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06 ago

Astro de futebol é condenado a 99 chibatadas no Irã após acusação de estupro

Astro de futebol é condenado a 99 chibatadas no Irã após acusação de estupro

Foto: AFP

O ator e ex-jogador de futebol Pejman Jamshidi foi condenado a 99 chibatatas após a Suprema Corte do país manter a condenação em caso relacionado à acusações de estupro, afirma o jornal britânico Daily Star.

Ele foi oficialmente condenado por manter “relações ilícitas” num caso que chegou ao público em outubro do ano passado, quando Jamshidi foi preso após a atriz Melika Parsadoust apresentar uma queixa-crime por estupro contra o astro.

Ex-jogador do Persepolis FC e da seleção iraniana, o ex-meio-campista se tornou ator após sua aposentadoria, começando na série “Pejman”, uma versão ficcional da sua vida após a aposentadoria, em 2012.

Após a acusação feita por Parsadoust, Jamshidi teria fugido para o Canadá, passando um tempo na Turquia, antes de retornar ao seu país natal para enfrentar as audiências sobre seu caso no início deste ano.

Ele acabou sendo inocentado pelo suposto estupro, mas acabou sendo condenado por manter um relacionamento extraconjugal ilícito, de acordo com o Artigo 637 do código penal iraniano, recebendo a maior pena possível: 99 chibatadas.

Parsadoust, embora tenha sido parte do relacionamento, não foi condenada. Segundo o jornal Emtedad, a atriz afirmou que a decisão não desfaz os danos físicos e emocionais que alega ter sofrido, mas que ter a confirmação em tribunal de que a relação foi “não-consensual” é extremamente importante para ela.

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06 ago

Lulinha vive em ‘condições precárias’ na Espanha, diz vice do PT

Lulinha vive em ‘condições precárias’ na Espanha, diz vice do PT

Foto: Partido dos Trabalhadores

O vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, afirmou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vive em “condições precárias” na Espanha e negou que o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha usado a posição do pai para enriquecer. As declarações foram dadas em entrevista ao portal Poder360 nesta quarta-feira (5).

Quaquá declarou conhecer Lulinha e disse que sua situação financeira contraria as suspeitas. “Conheço bem o Fábio Lula, é um cara que vive hoje em condições espartanas, em condições precárias inclusive, na Espanha”, afirmou.

Ainda segundo Quaquá, “o Fábio Lula é um cara que vive em condições médias do brasileiro e que não é um cara rico, que não se utilizou do fato de ser filho do presidente da República para enriquecer”.

Quaquá declarou conhecer Lulinha e disse que sua situação financeira contraria as suspeitas. “Conheço bem o Fábio Lula, é um cara que vive hoje em condições espartanas, em condições precárias inclusive, na Espanha”, afirmou.

Ainda segundo Quaquá, “o Fábio Lula é um cara que vive em condições médias do brasileiro e que não é um cara rico, que não se utilizou do fato de ser filho do presidente da República para enriquecer”.

Em seguida, acrescentou: “O que vai ficar dessa história toda é que vai provar que ele não tem Ferrari, que ele não é sócio da JBS, que ele vive em condições de classe média e que não é um cara rico”, declarou. Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal relacionados à suspeita de tráfico de influência.

Durante a entrevista, o dirigente petista reconheceu que as investigações podem repercutir na disputa eleitoral. “Ruído sempre cria, porque, infelizmente, a política brasileira é feita na antessala das delegacias”, declarou.

Na mesma entrevista, Quaquá também saiu em defesa de Marcos Rogério de Souza, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Ao comentar os R$ 249 mil recebidos da empresária Roberta Luchsinger, ele afirmou: “Não vejo nenhuma ilicitude você pegar um empréstimo com uma pessoa que você conhece e pagar esse empréstimo”. Segundo o dirigente, é necessário respeitar “a presunção da inocência”

Revista Oeste

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06 ago

Eleição será a primeira deste século sem mulheres em chapas presidenciais competitivas

Eleição será a primeira deste século sem mulheres em chapas presidenciais competitivas

Arte / Folha de São Paulo

A eleição presidencial de 2026 será a primeira deste século a não ter mulheres nas chapas presidenciais competitivas. Desde 2002, ao menos uma mulher foi candidata a presidente ou a vice-presidente nessas chapas, segundo levantamento da Folha.

