Aliados de Flávio Bolsonaro apostam na Copa para esfriar crise
Ton Molina/Agência Senado
Uma das apostas da campanha de Flávio Bolsonaro para conter os efeitos da crise instaurada depois da divulgação do áudio no qual o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro é a Copa do Mundo. Aliados do senador avaliam que o torneio deve desviar a atenção do eleitorado nos próximos meses, reduzindo o espaço da política no debate público.
A leitura no entorno de Flávio é que, além do impacto no acompanhamento do noticiário político, o próprio Congresso tende a esvaziar com a combinação de festas juninas, Copa e eleições, diminuindo as oportunidades para a oposição explorar o caso.
A campanha de Flávio vende como “copo meio cheio” da crise uma avaliação de que é mais vantajoso enfrentar o desgaste agora, a pouco mais de três meses do pleito, do que perto da reta final da eleição. A aposta é na suposta memória curta do eleitor.
O entorno de Flávio sustenta que ele seguirá como candidato do PL e que não há plano B.
Ontem, em mais um desdobramento do episódio Flávio-Vorcaro, foi anunciada a saída do marqueteiro Marcello Lopes, amigo do senador, da campanha. A condução da reação ao caso vinha sendo criticada internamente.
Nos próximos dias, a intenção é ampliar a equipe de comunicação e contratar um especialista em gestão de crise, segundo aliados.
Na articulação política, o clima entre aliados do senador é de desconfiança. Eles admitem que o fato de Flávio não ter se antecipado e contado sobre a relação com Vorcaro deixou as lideranças que o apoiam “vendidas”. “Não dá para ter uma novidade a cada cinco minutos”, diz uma fonte da campanha.
R7