prefeitura setembro
Notícia
01 out

SESI Escola do RN é selecionada para a final nacional do Desafio Liga Jovem por criar óculos inteligente

SESI Escola do RN é selecionada para a final nacional do Desafio Liga Jovem por criar óculos inteligente

Uma tecnologia criada para tornar os deslocamentos mais seguros e ampliar a autonomia de pessoas com deficiência visual levou a SESI Escola São Gonçalo do Amarante a um resultado inédito. A instituição conquistou, pelo segundo ano, o título estadual do Desafio Liga Jovem, realizado pelo Sebrae, e garantiu pela primeira vez uma vaga na final nacional da competição – que será em novembro, em Brasília. O projeto premiado Vision Tech foi desenvolvido por cinco estudantes da 1ª série do Ensino Médio.

A equipe formada por Isabelle Lawane Cardoso da Silva, Manuella França Lopes da Silva, Maria Julia Oliveira de Albuquerque, Mighuel Henrique de Lima Costa e Miguel Pacheco Trappel criou o V-Sense, um óculos inteligente pensado para auxiliar pessoas com deficiência visual na identificação de obstáculos durante a locomoção. O projeto tem orientação dos professores Wendell de Oliveira e Zânia Lobo.

A solução utiliza um sensor ultrassônico para identificar obstáculos à frente do usuário em tempo real. Quando um objeto é detectado a partir de aproximadamente 30 centímetros, o dispositivo emite um alerta por vibração. A proposta é atuar de forma complementar à bengala, especialmente na identificação de obstáculos aéreos ou localizados entre a altura do tronco e da cabeça, que podem não ser percebidos pelo instrumento tradicional.

“A ideia nasceu da observação de dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual nos espaços urbanos. A partir disso, os estudantes passaram a pesquisar possibilidades de aplicação da tecnologia em acessibilidade, mobilidade e segurança, buscando desenvolver um dispositivo de baixo custo e com potencial de utilização no dia a dia”, disse.

Antes de chegar à competição, o projeto também foi levado para perto das pessoas que poderiam utilizá-lo. Os estudantes realizaram entrevistas e testes no Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos (IERC), parceiro no desenvolvimento da proposta.

De acordo com dados apresentados pela equipe, 80% dos participantes da validação consideraram a tecnologia um complemento essencial à bengala. A experiência também permitiu aos alunos identificarem necessidades e fazerem ajustes no projeto a partir da percepção dos usuários.

Segundo a professora Zânia Lobo, o desafio amplia o olhar dos estudantes para além da sala de aula, ao estimulá-los a perceber as necessidades de outras pessoas e da própria comunidade. “Eu acho interessante o desafio porque ele trabalha com o aluno a ideia de olhar para o outro, perceber uma necessidade, pensar na sua comunidade e em um problema que existe nela e tentar resolvê-lo. Quando a nossa escola se prontificou a participar, isso também mostra que a responsabilidade social do SESI está inserida na responsabilidade do professor de transmitir esses valores aos alunos”, afirma.

Para a superintendente regional do SESI-RN, Danielle Mafra, o resultado mostra como a educação pode transformar problemas observados pelos estudantes em oportunidades para criar soluções. “Esse resultado representa muito mais do que uma conquista em uma competição. Ele mostra o que acontece quando o estudante é estimulado a observar a realidade, identificar um problema e se colocar como parte da construção de uma solução. O Vision Tech traduz esse propósito ao unir conhecimento, tecnologia, inovação e compromisso social”, afirma.

Além do desenvolvimento do protótipo, os estudantes estruturaram um modelo de viabilidade financeira para o V-Sense, considerando possibilidades de comercialização no atacado e no varejo. O planejamento inclui custos de materiais, investimento inicial, margem, ponto de equilíbrio e prazo estimado de retorno.

