Rio Grande do Norte
05 mar

RN tem 20 reservatórios em estado de alerta por baixo volume de água

RN tem 20 reservatórios em estado de alerta por baixo volume de água

Apesar das recentes chuvas que ajudaram a melhorar a situação de açudes e barragens no Rio Grande do Norte, 20 dos 69 reservatórios monitorados pelo Instituto de Gestão das Águas do Estado (Igarn) ainda estão em estado de alerta, uma vez que apresentam volume hídrico inferior a 10% da capacidade total. Dentre esses mananciais estão grandes açudes como o Itans, em Caicó, com 0,05% de volume, e o Boqueirão, em Parelhas, com 9,18%. De acordo com o mais recente relatório do Igarn, divulgado na segunda-feira (2), 36 reservatórios apresentaram melhora nos índices, embora o cenário seja de preocupação.

“A situação evoluiu, mas ainda precisa melhorar. Não temos volume suficiente para atender plenamente todos os usos múltiplos de água. Alguns reservatórios tiveram recargas mais expressivas, como a Barragem de Oiticica, que vem apresentando uma entrada de água bastante positiva, até acima do que se esperava. Por outro lado, a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves está atualmente com cerca de 42% da sua capacidade. É um reservatório estratégico, especialmente para a irrigação, que tem um peso importante na economia do estado”, pontua Procópio Lucena, presidente do Igarn.

“Se não houver uma boa recarga nos próximos meses, existe a preocupação de chegarmos ao final do ano com volumes mais baixos do que o ideal”, acrescentou. Segundo o Igarn, as chuvas dos últimos dias adicionaram 50,6 milhões de metros cúbicos aos reservatórios do estado. O volume acumulado das reservas hídricas monitoradas saiu de 1,93 bilhão de metros cúbicos (m³), equivalentes a 36,66% da capacidade total, para 1,99 bilhão de m³, ou seja, 37,62% da capacidade, entre 23 de fevereiro e a divulgação dos dados atualizados na segunda-feira.

Os 69 reservatórios têm capacidade hídrica de 5,29 bilhões de m³. A barragem Dinamarca, em Serra Negra do Norte, atingiu 100% da própria capacidade e começou a sangrar no domingo (1º). O reservatório tem capacidade total de 2,72 milhões de m³ e, no relatório do dia 23 de fevereiro, acumulava apenas 226,08 mil m³, o equivalente a 8,30% da capacidade. O manancial é responsável pelo abastecimento público municipal.

O açude Novo Angicos, em Angicos, registrou aumento de 35,38%, passando de 631,42 mil m³ (14,87%) para 2,133 milhões de m³ (50,25%) da capacidade total, que é de 4,24 milhões de m³. Além destes, outros 34 mananciais apresentaram melhora. Na outra ponta estão 20 reservatórios que não conseguiram melhorar os volumes. São eles: Boqueirão de Parelhas, Itans, Sabugi, Passagem das Traíras, Esguicho, Carnaúba, Bonito II, Dourado, Apanha Peixe e Gangorra.

Jesus Maria José, Beldroega, Tourão, Zangarelhas, Brejo, 25 de Março, São Gonçalo, Mundo Novo, Inspetoria e Lulu Pinto completam a lista. Desses, a situação mais crítica é observada em Mundo Novo, em Caicó (totalmente seco), Lulu Pinto, em Luís Gomes (0,01%), Passagem das Traíras, em São José do Seridó (0,03%), Itans, em Parelhas (0,05%), e Jesus Maria José, em Tenente Ananias (0,42%).

Efeitos

José Vieira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), aponta que os reservatórios em alerta estão concentrados principalmente nas regiões do Seridó, Alto Oeste e parte do Oeste potiguar, áreas onde, segundo ele, a economia rural depende fortemente da pecuária, da produção de forragem e da agricultura familiar. “Nessas regiões, a escassez de água afeta diretamente as atividades produtivas”, diz.

“A falta de reservatórios em níveis adequados reduz a disponibilidade de água para os rebanhos e para pequenas áreas irrigadas, o que obriga os produtores a recorrer à suplementação alimentar, elevando significativamente os custos de produção. Na pecuária, isso se traduz principalmente em perda de peso dos animais, redução da produção de leite e maior pressão sobre a renda das famílias rurais. A situação também impacta o abastecimento humano em diversas comunidades rurais, aumentando a dependência de carros-pipa e de outras soluções emergenciais”, prossegue Vieira.

