Governos Lula e Tarcísio marcam reuniões sobre as tarifas de Trump nesta terça-feira
O comitê interministerial montado pelo Palácio do Planalto para analisar a tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros começará a se reunir com representantes dos setores econômicos a partir desta terça-feira (15), apurou o Estadão/Broadcast. Na mesma data, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), agendou um encontro com empresários do setor industrial para tratar do assunto.
A gestão paulista marcou a reunião para às 9h30, no Palácio dos Bandeirantes. Segundo apurou a reportagem, a reunião deve contar com a presença de 15 nomes do setor industrial com atuação no Estado e com o encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar.
Esta é a segunda movimentação de Tarcísio para tentar gerir a crise provocada por conta da sobretaxa de Trump. O governador afirmou, na última sexta-feira (11), que se reuniu em Brasília e que discutiu sobre as consequências da tarifa para a indústria e o agronegócio brasileiro.
O encontro aconteceu após Tarcísio culpar Lula pela ameaça do presidente norte-americano. “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado?”, disse, na ocasião, o governador paulista, em seu perfil na rede X, antigo Twitter.
Já na reunião marcada pelo Planalto, em Brasília, o governo pretende colher impressões e estudos apresentados por esses setores da economia para embasar sua resposta ao governo norte-americano.
O Palácio do Planalto nega trabalhar, no momento, com um pedido de extensão do prazo para a negociação com os Estados Unidos e com a ideia de redução da tarifa sobre produtos brasileiros de 50% para 30%, apurou a reportagem. Segundo pessoas ouvidas, o foco do governo, no momento, é na atuação do comitê interministerial.
O Estadão/Broadcast apurou que o governo acredita não ser o momento de falar em mais prazo e em uma redução da tarifa sem nem ao menos ouvir o impacto sobre os diferentes setores econômicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é presença garantida nas reuniões do comitê interministerial com os empresários e representantes do setor produtivo. O vice-presidente Geraldo Alckmin será o responsável por liderar os trabalhos do grupo. A presença de Lula em algumas conversas, porém, não está descartada.
Pessoas ouvidas pela reportagem disseram, ainda, que o decreto de regulamentação da lei da reciprocidade econômica está em elaboração na Casa Civil e será publicado no Diário Oficial da União até esta terça-feira, 15. Há a possibilidade, ainda, de o ato presidencial ser divulgado, em edição extra do Diário Oficial.
Governo defenderá decreto do IOF no STF
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, declarou na segunda-feira (14), que o governo não levará uma proposta alternativa ao decreto do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) porque o texto original já é o que o Poder Executivo defende. “Na posição do governo, o decreto está regular e o governo pediu que o STF se manifeste. Então, não tem proposta alternativa”, disse a jornalistas.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), convocou para terça-feira (15) a audiência de conciliação sobre o aumento do IOF. O encontro, no plenário de audiência da Corte, em Brasília, tentará resolver o embate entre o governo Lula e o Congresso Nacional sobre a validade do decreto que elevou o tributo.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), diz que o governo está muito confiante na constitucionalidade de editar esse decreto. “A gente tem muita certeza sobre o direito do governo em editar decreto, e sobre a própria lei 8.894, que é a lei sobre o IOF, que diz que pode ser usada na política fiscal e monetária. Inclusive, pode ajudar na arrecadação”, declarou.
Ainda segundo o líder, há uma tendência de o governo fazer algumas mudanças pontuais para azeitar a relação com o Congresso. Caso isso aconteça, o decreto que fica valendo é o que os Poderes chegaram a um acordo.
Foto: Valter Campanato-Agência Brasil
Tribuna do Norte
