Rio Grande do Norte
13 mar

Dnit autoriza mineradora a mudar traçado da BR-226 para ampliar exploração de ouro no RN

Dnit autoriza mineradora a mudar traçado da BR-226 para ampliar exploração de ouro no RN

A mineradora Aura Minerals fez um acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para redifinir o traçado da BR-226, que passa ao lado da Mina Borborema, no Rio Grande do Norte.

Um novo trecho de rodovia será construído desviando da área de mineração, a fim de que o trecho atual possa ser destruído. Estudos identificaram reservas de ouro embaixo da estrada.

De acordo com comunicado da empresa a investidores, a mudança deve permitir a ampliação da exploração de ouro na zona rural de Currais Novos.

A operação da mina foi iniciada em outubro de 2025. Na ocasião, a empresa já havia confirmado ao g1 que buscava um acordo com as autoridades para mudar o traçado da rodovia e ampliar a capacidade de exploração.

Segundo comunicado da empresa publicado no dia 26 de fevereiro, com a atualização do relatório técnico do projeto, a base de reservas minerais da mina aumentou em 82%, chegando a cerca de 1,5 milhão de onças de ouro (cada onça corresponde a 31,1 gramas de ouro).

Aproximadamente 670 mil onças adicionais se tornaram viáveis com o acordo para a realocação da rodovia.

De acordo com a empresa, o estudo de viabilidade do projeto prevê reservas prováveis de 40,7 milhões de toneladas de minério, com teor médio de 1,13 grama de ouro por tonelada, contendo cerca de 1,479 milhão de onças de ouro.

A previsão é que a mina tenha vida útil de 20 anos e 5 meses, com produção média estimada em 65 mil onças – mais de 20 mil kg de ouro – por ano.

Em nota, o Dnit informou o acordo foi assinado no dia 3 de março e autoriza a empresa a elaborar os projetos de engenharia e a executar as obras de um novo traçado para a rodovia.

“O início das obras está condicionado à aprovação dos projetos de engenharia pelo Dnir, à obtenção das licenças ambientais pertinentes e à conclusão das etapas de desapropriação necessárias”, informou o órgão federal.

O acordo tem vigência de 730 dias, a contar da data de assinatura, mas pode ser prorrogado.

Os valores totais de investimento não foram informados, mas o departamento federal informou que toda o investimento será feito pela mineradora.

A empresa deverá:

  • elaborar os estudos e projetos de engenharia necessários à alteração de traçado da rodovia;
  • obter as licenças ambientais necessárias;
  • se responsabilizar pela aquisição das áreas necessárias à implantação do empreendimento
  • assegurar que os projetos sejam desenvolvidos em conformidade com as normas técnicas

g1 procurou a mineradora Aura Minerals, mas não recebeu posicionamento sobre a mudança até a última atualização desta reportagem.

G1

Campo Forte
Rio Grande do Norte
11 mar

Rally RN 1500 chega à 28ª edição e já tem data confirmada para abril de 2026; Acari será destaque no percurso

Rally RN 1500 chega à 28ª edição e já tem data confirmada para abril de 2026; Acari será destaque no percurso

O Rally RN 1500, uma das provas de rally raid mais tradicionais do Brasil, já tem data definida para sua 28ª edição. A competição acontecerá entre 13 e 18 de abril de 2026, reunindo pilotos de várias partes do país e também da América Latina.

O evento integra oficialmente os Campeonatos Brasileiro e Latino-americano de Rally Raid e conta com a supervisão da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) e FIM-LA (Federação Internacional de Motociclismo para a América Latina).

Percurso e programação

A edição de 2026 terá uma novidade importante: uma etapa maratona logo na primeira especial, na qual os competidores não poderão receber apoio mecânico externo, exigindo ainda mais estratégia, preparo e resistência das equipes.

O roteiro da prova cruzará três estados do Nordeste: Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, com destaque para o município de Acari, que sediará duas etapas da competição e será um dos pontos centrais do rally no Seridó.

Programação oficial
13/04 – Prólogo, briefing técnico e largada promocional em Natal
14/04 – 1ª Especial: Natal (RN) → Galinhos (RN)
15/04 – 2ª Especial: Galinhos (RN) → Acari (RN)
16/04 – 3ª Especial: Acari (RN) → Acari (RN)
17/04 – 4ª Especial: Acari (RN) → Monteiro (PB)
18/04 – 5ª Especial: Monteiro (PB) → Caruaru (PE)

Acari em evidência no rally

O município de Acari, localizado na região do Seridó potiguar, terá papel de destaque na edição de 2026. A cidade receberá a chegada da segunda especial, sediará uma etapa completa e ainda será o ponto de largada para a etapa que seguirá rumo à Paraíba.