A reportagem considerou como competitivas as duplas cujo partido do candidato ao cargo de presidente tinha representante no Congresso Nacional e que conseguiram ao menos 1% dos votos no primeiro turno.

Atualmente, apenas duas mulheres compõem uma chapa presidencial com ao menos 1% de intenção de voto em pesquisas como oúltimo Datafolha, do fim de julho: Samara Martins, candidata a presidente pela UP (Unidade Popular), e sua vice, Raquel Bricio, do mesmo partido. A UP não tem representantes na Câmara e no Senado.

Havia a expectativa de que ao menos mais uma mulher compusesse as chapas fechadas para as eleições de 2026. O senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aventou mulheres de vice para diminuir a rejeição junto ao eleitorado feminino, mas definiu nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como parceiro na disputa.

A falta de mulheres com candidaturas para os cargos marca um ano eleitoral no qual a participação feminina na política foi alvo de figuras públicas de direita, como Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que fez declarações questionando o voto feminino, na esteira de investidas contra esse direito no Brasil e nos Estados Unidos.

Nas eleições presidenciais de 2022, três mulheres estiveram em chapas competitivas. Simone Tebet foi candidata a presidente pelo MDB, mas recebeu menos de 5% dos votos no primeiro turno, que disputou ao lado da vice Mara Gabrilli, então no PSDB.

Tebet se tornou ministra do Planejamento no governo Lula (PT) e atualmente é candidata ao Senado por São Paulo pelo PSB.

Também foi vice Ana Paula Matos, na chapa de Ciro Gomes, ambos pelo PDT. Eles tiveram 3% dos votos no primeiro turno.

Já 2018 foi o ano com mais vices mulheres nas chapas presidenciais competitivas. Pelo PC do B, Manuela d’Ávila compôs com Fernando Haddad (PT) a chapa que chegou ao segundo turno, mas perdeu para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado na vida pública por ataques a mulheres.

Ciro Gomes disputou também naquele ano na companhia de uma mulher, dessa vez Kátia Abreu, pelo PDT. Eles ficaram em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,47% dos votos, em cenário no qual parte dos eleitores tentava uma alternativa a Bolsonaro e à candidatura petista.

Foram também candidatas a vice Ana Amélia Lemos, pelo PP, na chapa com Geraldo Alckmin, então no PSDB, e Suelene Balduino, vice de Cabo Daciolo, pelo partido Patriota.

Já Marina Silva, atualmente concorrendo ao Senado por São Paulo, tentou a presidência pela Rede, quando fez 1%.

O ano de 2014 foi marcado pelo feito singular de três mulheres na cabeça de chapas competitivas. Dilma Rousseff (PT) conseguiu a reeleição, mas sofreu impeachment menos de dois anos depois em um processo no qual ela acusou adversários de machismo.

Ela teve como concorrentes Marina Silva, que fez pelo PSB 21,32% dos votos no primeiro turno, e Luciana Genro, com menos de 2% pelo PSOL.

As duas principais concorrentes mulheres também tinham se confrontado em 2010, ano com Dilma e Marina disputando o cargo de presidente da República. A petista fez 46,91% no primeiro turno, contra 19,33% de Marina, que não foi para a segunda rodada da disputa, vencida por Dilma contra José Serra (PSDB).

