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22 jun

Anvisa revoga parte da suspensão e libera produtos da Ypê fabricados em 2026; veja quais

Anvisa revoga parte da suspensão e libera produtos da Ypê fabricados em 2026; veja quais

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reduziu o alcance da suspensão aplicada a produtos da marca Ypê e passou a restringir a medida apenas a determinados lotes de detergentes, desinfetantes e lava-roupas fabricados em períodos específicos. A alteração foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (22).

De acordo com a Anvisa, a mudança foi baseada na análise de novos documentos e resultados de testes laboratoriais apresentados pela Química Amparo, fabricante da marca Ypê.

Com a nova decisão, os produtos fabricados em 2026 que apresentaram resultados considerados satisfatórios foram liberados para comercialização. Permanecem suspensos apenas os lotes identificados durante a investigação conduzida pela agência.

Segundo a Anvisa, continuam proibidos para comercialização, distribuição e uso os detergentes lava-louças Ypê e os desinfetantes Bak e Pinho Ypê com lotes terminados em “1” fabricados até 31 de dezembro de 2025. No caso dos lava-roupas líquidos Tixan Ypê, a restrição abrange os lotes terminados em “1” produzidos até 31 de março de 2026.

A suspensão original foi determinada após uma inspeção conjunta realizada pela Anvisa, pelo governo do estado de São Paulo e pela prefeitura de Amparo (SP), município onde está localizada a fábrica da Química Amparo.

Conforme as resoluções publicadas nesta segunda-feira, os testes realizados nos produtos fabricados entre janeiro e fevereiro de 2026 apresentaram resultados satisfatórios no caso dos detergentes e desinfetantes, o que levou à liberação desses itens. Já a manutenção da restrição para os lava-roupas líquidos Tixan Ypê até março de 2026 está relacionada às medidas previstas em um plano de gerenciamento e mitigação de riscos apresentado pela fabricante.

Produtos que seguem sob restrição

Continuam sujeitos à suspensão:

  • Lava-louças Ypê com lotes terminados em “1” fabricados até 31 de dezembro de 2025;
  • Desinfetantes Bak e Pinho Ypê com lotes terminados em “1” fabricados até 31 de dezembro de 2025;
  • Lava-roupas líquidos Tixan Ypê com lotes terminados em “1” produzidos até 31 de março de 2026.

No caso dos lava-roupas, a medida também prevê o recolhimento voluntário dos produtos abrangidos pela decisão.

A Anvisa orienta os consumidores a verificarem o número do lote impresso nas embalagens. Os produtos fabricados em 2026 que não se enquadram nas restrições podem continuar sendo comercializados normalmente, enquanto os lotes ainda abrangidos pela medida permanecem proibidos até nova manifestação da agência.

Com informações de Tribuna do Norte

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22 jun

Saiba quem são os 12 pré-candidatos à Presidência da República nas eleições 2026

Saiba quem são os 12 pré-candidatos à Presidência da República nas eleições 2026

Com a aproximação das eleições presidenciais, partidos e lideranças políticas começam a consolidar seus projetos para a disputa pelo Palácio do Planalto. Atualmente, há 12 pré-candidatos apontados pelos partidos e outro que busca sua candidatura em uma disputa em sua legenda. Contudo, os nomes que vão de fato disputar o comando do País só serão oficializados após as convenções partidárias, que se iniciam em 20 de julho. O prazo de registro de candidaturas vai até 15 de agosto, véspera do início da campanha eleitoral.

A seguir, confira quem são os cotados pelos partidos para a disputa à Presidência da República, suas trajetórias políticas, formação e histórico na vida pública.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é pré-candidato à reeleição em 2026 pelo PT. Nascido em Garanhuns (PE), migrou com sua família para São Paulo ainda na infância. Na cidade, tornou-se metalúrgico e líder sindical, tendo papel central nas greves de 1978 a 1980 no ABC paulista.

Lula foi uma das principais figuras na criação do PT durante a redemocratização, mantendo-se na sigla até o momento. Após perder as eleições de 1989, 1994 e 1998, foi eleito presidente da República e governou o País de 2003 a 2010. Novamente eleito em 2022, exerce seu terceiro mandato no Executivo até o final de 2026.