O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do estado (Fetarn), Erivam do Carmo, indica que a situação segue difícil. “Falta o manancial hídrico. Se tem água, a situação se inverte, porque o trabalhador pode plantar, variar a produção e aproveitar bem a água da chuva. Nas áreas onde os reservatórios estão acima de 50%, a gente pode dizer que existe uma maior tranquilidade”, avalia do Carmo.

Previsão

Segundo a Emparn, caso persista a tendência de aquecimento do Atlântico Sul, resfriamento do Atlântico Norte e condição de La Niña fraca no Pacífico, o período correspondente aos meses de março, abril e maio deverá apresentar chuvas dentro da normalidade. Nos dois primeiros meses, os volumes serão maiores, acima de 100 milímetros no Agreste e superiores a 200 milímetros no Alto Oeste. Em maio, último mês do período chuvoso nas regiões Oeste e Central, os índices tendem a diminuir. O quadro tem gerado boas perspectivas.

“Se a previsão da Emparn se confirmar, poderemos alcançar entre 50% e 55% da capacidade total dos reservatórios — podendo chegar até 60%. Assim, teremos um quadro hidrológico bastante positivo para o RN. Seguiremos acompanhando de perto cada atualização”, afirmou Procópio Lucena, presidente do Igarn. “Para a Faern, o estado não vive uma situação de colapso hídrico generalizado, mas ainda enfrenta um cenário de vulnerabilidade que exige cautela, planejamento e acompanhamento permanente da evolução do período chuvoso”, discorre José Vieira, da Federação da Agricultura.

Erivam do Carmo, da Federação dos Trabalhadores Rurais, diz estar otimista em relação à previsão. “Se tivermos a regularidade prevista, teremos uma boa produção”, fala. De acordo com o Igarn, os maiores mananciais do RN estão em processo de recarga atualmente, mas um deles, a Barragem de Oiticica – segundo maior reservatório do estado –, acumula 168,70 milhões de m³, correspondentes a 22,72% da capacidade total. Já a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves acumula 1 bilhão de m³, o equivalente a 42,17% da capacidade geral. A Barragem Santa Cruz do Apodi registra 321 milhões de m³, correspondentes a 53,53% da capacidade total.

DADOS

Confira os volumes previstos de chuva por mesorregião:

  • Oeste: 197,5 mm em março; 180,2 mm em abril; 101,4 mm em maio
  • Central: 155,1 mm; 150,2 mm; 71,5 mm
  • Agreste: 119,2 mm; 133,0 mm; 91,0 mm
  • Leste: 166,9 mm; 195,8 mm; 171,1 mm
    Fonte: Emparn

Foto: Divulgação

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Rio Grande do Norte
04 mar

Ouro no RN: acordo amplia em 82% potencial de reservas

Ouro no RN: acordo amplia em 82% potencial de reservas

Um acordo celebrado entre a mineradora canadense Aura Minerals e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) irá permitir a realocação de um trecho da BR-226, que atravessa parte da Mina Borborema, em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, onde a empresa explora ouro comercialmente, no chamado Projeto Borborema. De acordo com estimativa da mineradora, a realocação da rodovia irá ampliar em 670 mil onças de ouro a base de reservas minerais da empresa no Estado, permitindo que a Aura alcance uma produção de aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro durante os 20 anos e 5 meses de vida útil da mina, 82% acima do estimado anteriormente. Segundo o DNIT, o acordo está em fase de assinatura entre as partes.

As informações foram publicadas pela Aura Minerals em fato relevante no último dia 26 de fevereiro. De acordo com o documento, a realocação da rodovia permite o avanço imediato na conversão de parcela relevante dos recursos minerais indicados (exclusivos das reservas minerais atuais) em reservas minerais prováveis.

A mina localizada em Currais Novos, na região Seridó, teve sua operação comercial iniciada em outubro de 2025. “Com a atualização do Relatório Técnico, a Aura amplia a sua base de Reservas Minerais em 82%, chegando a um total de aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro”, comunicou a empresa no documento. A estimativa é que a produção média anual ponderada seja de 65 mil onças de ouro.