Em 2006, a única mulher nas chapas competitivas foi Heloísa Helena. Ela fez, pelo PSOL, 6,85% dos votos, ficando em terceiro lugar na disputa. Por fim, 2002 teve uma candidata a vice-presidente: Rita Camata, do PMDB, foi vice de José Serra (PSDB). Eles fizeram 23,2% dos votos no primeiro turno, mas perderam para Lula e José Alencar no segundo.

Folha de São Paulo

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06 ago

Ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos

Ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças brasileiras de 5 a 9 anos

© Getty Images

Estudo aponta que mais de 15 milhões de brasileiros entre 5 e 29 anos convivem com transtornos mentais. Ansiedade lidera as causas de incapacidade desde a infância, enquanto pesquisadores cobram identificação precoce e maior acesso ao atendimento

Antes mesmo de completar dez anos, uma criança brasileira já tem mais chance de conviver com algum grau de incapacidade causada por ansiedade do que por qualquer doença física, aponta um dos achados da mais abrangente análise já feita sobre saúde mental infantojuvenil no Brasil.

A pesquisa, publicado na The Lancet Regional Health – Americas, usa dados do estudo GBD 2023 (Global Burden of Disease, ou Estudo da Carga Global de Doenças) e mostra que mais de 15 milhões de crianças, adolescentes e jovens adultos brasileiros de 5 a 29 anos convivem com pelo menos um transtorno mental -20,91% de toda a população nessa faixa etária no país.

Outros 2,5 milhões, 3,36% do total, preenchem critérios para um transtorno por uso de substâncias. É a primeira vez que a situação é detalhada por faixa etária, em janelas de cinco em cinco anos. A pesquisa é liderada pelo psiquiatra Christian Kieling, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

Para ele, esse recorte da infância ao início da vida adulta é decisivo para pensar política pública. “Se eu olho para infância e adolescência como um conjunto único, daqui a pouco estou oferecendo serviços que atendam questões de depressão para menores de dez anos.”

Não é que não exista depressão nessa faixa etária, mas é um problema muito menos frequente. Depois dos 14, 15 anos essa prevalência aumenta, mais em meninas do que em meninos. Com o álcool, o padrão se inverte, crescendo mais entre os meninos.

Para Kieling, essa granularidade expõe também um erro estrutural: o corte abrupto aos 18 anos, que separa serviços de crianças e adolescentes dos de adultos justamente no pico de demanda por saúde mental. “É justo na idade em que o adolescente está tendo as maiores transições da vida que a gente diz para ele: agora não é mais aqui. Essa quebra não parece ajudar, parece até atrapalhar.”

De acordo com o estudo, já entre cinco e nove anos mais de 10% das crianças brasileiras preenchem critérios para pelo menos um transtorno mental, proporção que sobe ao longo da infância e da juventude, chegando a quase 25% entre 25 e 29 anos.

No estado de São Paulo, as internações por transtornos mentais e comportamentais entre crianças e adolescentes foram as que mais cresceram entre 2020 e 2025. A faixa etária de 5 a 9 anos registrou o maior aumento percentual de internações entre todas as idades, com alta de 98,3%.

Comparando com as mais de 300 condições de saúde monitoradas pelo GBD no Brasil, os transtornos de ansiedade aparecem em primeiro lugar como causa de incapacidade em todas as faixas etárias. A partir dos 15 anos, ansiedade e depressão ocupam o primeiro e o segundo lugares do ranking geral, à frente de qualquer doença física, com impacto maior entre meninas e mulheres. Já álcool e outras drogas são mais prevalentes entre homens a partir dos 20 anos.

Kieling ressalta que “ansiedade” é um guarda-chuva que muda de forma ao longo da vida. Predominam quadros de ansiedade de separação na infância, transtorno de ansiedade social na adolescência e, mais adiante, ansiedade generalizada ou transtorno de pânico.

O dado fica ainda mais expressivo entre 20 e 29 anos, entre mulheres, padrão que já havia aparecido num levantamento global anterior do mesmo grupo. “Na comparação com os dados mundiais, o Brasil chama muito atenção pelos dados de ansiedade mais altos, principalmente puxado pela ansiedade em mulheres.”

