda primária traz consigo muitas perdas secundárias”, afirma.

Dra. Millena Câmara. Foto: Adriano Abreu

A morte de uma pessoa próxima, por exemplo, pode representar também a perda da rotina compartilhada, dos planos construídos em conjunto, da convivência e do papel que aquela pessoa ocupava no cotidiano. Por isso, o processo de adaptação envolve reorganizar a vida diante de uma realidade diferente. “A gente vai precisar aprender a viver sem alguém que a gente ama. Aprender a lidar com o vazio é muito desafiador”, diz Millena.
O tempo necessário para essa adaptação não é igual para todos. Embora algumas referências da literatura indiquem períodos de seis meses a um ano, a duração depende do contexto, da relação com quem ou com aquilo que foi perdido e das condições de apoio disponíveis. O luto não se encerra simplesmente quando a tristeza desaparece, mas à medida que a pessoa aprende a viver com a ausência.

A psicóloga Rafaela Gimenez ressalta que não há um prazo universal para o sofrimento. O acompanhamento profissional pode ajudar quando as reações passam a comprometer a rotina pessoal, social ou profissional, ou quando a pessoa encontra dificuldades para lidar com a mudança. Isso não significa, entretanto, que todas as pessoas enlutadas precisem de tratamento psicológico contínuo.

Outro aspecto importante é compreender que nem toda perda recebe reconhecimento social. Segundo Millena Câmara, as regras e expectativas da sociedade influenciam a maneira como determinados vínculos são valorizados e como o sofrimento de cada pessoa é acolhido.

“As perdas não reconhecidas são aquelas que não são validadas socialmente. A sociedade, por meio de suas regras, define quais relações são valorizadas e de que forma. Algumas pessoas, por exemplo, não reconhecem a perda de um animal de estimação como a perda de um vínculo importante e saudável”, afirma Millena.
Esse tipo de desvalorização também pode ocorrer em perdas gestacionais e perinatais, quando a dor não recebe o reconhecimento esperado, ou em situações profissionais, como a de um profissional de saúde que perde um paciente. Em alguns casos, a pessoa ainda enfrenta a pressão para retomar rapidamente a rotina e deixar de demonstrar sofrimento.

Expressão
Para Millena, a forma como a sociedade compreende o luto influencia as manifestações de apoio, os rituais e as possibilidades de acolhimento. Quando a perda é desconsiderada, a pessoa pode ter mais dificuldade para expressar o que sente e encontrar espaço para viver o próprio processo.

Acolher, portanto, também significa reconhecer que os vínculos e as experiências são particulares. “A tristeza não é a única forma de se viver, de se expressar um luto”, afirma a psicóloga. Cada pessoa pode reagir de uma maneira, e a ausência de uma manifestação específica não significa que não exista sofrimento.

A chegada do Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, pode intensificar lembranças e sentimentos relacionados à morte. A data costuma levar famílias aos cemitérios, mas também pode ser vivida de outras formas. Não há obrigação de visitar um túmulo ou de seguir determinado ritual para demonstrar afeto por quem morreu.

Para quem deseja prestar homenagem, a data pode representar uma oportunidade de recordar a pessoa e reconhecer a importância do vínculo. Para outros, pode ser um dia de recolhimento ou de manutenção da rotina.

A aposentada Francisca da Silva, de 82 anos, está enfrentando o luto e os efeitos que ele causa. Francisca perdeu o marido, Júlio Ribeiro, que morreu aos 88 anos, no início de setembro. Os dois foram casados por mais de seis décadas e construíram uma rotina de convivência e cuidado.

Nos últimos meses de vida, ele estava debilitado e precisava de assistência diária. O casal morava sozinho e contava com uma cuidadora durante o dia, que ia embora ao anoitecer. A aposentada passava os dias ao lado do marido e sabia que, diante da fragilidade dele, a morte poderia acontecer. Ainda assim, a perda foi difícil de aceitar.

Católica, ela encontra na fé uma forma de compreender a morte como parte da vida, mas reconhece que isso não elimina a dor. No Dia de Finados, pretende visitar o túmulo do marido. Depois de tantos anos compartilhando a vida, tarefas e hábitos, Francisca da Silva agora está tentando se adaptar, mas, segundo ela, a adaptação exige tempo, e a saudade pode continuar presente mesmo quando a pessoa começa a reconstruir a rotina.