Em resposta à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, o DNIT confirmou que o pleito para celebração de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) junto à Aura Minerals está em fase de assinatura entre as partes. Segundo o departamento, o novo traçado da rodovia vai ser custeado com recursos próprios da empresa de mineração, que também está à frente da elaboração dos projetos e execução das obras de realocação.

“Informamos ainda que a alteração somente será efetivada após a conclusão e liberação total do novo segmento da rodovia, garantindo a continuidade do tráfego e evitando prejuízos à população usuária da BR-226”, complementou em nota.

No comunicado oficial da empresa, o presidente e CEO da companhia, Rodrigo Barbosa, afirmou que o acordo representa um marco para acelerar a geração de valor no Projeto Borborema. A empresa também destacou o potencial exploratório adicional do depósito, que permanece aberto em extensão e profundidade, indicando possibilidade de novas campanhas de sondagem para ampliar ainda mais o volume de onças contidas no ativo.

“Com a atualização das reservas totalizando 1,5 milhão de onças — 82% acima do estimado no estudo de viabilidade anterior — estamos já avançando com as soluções de engenharia e de acesso hídrico para ampliar a capacidade, ao mesmo tempo em que damos continuidade à realocação da rodovia. Borborema é um exemplo perfeito de nossa estratégia: iniciar a produção o mais rápido possível, gerar fluxo de caixa positivo em um ambiente de risco controlado e, então, capturar o potencial adicional do ativo”, disse.

Com a atualização do estudo de viabilidade do projeto, os indicadores econômicos apontam para um Valor Presente Líquido (VPL) que totaliza US$ 612,5 milhões (ante US$ 182 milhões no estudo de viabilidade anterior). A Taxa Interna de Retorno (TIR), após impostos, é de 42,8%, considerando preço médio ponderado do ouro de US$ 2.274/onça ao longo de todos os anos operacionais e a taxa de câmbio de R$ 5,70 por US$ 1,00 a partir de 2025.

Ouro em Currais Novos

A mina Borborema está situada na Província Borborema, uma região reconhecida pela riqueza mineral. O depósito de ouro, classificado como orogênico, apresenta mineralização consistente, com veios de quartzo e sulfetos disseminados que garantem recuperações de ouro superiores a 92%.

O projeto é um dos principais em exploração mineral no Estado para os próximos anos, com investimentos da ordem de R$ 1 bilhão. A produção é exportada para a Europa.

Tribuna do Norte

Foto: Alex Régis

Campo Forte
Rio Grande do Norte
04 mar

Mais de 63 mil famílias no RN podem perder o desconto na conta de energia por divergências cadastrais

Mais de 63 mil famílias no RN podem perder o desconto na conta de energia por divergências cadastrais

Mais de 63 mil famílias em todas as regiões do Rio Grande do Norte correm o risco de perder o benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), concedido pelo Governo Federal, por falta de atualização dos dados cadastrais. Para manter o benefício, que garante a gratuidade nos primeiros 80 kWh consumidos, essas famílias precisam seguir as novas regras que passaram a valer em janeiro de 2026 e que impactam diretamente o acesso ao benefício.

As famílias beneficiárias precisam atentar para os dados informados em relação ao endereço e titularidade da conta, prioritariamente. A nova regulamentação do Governo Federal estabelece que a titularidade da conta de energia elétrica deve pertencer ao responsável familiar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico), ao favorecido pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou a um dos integrantes do mesmo grupo familiar registrado no CadÚnico. Além disso, o endereço da unidade consumidora precisa ser idêntico ao informado no CadÚnico ou INSS (caso seja beneficiário do BPC/LOAS), sem divergências.

As novas regras visam evitar fraudes e garantir que o benefício chegue a quem realmente tem direito. Qualquer inconsistência entre titularidade da conta e cadastro social pode levar à perda automática do benefício.

Como atualizar os dados

Para manter o direito à Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), os clientes devem atualizar seus dados no Cadastro Único, especialmente em casos de mudança de endereço ou composição familiar, o que pode ser feito junto ao CRAS do município. Para o público BPC/LOAS, a atualização do endereço deve ser realizada em uma das agências do INSS.

