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07 jan

Lula sanciona lei que proíbe descontos automáticos em benefícios do INSS

Lula sanciona lei que proíbe descontos automáticos em benefícios do INSS

presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, com vetos, a lei que proíbe descontos automáticos em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida, que busca reduzir fraudes e práticas abusivas, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (7).

Até então, a legislação permitia o desconto de mensalidades pagas a associações, sindicatos e outras entidades de aposentados e pensionistas, desde que autorizado pelo filiado. A lei revoga esse ponto da Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social, proibindo os descontos mesmo com a autorização expressa do beneficiário.

Segundo a portaria, o INSS deverá realizar busca ativa para localizar e identificar de forma proativa os beneficiários lesados em decorrência de descontos indevidos. Para isso, pode levar em conta auditorias realizadas por órgãos públicos ou reclamações, denúncias, ações judiciais e solicitações de exclusão de descontos indevidos.

Em caso de desconto indevido, a associação ou a instituição financeira deverá devolver o valor integral ao beneficiário em até 30 dias. Se isso não ocorrer, o INSS deverá ressarcir a vítima e cobrar na Justiça o valor devido pela entidade ou pelo banco responsável pelo desconto.

Além de proibir os descontos automáticos, o texto endurece as regras para empréstimos consignados. A partir da nova lei, a contratação poderá ocorrer somente com autenticação biométrica ou assinatura eletrônica qualificada, dispensando o acordo por telefone. Após a contratação, o benefício será bloqueado para novas operações, exigido novo procedimento de desbloqueio.

De acordo com o governo, as mudanças visam encerrar uma prática que abriu brechas para práticas abusivas e causou prejuízos a milhares de idosos. Isso porque o desconto automático, muitas vezes autorizado de forma genérica ou sem clareza, abre espaço para fraude.

Em 2025, por exemplo, a Polícia Federal descobriu um esquema de descontos indevidos por parte de entidades nos pagamentos de aposentados e pensionistas do INSS. As fraudes aconteceram entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões.

A revelação resultou no afastamento de cinco servidores públicos suspeitos de participarem no esquema, bem como na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Outro que deixou o cargo foi o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), pressionado pela oposição.

Em meio ao cenário, parlamentares abriram uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso e responsabilizar aqueles que participaram do esquema. Segundo as investigações, o crime se desenrolava em três escalões: operadores que movimentavam o dinheiro, servidores que corrompiam o sistema e políticos que indicavam e protegiam esses desvios.

sbt

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