A passagem do rally pela cidade deve movimentar o turismo, a rede hoteleira e o comércio local, além de atrair visitantes e apaixonados pelo esporte off-road.

Chegada final

O encerramento da prova acontecerá em Nova Jerusalém, no município de Brejo da Madre de Deus (PE).

Categorias da competição

A prova contará com diversas categorias do rally raid:

Motos (com expectativa de crescimento nesta edição)
UTVs (veículos utilitários off-road)
Carros
Quadriciclos

Inscrições

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo site oficial da Arena Rally. Os valores variam de acordo com o lote e a categoria, com preços promocionais para pagamentos efetuados até 28 de fevereiro de 2026.

Inscrições abertas

As inscrições já estão abertas, e a organização recomenda que pilotos e equipes garantam suas vagas antecipadamente no link: https://arenarally.com.br/rn15002026/inscricao.php

O Rally RN 1500 é conhecido por percorrer trilhas desafiadoras do sertão nordestino, movimentando o turismo, a economia local e atraindo amantes do off-road de todo o Brasil.

olisun-full
Rio Grande do Norte
09 mar

Operação Caatinga Resiste: MPRN participa de ação nacional contra o desmatamento no semiárido brasileiro

Operação Caatinga Resiste: MPRN participa de ação nacional contra o desmatamento no semiárido brasileiro

O Minstério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) dá início nesta segunda-feira (9) a ações de fiscalização ambiental que integram a Operação Caatinga Resiste. A ação nacional de fiscalização ambiental é voltada ao enfrentamento do desmatamento ilegal no bioma Caatinga. A operação segue até o dia 19 de março de 2026 e mobiliza Ministérios Públicos, órgãos ambientais, forças de fiscalização e policiais dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Minas Gerais.

A operação integra o projeto Caatinga Resiste da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (ABRAMPA), com coordenação nacional do Ministério Público de Sergipe (MPSE), e participação dos Ministérios Públicos estaduais envolvidos. No MPRN, a coordenação ficará por conta do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça na área do Meio Ambiente (Caop MA). Os alvos são propriedades privadas com áreas desmatadas de forma irregular, sem autorização de supressão de vegetação.

A iniciativa ocorre em um contexto de alerta permanente. Apesar da redução de 9% no desmatamento em 2025 (em relação ao ano anterior), segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o bioma segue entre os mais ameaçados do país, com elevados índices de supressão ilegal, aumento do desmatamento em áreas remanescentes e importantes para a conservação, baixa cobertura por unidades de conservação e avanço de atividades econômicas sobre áreas sensíveis.

Segundo o MapBiomas, entre 1985 e 2023 a Caatinga perdeu cerca de 14,4% de sua cobertura vegetal nativa — o que equivale a aproximadamente 8,6 milhões de hectares de vegetação original suprimida. Hoje o bioma conserva cerca de 59,6% de vegetação nativa, enquanto cerca de 38,2% da área foi convertida para usos antrópicos (agricultura, pastagens etc.). Esses números consolidam um panorama histórico recente de perda de vegetação no semiárido brasileiro.

A Operação Caatinga Resiste atuará com base nos alertas de desmatamento identificados por imagens de satélite, tratadas e disponibilizadas pelo projeto MapBiomas. Os dados são cruzados com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com as Autorizações de Supressão de Vegetação (ASVs), subsidiando fiscalizações presenciais e remotas conduzidas pelos órgãos ambientais e pelas forças de segurança.

Para além da apuração do desmatamento ilegal, a força-tarefa atuará na prática de ilícitos ambientais e crimes correlatos comumente associados à supressão irregular de vegetação, adotando uma abordagem integrada para responsabilizar toda a cadeia de ilegalidades que estrutura, financia e viabiliza a prática do desmatamento sem autorização. Entre eles estão a supressão de vegetação sem autorização válida, grilagem e apropriação irregular de terras públicas, queimadas ilegais e fraudes em registros ambientais, incluindo falsidade ideológica em documentos e cadastros oficiais.

A operação também poderá apurar crimes contra a fauna silvestre, especialmente quando o desmatamento resultar na destruição de habitats ou na captura ilegal de animais; crimes praticados no interior de unidades de conservação; porte ilegal de arma de fogo em contexto de infrações ambientais; extração ilegal de minerais; e crimes relacionados ao armazenamento e transporte irregular de produtos florestais.

