Fim da escala 6×1 pode encarecer fretes, afetar abastecimento e atingir consumidor
Entidades representativas do setor produtivo têm reagido com preocupação à proposta de extinção da escala 6×1, apontada como uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026.
As associações alertam para riscos como aumento expressivo dos custos operacionais, pressão sobre a folha de pagamentos, possível elevação de preços ao consumidor e até queda na produção e no emprego.
Segundo as entidades, a mudança pode agravar a escassez de mão de obra em setores essenciais, comprometer a competitividade das empresas brasileiras e gerar impactos negativos sobre o PIB.
Duas propostas em tramitação no Congresso Nacional preveem a redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 36 horas.
O avanço das matérias acende um alerta entre empresários, que discutem os possíveis impactos trabalhistas e econômicos caso a nova carga horária seja aprovada, incluindo efeitos sobre custos, produtividade e geração de empregos.
Para o advogado trabalhista Cid de Camargo Júnior, a mudança trará reflexos relevantes tanto para empregadores quanto para trabalhadores.
“A alteração da escala de trabalho 6×1 trará impactos significativos para as empresas brasileiras. Uma das principais mudanças será a reorganização das jornadas de trabalho, exigindo novas escalas e, possivelmente, a contratação de mais funcionários para manter o nível de produtividade. Isso pode gerar aumento nos custos operacionais, especialmente com salários e encargos trabalhistas”, afirma.
A seguir, veja os posicionamentos de quatro entidades sobre o fim da jornada de trabalho 6×1:
CNT
A CNT (Confederação Nacional do Transporte) afirma que tem acompanhado com atenção os desdobramentos do projeto de lei e defende que eventuais mudanças ocorram com responsabilidade.
“O setor produtivo está aberto ao diálogo, mas reforça que qualquer alteração deve ser conduzida com responsabilidade, previsibilidade e compromisso com o país”, argumenta a entidade.
Segundo a confederação, a redução da jornada sem considerar as especificidades do transporte pode gerar impactos relevantes para toda a sociedade, especialmente porque o setor já enfrenta dificuldades significativas na reposição de mão de obra qualificada.
“O transporte é uma atividade essencial, estratégica para a economia e para a qualidade de vida da população. O setor garante o direito constitucional de locomoção e viabiliza o deslocamento de absolutamente tudo o que é produzido, consumido e utilizado no Brasil”, destaca.
Para a entidade, reduzir a jornada sem trabalhadores suficientes para suprir a demanda pode ampliar o déficit de profissionais, elevar custos e comprometer a regularidade dos serviços prestados à população.
Outro ponto levantado é o impacto fiscal. A CNT argumenta que a alteração da jornada não afetaria apenas o setor privado, mas também a administração pública, exigindo novas contratações em um cenário de restrição orçamentária.
A entidade defende que o caminho mais adequado para tratar da jornada de trabalho é a negociação coletiva, permitindo ajustes conforme as especificidades de cada setor, região e empresa.
R7