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08 set

Economia e Trump em baixa pressionam republicanos a 2 meses das eleições

Economia e Trump em baixa pressionam republicanos a 2 meses das eleições

© Getty Images

“Vamos vencer as eleições de meio de mandato, e por muito”, afirmou o presidente Donald Trump nesta segunda-feira (7) em sua rede social, na qual atacou os democratas e disse que os adversários farão uma “última tentativa” de “arruinar os Estados Unidos”.

A publicação foi feita no Dia do Trabalho, feriado americano que tradicionalmente marca o início da reta final das campanhas eleitorais americanas. A pouco menos de dois meses da votação, democratas e republicanos entram na fase decisiva da disputa pelo controle do Congresso com o bolso do eleitor no centro da campanha e sob o peso da baixa popularidade de Trump.

Em meio à guerra no Irã, da qual o presidente não consegue se retirar e que causou disparada de preços, republicanos tentam preservar suas estreitas maiorias na Câmara e no Senado. Democratas, por sua vez, buscam transformar a insatisfação com a economia e com o governo em votos.

A aprovação de Trump caiu a 33%, menor patamar de seu segundo mandato, segundo levantamento Focaldata/Financial Times -mesmo número apontado pelo Instituto Ipsos em meados de agosto.

Esta semana será marcada ainda pela entrada direta de Trump na campanha republicana. Na quarta (9) e na quinta-feira (10), o partido realiza em Dallas sua primeira convenção voltada especificamente para uma eleição de meio de mandato. Apelidado de “Trump-a-palooza”, o evento terá discursos do presidente e do vice J. D. Vance e reunirá lideranças republicanas e candidatos de algumas das principais disputas pelo Congresso.

O custo de vida deve ocupar lugar central nessa disputa. Pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre os dias 28 e 31 de agosto mostra que 47% dos eleitores registrados apontam o tema como o principal fator para decidir seu voto nas eleições de novembro. O levantamento também mostra que 71% dos americanos desaprovam a forma como Trump lida com o custo de vida, ante 22% que aprovam.

Questionado na semana passada sobre por que eleitores preocupados com os preços da gasolina e da energia não deveriam responsabilizar os republicanos, o vice-presidente atribuiu a origem da inflação às políticas do governo Joe Biden e disse que as medidas adotadas pela atual gestão precisam de tempo para produzir efeitos.

Vance citou cortes de impostos, investimentos em novas fábricas e redução dos preços de medicamentos entre as iniciativas da Casa Branca. “Como o problema de inflação dos EUA não foi criado em um dia, leva um pouco de tempo para reconstruir as bases da economia da classe média americana”, afirmou.

A centralidade da economia na preocupação entre americanos aparece em levantamento do Pew Research Center realizado em julho. Questionados, sem uma lista prévia de alternativas, sobre qual assunto mais gostariam de ouvir os candidatos ao Congresso de seus distritos discutirem, 29% dos eleitores registrados citaram questões econômicas -mais do que qualquer outro tema. Custo de vida e preços, mencionados por 15%, foram a resposta específica mais frequente.

Entre outros temas que também apareceram nas respostas, estiveram reformas no governo (9%), imigração (7%), saúde (5%), política externa (4%) e o próprio Trump (4%). Na mesma pesquisa do Pew, 42% dos eleitores registrados disseram enxergar seu voto para o Congresso como um voto contra o presidente, ante 22% que o consideravam um voto a favor dele. Outros 35% disseram que Trump não seria um fator relevante para sua escolha.

As 435 cadeiras da Câmara serão disputadas em novembro, mas a batalha pela maioria está concentrada em cerca de 50 distritos considerados competitivos. Os democratas precisam conquistar três cadeiras líquidas para assumir o controle da Casa, hoje nas mãos dos republicanos, e análises da imprensa americana mostram que esta é uma disputa mais fácil para a oposição.

Já no Senado, a matemática é mais difícil. Os democratas precisam obter quatro ganhos líquidos para assumir o controle da Casa, e apenas nove das 35 disputas deste ano são consideradas competitivas por analistas independentes, segundo levantamento da agência Reuters.

O mapa da disputa, porém, ampliou-se nos últimos meses, com estados inicialmente considerados mais seguros para os republicanos passando a receber maior atenção. Texas, Iowa, Alasca e Ohio estão entre as cadeiras republicanas agora no campo de batalha, ao lado de disputas já esperadas na Carolina do Norte e no Maine.

Isso não significa que os democratas tenham caminho livre para conquistar o Senado. O partido também precisa defender cadeiras, sobretudo em Michigan, onde a disputa está acirrada entre Abdul El-Sayed e o republicano Mike Rogers. Uma derrota em um estado atualmente controlado pelos democratas aumentaria o número de cadeiras republicanas que o partido precisaria conquistar para chegar à maioria.

No Texas, a entrada da corrida no mapa competitivo é uma das principais surpresas deste ciclo. O republicano Ken Paxton enfrenta o democrata James Talarico em um estado que não elege um senador democrata desde 1988.

O resultado de novembro determinará o espaço político de Trump nos dois últimos anos de seu mandato, hoje sustentado por maiorias republicanas nas duas Casas do Congresso. Historicamente, porém, as eleições de meio de mandato costumam impor perdas ao partido do presidente: desde 1938, isso ocorreu na Câmara em 20 das 22 eleições realizadas.

A tendência torna a disputa pela Câmara especialmente relevante neste ano, já que a estreita maioria republicana pode ser alterada com a mudança de poucas cadeiras. Uma eventual vitória democrata daria ao partido o comando das comissões da Casa, com poder para abrir investigações, convocar integrantes do governo, além de dificultar a aprovação de partes da agenda legislativa de Trump.

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)

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