EUA iniciam audiências sobre tarifa de 25% ao Brasil
Os Estados Unidos começam nesta segunda-feira (6) uma etapa decisiva antes de definir se vão impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante dois dias, representantes dos dois países apresentarão argumentos em audiências públicas realizadas em Washington.
A tarifa foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais ao comércio americano. Entre os pontos citados estão críticas ao Pix, à política de combate à corrupção, às tarifas sobre a importação de etanol, à proteção da propriedade intelectual e ao desmatamento ilegal, entre outros temas.
As audiências serão realizadas nesta segunda (6) e terça-feira (7). Ao longo dos dois dias, representantes da indústria, do agronegócio, do comércio e da política dos dois países apresentarão argumentos favoráveis e contrários à proposta.
Entre os brasileiros confirmados para a audiência desta segunda-feira (6) estão Welber Barral, representando a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Associação Brasileira da Indústria de Arroz e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Também participam representantes da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI) e o jornalista Paulo Figueiredo.
Na terça-feira (7), a partir das 10h (horário local), será a vez do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Também estão previstos os depoimentos do ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), além de representantes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Governo brasileiro rebate acusações
Na quarta-feira (1º), o governo brasileiro apresentou ao USTR uma manifestação oficial em resposta à investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. No documento, o Brasil rebate os argumentos usados para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e afirma que a cobrança seria inadequada e desconectada do objetivo declarado pelo governo americano.
Assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a manifestação contesta a avaliação de que políticas brasileiras sobre comércio digital, meios eletrônicos de pagamento e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudiquem empresas americanas. O governo também rebate as críticas ao Pix e sustenta que não há fundamento para a adoção de sanções comerciais contra o país.
Flávio pediu adiamento da tarifa
Na quinta-feira (2), Flávio Bolsonaro também encaminhou ao USTR uma manifestação pedindo que os Estados Unidos suspendam a aplicação da tarifa sobre produtos brasileiros até as eleições presidenciais de outubro. Segundo o senador, manter a cobrança neste momento beneficiaria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu provável adversário na disputa pelo Palácio do Planalto.
No documento, Flávio afirma que a sobretaxa acabaria fortalecendo a estratégia do governo brasileiro.
“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna. Pior ainda, os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros mais comprometidos com o relacionamento construtivo com os EUA”, escreveu.
A manifestação foi enviada paralelamente à comunicação oficial do governo brasileiro, que tenta convencer Washington a desistir da cobrança.
A carta provocou reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que voltou a criticar Flávio Bolsonaro e o chamou de “traidor da pátria”. Segundo Lula, o senador atua contra os interesses do Brasil ao defender que os Estados Unidos adiem a aplicação da tarifa.
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