O estudo também traça um retrato da mortalidade por suicídio entre jovens brasileiros: 5.402 mortes anuais entre 10 e 29 anos, das quais 77% entre rapazes. A taxa por 100 mil habitantes sobe de 1,24 entre 10 e 14 anos para 13,43 entre 25 e 29. A partir dos 15 anos, o suicídio se torna a terceira causa de morte prematura entre todas as causas monitoradas pelo GBD no país.

“Os números mostram uma diferença grande entre os sexos, que precisa orientar políticas específicas de prevenção voltadas a jovens do sexo masculino, um grupo historicamente pouco alcançado pelos serviços de saúde mental”, afirma Claudia Buchweitz, pesquisadora e primeira autora do estudo. Entre povos indígenas, as taxas chegam a mais que o dobro da média nacional, reflexo de uma lacuna grave de informação e política pública.

Para Kieling, mesmo números absolutos baixos em crianças pequenas já deveriam ser inaceitáveis: “Qualquer número para uma criança em termos de suicídio está acima do que deveria ser aceitável pela sociedade.”

O crescimento acentuado na adolescência, diz ele, acompanha o aumento dos transtornos mentais. “Aqui a gente vê uma oportunidade para prevenção, para atuar precocemente antes que o problema se cronifique.”

As prioridades, resume, deveriam ser identificação precoce e acesso a cuidado efetivo, o que a maioria da população brasileira não tem. “O padrão de busca por ajuda no país tende a ser tardio. O quadro precisa ficar muito grave para chegar numa emergência, muitas vezes numa tentativa de suicídio, para conseguir um encaminhamento adequado.”

Apesar da dimensão do problema, o estudo revela uma lacuna na produção de conhecimento. Para estimar a situação de toda a população de 5 a 29 anos, o GBD contou com apenas 66 fontes de dados nacionais, concentradas quase inteiramente em São Paulo e Rio Grande do Sul, com praticamente nada vindo do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Esse volume limitado reflete e contribui para a falta de atenção à saúde mental dos jovens no Brasil”, diz Buchweitz. “Mesmo com fontes limitadas, as análises são rigorosas. Precisamos de ação, imediatamente.”

O GBD recorre a modelagens estatísticas para estimar prevalência mesmo em “vazios epidemiológicos”, extrapolando a partir de renda e estrutura demográfica regional. Kieling defende a metodologia, mas reforça a necessidade de mais dados regionais.

Porém, ele diz que não dá para esperar por eles para agir: “Tenho muita dificuldade de acreditar que vão vir números muito diferentes do resto do país. Aguardar os dados para agir seria um desserviço para as crianças e adolescentes.”

Para os pesquisadores, os números reforçam a urgência de incorporar a saúde mental às políticas voltadas à infância e à juventude, algo que ainda não acontece de forma explícita em marcos como o Estatuto da Criança e do Adolescente.

“Os problemas de saúde mental nos jovens nem sempre apresentam contornos de diagnóstico formal, mas prestar atenção a esses sinais é essencial para evitar que se tornem um transtorno estabelecido.”

Entre as propostas estão ampliar as portas de entrada para o cuidado além dos serviços tradicionais, passando por escolas e serviços comunitários, e maior transparência no uso de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) destinados à área. A escola, defende Kieling, é ponto estratégico de identificação precoce, mas não pode ser sobrecarregada sozinha com essa responsabilidade.

Ele cita como inspiração o Headspace, serviço australiano de porta aberta para jovens de 12 a 24 anos, replicado em países como Irlanda, Canadá e Dinamarca: “A gente não tem experiências de grande monta em países de baixa e média renda, o que para mim é um contrassenso, pensando que a imensa maioria dos jovens do planeta vive justamente nesses países.”