Além da repressão aos ilícitos, a operação pretende induzir a melhoria da governança ambiental nos estados, ampliar a transparência dos sistemas de controle e fomentar a recuperação de áreas degradadas, como também a atuação integrada entre órgãos. A Caatinga desempenha papel estratégico na regulação climática, no sequestro de carbono e na manutenção dos modos de vida de milhões de pessoas no semiárido brasileiro.

Ao final da operação, será apresentado um balanço consolidado com os resultados das fiscalizações, incluindo extensão das áreas autuadas, número de procedimentos instaurados e valores de multas aplicadas.

Campo Forte
Rio Grande do Norte
09 mar

Rio Grande do Norte é o 6º estado com mais casos de câncer infantojuvenil

Rio Grande do Norte é o 6º estado com mais casos de câncer infantojuvenil

Com 627 diagnósticos, o Rio Grande do Norte ocupou a 6ª posição nacional no número de novos casos de câncer infantojuvenil em 2025. Um ano antes, o estado havia ocupado a 11ª posição no total de diagnósticos da doença na faixa etária de 0 a 19 anos, com 641 casos. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce da doença, que é a mais letal para crianças e adolescentes no Brasil, o que fortalece o tratamento e aumenta as chances de cura.

O número de novos casos de câncer infantojuvenil registrados no RN caiu 2,18% entre 2024 e 2025, mas houve redução mais expressiva em outros estados: o Espírito Santo, por exemplo, teve queda de 60%, de 295 para 118 diagnósticos. No Brasil, o total de novos casos nessa faixa etária recuou 24,2%, de 15.811 para 11.984 diagnósticos. Os dados são do Painel Oncologia Brasil, do Ministério da Saúde, e foram compilados pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) em 15 de janeiro de 2026.


Do total de casos da doença no Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que apenas 3% acometem o público infantojuvenil. Se diagnosticadas precocemente, cerca de 80% das crianças e adolescentes podem ser curadas e receber tratamento em centros especializados, segundo o Inca.


O pediatra Tiago Dalcin, membro da Sobrasp, observa que o câncer infantojuvenil é pouco debatido, pois a doença é mais associada a adultos e idosos. “Os sinais e sintomas do câncer na infância e na adolescência muitas vezes são inespecíficos. Eles podem acontecer ao longo do tempo, confundir-se com outras doenças e demorar para que seja feito o diagnóstico”, afirma.

“Os sintomas são, por exemplo, palidez, perda de peso, algum caroço ou nódulo que não dói, e manchas roxas pelo corpo”, explica. Para Dalcin, é importante investigar os sinais, caso existam, e realizar acompanhamento médico mesmo sem queixas, a fim de avaliar o desenvolvimento da criança ou adolescente.


Ana Járvis, superintendente da Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, resume a importância do diagnóstico precoce em “salvar vidas”. “O câncer existe, e a gente está perdendo [vidas] pela falta de suspeição, pela falta de investigação”, afirma. Ela lembra que há cerca de 80% de chances de cura em casos em que se descobre a doença cedo.


Contudo, a falta de diagnóstico e dificuldades de acesso ao tratamento atrapalham o combate ao câncer. A Casa Durval Paiva, em Natal, acolhe crianças, adolescentes e suas famílias, antes, durante e após o tratamento.

Para a Sobrasp, o câncer infantojuvenil causa “forte impacto social e emocional” e afeta a rotina das famílias. “Quem convive com criança sabe o quanto isso vai mobilizar tanto a criança quanto a sua família. A gente precisa dar atenção individualizada para cada caso. Cada criança importa”, diz Tiago Dalcin.


Sobre o impacto do tratamento na rotina familiar, Járvis destaca que os reflexos vão além da saúde: muitas mães abdicam de suas carreiras para acompanhar os filhos e se dedicar ao tratamento. Segundo ela, 80% dos assistidos pela Casa Durval Paiva são do interior do estado e 20% são de Natal e região metropolitana. Na maioria dos casos, as mães vêm até a capital potiguar com os filhos.


Ana Járvis diz ainda que a faixa etária afetada pelo câncer infantojuvenil é mais vulnerável. “Em princípio, o adulto não é um ser vulnerável. Ele já tem autonomia, fala, diz onde há dor, reclama e diz qual é o seu limite. E ele já tem a responsabilidade das suas decisões, de querer fazer o tratamento ou não”, afirma.

