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19 maio

MST bloqueia BR-304 no RN em protesto por reforma agrária

MST bloqueia BR-304 no RN em protesto por reforma agrária

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam, na manhã desta terça-feira (19), um trecho da BR-304, nas proximidades de Jandaíra, para reivindicar reforma agrária e a criação de assentamentos no Rio Grande do Norte. A rodovia é uma das principais rotas logísticas do estado, inclusive para o transporte de combustíveis.

Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas com mensagens como “Pela defesa da terra e dos territórios: reforma agrária popular” e “Governadora, cadê o assentamento do Baixo Açu? 12 anos de espera”. A mobilização cobra providências do poder público em relação a áreas reivindicadas pelo movimento, incluindo uma área rural no município de Jandaíra e a discussão envolvendo o Distrito de Irrigação do Baixo Açu (Diba).

Em entrevista, Ricardo, representante do MST afirmou que o movimento ocupa desde as 5h uma rodovia entre os municípios de Jandaíra e Baixa do Meio. Segundo ele, a pauta inclui a desapropriação de 1.600 hectares da chamada Unidade Experimental Campo de Serra Velho, em Jandaíra. O movimento afirma que a área está improdutiva, com prédios danificados, e que não estaria cumprindo sua função social.

Ainda de acordo com o representante, famílias estão acampadas na área há quase um ano e há dois mandados de reintegração de posse para desocupação do local. O MST também afirma que parte da área poderá ser destinada a uma empresa privada. “O movimento reivindica, tem interesse na terra, inclusive essa área já foi vistoriada”, afirmou Ricardo.

A manifestação também faz referência ao Baixo Açu, região onde fica o Diba, área que já foi alvo de discussão entre movimentos sociais, produtores rurais e entidades do setor agropecuário. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE em 2025, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Norte (Faern) afirmou que a criação de um assentamento dentro do perímetro irrigado poderia comprometer o equilíbrio econômico e operacional do distrito.

À época, o presidente da Faern, José Vieira, disse que o Diba depende do rateio de custos entre produtores para manter operação, manutenção e bombeamento. “O Diba é o único distrito de irrigação em pleno funcionamento no RN, sustentado por produtores que rateiam custos. A entrada de um assentamento do MST alteraria essa equação”, afirmou.

Vieira também disse que a possibilidade de conflito fundiário gera preocupação entre produtores e empresas instaladas no distrito, especialmente em razão de contratos de exportação, custos elevados e prazos de entrega. Segundo ele, a agricultura irrigada exige assistência contínua, tecnologia e capital de giro.

Tribuna do Norte

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