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Rio Grande do Norte
17 dez

Auditoria do TCE identifica falhas estruturais em centros da Fundase

Auditoria do TCE identifica falhas estruturais em centros da Fundase

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE/RN) constatou precarização da limpeza, infraestrutura e atendimento em quatro centros de atendimento socioeducativo (Case’s) da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Estado (Fundase/RN). As fotos divulgadas no documento mostram buracos e rachaduras nas paredes, portões enferrujados, além da falta de equipamentos adequados nos banheiros e quartos.

A análise foi realizada no período de janeiro de 2023 a junho de 2025 nos cases Pitimbu, Mossoró, Caicó e Padre João Maria, sendo este último localizado em Natal. O resultado foi um relatório com diversas recomendações voltadas ao Estado. O prazo para que os órgãos acionados elaborem um plano de ação conjunto é de 60 dias. O documento foi assinado no último 10 de dezembro.

De acordo com a auditoria, foram identificados nove achados principais que resultaram em demandas que deverão ser seguidas pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (Seec/RN), Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas/RN) e pela Fundase/RN. As conclusões dos auditores agora também seguem para análise no plenário da Corte de Contas.

De acordo com o TCE/RN, a situação dos centros descaracteriza o caráter pedagógico da medida de internação. Os problemas se estendem, ainda, à falta de utilização adequada dos recursos da Fundação. De acordo com o documento do TCE/RN, nos últimos três exercícios (2023–2025), o orçamento da entidade ultrapassou R$ 170 milhões, conforme os dados obtidos no Sistema Integrado de Planejamento e Gestão Fiscal (SIGEF).

Embora a tabela de desempenho orçamentário aponte para percentuais altos de execução do orçamento em 2023, 2024 e 2025, com, respectivamente, 91,5%, 87,8% e 46,1% (até junho deste ano), a auditoria constatou baixa prioridade de investimentos estruturantes.

O empenho de recursos para ações de recuperação, reforma e ampliação das unidades, por exemplo, foi nulo em 2023 e 2025 (até junho). Já em 2024, foi empenhado apenas R$ 354, 7 mil, valor que o TCE/RN descreve como “irrisório frente à necessidade de revitalização das unidades visitadas”.

No documento, o TCE/RN lembra que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que é dever das entidades que desenvolvem programas de internação zelar pela higiene, salubridade e segurança do ambiente. “Esse comando legal evidencia que a manutenção de condições sanitárias adequadas nas unidades socioeducativas não é apenas uma boa prática administrativa, mas uma obrigação legal diretamente vinculada à proteção dos direitos”, destaca o Tribunal em nota.

O relatório conclui, portanto, que a Fundase/RN, Seec/RN e Sethas/RN devem adotar uma série de medidas para resolver os problemas encontrados nos centros. Entre elas, está a reestruturação dos programas de atendimento, a melhora na gestão da manutenção predial e o fortalecimento dos mecanismos de monitoramento da gestão.

A reportagem procurou a Fundase/RN para entender em qual etapa está o plano de ação que deve ser enviado ao TCE/RN, além de entender os motivos que levaram à falta de empenho dos recursos para recuperação das unidades em 2023 e no primeiro semestre deste ano.

Em nota, a Fundação se limitou a destacar os acordos firmados recentemente para profissionalização dos internos, e disse que foi iniciado um processo de construção de um projeto piloto para a educação das unidades. Sobre a infraestrutura, citou a a manutenção da limpeza apenas do Case Caicó e outros centros que estão fora do escopo analisado pelo TCE/RN.

“A Fundase recentemente contratou empresas para manutenção de unidades. Os serviços foram iniciados em Natal (Casemi Nazaré), Mossoró (Casemi Santa Delmira) e Caicó (Case Caicó e Casep Seridó), e o Plano de Manutenção Preventiva e Corretiva está em estudo”, diz a Fundase/RN.

A Seec/RN, por sua vez, informou que ainda não recebeu notificação oficial do Tribunal de Contas do Estado referente ao Sistema Socioeducativo. A pasta é citada duas vezes nas recomendações finais e foi orientada, dentre outros pontos, a realizar a reestruturação da proposta educacional socioeducativa.

“Assim que houver a notificação oficial, a SEEC analisará o conteúdo e se manifestará dentro de suas atribuições e em consonância com os órgãos competentes”, diz a pasta em nota.

Já a Sethas/RN informou que não conseguiria enviar as respostas até o fechamento da edição nessa terça-feira (16) e poderia se manifestar nesta quarta-feira (17). O espaço segue aberto.

Tribuna do Norte

Foto: Cedida

Campo Forte

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