Em 2018, no âmbito da operação Lava-Jato, o atual presidente foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Chegou a ficar preso por 580 dias O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou, em 2021, todas as condenações de Lula por considerar parcialidade no processo, permitindo que ele voltasse à vida pública, fosse eleito e, agora, concorresse a um quarto mandato.

Flávio Bolsonaro (PL)

Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Nantes Bolsonaro é atualmente senador da República pelo Rio de Janeiro. O Partido Liberal (PL), sigla do político, o escolheu como pré-candidato após o pai se tornar inelegível pela condenação do golpe de 8 de janeiro e indicar o nome do filho.

Flávio foi deputado estadual do Rio de 2003 a 2019, sendo eleito 4 vezes para o cargo. Em 2014, foi o terceiro deputado estadual mais votado, com 160.359 votos. Já em 2018, Flávio foi eleito para o Senado com 4.380.418 votos, o equivalente a 31,36% dos votos válidos.

Flávio perdeu alguns pontos nas últimas pesquisas após ter áudios vazados expondo sua negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Augusto Cury (Avante)

Augusto Jorge Cury é psiquiatra, professor e escritor, conhecido principalmente por seus livros de autoajuda e o romance O Vendedor de Sonhos, best-seller que chegou a ser adaptado ao cinema.

Nascido em Colina (SP), ele lançou sua pré-candidatura pelo Avante no começo de 2026, com discurso antipolarização, embora afirmando dialogar com políticos de centro e centro-direita, como Gilberto Kassab, Michel Temer e Aécio Neves.

Cabo Daciolo (Mobiliza)

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, conhecido como Cabo Daciolo, é um bombeiro militar da reserva, pastor evangélico e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Daciolo concorreu a deputado pela primeira vez em 2006, não tendo sido eleito. Em 2008, também perdeu a disputa para vereador da cidade do Rio. Sua única vitória eleitoral foi em 2014, para uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Durante seu mandato, de 2015 a 2019, Daciolo foi expulso do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e trocou de filiação 6 vezes.

Daciolo ficou nacionalmente conhecido em 2018 por ter sido candidato à presidência, obtendo 1.348.323 votos (1,26%). Em 2022, concorreu a senador pelo PDT no Rio de Janeiro, obtendo 3,49% dos votos.

Edmilson Costa (PCB)

O atual Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Edmilson Silva Costa, é doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor do curso de Direito da Universidade Nove de Julho (Uninove).

Membro do partido desde 1970, foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2008, obtendo 4.300 (0,07%) votos. Nas eleições de 2010, foi candidato à Vice-Presidência do Brasil na chapa de Ivan Pinheiro. Os dois conquistaram 39.136 (0,04%) votos.

Hertz Dias (PSTU)

Hertz da Conceição Dias é professor na rede pública estadual e municipal do Maranhão, também atuando na música como rapper e militante do Movimento Negro.

Em 2022, ele concorreu ao governo do Maranhão pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e obteve 5.191 (0,15%) votos. Neste ano sai como pré-candidato à presidência pelo mesmo partido.

Renan Santos (Missão)

Renan Antônio Ferreira dos Santos é conhecido por ser um dos fundadores e coordenadores do Movimento Brasil Livre (MBL), sendo uma figura relevante nos protestos que derrubaram a ex-presidente Dilma Rousseff em 2014. Ele atua como guitarrista em uma banda de rock e faz lives diárias em seus canais nas redes discutindo política brasileira e internacional.

Renan é um dos seus principais articuladores, responsável pela sua criação em 2025 e primeiro presidente da Missão, partido com origem no MBL. Essa será a primeira vez que o ativista irá concorrer a um cargo eletivo. No espectro político, ele afirma se opor tanto ao bolsonarismo quanto ao petismo. Entre apoiadores, como mostrou o Estadão, ganhou o apelido de “Javier Milei brasileiro”, comparação que vai além do cabelo bagunçado e dos shows de rock, mas pelo estilo intempestivo, com ideias disruptivas.

