Lula puxa estratégia do PT de martelar elo Flávio-Vorcaro e mira palanques
O presidente Lula, à esquerda, e o senador Flávio Bolsonaro, à direita • Reprodução
As críticas do presidente Lula nesta quinta-feira (21) a Flávio Bolsonaro por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro expuseram a estratégia do PT de manter o caso “BolsoMaster” no radar enquanto o pré-candidato do PL tenta deixar a crise para trás com a mudança do marqueteiro e o possível encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula disse que “aquele menino que parecia ser o mais santo da família Bolsonaro estaria pegando milhões para fazer um filme do pai”, que “vai aparecer muito mais coisa” e que “nós nunca vamos atrás da Lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”.
A linha segue a planejada pelo marqueteiro do presidente, Sidônio Palmeira, e pela comunicação do partido de manter o caso em destaque, a despeito da tentativa da oposição de sair dele. Nesta sexta-feira, o presidente dará uma entrevista à TV Brasil e deverá também tratar do assunto.
“A orientação é falar somente a verdade, apresentar fatos, notícias de imprensa ou falas do próprio candidato. Ele dando declarações e sendo desmentido por áudio, ele afirmando uma coisa e sendo desmascarado pelas investigações. Essa é minha orientação para a comunicação do PT, nossos dirigentes, parlamentares e militantes. Não precisa criar adjetivo, exagerar, nada disso”, disse à CNN o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares.
Não à toa, após a fala de Lula, houve o embate entre o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e Flávio na tribuna da Câmara durante uma sessão do Congresso Nacional. O petista cobrou de Flávio explicações sobre a relação dele com Vorcaro.
Na campanha de Lula, a avaliação é que o bolsonarismo tem expertise em conseguir se desviar de crises pautando outros assuntos. A substituição de Marcello Lopes pelo publicitário Eduardo Fischer no marketing da campanha e o encontro previsto entre Flávio e Trump na semana que vem são apontados como exemplos disso.
Por isso, segundo fontes petistas, o próprio Lula e parlamentares focaram nesta quinta-feira no assunto. A ordem é não deixar o assunto morrer e aproveitar o mau momento do principal adversário para tentar avançar na construção de palanques estaduais que ainda estão indefinidos, como Minas Gerais, Paraíba e Maranhão.
O presidente do PT, Edinho Silva, lidera as conversas nesses estados ao mesmo tempo em que também tenta avançar em redutos da direita, como o interior paulista. Ele deve cumprir agenda com o pré-candidato a governador Fernando Haddad neste fim de semana.
A percepção na cúpula do partido é de que o envolvimento de Flávio com Vorcaro abre espaço para a retomada de conversas do PT com partidos de centro, como MDB e PSD.
CNN