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05 jun

Em 10 anos, SUS atendeu 457 mil pacientes com mesmo tipo de câncer que Lula

Em 10 anos, SUS atendeu 457 mil pacientes com mesmo tipo de câncer que Lula

Ricardo Stuckert / PR 

Nos últimos dez anos, o SUS atendeu 457.277 casos classificados com o mesmo CID do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — “neoplasias malignas da pele”. Ele iniciou radioterapia preventiva no fim do mês passado após retirar uma lesão basocelular do couro cabeludo.

Os dados levantados pelo R7 Planalto na plataforma do DataSUS, vinculada ao Ministério da Saúde, no entanto, demonstram lacuna nas informações: 71% dos casos não detalham o tempo de espera para o tratamento do câncer de pele.

Dos casos em que há detalhamento, cerca de seis em cada dez pacientes conseguem iniciar o tratamento em até 30 dias, conforme previsto em legislação (67,3%). Segundo os dados do painel de monitoramento consultados pela coluna, 85 mil pessoas iniciaram o tratamento no mesmo dia do diagnóstico.

Outros 24,7% — cerca de 32.320 pacientes ao longo do período —, no entanto, tiveram que esperar mais de 60 dias para iniciar a intervenção adequada. Desses, quase cinco mil (4.996) iniciaram uma intervenção médica dois anos depois do diagnóstico.

Questionado sobre os casos em que o tempo de espera ultrapassa 30 dias, o Ministério da Saúde disse que “o agendamento e a gestão das filas são responsabilidade de estados e municípios”.

“Ao governo federal cabe definir políticas e diretrizes nacionais, além de repassar recursos para financiar a assistência”, informou.

R7

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05 jun

Decisão do STF sobre aposentadoria especial tensiona Congresso e ameaça metas

Decisão do STF sobre aposentadoria especial tensiona Congresso e ameaça metas

Elza Fiúza/Agência Brasil – Arquivo

Analistas ouvidos pelo R7 veem STF como ‘ator permanente’ em reformas e alertam para impacto de R$ 497 bilhões

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de derrubar a idade mínima para a aposentadoria especial deve tensionar a relação com o Congresso Nacional e dificultar o cumprimento das metas fiscais, segundo analistas ouvidos pelo R7. Especialistas avaliam que o julgamento altera uma regra central da Reforma da Previdência, transformando o Judiciário em um ator permanente na definição de políticas públicas.

O cientista político Gabriel Amaral afirma que a decisão evidencia que as reformas estruturais não se encerram na votação parlamentar. Para ele, o processo de formulação de políticas tornou-se compartilhado, onde a estabilidade das leis passa a depender tanto do Congresso quanto do aval do Supremo.

“A Reforma da Previdência foi aprovada pelo Congresso após uma ampla coalizão política construída em torno da necessidade de ajuste fiscal, mas o STF manteve para si a prerrogativa de definir os limites constitucionais de sua implementação. O resultado demonstra que reformas estruturais não se encerram no momento da votação parlamentar, permanecendo sujeitas a revisões interpretativas ao longo do tempo”, explica.

Segundo ele, do ponto de vista institucional, o julgamento reforça a percepção de que o Supremo exerce papel cada vez mais relevante na definição dos contornos finais das grandes reformas nacionais.

“Isso não representa necessariamente uma ruptura entre os Poderes, mas evidencia um modelo de governança no qual a estabilidade das políticas públicas depende simultaneamente da maioria política construída no Congresso e da legitimidade constitucional reconhecida pelo Judiciário”, acrescenta.

O advogado constitucionalista Daniel Ângelo Luiz da Silva avalia que a derrubada da idade mínima tensiona a relação entre os Poderes, uma vez que a regra havia sido fruto de “amplo debate político no Congresso Nacional”.

Segundo ele, do ponto de vista constitucional, o STF atua como guardião da Constituição e, por isso, possui competência para exercer o controle de constitucionalidade inclusive sobre emendas constitucionais, quando há possível violação de cláusulas pétreas, como os direitos fundamentais.