Romeu Zema (Novo)

Romeu Zema Neto é formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e exerceu a função de presidente do Conselho de Administração do Grupo Zema, fundado pelo seu bisavô, de 1990 a 2016.

Ele concorreu a um cargo político pela primeira vez em 2018, se candidatando ao governo de Minas Gerais, ganhando o pleito com 71,8% de votos válidos no segundo turno. Quatro anos depois, foi reeleito para o mesmo cargo, já no primeiro turno, com 56,18%. Ele deixou o cargo em abril de 2026 para disputar a presidência da República.

Em âmbito nacional, Zema se alinha ao bolsonarismo e repudia o PT. Apesar da proximidade com Jair Bolsonaro, passou a criticar Flávio Bolsonaro após a revelação de áudios do senador com Daniel Vorcaro. Apesar disso, tem enfatizado que os nomes da direita estarão juntos em um segundo turno.

Ronaldo Caiado (PSD)

Ronaldo Ramos Caiado exerceu o cargo de deputado federal por Goiás em cinco mandatos, de 1991 a 1995 e de 1999 a 2015. Tornou-se senador pelo mesmo Estado de 2015 até 2019.

Ronaldo Caiado foi eleito governador de Goiás em 2018, com 59,73% do votos válidos no primeiro turno. Em 2022, foi reeleito com 51,81% dos votos, também no primeiro turno.

Em 2026, disputará sua segunda eleição para presidente. Ele também concorreu ao Palácio do Planalto em 1989, obtendo menos de 1% dos votos e ficando fora do segundo turno, disputado entre Fernando Collor (o vencedor) e Lula.

Caiado é membro de uma das mais poderosas famílias do agronegócio no Estado, com patrimônio declarado de R$ 24.874 436,19. Durante sua vida política, ele defendeu pautas alinhadas ao setor e se manteve próximo do conservadorismo.

Rui Costa Pimenta (PCO)

Rui Costa Pimenta é jornalista e presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), se identificando como comunista e trotskista. Ele é neto do também político João da Costa Pimenta

Rui foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e acabou sendo expulso da sigla em 1995 por divergências políticas, criando no mesmo ano o PCO. Já foi candidato à presidência em 2002, 2010 e 2014.

Samara Martins (UP)

Samara Martins Silva é uma dentista atuante no Sistema Único de Saúde (SUS) e ativista dos movimentos sociais Movimento de Mulheres Olga Benário e a Frente Negra Revolucionária.

Durante seu período na universidade, foi diretora de mulheres na União Nacional dos Estudantes (UNE). Samara foi candidata à vice-presidência da República em 2022 na chapa de Leonardo Péricles, pela Unidade Popular (UP).

Joaquim Barbosa (DC)

Anunciado pelo Democracia Cristã (DC) como pré-candidato à presidência da república, Joaquim Barbosa não tem feito muitas manifestações diretas sobre a candidatura, mas levantou a possibilidade pelas redes sociais. Seu nome está envolvido em um imbróglio judicial dentro do partido após a destituição de Aldo Rebelo (DC) como pré-candidato.

Barbosa é formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e construiu carreira no Ministério Público Federal, onde atuou de 1984 até 2003. Naquele ano, foi nomeado pelo então presidente Lula (PT) como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Enquanto ocupava o cargo, ganhou notoriedade ao ser relator do processo do mensalão, sendo responsável pela condenação de políticos, empresários e dirigentes partidários acusados de participação no esquema. Barbosa se aposentou em 2014, deixando o Tribunal.

Aldo Rebelo (DC*)

Além de Joaquim Barbosa, Aldo Rebelo ainda tenta se viabilizar pelo DC. Contudo, não tem apoio do comando da legenda. Ele chegou a ser expulso do partido, mas conseguiu na Justiça sua reintegração, que ainda será discutida nos tribunais. Aldo foi deputado federal por São Paulo de 1991 até 2015, exercendo cinco mandatos no cargo pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Foi presidente da Câmara entre 2005 e 2007 e, durante os governos Lula e Dilma, foi ministro da Defesa, da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Esporte e de Coordenação Política e Assuntos Institucionais.

