PL lança Rogério Marinho para presidência do Senado
Foto: Thales Marques
O Partido Liberal (PL) confirmou nesta quarta-feira, em reunião em Brasília, a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado a partir do ano que vem. O parlamentar afirmou que a disputa pelo comando da Casa tem como objetivo “destravar pautas” da oposição, entre elas, o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado. Após o encontro, que reuniu 33 senadores, Rogério Marinho também defendeu a adoção do voto aberto na eleição da Mesa Diretora e afirmou que pretende buscar uma composição com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que mantém sua própria candidatura.
“O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, afirmou Rogério Marinho, durante a reunião.
Na coletiva de imprensa após o lançamento, o senador afirmou que foi escolhido pelos parlamentares presentes para representar a oposição na disputa e defendeu mudanças nas regras de votação para a presidência do Senado, atualmente realizada por voto secreto. Segundo ele, a transparência permitiria aos eleitores acompanhar o posicionamento dos parlamentares e evitar o que classificou como “estelionato eleitoral”. Rogério Marinho ponderou, no entanto, que ainda será preciso avaliar como viabilizar a alteração. “Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, disse.
A defesa do voto aberto ocorre em meio a uma articulação da oposição para dar transparência aos votos na eleição para a presidência do Senado. Aliados de Rogério Marinho discutem uma estratégia para que senadores de direita anunciem publicamente seus votos, mesmo que a escolha do presidente da Casa continue sendo feita por votação secreta.
Rogério Marinho também procurou afastar a possibilidade de que sua candidatura seja apresentada como uma ofensiva contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador afirmou que não pretende fazer campanha em torno de pedidos de impeachment, mas ressaltou que não deixará de analisar eventuais denúncias por crimes de responsabilidade.
“Evidente que não seremos candidatos com o tema do impeachment de quem quer que seja, somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, afirmou.
Ao justificar sua candidatura contra o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o senador do PL relembrou a disputa pelo comando da Casa em 2023, quando concorreu contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segundo ele, a candidatura ocorreu a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia a necessidade de a oposição marcar posição após a derrota na eleição presidencial de 2022.
Rogério Marinho afirmou que, embora tenha perdido aquela disputa, a candidatura contribuiu para unir a oposição. Ele também criticou a distribuição de espaços nas comissões do Senado e prometeu tratamento diferente aos adversários caso seja eleito. “Os vencedores não fizeram gestos, não nos permitiram participar das comissões. Se ganharmos, vamos tratar de forma diferente. Vamos respeitar a democracia e a dissidência”, disse.
O senador também homenageou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de quem coordenou a campanha presidencial e que deixou o Brasil após a derrota para Lula. Marinho mencionou uma proposta apresentada por Flávio para acabar com a reeleição e afirmou que não pretende se calar diante do que considera abusos políticos.
O lançamento reuniu parlamentares eleitos pelo PL e aliados de outras legendas, entre eles o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). A presença de integrantes de outros partidos faz parte da tentativa de ampliar o apoio a Marinho para além da bancada do PL.
Disputa com Tereza Cristina
Apesar da oficialização da candidatura, Rogério Marinho afirmou que conversou com Tereza Cristina na manhã desta quarta-feira e reconheceu a legitimidade da ex-ministra da Agricultura para disputar a presidência do Senado. Segundo ele, os dois tentarão viabilizar seus nomes antes de buscar um entendimento para enfrentar Alcolumbre. “A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir”, afirmou.
Questionado sobre a decisão de lançar sua candidatura antes de um acordo com Tereza Cristina, Rogério Marinho argumentou que a disputa deve ser definida pela capacidade de convencimento dos senadores, e não pela imposição de um nome. Ele destacou o tamanho da bancada do PL, mas reconheceu que outros parlamentares podem considerar a candidatura da ex-ministra mais adequada.
O senador reforçou que ambos compartilham as mesmas bandeiras e que pretende construir uma candidatura única da oposição para enfrentar Davi Alcolumbre.
Durante a reunião, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também saiu em defesa de Tereza Cristina e lamentou as críticas feitas por integrantes da direita à ex-ministra. “Queria lamentar alguns posicionamentos da direita sobre a Tereza Cristina. Ela sempre esteve em todas as nossas reuniões com Rogério Marinho. É nossa aliada.”, afirmou Carlos Portinho.
Na terça-feira, Tereza Cristina confirmou as conversas com Rogério Marinho, mas ressaltou que não pretende abrir mão da disputa neste momento. A senadora aposta em seu trânsito entre diferentes partidos e no apoio de parlamentares do Centrão para viabilizar sua candidatura.
Os presidentes das duas legendas que integram a federação União-PP, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, anunciaram apoio à permanência de Alcolumbre no comando do Senado. O atual presidente também conta com o respaldo das direções de MDB, PSD e PT, mas enfrenta resistências individuais dentro dessas bancadas.
Rogério Marinho tem o apoio de Flávio Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro (PL-SC), eleito senador por Santa Catarina. O partido pretende utilizar o peso de sua bancada na próxima legislatura para reivindicar a presidência da Casa. A eleição está marcada para 1º de fevereiro e será realizada por voto secreto, o que abre espaço para dissidências entre parlamentares de partidos que já anunciaram apoio a Alcolumbre.
Tribuna do Norte