O amor também mora nos detalhes

O apoio de familiares, amigos e pessoas próximas pode fazer diferença durante o luto. De acordo com a especialista Rafaela Gimenez, existem várias formas de expressar o carinho, amor, solidariedade e apoio a pessoas que estão passando por este momento. “Nem sempre, porém, ajudar significa encontrar palavras para explicar a perda ou tentar fazer com que a tristeza passe. Em muitos casos, estar disponível para ouvir e oferecer ajuda prática é mais importante do que apresentar respostas”, ressalta.

Rafaela Gimenez: “Processo de adaptação”. Foto: Alex Régis

“Preparar uma refeição, acompanhar a pessoa em uma tarefa, ajudar com atividades cotidianas ou simplesmente fazer companhia são formas de apoio que podem aliviar parte das dificuldades desse período. Também é importante permitir que a pessoa fale sobre quem morreu, relembre experiências e expresse sentimentos sem ser interrompida ou julgada”, orienta Rafaela.

Além disso, de acordo com Rafaela Gimenez, frases como “seja forte” ou “pelo menos ele não está mais sofrendo”, embora muitas vezes ditas com a intenção de consolar, podem diminuir a experiência de quem está sofrendo.

Para Millena Câmara, as comparações e tentativas de estabelecer um prazo para a recuperação também podem transformar o luto em motivo de cobrança. “Você ajuda quando acolhe, quando valida, quando respeita, quando consegue escutar, sem precisar dar receitas do que o outro deve fazer”, aconselha Millena Câmara.

O acompanhamento psicológico pode ser uma alternativa quando a pessoa sente necessidade de apoio para compreender as próprias reações e lidar com as mudanças. A busca por um psicólogo ou psiquiatra pode ocorrer conforme a disponibilidade e a necessidade de cada caso, sem que uma ordem única de atendimento seja obrigatória.

Para as especialistas, compreender o luto passa por reconhecer que a perda não pode ser apagada nem vivida de uma única maneira. O processo envolve aprender a conviver com a ausência, reconstruir hábitos e encontrar formas possíveis de seguir a vida, sem exigir que a saudade desapareça.

Rede de apoio ajuda a ressignificar

Em Natal, o Centro de Referência em Luto (CRLuto), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, oferece acolhimento psicológico a pessoas que enfrentam perdas. O serviço funciona desde 2022 na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Candelária e atende tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamento de outros serviços de saúde.

O atendimento é voltado a adultos, pessoas idosas, famílias e casais. No primeiro contato, a equipe acolhe a demanda e avalia se o acompanhamento pode ser realizado no próprio centro ou se há necessidade de encaminhamento para outro serviço da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município.

O CRLuto prioriza situações que podem envolver maior risco ou sofrimento, como perdas decorrentes de homicídio, suicídio e mortes gestacionais e perinatais. Também acolhe pessoas que perderam outros vínculos afetivos significativos, independentemente de a perda ter ocorrido recentemente ou há mais tempo.

Além dos atendimentos individualizados, o serviço promove, ocasionalmente, grupos temáticos. Um grupo de apoio a pessoas enlutadas está em fase inicial de desenvolvimento.

A atuação do centro é especialmente importante quando o sofrimento compromete a vida pessoal, social ou profissional ou quando a pessoa encontra dificuldades para lidar com a perda. O serviço também mantém parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio do Núcleo de Apoio às Vítimas de Violência (NUAVV), no atendimento a pessoas que passaram por situações de violência.

O acesso pode ser feito diretamente na UBS Candelária, localizada na Rua Barão de Açu, em Natal, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h. Moradores da capital devem apresentar documento de identificação e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

Tribuna do Norte

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02 nov

Carro derruba poste e incêndio atinge vegetação em Extremoz

Carro derruba poste e incêndio atinge vegetação em Extremoz

Foto: Reprodução

Um carro colidiu contra um poste na noite deste domingo 1º, na região de Pedrinhas, próximo à entrada do Sport Clube, em Extremoz, na Região Metropolitana de Natal. Com o impacto, a estrutura caiu e deixou moradores da região sem energia elétrica.