Osteossarcoma


Em março deste ano, a Casa Durval Paiva desenvolve uma campanha de conscientização sobre o osteossarcoma – um dos principais tipos de câncer ósseo. Segundo Ana Járvis, este é o terceiro tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, depois da leucemia e de tumores do Sistema Nervoso Central.


A incidência de tumores ósseos é maior entre 10 e 19 anos, período marcado por intensas transformações físicas. A Sobrasp informa que a leucemia representa 30% desse total. Também são tipos frequentes de câncer nessa faixa etária: linfomas, neuroblastoma, sarcomas (ósseos e partes moles) e retinoblastoma.

“O osteossarcoma é mais presente na adolescência, por isso que é tão difícil o diagnóstico. Tem uma dor óssea persistente ou uma tumoração, uma saliência naquela região, como pernas e joelhos. Muitas vezes, o médico acha que é ‘dor do crescimento’. Quando o diagnóstico é realmente feito, o tumor já está muito evidente ou já está em outros locais do corpo”, explica a superintendente. Mais comum na fase de crescimento acelerado da adolescência, ele atinge com maior frequência ossos longos como o fêmur (região do joelho), a tíbia e o úmero.


A iniciativa da Casa Durval Paiva é uma continuação da Campanha Diagnóstico Precoce 2026. Todos os meses, a instituição dá destaque a um tipo de câncer que acomete crianças e adolescentes, com o tema “Seja um porta-voz do Diagnóstico Precoce”.

Números

Novos casos de crianças e adolescentes com câncer (2025)
São Paulo: 2.391 casos
Ceará: 1.013 casos
Minas Gerais: 988 casos
Rio Grande do Sul: 837 casos
Santa Catarina: 732 casos
Rio Grande do Norte: 627 casos
Rio de Janeiro: 570 casos
Pará: 539 casos
Pernambuco: 472 casos
Maranhão: 464 casos

Fonte: Painel Oncologia Brasil / Sobrasp

Foto: Alex Régis

Tribuna do Norte

olisun-full
Rio Grande do Norte
05 mar

RN tem 20 reservatórios em estado de alerta por baixo volume de água

RN tem 20 reservatórios em estado de alerta por baixo volume de água

Apesar das recentes chuvas que ajudaram a melhorar a situação de açudes e barragens no Rio Grande do Norte, 20 dos 69 reservatórios monitorados pelo Instituto de Gestão das Águas do Estado (Igarn) ainda estão em estado de alerta, uma vez que apresentam volume hídrico inferior a 10% da capacidade total. Dentre esses mananciais estão grandes açudes como o Itans, em Caicó, com 0,05% de volume, e o Boqueirão, em Parelhas, com 9,18%. De acordo com o mais recente relatório do Igarn, divulgado na segunda-feira (2), 36 reservatórios apresentaram melhora nos índices, embora o cenário seja de preocupação.

“A situação evoluiu, mas ainda precisa melhorar. Não temos volume suficiente para atender plenamente todos os usos múltiplos de água. Alguns reservatórios tiveram recargas mais expressivas, como a Barragem de Oiticica, que vem apresentando uma entrada de água bastante positiva, até acima do que se esperava. Por outro lado, a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves está atualmente com cerca de 42% da sua capacidade. É um reservatório estratégico, especialmente para a irrigação, que tem um peso importante na economia do estado”, pontua Procópio Lucena, presidente do Igarn.

“Se não houver uma boa recarga nos próximos meses, existe a preocupação de chegarmos ao final do ano com volumes mais baixos do que o ideal”, acrescentou. Segundo o Igarn, as chuvas dos últimos dias adicionaram 50,6 milhões de metros cúbicos aos reservatórios do estado. O volume acumulado das reservas hídricas monitoradas saiu de 1,93 bilhão de metros cúbicos (m³), equivalentes a 36,66% da capacidade total, para 1,99 bilhão de m³, ou seja, 37,62% da capacidade, entre 23 de fevereiro e a divulgação dos dados atualizados na segunda-feira.

Os 69 reservatórios têm capacidade hídrica de 5,29 bilhões de m³. A barragem Dinamarca, em Serra Negra do Norte, atingiu 100% da própria capacidade e começou a sangrar no domingo (1º). O reservatório tem capacidade total de 2,72 milhões de m³ e, no relatório do dia 23 de fevereiro, acumulava apenas 226,08 mil m³, o equivalente a 8,30% da capacidade. O manancial é responsável pelo abastecimento público municipal.