Aponta também uma lacuna na Raps (Rede de Atenção Psicossocial), hoje concentrada em pacientes já graves, sem espaço para quadros leves a moderados: “Parece que muitas vezes tem que esperar o quadro ficar mais grave para só então conseguir um atendimento. Só que a gente perdeu a oportunidade de atuar precocemente.”

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde.

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06 ago

Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025, aponta estudo

Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025, aponta estudo

© Shutterstock

Estudo estima que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025. Plataformas movimentaram quase R$ 351 bilhões via Pix, e pesquisadores apontam impacto relevante sobre a renda e o endividamento dos domicílios

As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, em 2025. Ao mesmo tempo, essas empresas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.

A conclusão é da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento) a partir de dados do Banco Central, das Epae (Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica) e de elaboração própria.

O estudo destaca que a regulamentação das bets no Brasil, com a obrigatoriedade de cadastramento das empresas a partir de janeiro de 2025, coincide com uma mudança estrutural nas transferências via Pix de pessoas físicas para pessoas jurídicas do setor de artes, cultura, esporte e recreação.

Os R$ 62,5 bilhões correspondem ao valor líquido da transação, ou seja, à diferença entre o dinheiro apostado pelos usuários e o montante devolvido pelas empresas em forma de prêmios.

Segundo o boletim, esse valor equivale a aproximadamente 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, indicando que o avanço das plataformas de apostas passou a produzir efeitos mensuráveis sobre a dinâmica financeira dos domicílios brasileiros.

O estudo demonstra que, até meados de 2024, os pagamentos de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação e os valores transferidos de volta por essas empresas permaneciam em níveis relativamente próximos.

A partir de 2025, porém, os pagamentos destinados ao setor cresceram de forma expressiva, enquanto as transferências no sentido contrário aumentaram em ritmo muito mais moderado.

“Esse comportamento indica que o setor passou a absorver um volume substancial de recursos das famílias sem devolução proporcional, característica típica dos mercados de apostas, nos quais apenas uma parcela dos valores apostados retorna aos jogadores na forma de premiações”, diz o documento.

Os números do boletim são superiores aos registrados pelo Ministério da Fazenda para as casas de apostas autorizadas a operar no país em 2025. Segundo a pasta, a receita das bets legais somou R$ 36,9 bilhões.

Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), contudo, estima que as bets clandestinas representaram algo em torno de 41% a 51% do mercado total.

A diferença entre a estimativa do Comsefaz (R$ 62,5 bilhões) e o dado da Fazenda (R$ 36,9 bilhões) é de R$ 25,6 bilhões, equivalente a cerca de 41% do total estimado pelo boletim, percentual que coincide com o piso da faixa projetada pela LCA, embora os levantamentos não sejam diretamente comparáveis.

O boletim também analisou o impacto da entrada das bets no mercado regulamentado sobre o volume de transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026.

Para isso, os pesquisadores estimaram qual seria o volume esperado de transferências de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação caso não tivesse ocorrido a mudança provocada pela regulamentação. Depois compararam essa projeção com os valores efetivamente registrados. A diferença entre os dois cenários foi interpretada como o impacto atribuível às bets.

Como se trata de uma simulação estatística, os autores ressaltam que o resultado não representa uma relação de causa e efeito comprovada.

O volume médio mensal adicional atribuído às bets foi estimado em R$ 24,1 bilhões. Restringindo a análise ao ano de 2025, o acumulado alcança R$ 350,97 bilhões, evidenciando a magnitude do impacto sobre o volume anual de transações.

O boletim destaca, contudo, que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, em outubro de 2025, produziu uma desaceleração do crescimento das transações e a aproximação entre o volume de transferências estimado e o observado.

De acordo com o estudo, o fato de a proibição ter produzido efeito mensurável sobre o volume agregado de transações sugere que as famílias de menor renda têm participação relevante no mercado brasileiro de apostas esportivas online.

“Em conjunto com os elevados níveis de endividamento e de comprometimento da renda, esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico”, afirma o estudo.

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