Após a queda da fiação, um incêndio atingiu a vegetação nas proximidades. As chamas e os fios caídos provocaram preocupação entre as pessoas que passavam pelo local.

O trecho ficou completamente intransitável, dificultando a circulação de veículos.

Até o momento, não há informações sobre possíveis feridos nem sobre as circunstâncias da colisão.

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Lojão do Real
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02 nov

Lula amplia opções para escolha de novo ministro da Casa Civil

Lula amplia opções para escolha de novo ministro da Casa Civil

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu ampliar as possibilidades para a escolha do próximo ministro da Casa Civil, segundo informações de fontes próximas ao governo. A pasta é responsável pela articulação entre os ministérios e pela coordenação de ações do governo federal.

Após a vitória nas eleições, a disputa pelo cargo era concentrada nos ex-ministros Fernando Haddad (PT) e Camilo Santana (PT). Haddad era apontado como favorito antes do pleito, enquanto Camilo ganhou força após entrar no núcleo da campanha durante o segundo turno.

De acordo com interlocutores, Lula avalia que a escolha de um dos dois para a Casa Civil poderia ser interpretada como uma indicação antecipada de seu sucessor político. O presidente pretende evitar essa discussão neste momento e está disposto a considerar outros nomes.

Entre as possibilidades mencionadas por aliados está a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), que não conseguiu se eleger senadora pelo Paraná e está sem mandato.

Outra discussão envolve a possibilidade de acomodar Haddad e Camilo em outras funções de destaque no governo. Entre as alternativas citadas por auxiliares estão os ministérios da Segurança Pública e da Educação.

A criação do Ministério da Segurança Pública depende da aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o reforço das atribuições federais na área. Já o Ministério da Educação deverá ficar responsável por iniciativas como a ampliação da oferta de escolas em tempo integral e o Pé-de-Meia Universitário.

A escolha para a Casa Civil também tem peso político por causa do papel que a pasta desempenhou em governos anteriores. No segundo mandato de Lula, Dilma Rousseff ocupou o cargo entre 2005 e 2010 e ganhou projeção nacional ao coordenar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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02 nov

2 de novembro: entenda por que o Dia de Finados é feriado no Brasil

2 de novembro: entenda por que o Dia de Finados é feriado no Brasil

Foto: Reprodução

O dia 2 de novembro é marcado pelo Dia de Finados, data dedicada à memória das pessoas que já morreram. No Brasil, a ocasião é considerada feriado nacional e costuma ser lembrada por visitas a cemitérios, homenagens, celebrações religiosas e momentos de reflexão em família.

A data tem origem na tradição cristã, especialmente na Igreja Católica, que instituiu um dia específico para a oração e a lembrança dos fiéis falecidos. A celebração ocorre anualmente em 2 de novembro, um dia depois do Dia de Todos os Santos, comemorado em 1º de novembro.

A escolha da data está relacionada à tradição medieval da Igreja, que passou a dedicar um momento coletivo à memória dos mortos. Com o passar dos séculos, o costume se espalhou por diferentes países e ganhou manifestações culturais próprias.

Por que 2 de novembro é feriado?

O Dia de Finados é feriado nacional no Brasil por determinação da legislação federal. A data está prevista na Lei nº 662, de 6 de abril de 1949, que estabeleceu os feriados nacionais. A legislação foi posteriormente atualizada pela Lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002.

Por isso, o dia 2 de novembro integra o calendário oficial de feriados nacionais, e não depende de decretos estaduais ou municipais para ser reconhecido como feriado.

Como a data é celebrada?

Uma das tradições mais comuns do Dia de Finados é a visita aos cemitérios. Muitas pessoas levam flores, acendem velas e fazem orações nos túmulos de familiares e amigos que morreram.

Na tradição católica, também são realizadas missas em memória dos falecidos. A data, no entanto, ultrapassa o aspecto religioso e representa, para muitas famílias, uma oportunidade de recordar histórias, preservar lembranças e prestar homenagens a pessoas queridas.

Qual é a diferença entre Finados e Dia de Todos os Santos?