*Sem apoio oficial da legenda.

Estadão Conteúdo

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22 jun

Currais Novos recebe Governadora Fátima Bezerra durante agenda de obras e investimentos no Seridó

Currais Novos recebe Governadora Fátima Bezerra durante agenda de obras e investimentos no Seridó

A governadora Fátima Bezerra estará no Seridó nos dias 23 e 24 de junho, cumprindo uma extensa agenda administrativa em Currais Novos, Caicó, Lagoa Nova, Jucurutu e São Rafael. Entre os compromissos estão a inauguração do novo Centro Cirúrgico do Hospital Regional Mariano Coelho, em Currais Novos, visitas a obras habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida e a entrega de importantes trechos rodoviários recuperados pelo Governo do Estado.

Em Caicó, a governadora visitará reformas em escolas estaduais, acompanhará as obras da Ilha de Sant’Ana, entregará os serviços de recuperação do acesso rodoviário ao Distrito de Palma e inspecionará um empreendimento habitacional. No dia 24, a agenda inclui a entrega da recuperação da RN-041, entre Currais Novos e Lagoa Nova, visita às obras da RN-087, inauguração da Central do Cidadão de Jucurutu e a entrega das obras de recuperação da RN-118, em São Rafael, reforçando os investimentos em infraestrutura, educação, saúde e mobilidade na região do Seridó.

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22 jun

Prisão domiciliar de Bolsonaro vence nesta semana; veja quais são os próximos passos

Prisão domiciliar de Bolsonaro vence nesta semana; veja quais são os próximos passos

Ton Molina/STF

prazo de 90 dias estabelecido para a prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidenteJair Bolsonaroacaba nesta semana. Autorizado em 24 de março pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, o benefício temporário expira no próximo dia 25.

Ao conceder a medida em março, o ministro limitou contatos políticos de Bolsonaro, restringindo as visitas a familiares, advogados e médicos. Moraes pode prorrogar a prisão domiciliar do ex-presidente para evitar articulação política antes das eleições.

Com o encerramento do prazo fixado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a defesa do ex-presidente devem se manifestar antes da palavra final de Moraes.

O ministro poderá optar por alguns caminhos principais: a prorrogação do recolhimento domiciliar por igual período, a revogação da medida, mantendo apenas restrições mais brandas, ou o agravamento das sanções.

Moraes também deve exigir uma nova perícia médica oficial para embasar a decisão. A defesa de Bolsonaro já sinalizou que pedirá ao STF a prorrogação do prazo devido à persistência e agravamento de seus problemas de saúde.

Entretanto, a arma encontrada em blitz na semana passada também pode influenciar decisão de Moraes sobre o assunto.

Relatórios médicos semanais enviados ao Supremo apontam que, nos últimos dias, o ex-presidente sofreu uma piora considerável em crises de soluço crônico, necessitando de doses extras de medicamentos que atingiram o limite terapêutico de segurança.

Pena

O ex-presidente cumpre uma condenação de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e comando de organização criminosa.

Antes de receber o direito ao regime domiciliar temporário, ele estava preso no 19° Batalhão da Polícia Militar, ala conhecida como “Papudinha”, localizada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Acontecimentos

Nesses 90 dias, Bolsonaro operou o ombro direito no dia 1º de maio, no Hospital DF Star em Brasília. A cirurgia durou cerca de 5 horas e ocorreu sem complicações.

Em outro momento, pediu autorização para a entrada de técnicos responsáveis pela manutenção de um elevador em sua residência. Dias depois, pediu para receber a funcionária de um cartório e até um cabelereiro.

R7

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22 jun

RN tem R$ 771 milhões em créditos previdenciários travados

RN tem R$ 771 milhões em créditos previdenciários travados

Foto: Magnus Nascimento

O Rio Grande do Norte tem potencial para receber R$ 771,8 milhões da União em créditos de Compensação Previdenciária (COMPREV). Os recursos, porém, seguem travados entre análises do INSS e da Dataprev e pendências documentais acumuladas ao longo de décadas. Segundo o IPERN, cerca de R$ 400 milhões podem ingressar nos cofres estaduais ainda em 2026. Parte dos créditos corre risco de prescrição.