“Nesse contexto, a Corte pode entender que determinadas restrições impostas à aposentadoria especial comprometem a proteção à saúde e à dignidade do trabalhador submetido a condições nocivas”, ressalta.

Por outro lado, o advogado ressalta que a decisão também pode ser interpretada como um avanço sobre a esfera de atuação do Legislativo. “Há uma leitura crítica de que a decisão representa interferência em uma política pública complexa e de elevado impacto orçamentário. Isso reabre o debate sobre os limites do chamado ativismo judicial.”

Segundo ele, o julgamento também tende a fortalecer pressões corporativas e setoriais por novas revisões das regras previdenciárias, ampliando a judicialização do tema. “No plano fiscal, o impacto bilionário potencial pode afetar a credibilidade do país perante investidores e dificultar o cumprimento das metas de resultado primário, especialmente em um cenário de rigidez orçamentária”, acrescenta.

Reflexos da decisão

Para Amaral, o principal efeito político da decisão é reacender a tensão entre proteção social e sustentabilidade fiscal. “A Reforma da Previdência de 2019 foi construída sob o argumento de que o envelhecimento populacional exigia mecanismos de contenção das despesas obrigatórias. Quando uma decisão judicial altera parte dessa arquitetura, o debate deixa de ser exclusivamente jurídico e passa a produzir efeitos sobre as expectativas de investidores, formuladores de política econômica e agentes políticos”, afirma.

Segundo ele, o desafio do governo não está na autoria da decisão, mas na administração de seus efeitos.

“A tendência é que o tema seja incorporado ao debate mais amplo sobre trajetória da dívida pública, crescimento das despesas previdenciárias e necessidade de preservação do arcabouço fiscal. Ao mesmo tempo, a decisão possui forte legitimidade social por envolver trabalhadores submetidos a atividades de risco. Essa dupla dimensão transforma o tema em um dos exemplos mais claros da disputa permanente entre racionalidade fiscal e proteção de direitos no Brasil contemporâneo”, avalia.

Na mesma linha, Daniel Ângelo afirma que a decisão pode gerar desgaste para o governo federal caso resulte em aumento expressivo das despesas previdenciárias. “A Reforma da Previdência foi estruturada justamente para conter o crescimento do gasto público, e qualquer flexibilização relevante pode comprometer as projeções fiscais”, diz.

Racha na Corte

Por seis votos a cinco, o STF declarou inconstitucional a exigência de idade mínima para a aposentadoria especial de trabalhadores expostos a agentes nocivos. A maioria seguiu o voto do ministro André Mendonça, que considerou a regra prejudicial à saúde por obrigar o trabalhador a permanecer mais tempo em atividades de risco.

O relator, Luís Roberto Barroso, votou pela manutenção da regra, mas foi vencido.

Para Gabriel Amaral, o placar apertado revela que a divergência ultrapassa a discussão sobre aposentadoria especial e alcança diferentes concepções de Estado presentes dentro da própria Corte. “Os votos refletem distintas interpretações sobre a relação entre direitos fundamentais, equilíbrio atuarial e respeito às escolhas realizadas pelo legislador constituinte derivado durante a Reforma da Previdência”, afirma.

Segundo ele, mais do que uma divisão circunstancial, o julgamento evidencia correntes jurídicas que atribuem pesos distintos à proteção social e à preservação das regras de sustentabilidade fiscal aprovadas pelo Congresso.

“O julgamento sinaliza que futuras controvérsias envolvendo reformas estruturais continuarão encontrando no STF um espaço de disputa interpretativa sofisticada e longe de consensos automáticos”, diz.

Para Daniel Ângelo, o resultado demonstra uma Corte dividida sobre o papel do STF em temas de alta complexidade econômica e social.“De um lado, estão ministros que defendem uma atuação mais protetiva dos direitos fundamentais, mesmo que isso implique rever escolhas legislativas. De outro, ministros que adotam postura mais deferente ao Legislativo, especialmente em matérias técnicas como a Previdência”, afirma.