Apesar de serem datas próximas, as celebrações têm significados diferentes. O Dia de Todos os Santos, em 1º de novembro, é dedicado à celebração de todos os santos, conhecidos ou não. Já o Dia de Finados, em 2 de novembro, é voltado à memória das pessoas falecidas e à oração por elas.

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02 nov

Midterms nos EUA: eleições podem mudar planos de Trump e mexer com dólar e juros no Brasil

Midterms nos EUA: eleições podem mudar planos de Trump e mexer com dólar e juros no Brasil

Foto: REUTERS/Umit Bektas

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem mudar os rumos da política econômica do presidente Donald Trump — com possíveis reflexos também para o Brasil.

A disputa pelo controle do Congresso americano pode determinar o espaço que o governo terá para aprovar medidas sobre gastos públicos, impostos e regulação. Essas decisões também influenciam as expectativas dos investidores e podem afetar os juros e o dólar no mercado internacional.

Conhecidas como “midterms”, as eleições renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis.

As projeções disponíveis apontam vantagem dos democratas, principalmente na Câmara, enquanto a disputa pelo controle do Senado aparece mais equilibrada.

O cenário ocorre em meio à queda de popularidade de Trump: 66% dos americanos desaprovam sua gestão, o maior índice já registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos.

Na mesma direção, as projeções reunidas pelo BTG Pactual apontam dificuldades para os republicanos, sobretudo na disputa pela Câmara dos Representantes.

Entre os principais cenários estão:

  • 🏛️ Câmara dos Representantes: o modelo estatístico do “The Economist”, adotado pelo BTG como referência, projeta que os democratas terão 239 das 435 cadeiras após a eleição, contra 196 dos republicanos. Nesse cenário, a probabilidade de maioria democrata é de 96%. Já o Polymarket, plataforma que negocia contratos baseados em previsões sobre eventos futuros, atribuía 92% de chance à vitória do partido na disputa pela Câmara.
  • 🏛️ Senado: diferentemente da Câmara, a disputa é mais apertada. O cenário-base do modelo próprio do BTG prevê que, após a eleição, os democratas terão 51 das 100 cadeiras, contra 49 dos republicanos. Para chegar a essa estimativa, o banco considera 91 vagas como praticamente definidas e calcula o resultado das nove disputas mais acirradas. A probabilidade de maioria democrata varia de 65%, segundo as cotações do Polymarket, a 72%, de acordo com o modelo quantitativo do próprio BTG.

O que uma ‘onda azul’ muda para a agenda de Trump?

Uma possível “onda azul” — expressão usada para descrever a conquista do controle das duas Casas do Congresso pelos democratas — poderia reduzir o espaço de Trump para aprovar medidas e ampliar a fiscalização sobre o governo. Essa é a avaliação de Andressa Durão, economista do ASA.

“As apostas de mercado para as eleições de meio de mandato dos EUA vêm se deslocando a favor de uma onda democrata. Um enfraquecimento do Partido Republicano reduziria o poder do presidente para aprovar determinadas medidas e ampliaria a fiscalização sobre o governo.”

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste do presidente à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, especialmente com os preços dos combustíveis nos EUA.

Ele lembra que a gasolina está acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel, de US$ 6 (R$ 32,66). Para o economista, a retomada de ao menos uma das Casas pelos democratas já seria suficiente para dificultar a agenda legislativa de Trump.

O alcance desse bloqueio, porém, dependerá do resultado em cada Casa:

  • 🔵🔵 Se os democratas conquistarem as duas, terão o controle da pauta legislativa e das comissões responsáveis por fiscalizar o Executivo. O Senado também teria maior influência sobre a confirmação de indicados pelo presidente para cargos do governo e instituições como o Federal Reserve (Fed), banco central americano, e a Suprema Corte.
  • 🔵🔴 Se a oposição vencer apenas na Câmara, poderá dificultar a aprovação de projetos e a liberação de recursos, mas os republicanos continuarão controlando o Senado e, com isso, terão influência sobre as nomeações. Trump, por sua vez, manterá o poder de veto a projetos aprovados pelo Congresso.

Sung também vê riscos para os mercados caso os democratas conquistem as duas Casas.

“O mercado financeiro ainda não considerou plenamente a possibilidade de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso. Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”, acrescenta.

