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08 maio

Número de Feminicídios dobra e RN tem o 2º maior aumento do Brasil

Número de Feminicídios dobra e RN tem o 2º maior aumento do Brasil

De janeiro a março de 2026, o número de feminicídios aumentou 100% no Rio Grande do Norte, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram dez casos registrados no período. O crescimento foi o segundo maior do país, ao lado dos registrados por Sergipe e Amazonas, atrás somente do Amapá (250%). O período também foi o mais letal para as mulheres desde o início da série histórica, em 2015, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Casos de violência contra a mulher devem ser denunciados pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher).

A taxa de incidência no Estado ficou em 1,15 casos para cada 100 mil habitantes, superando a da região Nordeste de 0,69. Já no Brasil, o índice foi de 0,75 casos e o país contabilizou 399 vítimas, número 7,55% maior em comparação ao mesmo recorte de 2025.

Para a professora Ilana Lemos de Paiva, do Observatório da População Infantojuvenil em Contextos de Violência (OBIJUV), ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), somente o avanço na tipificação não justifica o aumento de feminicídios, mas também demonstra um agravamento concreto da violência letal contra as mulheres no Estado. “Além da ampliação das notificações, há outros fatores importantes associados a esse cenário. Podemos citar o fortalecimento de discursos misóginos e autoritários nas redes sociais e em determinados espaços públicos”, aponta a professora.

Ilana Lemos lembra que o feminicídio não ocorre de forma isolada ou repentina, sendo resultado de diversas outras formas de violência contra a mulher, como a psicológica e física. Em muitos casos, observa, os crimes são concretizados em contextos de separação ou tentativa de rompimento da relação da vítima com o agressor. “A cultura patriarcal que naturaliza o controle sobre a vida das mulheres, além da dificuldade de acesso rápido a medidas protetivas de acolhimento; e a insuficiência de políticas de prevenção continuada também contribuem para esse aumento.”

Ela reforça que o cenário exige medidas urgentes que não sejam focadas apenas no aumento da resposta penal, mas também fortaleçam a rede de enfrentamento da violência contra as mulheres. É o caso de investimento em prevenção nas escolas e comunidades; educação para igualdade de gênero, ampliação e interiorização dos serviços especializados; maior agilidade e monitoramento das medidas protetivas, e produção de dados qualificados para orientar políticas públicas. “Também é essencial trabalhar com os homens e com a prevenção das masculinidades violentas. O feminicídio não é um problema ‘das mulheres’, mas uma expressão extrema de relações de poder desiguais e de uma cultura que ainda legitima a violência de gênero em diferentes níveis”, ressalta.

A Subsecretária de Políticas para Mulheres da Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), Josiane Bezerra, reitera que o cenário no Rio Grande do Norte é preocupante. “Esse crescimento está relacionado a múltiplos fatores, como a persistência da violência doméstica e familiar, o agravamento de conflitos marcados pelo controle e pela misoginia, além da dificuldade de muitas mulheres romperem ciclos de violência”, aponta.

Segundo diz, a Semjidh vem intensificando a descentralização de ações no Rio Grande do Norte e ampliado investimentos voltados ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres. Entre as ações recentes, destaca a realização das conferências municipais e regionais de políticas para as mulheres e o fortalecimento do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM/RN).

“Para o trimestre atual, a Semjidh seguirá fortalecendo as ações de prevenção, campanhas educativas, formação das redes municipais e articulação interinstitucional, além da ampliação das políticas de autonomia econômica das mulheres, compreendendo que independência financeira também é uma ferramenta fundamental de enfrentamento à violência e prevenção ao feminicídio”, completa.

Tribuna do norte

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