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04 nov

SUS terá histórico clínico integrado e ampliação de serviços digitais

SUS terá histórico clínico integrado e ampliação de serviços digitais

O atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) deve avançar na integração de informações dos pacientes e na oferta de serviços digitais com a instituição da Política Nacional de Informação e Saúde Digital (PNISD). Anunciada pelo Ministério da Saúde em 29 de outubro, a medida estabelece diretrizes para ampliar o uso da tecnologia na rede pública, fortalecer a telessaúde e facilitar o acesso da população aos serviços de saúde.

A política foi instituída pela Portaria GM/MS nº 12.301, de 27 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 28 de outubro. Entre os principais eixos estão a unificação do histórico clínico dos pacientes, o uso prioritário do CPFcomo identificador nos sistemas de informação em saúde e o fortalecimento da proteção de dados pessoais.

Na prática, a proposta é permitir que as informações de saúde acompanhemo cidadão ao longo de sua jornada de atendimento. A integração dos registros deve contribuir para a continuidade do cuidado e facilitar a comunicação entre os diferentes serviços da rede pública.

Outro ponto previsto é a ampliação da telessaúde, modalidade que utiliza tecnologias digitais para oferecer serviços e apoiar o atendimento em saúde a distância. A iniciativa busca reduzir barreiras de acesso, especialmente em regiões com dificuldades de infraestrutura ou oferta de profissionais especializados.

CPF e proteção de dados

A nova política estabelece o CPF como identificador prioritário dos usuários nos sistemas de informação em saúde. A medida integra a estratégia de organização e interoperabilidade dos dados do SUS, permitindo que diferentes sistemas compartilhem informações de maneira mais integrada.

A proteção dos dados pessoais também está entre os princípios da Política Nacional de Informação e Saúde Digital. O documento prevê o uso seguro e responsável das tecnologias, além da soberania digital, que envolve o fortalecimento da capacidade nacional de desenvolver, administrar e proteger as próprias estruturas e informações digitais.

Serviços digitais já estão em funcionamento

A instituição da política não representa o início da digitalização do SUS, mas a consolidação de iniciativas que já estão em andamento. Entre elas está o Meu SUS Digital, que ampliou os serviços e as funcionalidades disponíveis diretamente à população.

Segundo o Ministério da Saúde, a plataforma incorporou mais de 30 novas funcionalidades. A telessaúde também avançou: o SUS conta com 63 Núcleos de Telessaúde distribuídos pelas 27 unidades da Federação e já registrou mais de 12 milhões de atendimentos entre janeiro de 2025 e outubro de 2026.

A transformação digital também integra o programa Agora Tem Especialistas, por meio do Componente SUS Digital. A ferramenta apoia a organização e o acompanhamento da jornada dos pacientes, a comunicação com os usuários, a gestão das filas de espera e o monitoramento dos serviços.

Com isso, os recursos digitais passam a apoiar tanto o atendimento à população quanto o trabalho dos gestores na identificação de demandas e na organização da rede de assistência.

Próximos passos

A implementação da Política Nacional de Informação e Saúde Digital será orientada por um Plano de Ação de Transformaçãopara a Saúde Digital do SUS. De acordo com a portaria, o documento deverá ser pactuado na Comissão Intergestores Tripartite em até 180 dias após a publicação da medida.

A comissão reúne representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

A expectativa é que as diretrizes orientem a expansão da infraestrutura digital, a integração dos serviços e o aprimoramento da gestão do SUS em todo o território nacional.

Brasil 61

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04 nov

El Niño muito forte aumenta risco de seca no Norte e Nordeste até 2027

El Niño muito forte aumenta risco de seca no Norte e Nordeste até 2027

A previsão de um El Niño muito forte até o início de 2027 aumenta a preocupação com a ocorrência de seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O alerta consta no boletim do Painel El Niño, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em 29 de outubro, que apresenta perspectivas climáticas e possíveis impactos do fenômeno no país.

De acordo com o documento, para o trimestre de novembro a janeiro, a tendência é de chuvas abaixo da média na Região Norte e acima da média na Região Sul. O cenário climático exige atenção, principalmente diante dos possíveis efeitos sobre a disponibilidade de água, a produção agrícola e as atividades econômicas que dependem das condições meteorológicas.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração influencia a circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil.

No país, os efeitos podem variar conforme a região. Enquanto o Norte e parte do Nordeste podem enfrentar períodos de redução das chuvas e maior preocupação com a seca, o Sul tende a registrar volumes de precipitação acima da média, o que também exige atenção diante da possibilidade de impactos associados ao excesso de chuva.

Impactos para o setor agropecuário

A irregularidade das chuvas representa um desafio para o planejamento da produção agropecuária. Nas regiões com previsão de precipitação abaixo da média, a redução da disponibilidade de água pode afetar o desenvolvimento das lavouras, as pastagens e a atividade pecuária.

O cenário também reforça a importância do acompanhamento das condições climáticas por produtores rurais e gestores públicos, especialmente para o planejamento do calendário agrícola, o manejo dos recursos hídricos e a adoção de medidas preventivas diante de possíveis períodos de estiagem.