Como as midterms dos EUA afetam o Brasil?

Para o Brasil, os efeitos das eleições americanas podem chegar principalmente por dois caminhos: os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a cotação do dólar.

As decisões do Congresso sobre gastos e impostos influenciam as expectativas dos investidores sobre as contas públicas americanas. Se houver perspectiva de que as despesas do governo aumentem mais do que a arrecadação, por exemplo, os juros pagos pelos títulos do Tesouro podem subir.

  • 🤔 Isso importa porque esses títulos são considerados uma referência para aplicações financeiras no mundo todo. Quando oferecem rendimentos maiores, investir nos EUA fica mais atraente e pode levar investidores a retirar recursos de países emergentes, como o Brasil.
  • 📊 Com menos dinheiro entrando no país, o dólar tende a subir frente ao real. As taxas de juros negociadas para períodos futuros no Brasil também podem aumentar, elevando o custo de financiamento para empresas e consumidores e influenciando as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic.

Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que uma vitória republicana nas duas Casas daria a Trump mais espaço para avançar com cortes de impostos, desregulamentação e políticas comerciais mais duras.

Se essas medidas ampliarem o déficit público, poderão pressionar a inflação e os juros de longo prazo nos EUA.

“Isso tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros e dificultar o desempenho da bolsa — especialmente de empresas mais endividadas e de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção.”

Uma vitória democrata, por outro lado, poderia reduzir o espaço para novas iniciativas de expansão dos gastos e aliviar a pressão sobre os juros americanos.

Na avaliação de Praça, a oposição também teria mais poder para “fiscalizar o governo” e influenciar a confirmação de indicados para cargos importantes.

Com menos espaço para aprovar medidas de estímulo à economia, a pressão sobre os juros americanos poderia diminuir. Isso tornaria os mercados emergentes mais atraentes para investidores, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, o fortalecimento do real e a queda das taxas de juros futuras.

Esse efeito, porém, dependeria também do ambiente político nos EUA. Disputas em torno do orçamento e conflitos entre o governo e o Congresso poderiam gerar insegurança entre os investidores e provocar novas oscilações nos mercados.

“Na bolsa, seria desigual: exportadoras podem se beneficiar de um dólar mais alto, mas perder se houver queda das commodities ou da demanda mundial”, diz Praça.

Lula e Trump também preocupam investidores

A relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como mais um fator de incerteza para os investidores e pode influenciar a confiança no Brasil.

Após a vitória do petista no último domingo, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o mercado passou a considerar a possibilidade de uma relação mais difícil entre os dois presidentes.

A perspectiva aumenta a preocupação com novos atritos políticos e econômicos entre os países, como os registrados com o tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky. Para Praça, o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA também pode influenciar a continuidade dessas medidas.

“Com a reeleição de Lula, podemos esperar mais atritos como esses, caso os Republicanos vençam, ou um veto mais rápido caso os Democratas vençam. Atualmente quem tem derrubado tais ações é o Supremo dos EUA, porém por um processo mais moroso”, avalia Praça.

Uma mudança na composição do Congresso americano, porém, não significaria necessariamente o fim das tarifas adotadas por Trump. O presidente pode recorrer a diferentes dispositivos da legislação comercial dos EUA para impor taxas sobre produtos importados.

A possibilidade de impor tarifas, no entanto, também está sujeita a limites legais. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

No entanto, a decisão não alcançou as medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301, que têm bases legais diferentes.

Ainda assim, o impacto das eleições americanas sobre o Brasil pode se somar aos fatores internos na formação do preço do dólar. Depois das oscilações registradas no período eleitoral brasileiro, a cotação da moeda voltou para a casa dos R$ 5,40.

Segundo Sung, o movimento ocorre em um cenário de fortalecimento global do dólar, impulsionado pelas expectativas de alta dos juros nos EUA.

Essa valorização do dólar tem feito moedas de diversos países emergentes perderem valor em relação à moeda americana. O real, porém, seguiu um caminho diferente.

“O Brasil estava na contramão após o primeiro turno das nossas eleições. Com a vitória do presidente Lula e a frustração das apostas do mercado, o dólar voltou a subir”, aponta.

g1

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