Alívio no bolso: isenção do IR e dólar baixo impulsionam poder de compra em início de ano
O ano de 2026 começou com mudanças no ambiente econômico que influenciam diretamente o bolso do trabalhador. A combinação entre a nova tabela do IR (Imposto de Renda)e a recente valorização do real, com a baixa do dólar na última semana, criou um cenário de otimismo para o consumo doméstico.
Além disso, a sinalização do Banco Central de que a taxa básica de juros pode começar a cair em março, somada à valorização do ouro, redesenha as perspectivas para o início do ano. Embora esses movimentos não sigam uma regra automática, eles ajudam a entender para onde caminham o custo de vida, o crédito e as decisões de consumo no país.
A expectativa de início do ciclo de queda da Selic surge após o Banco Central manter, nesta semana, a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. O cenário abre espaço para um crédito mais barato à frente, mas a mudança no bolso do consumidor tende a acontecer de forma gradual.
Segundo Hulisses Dias, fundador da Beginity Capital, a combinação desses fatores tende a aliviar parte das pressões sobre a economia, mas os efeitos para o consumidor não são imediatos.
“Os efeitos tendem a ser lentos para o consumidor brasileiro, porque as empresas passaram muito tempo com margens de lucro comprimidas e, nesse primeiro momento, a tendência é ampliar essas margens antes de repassar reduções de custos aos preços finais”, afirma.
Ainda assim, segundo ele, a sinalização do BC já influencia o mercado. “O mercado é feito de expectativas, e a melhora delas reduz o custo de capital das empresas e ajuda a criar um ambiente mais favorável para o crédito”, explica.
Nova faixa de isenção do Imposto de Renda
Desde 1º de janeiro, quem recebe até R$ 5.000 teve o Imposto de Renda zerado, o que representa uma economia média de R$ 300 mensais, que passam a circular no comércio.
Professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva avalia que a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5.000 mensais é um avanço significativo, uma vez que a faixa de isenção estava congelada desde 2015.
“Com a medida, estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar o imposto, gerando uma economia anual de aproximadamente R$ 4.356,89 para quem ganha R$ 5.000 mensais”, estima o economista.
Para Silva, porém, a mudança não recompõe totalmente as perdas inflacionárias dos últimos anos. “A inflação acumulada entre 2015 e 2022 foi superior a 50%, enquanto os salários, em muitos casos, não acompanharam esse ritmo”, analisa.
R7
Marcelo Camargo/ Agência Brasil – Arquivo