Sistema previdenciário

Gabriel Amaral avalia que o aspecto mais relevante não é o impacto isolado da decisão, mas o efeito acumulado de eventuais revisões judiciais sobre outros dispositivos da reforma. “Caso se consolide um conjunto de decisões capaz de alterar significativamente as projeções atuariais do sistema, o debate sobre novos ajustes previdenciários retornará naturalmente à agenda política. A Previdência permanece sendo uma das poucas áreas em que questões jurídicas, fiscais, demográficas e eleitorais convergem simultaneamente”, afirma.

Daniel Ângelo acredita que o cenário pode estimular a busca por soluções intermediárias, como critérios mais rigorosos para caracterização da atividade especial ou mecanismos compensatórios.

“Em síntese, a decisão do STF não se esgota no plano jurídico. Ela projeta efeitos relevantes sobre o equilíbrio entre os Poderes, a sustentabilidade fiscal e a dinâmica institucional do país, exigindo resposta coordenada e responsável dos atores políticos”, conclui.

R7

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05 jun

Inscrições para o Enem 2026 terminam nesta sexta-feira

Inscrições para o Enem 2026 terminam nesta sexta-feira

Processo deve ser feito na Página do Participante, no portal do Inep; exame será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro

O prazo de inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2026 termina nesta sexta-feira (5). Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, na Página do Participante, no portal do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

O prazo vale também para os candidatos que querem pedir o tratamento pelo nome social em todas as fases do exame. A medida é destinada às pessoas que desejam ser reconhecidas socialmente pela sua identidade de gênero.

Pedido de atendimento

Os participantes que necessitam de atendimento especializado devem fazer a solicitação no momento da inscrição. Neste ano, o Inep incluiu no edital do Enem novas condições de pessoas com transtornos mentais, como ansiedade e TOC.

Outras condições específicas dos candidatos para pedir o atendimento especializado são: baixa visão, cegueira, deficiência física, auditiva, intelectual, dislexia, TEA (transtorno do espectro autista), gestantes, lactantes, diabéticos, idosos e estudantes em classe hospitalar, portadores de fibromialgia.

Taxa de inscrição

Após a inscrição, o sistema do Enem vai gerar a GRU (Guia de Recolhimento da União) no valor de R$ 85. O pagamento da taxa de inscrição deve ser feito entre 25 de maio e 10 de junho.

As opções de pagamento são via Pix, cartão de crédito, débito ou boleto. A quitação poderá ser feita em qualquer banco, casa lotérica ou aplicativos bancários. A inscrição somente será confirmada após o processamento do pagamento da taxa de inscrição.

Para os estudantes que concluíram o ensino médio em escolas públicas, a inscrição é automática. No entanto, estudantes isentos precisam confirmar sua participação no sistema de inscrição, escolher a opção de prova de língua estrangeira (inglês ou espanhol) e indicar, se for o caso, a necessidade de recursos de acessibilidade ou se desejam ser tratados pelo nome social.

O Inep lembra que deverá se inscrever o candidato que teve seu pedido de isenção negado em definitivo ou que teve a justificativa de ausência reprovada — conforme as regras do edital do exame. Para ter a inscrição confirmada, eles devem pagar o valor da taxa.

Mais locais de provas

Neste ano, a aplicação das provas do Enem está agendada para os domingos 8 e 15 de novembro. Nesta edição, o Inep quer ampliar o número de locais de aplicação do exame para cerca de 10 mil em todo o país.

De acordo com estimativas do Inep, aproximadamente 80% dos concluintes da rede pública devem fazer as provas dos dois dias do Enem na própria escola em que estudam. A medida tem o objetivo de facilitar o acesso ao exame e reduzir deslocamentos.

Para os estudantes que precisarem realizar a prova em outro município, o MEC divulgou que também estuda alternativas de apoio logístico para transporte intermunicipal.

