Temporada de ventos começa com previsão de rajadas mais fracas no RN
O Rio Grande do Norte iniciou neste mês de julho a temporada de ventos com previsão de rajadas menos intensas em comparação aos últimos anos. Segundo o meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, a atuação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico deverá reduzir a intensidade dos ventos, diminuir as chuvas na segunda quinzena de julho e provocar aumento das temperaturas entre setembro e novembro.
De acordo com Gilmar Bristot, as mudanças já começam a ser percebidas com o enfraquecimento das precipitações registradas nos últimos meses. “Essa condição deverá apresentar uma diminuição das chuvas, porque nós estamos com um fenômeno El Niño acontecendo no Oceano Pacífico, e as consequências aqui para a gente é uma diminuição das chuvas, principalmente na segunda quinzena de julho, e um aumento da temperatura durante os meses de setembro, outubro e novembro.”
O encerramento do período chuvoso coincide com o início da estação dos ventos no Estado, época em que normalmente são registradas rajadas entre 40 km/h e 60 km/h. Neste ano, porém, a expectativa da Emparn é de uma circulação de ventos menos intensa em razão da influência do El Niño.
Segundo o meteorologista, o fenômeno provoca um bloqueio atmosférico que dificulta a circulação dos ventos sobre o Nordeste. “Em setembro, outubro e novembro nós estaremos em plena estação dos ventos no Nordeste. O El Niño forma um bloqueio, uma alta pressão aqui sobre a América Central, sobre a região Nordeste, dificultando o fluxo do vento. Provavelmente, nós teremos uma diminuição dos ventos, a estação dos ventos deste ano será com ventos mais fracos, calmos.”
Gilmar Bristot afirma que a redução da circulação de ar também deverá provocar aumento das temperaturas, sobretudo nas áreas litorâneas. “Além de diminuir o vento, consequentemente, nós teremos aumento das temperaturas aqui no litoral, principalmente. No interior do Estado já é quente.”
A expectativa da Emparn é que os efeitos do El Niño avancem para os primeiros meses de 2027, influenciando principalmente o comportamento das chuvas no Estado. “Há uma grande expectativa de que esse El Niño consiga, pelo menos, ir até os primeiros meses de 2027, trazendo, assim, a diminuição de chuvas. Para o interior do Estado, por enquanto, nós não teremos uma mudança drástica no comportamento do clima nos próximos meses, porque as condições, normalmente, nessa época do ano, não chove e as temperaturas são elevadas. O que o sertanejo vai sentir nessa época do ano, nos próximos meses, é uma diminuição do vento.”
Embora a redução das chuvas seja uma das consequências esperadas, Bristot explica que, para o interior potiguar, o impacto imediato será limitado, já que este período do ano é tradicionalmente seco. A principal diferença será a menor intensidade dos ventos, enquanto um eventual prolongamento do fenômeno poderá influenciar o regime de chuvas do início do próximo ano.
Na capital potiguar, as temperaturas registradas durante as madrugadas ainda permanecem relativamente amenas, mas a tendência é de elevação da sensação térmica à medida que os ventos diminuírem.
“As madrugadas aqui em Natal estão com a temperatura variando em torno de 21, 22 graus. Para um cenário de aquecimento e de ilha de calor, como Natal tem se transformado nesses últimos anos, até que é uma temperatura bem razoável. Até está bastante frio, mas essa diminuição do vento trazida pela condição de El Niño vai favorecer, sim, o aumento da temperatura, também na questão do aumento da sensação térmica.”
Segundo o meteorologista, a menor circulação do ar dificulta a dissipação da umidade e aumenta a sensação de calor. “Porque se você tem menos trânsito do ar, se tem umidade, ela fica mais concentrada sobre o local e a umidade retém calor. Então, as pessoas vão ter dificuldade de transpirar, isso aí, consequentemente, aumenta a sensação térmica.”
Diante desse cenário, Gilmar Bristot orienta a população a reforçar os cuidados durante os próximos meses. “A pessoa tem que se hidratar bastante e evitar se expor muito ao sol, porque teremos um período com pouca formação de nuvens. Se você tem radiação direta, pode trazer consequências, como doenças de pele, doenças respiratórias por falta de umidade, mas tudo o que dá para controlar, se a pessoa tiver um pouquinho de cautela.”
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