Também é necessário solicitar a troca de titularidade da conta de energia, caso ela não esteja no nome de um dos beneficiários. O procedimento pode ser realizado pelos canais digitais da Neoenergia Cosern, como site e aplicativo, ou nas Lojas de Atendimento ao Cliente, mediante apresentação de documento de identificação e número da unidade consumidora.

A Neoenergia Cosern reforça que a atualização é simples, mas essencial para garantir a continuidade da gratuidade dos primeiros 80kWh consumidos e evitar impactos financeiros nas famílias de baixa renda.

Canais de Atendimento

Site: neoenergia.com/web/rn/sua-casa/canais-de-atendimento

Teleatendimento: 116. Gratuito, 24 horas, todos os dias da semana

Agência Virtual: https://agenciavirtual.neoenergia.com/#/login

Aplicativo: Disponível para os sistemas iOS e Android.

Atendimento para clientes fora do RN: 0800 283 0800

Novo Noticiais

Lojão do Real
Rio Grande do Norte
03 mar

Jardim do Seridó: MPRN obtém liminar e suspende municipalização de escola estadual

Jardim do Seridó: MPRN obtém liminar e suspende municipalização de escola estadual

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve decisão liminar para suspender o processo de municipalização dos anos iniciais do ensino fundamental na Escola Estadual Antônio de Azevedo Maia, em Jardim do Seridó. A determinação judicial impõe a imediata manutenção da oferta da turma do 1º ano do ensino fundamental sob a gestão estadual, com a reabertura de matrículas e elaboração de novo calendário escolar para o ano de 2026.

A Promotoria apontou na ação que o processo de transferência da gestão vinha sendo conduzido sem transparência, planejamento técnico ou participação da comunidade escolar. Assim, o Ministério Público fundamentou o pedido de suspensão na ausência de estudos de impacto pedagógico e financeiro, além da falta de consulta formal a pais, alunos e professores, o que violaria o princípio constitucional da gestão democrática.

Os dados do IDEB 2023 apontam que a Escola Estadual Antônio de Azevedo possui nota 6,8, índice superior ao das unidades municipais que ofertam o mesmo ciclo na cidade. Como é o caso da Escola Municipal Calpúrnia Caldas, com nota 6,0, e da Escola Municipal Zélia Costa, com 4,8. O MPRN sustentou, então, que a transferência compulsória para unidades com indicadores inferiores configura retrocesso social e risco de precarização da educação básica.

Os entes públicos deverão assegurar a oferta do 1º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Antônio de Azevedo, escola centenária da cidade, criada em 08 de julho de 1910 com a denominação “Grupo Escolar Antônio de Azevedo”. O descumprimento das obrigações estabelecidas na liminar sujeitará os responsáveis ao pagamento de multa diária pessoal no valor de R$ 15 mil.

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Rio Grande do Norte
03 mar

Ezequiel solicita recuperação de ponte em Santana do Matos devido a risco de colapso

Ezequiel solicita recuperação de ponte em Santana do Matos devido a risco de colapso

Em requerimento encaminhado, nesta segunda-feira (2), ao Departamento de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Norte (DER/RN), o presidente da Assembleia Legislativa do RN, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB), pediu a recuperação imediata da rodovia RN-041, especialmente no trecho que conecta a BR-304 ao município de Santana do Matos. A iniciativa visa garantir a segurança de motoristas, moradores e trabalhadores que utilizam diariamente essa via.

O parlamentar também solicitou atenção especial à Ponte de São Miguel, situada a aproximadamente 400 metros da BR-304.”A estrutura apresenta graves danos estruturais, incluindo erosão avançada e um buraco que atravessa sob a ponte, evidenciando risco de colapso. Essa situação representa uma séria ameaça à vida de quem trafega pelo local, pois a ponte pode ceder a qualquer momento, provocando acidentes fatais e o isolamento da comunidade.”, descreveu.

De acordo com o requerimento, a interdição da ponte causaria prejuízos econômicos e dificuldades no escoamento da produção regional, além de comprometer a mobilidade e o desenvolvimento local. Por essa razão, o presidente da Assembleia solicita providências imediatas, incluindo vistoria técnica e ações de recuperação estrutural, para assegurar a trafegabilidade segura na região.

Foto: Reprodução

Campo Forte
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