Enem

O Enem, que avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica, é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), o Prouni (Programa Universidade para Todos) e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.

Desde a edição de 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão dessa etapa de ensino para os candidatos com 18 anos de idade completos e que também alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento nas provas e na redação.

Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições portuguesas que têm convênio com o Inep. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.

R7

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05 jun

Economia brasileira vive cenário de “equilíbrio precário”, avalia IFI – Cópia

Economia brasileira vive cenário de “equilíbrio precário”, avalia IFI – Cópia

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A economia brasileira vive um cenário de “equilíbrio precário”, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal. A avaliação consta no mais recente Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), divulgado pela entidade na última quinta-feira (21). 

Segundo a IFI, o atual arcabouço fiscal continua se sustentando porque o governo consegue cumprir as metas por meio do uso de descontos legais previstos na legislação — mecanismos que permitem excluir determinadas despesas do cálculo oficial do resultado primário. 

Além disso, o cumprimento das metas também é favorecido pelo uso da banda de tolerância em torno do centro da meta fiscal. Na prática, isso significa que, mesmo sem atingir exatamente o objetivo de déficit zero, o governo ainda pode ser considerado dentro da meta caso permaneça nos limites permitidos pela regra fiscal. 

Apesar disso, a IFI alerta que os déficits primários efetivos seguem recorrentes. Em outras palavras, o governo continua gastando mais do que arrecada nas despesas primárias, enquanto a dívida pública mantém trajetória preocupante de crescimento

O relatório também destaca que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e derivados abriram espaço para medidas mitigadoras, renúncias fiscais e concessão de subvenções. Segundo a entidade, esse cenário também favoreceu discussões como o fim da “taxa das blusinhas” e contribuiu para a formação de uma margem de segurança para o cumprimento das metas fiscais de 2026

Para os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, a proximidade do período eleitoral reduz a possibilidade de medidas mais profundas de ajuste fiscal

“Além da votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (PLDO 2027) e da Lei Orçamentária Anual (LOA 2027), teremos apenas decisões inevitáveis, como a regulamentação do Imposto Seletivo (IS), que substituirá, no próximo ano, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme previsto na Reforma Tributária”, afirmam os diretores. 

Segundo eles, a reestruturação fiscal e orçamentária mais ampla deverá ficar para o próximo mandato presidencial

Previdência segue como ponto de pressão

Mesmo após a reforma estrutural de 2019, as despesas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) voltaram a crescer em termos reais depois de 2021. De acordo com o RAF, os gastos previdenciários corresponderam, em 2025, a 8,1% do PIB e a 42,9% das despesas primárias totais da União. 

O relatório aponta que o aumento do número de aposentadorias urbanas e rurais, além da expansão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária, reforça a pressão estrutural sobre as contas públicas

Para a IFI, diante do envelhecimento populacional e do peso crescente da Previdência no orçamento, o tema continuará no centro do debate fiscal nos próximos anos. 

Lei de Diretrizes Orçamentárias 2027

O RAF também analisa o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que deve ser votado pelo Congresso até 17 de julho de 2026. A IFI avaliou os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo para embasar a proposta, como projeções de crescimento do PIB, inflação, taxa Selic, câmbio, arrecadação e desemprego

A entidade também examinou as projeções fiscais derivadas dessas estimativas, incluindo receitas, despesas, resultado primário e trajetória da dívida pública

Segundo a IFI, o cenário se torna cada vez mais desafiador diante das metas previstas para o resultado primário: 

  • 0,5% do PIB em 2027;
  • 1,0% em 2028;
  • 1,25% em 2029;
  • 1,5% em 2030.

“Inevitável assinalar que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo e que fundamentam os números presentes no PLDO 2027 são extremamente mais otimistas que os utilizados pela IFI”, ressaltam Pestana e Andrade. 