Em nota técnica encaminhada às secretarias estaduais do Planejamento (Seplan) e da Fazenda (Sefaz) em maio deste ano, o instituto destacou que os recursos podem representar um reforço para as finanças estaduais.


Do total identificado, R$ 413,2 milhões correspondem a processos que aguardam análise da Dataprev e do INSS, ainda sem decisão final sobre a liberação dos valores. Outros R$ 358,6 milhões estão classificados em situação de exigência, ou seja, dependem da regularização de documentos e informações para avançar no processo e serem pagos.


Segundo o IPERN, os valores em exigência estão travados por diferentes pendências documentais. Entre elas, a necessidade de comprovar recolhimentos previdenciários realizados há décadas por meio de folhas de pagamento e outros documentos que atestem as contribuições ao INSS.

O órgão estima que cerca de R$ 400 milhões podem ser liberados ainda em 2026, dependendo da resolução das pendências e do andamento das análises no INSS e na Dataprev. “É uma estimativa, tem muita pendência ainda a ser resolvida. Uma das providências que a gente está sugerindo na nota técnica, por exemplo, é a gestão do governo junto ao INSS”, revela o presidente do IPERN, Nereu Linhares.

Segundo Nereu Linhares, RN bateu recorde em recuperação de créditos em 2025| Foto: Magnus Nascimento


A compensação previdenciária funciona como um acerto de contas entre os sistemas de aposentadoria. Se um servidor contribuiu para o INSS e se aposentou pelo Estado, o INSS repassa parte dos recursos ao Estado para ajudar a custear o benefício pago ao aposentado.


De acordo com a legislação que rege a compensação previdenciária, aplica-se o prazo prescricional de cinco anos após o registro de aposentadoria aos valores que não forem pagos ou reclamados no período devido.

O presidente do Ipern, Nereu Linhares, afirma que parte desse valor pode ser perdida por prescrição, já que, em alguns casos, o instituto precisa localizar arquivos históricos ou complementar informações que não foram devidamente publicadas ou preservadas ao longo do tempo.


“Aqueles casos específicos em que não foi encontrada a documentação, em arquivo, por exemplo, óbvio que vai prescrever”, disse o gestor.


Segundo o IPERN, parte das pendências envolve documentos das décadas de 1980 e 1990, o que aumenta o risco de perda de parte dos créditos previdenciários.


De acordo com o presidente do instituto, alguns registros foram extraviados ou descartados ao longo dos anos, dificultando a comprovação das contribuições exigida atualmente pelo sistema de compensação previdenciária. “Muitos arquivos do Estado foram queimados nos anos 90. Muita gente achava que aquela documentação era lixo, que não servia para nada, e a gente tem muita falta hoje disso”, afirmou Nereu Linhares.


O gestor acrescenta ainda que as exigências se tornaram mais rigorosas após a edição de uma portaria federal em 2020, que passou a exigir a chamada “prova inequívoca” das contribuições previdenciárias.


Com isso, o Estado precisa buscar folhas de pagamento antigas e outros documentos para demonstrar que os recolhimentos foram efetivamente realizados e repassados ao INSS.


O órgão também cita a dependência de outros entes, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e secretarias administrativas, para validação de registros e documentos, o que adiciona etapas ao fluxo de análise.


O presidente do IPERN também atribui parte da demora à limitação do quadro de servidores públicos responsáveis pela análise e recuperação dos documentos necessários à compensação previdenciária. “A gente sabe as limitações que tem o Estado de servidores. O contingente de servidores é muito reduzido em todos os órgãos”, afirmou Nereu Linhares.


Em relação aos processos que aguardam análise, o IPERN denuncia a capacidade operacional do sistema nacional de compensação previdenciária. Segundo o instituto, o INSS e a Dataprev recebem pedidos dos regimes próprios de previdência em todo o país, o que resulta em uma grande demanda de análise.