O açude Novo Angicos, em Angicos, registrou aumento de 35,38%, passando de 631,42 mil m³ (14,87%) para 2,133 milhões de m³ (50,25%) da capacidade total, que é de 4,24 milhões de m³. Além destes, outros 34 mananciais apresentaram melhora. Na outra ponta estão 20 reservatórios que não conseguiram melhorar os volumes. São eles: Boqueirão de Parelhas, Itans, Sabugi, Passagem das Traíras, Esguicho, Carnaúba, Bonito II, Dourado, Apanha Peixe e Gangorra.

Jesus Maria José, Beldroega, Tourão, Zangarelhas, Brejo, 25 de Março, São Gonçalo, Mundo Novo, Inspetoria e Lulu Pinto completam a lista. Desses, a situação mais crítica é observada em Mundo Novo, em Caicó (totalmente seco), Lulu Pinto, em Luís Gomes (0,01%), Passagem das Traíras, em São José do Seridó (0,03%), Itans, em Parelhas (0,05%), e Jesus Maria José, em Tenente Ananias (0,42%).

Efeitos

José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), aponta que os reservatórios em alerta estão concentrados principalmente nas regiões do Seridó, Alto Oeste e parte do Oeste potiguar, áreas onde, segundo ele, a economia rural depende fortemente da pecuária, da produção de forragem e da agricultura familiar. “Nessas regiões, a escassez de água afeta diretamente as atividades produtivas”, diz.

“A falta de reservatórios em níveis adequados reduz a disponibilidade de água para os rebanhos e para pequenas áreas irrigadas, o que obriga os produtores a recorrer à suplementação alimentar, elevando significativamente os custos de produção. Na pecuária, isso se traduz principalmente em perda de peso dos animais, redução da produção de leite e maior pressão sobre a renda das famílias rurais. A situação também impacta o abastecimento humano em diversas comunidades rurais, aumentando a dependência de carros-pipa e de outras soluções emergenciais”, prossegue Vieira.

O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do estado (Fetarn), Erivam do Carmo, indica que a situação segue difícil. “Falta o manancial hídrico. Se tem água, a situação se inverte, porque o trabalhador pode plantar, variar a produção e aproveitar bem a água da chuva. Nas áreas onde os reservatórios estão acima de 50%, a gente pode dizer que existe uma maior tranquilidade”, avalia do Carmo.

Previsão

Segundo a Emparn, caso persista a tendência de aquecimento do Atlântico Sul, resfriamento do Atlântico Norte e condição de La Niña fraca no Pacífico, o período correspondente aos meses de março, abril e maio deverá apresentar chuvas dentro da normalidade. Nos dois primeiros meses, os volumes serão maiores, acima de 100 milímetros no Agreste e superiores a 200 milímetros no Alto Oeste. Em maio, último mês do período chuvoso nas regiões Oeste e Central, os índices tendem a diminuir. O quadro tem gerado boas perspectivas.

“Se a previsão da Emparn se confirmar, poderemos alcançar entre 50% e 55% da capacidade total dos reservatórios — podendo chegar até 60%. Assim, teremos um quadro hidrológico bastante positivo para o RN. Seguiremos acompanhando de perto cada atualização”, afirmou Procópio Lucena, presidente do Igarn. “Para a Faern, o estado não vive uma situação de colapso hídrico generalizado, mas ainda enfrenta um cenário de vulnerabilidade que exige cautela, planejamento e acompanhamento permanente da evolução do período chuvoso”, discorre José Vieira, da Federação da Agricultura.

Erivam do Carmo, da Federação dos Trabalhadores Rurais, diz estar otimista em relação à previsão. “Se tivermos a regularidade prevista, teremos uma boa produção”, fala. De acordo com o Igarn, os maiores mananciais do RN estão em processo de recarga atualmente, mas um deles, a Barragem de Oiticica – segundo maior reservatório do estado –, acumula 168,70 milhões de m³, correspondentes a 22,72% da capacidade total. Já a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves acumula 1 bilhão de m³, o equivalente a 42,17% da capacidade geral. A Barragem Santa Cruz do Apodi registra 321 milhões de m³, correspondentes a 53,53% da capacidade total.

DADOS

Confira os volumes previstos de chuva por mesorregião:

  • Oeste: 197,5 mm em março; 180,2 mm em abril; 101,4 mm em maio
  • Central: 155,1 mm; 150,2 mm; 71,5 mm
  • Agreste: 119,2 mm; 133,0 mm; 91,0 mm
  • Leste: 166,9 mm; 195,8 mm; 171,1 mm
    Fonte: Emparn

Foto: Divulgação

PAX
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