Os diretores acrescentam que as divergências nas projeções para inflação, crescimento econômico, juros e câmbio produzem diferenças relevantes nas estimativas de arrecadação, despesas, resultado primário e evolução da dívida pública nos próximos anos. 

O relatório completo pode ser consultado no portal da Instituição Fiscal Independente.

Fonte: Brasil 61

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Lojão do Real
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05 jun

Brasileiros apoiam a sustentabilidade, mas ainda resistem a comprar produtos reciclados

Brasileiros apoiam a sustentabilidade, mas ainda resistem a comprar produtos reciclados

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar de apoiarem modelos de produção e consumo sustentáveis, muitos brasileiros ainda demonstram resistência na hora de comprar produtos reciclados. É o que aponta uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a percepção da população em relação à economia circular — modelo que prioriza a reutilização, o reparo e a reciclagem de materiais

O levantamento mostra que, embora 72% da população veja de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, 43% afirmam evitar adquirir produtos reciclados, independentemente do preço. 

Entre as principais razões para essa resistência, 34% dizem preferir produtos novos e 30% relatam dúvidas sobre a qualidade e a durabilidade dos itens reciclados. 

Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, transformar a boa percepção sobre sustentabilidade em decisões efetivas de compra passa por superar barreiras relacionadas à confiança e ao custo dos produtos

“Sabemos que quando os produtos reciclados têm preços competitivos, qualidade comprovada e uma comunicação efetiva e clara sobre os seus benefícios, a tendência é que a intenção positiva se converta em decisão de compra. Existe, dessa forma, uma propensão maior ao consumidor adquirir esse produto reciclado”, afirma.

Consumo consciente ainda enfrenta falta de informação

Segundo Bomtempo, o avanço da economia circular depende de uma transformação sistêmica que envolva toda a cadeia produtiva, além de ações de informação e conscientização da população. 

Dados da pesquisa revelam que apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito de economia circular. Além disso, 60% acreditam que a principal responsabilidade por evitar a contaminação ambiental causada por produtos é das prefeituras. Apenas 14% atribuem esse papel à indústria, enquanto 12% apontam o governo federal

Na avaliação do especialista, a comunicação das empresas precisa orientar melhor os consumidores sobre o destino correto dos produtos após o uso. Isso porque 53% dos entrevistados afirmam não realizar o descarte adequado justamente por não saberem como fazê-lo. 

“É um trabalho de educação, com o objetivo de quebrar o ciclo de desinformação, que acaba gerando baixa demanda e desconfiança sobre a qualidade dos materiais reciclados”, destaca.

Apesar dos desafios, algumas práticas associadas à economia circular já fazem parte da rotina dos brasileiros. O estudo aponta que 58% dos entrevistados costumam consertar produtos antes de substituí-los. Entre eles, metade adota essa prática principalmente para economizar dinheiro, enquanto apenas 10% citam a preocupação ambiental como principal motivação. 

Marco regulatório é visto como peça-chave

Para a CNI, a consolidação da economia circular também depende de um ambiente regulatório capaz de oferecer segurança jurídica e incentivar investimentos em inovação e sustentabilidade

Nesse contexto, a entidade defende a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1.874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Segundo a confederação, a proposta pode ampliar a competitividade da indústria brasileira, estimular investimentos e fortalecer práticas sustentáveis de produção e consumo

Segundo Bomtempo, o texto prevê instrumentos que ajudam a enfrentar obstáculos identificados pela própria pesquisa, como a falta de tecnologias e as altas taxas de juros.

“O PL traz alguns instrumentos — como, por exemplo, o financiamento à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e o estímulo às compras públicas sustentáveis — e amplia a demanda por produtos circulares, além de incorporar ações de educação para o consumo sustentável”, afirma.

Segundo ele, o projeto foi construído com ampla participação do setor produtivo e incorporou discussões que serviram de base para a elaboração da norma internacional ISO sobre economia circular, reunindo contribuições de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Atualmente, o PL 1.874/2022 aguarda análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal

Fonte: Brasil 61

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