Ele destaca que os processos não estão parados, mas seguem o fluxo regular de tramitação e são analisados conforme a capacidade dos sistemas federais responsáveis pela compensação.


Segundo Linhares, o trabalho para recuperar os créditos previdenciários faz parte de uma força-tarefa permanente envolvendo o IPERN e outros órgãos do Estado. “Essa nota técnica que a gente fez foi para reforçar, para lembrar que existem recursos importantes a serem recuperados e que é preciso manter esse esforço conjunto”, afirmou.

RN recebeu R$ 115 milhões do INSS em 2025

Segundo dados do IPERN, o Rio Grande do Norte recebeu R$ 115 milhões em compensação financeira em 2025, o maior volume arrecadado pelo Estado nos últimos anos. O valor inclui todos os recursos que são repassados pelo INSS para ressarcir o Estado, incluindo Compensação Tributária e Previdenciária.


Apesar do resultado recorde, Nereu Linhares afirma que o valor não foi suficiente para cobrir sequer um mês do déficit financeiro do regime previdenciário estadual. “O valor recebido do INSS em um ano não deu para cobrir sequer o déficit financeiro de um mês da gente. Nesse ano, a gente fechou com um déficit financeiro de 147 milhões de reais”, disse.


A arrecadação proveniente da compensação financeira totalizou R$ 549,9 milhões entre 2018 e 2025, de acordo com dados do instituto.


O maior volume anual da série foi registrado em 2025, quando ingressaram R$ 115 milhões, o equivalente a 20,9% de todo o montante arrecadado no período analisado.


O menor valor foi registrado em 2020, quando a arrecadação somou R$ 35,7 milhões. Segundo o IPERN, naquele período houve aumento das exigências documentais para validação dos processos, o que impactou o ritmo de liberação dos recursos.


Os dados apontam uma recuperação gradual da arrecadação a partir de 2021, com crescimento mais expressivo em 2024 e 2025.

Demora revela dificuldades fiscais

Para o economista e especialista em Desenvolvimento Econômico, Thales Penha, a demora na recuperação desses recursos evidencia as dificuldades fiscais enfrentadas pelo Estado.


Segundo ele, o atraso nos repasses está relacionado ao cenário de restrição orçamentária que há anos afeta as contas públicas do Rio Grande do Norte. “É como um cobertor curto. Para manter determinadas obrigações em dia, outras acabam sendo postergadas”, afirmou.


De acordo com o especialista, a compensação previdenciária representa uma obrigação financeira vinculada ao regime próprio de previdência dos servidores públicos. Os recursos funcionam como uma contrapartida patronal destinada ao fundo que custeia aposentadorias e pensões.


Na avaliação de Penha, a demora na recuperação desses valores reflete um problema estrutural das finanças estaduais, marcado pela dificuldade de equilibrar despesas obrigatórias e compromissos de longo prazo. “Para manter salários em dia, acabam sendo adiadas outras obrigações, seja com fornecedores, seja com repasses para fundos. É um problema grave que o Rio Grande do Norte enfrenta há pelo menos duas décadas”, destacou.


O especialista alerta, ainda, que a eventual perda desses créditos por prescrição pode agravar o déficit previdenciário do Estado.


Em sua avaliação, a não recuperação dos valores amplia a necessidade de aportes do Tesouro Estadual para cobrir despesas do regime próprio de previdência, reduzindo a capacidade financeira do governo em outras frentes. “Vai aumentar ainda mais a necessidade de transferência de recursos para o regime próprio”, destacou.


Penha explica que o fundo previdenciário do Estado já opera há anos em situação deficitária, exigindo complementações frequentes do orçamento estadual para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões.


Caso parte dos créditos deixe de ser recuperada, o governo terá de direcionar ainda mais recursos do orçamento ordinário para compensar essa insuficiência. “O Estado precisa retirar dinheiro que poderia ser utilizado em despesas correntes e transferi-lo para cobrir o déficit previdenciário. A perda desses créditos amplia essa pressão sobre as contas públicas”, afirmou.

Ananda Miranda
Repórter

Tribuna do Norte

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