No Sul, a perspectiva de chuvas acima da média também demanda monitoramento, uma vez que volumes elevados de precipitação podem interferir nas atividades do campo e nas condições de infraestrutura rural.

O boletim do Cemaden reúne informações de monitoramento e orientações sobre os potenciais impactos do fenômeno. A evolução das condições climáticas deve ser acompanhada nos próximos meses para auxiliar na preparação de medidas de prevenção e adaptação.

Brasil 61

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04 nov

Novembro Roxo alerta para cuidados com prematuros após alta

Novembro Roxo alerta para cuidados com prematuros após alta

© BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Bebês prematuros que recebem alta hospitalar continuam precisando de acompanhamento especializado para monitorar o crescimento, a alimentação e o desenvolvimento. Esse é o alerta do Novembro Roxo, campanha de conscientização sobre a prematuridade, que destaca a continuidade da assistência às crianças nascidas antes das 37 semanas de gestação, inclusive após a alta.

Desenvolvida em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e organizações dedicadas ao tema, a campanha deste ano tem como slogan: “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”. A iniciativa reforça a importância de olhar além da sobrevivência neonatal e garantir atenção à saúde, ao crescimento e ao desenvolvimento das crianças, além de condições de acesso aos serviços após a saída do hospital.

A diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, acredita que a campanha deste ano é uma oportunidade de ampliar a compreensão da sociedade sobre essas necessidades.

“Durante muito tempo, quando falávamos sobre prematuridade, o olhar estava concentrado principalmente na sobrevivência e nos desafios da internação neonatal. Essa etapa continua sendo fundamental, mas precisamos avançar na discussão sobre o que acontece depois”, disse.

Segundo ela, após a alta, as famílias continuam precisando de orientação, acesso a especialistas e apoio para acompanhar o desenvolvimento da criança. “Investir nesse cuidado é oferecer oportunidades para que cada criança alcance seu potencial, respeitando suas necessidades e sua individualidade”, completou.

Suguitani também ressaltou que é preciso reforçar a esperança sem transformar a prematuridade em uma história obrigatória de superação ou prometer que todas as crianças terão os mesmos resultados. “O acompanhamento adequado não elimina todos os riscos, mas permite reconhecer necessidades, orientar decisões e oferecer apoio em cada etapa”.

Um levantamento feito com base nos dados da DRG Brasil, desenvolvida pelo Grupo IAG Saúde, identificou 75.301 internações relacionadas ao nascimento de bebês prematuros entre janeiro de 2022 e junho de 2026. Desse total, 53,7% envolveram necessidade de cuidados intensivos. A permanência média no hospital foi de 15,2 dias, mas variou conforme a idade gestacional. Entre os bebês nascidos com menos de 28 semanas, a média foi de 49,4 dias.

O levantamento apontou ainda pelo menos 1.789 readmissões hospitalares nos primeiros 30 dias de vida, relacionadas a condições como icterícia (69,4%), problemas alimentares (9,8%) e doenças respiratórias.

Em outro estudo, feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais e brasileiro e publicado em 2024 em uma revista científica, acompanhou 34 crianças prematuras em um programa híbrido de avaliação do desenvolvimento até os 12 meses de idade corrigida. Entre elas, 18 apresentaram pelo menos um resultado alterado nos testes de desenvolvimento, e crianças com determinados sinais de atraso foram encaminhadas para intervenção precoce. 

“A alta da UTI neonatal gera um sentimento de ambivalência por parte dos pais: de um lado, a felicidade por vencer a UTI e, de outro, o medo e a dúvida sobre se vão dar conta dos cuidados. Isso acontece porque o bebê alcançou condições clínicas para continuar o tratamento fora do hospital, mas ainda tem uma trajetória de cuidados após a alta”, explicou a pediatra e neonatologista, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, Rita Silveira. De acordo com ela, o organismo de uma criança que nasceu prematura ainda está em formação e apresenta inúmeras necessidades para um desenvolvimento adequado. Daí a necessidade de acompanhar o crescimento, a alimentação, a respiração e o desenvolvimento neurológico, respeitando as particularidades e os riscos de cada criança.  

Hoje com nove anos, Alícia Vitória nasceu com 27 semanas no interior do Maranhão. Depois de uma longa internação neonatal, foi preciso incluir novos cuidados na rotina, quando o teste do pezinho mostrou uma suspeita de hiperplasia adrenal congênita, condição que afeta a produção de determinados hormônios pelas glândulas adrenais e que pode exigir tratamento contínuo. 

“Eu nunca tinha ouvido falar naquela doença e não sabia o que significava. Como não consegui acesso imediato a mais informações pelo hospital, resolvi pesquisar na internet”, contou a mãe de Alícia, Patrícia Raquel Dantas Silveira, que para cuidar da filha precisava viajar mais de 250 quilomêtros. Nos dois primeiros anos, as consultas aconteciam mensalmente, com avaliações e ajustes da medicação. Depois, conforme Alícia crescia, os intervalos entre os atendimentos foram aumentando. Durante os primeiros anos, Alícia também foi acompanhada por pediatra e oftalmologista e depois precisou de cuidados especiais”, relatou.

Agência Brasil

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