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16 set

EUA confirmam pela 1ª vez que têm armas posicionadas no espaço

EUA confirmam pela 1ª vez que têm armas posicionadas no espaço

© Shutterstock

Força Espacial dos Estados Unidos confirmou pela primeira vez a existência de armas de “controle espacial” em órbita. Washington não revelou quais sistemas foram implantados, mas afirma que eles podem proteger forças americanas contra ações hostis e atuar tanto de forma ofensiva quanto defensiva

Os Estados Unidos confirmaram pela primeira vez que possuem armas posicionadas em órbita, ampliando a transparência sobre uma área que, durante décadas, esteve cercada por sigilo militar. O anúncio foi feito pelo secretário da Força Aérea, Troy Meink, durante uma conferência realizada em Maryland.

“Os Estados Unidos têm armas de controle espacial em órbita capazes de defender a força conjunta contra ações hostis de adversários”, afirmou Meink na segunda-feira (14). O governo americano, porém, não revelou quantas armas foram colocadas no espaço, quais tecnologias utilizam nem quando começaram a operar.

A revelação representa a primeira confirmação pública do Pentágono de que os EUA mantêm esse tipo de capacidade militar em órbita. Até então, autoridades americanas falavam abertamente sobre a necessidade de desenvolver meios para enfrentar ameaças espaciais, mas não reconheciam a existência de armas já implantadas.

O que são armas de “controle espacial”?

A Força Espacial define “controle espacial” como o conjunto de operações destinadas a disputar e controlar o ambiente espacial. A doutrina americana prevê o emprego de meios cinéticos e não cinéticos para interferir, degradar ou, se necessário, destruir capacidades de um adversário. Essas ferramentas podem ser utilizadas tanto para operações ofensivas quanto defensivas.

Meink não esclareceu em qual dessas categorias se enquadram os equipamentos que já estão em órbita.

Segundo uma autoridade americana ouvida sob anonimato pelo The Washington Post, uma das possíveis funções desse tipo de sistema seria neutralizar um satélite inimigo caso ele estivesse sendo utilizado para atacar ou localizar tropas americanas ou outros satélites dos Estados Unidos. A informação não significa, porém, que o armamento atualmente em órbita tenha necessariamente essa capacidade, já que suas características permanecem secretas.

China e Rússia estão no centro da preocupação americana

A decisão de tornar pública a existência dessas armas ocorre depois de anos de alertas de Washington sobre o desenvolvimento de capacidades antissatélite pela China e pela Rússia.

Autoridades americanas afirmam que os dois países vêm ampliando tecnologias capazes de interferir em operações no espaço, inclusive por meio de bloqueio eletrônico, lasers e outras formas de ataque ou perturbação de satélites.

A doutrina da Força Espacial considera que sistemas orbitais são essenciais para comunicações, navegação, inteligência, detecção de mísseis e operações militares na Terra. Por isso, os Estados Unidos tratam a capacidade de proteger seus próprios satélites e limitar o uso do espaço por adversários como parte central de sua estratégia militar.

China e Rússia criticaram a confirmação americana e voltaram a alertar para o risco de uma corrida armamentista no espaço. Moscou afirmou que a militarização da órbita pode ter consequências graves para atividades civis que dependem de sistemas espaciais, enquanto Pequim pediu que Washington interrompa o que classifica como expansão militar no espaço.

Revelação também tem objetivo de dissuasão

Meink afirmou que tornar pública a capacidade americana também é importante do ponto de vista da dissuasão.

A lógica é que possíveis adversários saibam que um ataque contra satélites ou forças americanas pode provocar uma resposta dos Estados Unidos. “É importante do ponto de vista da dissuasão”, declarou o secretário ao comentar a decisão de divulgar a existência dos sistemas.

Ainda assim, especialistas ouvidos pela imprensa americana alertam que a revelação também pode estimular outros países a acelerar seus próprios programas militares espaciais.

Armas fazem parte do Golden Dome?

Os Estados Unidos também desenvolvem o Golden Dome, ambicioso sistema de defesa antimísseis que prevê uma combinação de sensores, interceptadores terrestres e equipamentos instalados no espaço.

O projeto inclui uma camada de interceptadores espaciais, capazes, em teoria, de detectar e atingir ameaças ainda durante o voo. A Força Espacial informou que o programa de interceptadores espaciais já avançou da contratação inicial para equipamentos preparados para testes de voo.

Não há, contudo, confirmação de que as armas cuja existência foi revelada agora façam parte do Golden Dome. O Washington Post diferencia os sistemas que já estão em órbita da futura rede de interceptadores prevista para o escudo antimísseis.

Uma estimativa divulgada em maio pelo Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO) calculou que uma arquitetura compatível com o Golden Dome poderia custar aproximadamente US$ 1,2 trilhão ao longo de 20 anos, incluindo desenvolvimento, implantação e operação. A parcela baseada no espaço responderia por grande parte do custo de aquisição estimado.

A confirmação das armas em órbita marca, assim, uma mudança significativa na forma como Washington trata publicamente suas capacidades militares espaciais, num momento em que Estados Unidos, China e Rússia ampliam investimentos e estratégias para um eventual conflito que também envolva o espaço.

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