Após derrota no 1º turno, Lula fala em “promiscuidade” no STF e defende mudar escolha de ministros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 5, um dia após terminar o primeiro turno da eleição presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Em reunião com aliados, Lula afirmou que sua candidatura está “carregando nas costas” o que classificou como uma “promiscuidade” estabelecida na Corte após as denúncias envolvendo ministros e pessoas ligadas ao Banco Master.
“Porque só tem um candidato que é antissistema. E somos nós, não tem outro candidato. E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”, afirmou Lula.
O presidente também defendeu uma reforma no sistema Judiciário e afirmou que o país precisa discutir uma nova forma de escolha dos ministros do Supremo. Atualmente, cabe ao presidente da República indicar os integrantes da Corte, que passam por aprovação do Senado.
“Precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher um ministro da Suprema Corte. É de interesse pessoal do presidente da República? É de pressão do Congresso Nacional? É de interesse do poder econômico? Não. Vamos ter que começar a discutir com a sociedade qual é o critério que a gente vai escolher para indicar um candidato a ministro da Suprema Corte. E se vai ter mandato ou não. Está na hora de discutir isso. A verdade é que ninguém está acima da lei nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei”, declarou.
A manifestação ocorreu durante encontro com políticos aliados que disputaram vagas ao Senado e governos estaduais. A reunião tratou dos rumos da campanha de Lula no segundo turno. Dirigentes de partidos aliados também participaram.
A mudança de tom ocorre após aliados avaliarem que a crise no Supremo prejudicou a campanha de Lula no primeiro turno. Segundo O Globo, interlocutores do presidente consideram que a proximidade atribuída a ele com integrantes da Corte contribuiu para associá-lo à imagem de “candidato do sistema”. Durante a primeira etapa da campanha, aliados já haviam aconselhado Lula a elevar o tom das críticas a ministros.
Lula também afirmou que não vê razão para ser derrotado no segundo turno e defendeu a aprovação ainda neste ano da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53,8 milhões, ou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Para a nova etapa da campanha, Lula afirmou que pretende conceder mais entrevistas a rádios, ampliar eventos e o contato com apoiadores. O presidente também indicou que pretende participar de debates, dos quais não participou no primeiro turno.
A crise no STF citada por Lula envolve os desdobramentos de um relatório da Polícia Federal com mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com referências ao ministro Alexandre de Moraes. O caso provocou uma sequência de divergências entre integrantes do Supremo nas últimas semanas.
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