Para Ana Karenine Medina, coordenadora de Educação do SESI-RN, a experiência também evidencia o papel do trabalho interdisciplinar na formação dos estudantes. “Projetos como o Vision Tech mostram que aprender não está restrito a uma disciplina ou a um conteúdo específico. Os estudantes precisam pesquisar, interpretar informações, utilizar conhecimentos científicos e matemáticos, desenvolver uma solução, testar, ouvir as pessoas e pensar também na viabilidade daquele produto. É um processo que desenvolve competências acadêmicas, tecnológicas, empreendedoras e socioemocionais ao mesmo tempo”, explica.

Desafio Liga Jovem
A conquista estadual é resultado de uma mobilização que envolveu cerca de 800 estudantes da SESI Escola São Gonçalo do Amarante, comenta Anderson Vieira, gerente da unidade. Participaram das atividades todos os alunos dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e das 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. Grande parte dos projetos inscritos foi desenvolvida a partir de atividades em sala de aula nas áreas de Linguagens, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Ciências da Natureza e Matemática.

“Durante o processo, os estudantes foram estimulados a identificar problemas reais, pesquisar, formular propostas, desenvolver protótipos e apresentar suas ideias”, relatou o gerente. De acordo com ele, a participação também envolveu professores de diferentes áreas, supervisão pedagógica, psicologia escolar, biblioteca, equipe de Tecnologia da Informação, setor administrativo e profissionais de apoio da escola.

A SESI Escola São Gonçalo do Amarante participa do Desafio Liga Jovem há quatro anos. Em 2026, tornou-se bicampeã estadual na categoria Ensino Médio. No ano passado, a instituição também chegou à semifinal da competição na categoria Ensino Fundamental. A classificação do Vision Tech estabelece agora um novo marco: será a primeira equipe da escola a disputar a final nacional.

A experiência também deixou um aprendizado que vai além do resultado da competição. “A gente não pensou na gente, a gente pensou nas pessoas, pensou na sociedade. E acho que esse ensinamento que o projeto nos trouxe é muito maior do que qualquer conquista”, afirma Isabelle Lauane.

Já Manuella França destaca que o desenvolvimento da solução foi resultado de três anos de trabalho e persistência. “A gente pegou uma dor mesmo da sociedade, dos deficientes visuais, que não têm muitas oportunidades de equipamentos que ajudem na sociabilidade, autonomia e independência. Então, a gente criou esse projeto para ajudar mesmo nessa dor”, explica.

A Missão Nacional do Desafio Liga Jovem ocorre em Brasília. A chegada das delegações está prevista para os dias 29 e 30 de novembro, seguida da apresentação dos projetos às bancas, entre 1º e 4 de dezembro. O anúncio dos vencedores ocorrerá no dia 4, durante o Festival LED, e o retorno das equipes está previsto para 5 de dezembro.

Tribuna do Norte

Clique no banner

Notícia
01 out

Transporte intermunicipal terá passe livre no RN durante as eleições

Transporte intermunicipal terá passe livre no RN durante as eleições

O transporte coletivo rodoviário intermunicipal do Rio Grande do Norte terá passe livre no fim de semana do primeiro turno das eleições para eleitores que precisarem viajar ao município onde votam.

O benefício foi autorizado pelo Decreto nº 35.935/2026 e vale para deslocamentos entre municípios potiguares. Nas linhas rodoviárias, a gratuidade será válida das 4h30 de sábado 3 até as 16h de segunda-feira 5.

Para embarcar, o eleitor deverá retirar previamente o bilhete gratuito e apresentar título de eleitor, e-Título ou outro documento que comprove identidade e local de votação. A volta exige comprovante de votação e uso do benefício na ida, salvo quando os dois bilhetes forem emitidos ao mesmo tempo.

Nas linhas semiurbanas metropolitanas, a gratuidade valerá durante todo o domingo 4. O transporte urbano de Natal também terá passe livre, conforme regra já aplicada aos domingos.

Agora RN

Clique no banner

Lojão do Real
Notícia
01 out

União Europeia sinaliza retomada de compras de frango e mel do Brasil

União Europeia sinaliza retomada de compras de frango e mel do Brasil

© Shutterstock

Suspensas desde 3 de setembro, as exportações de frango e de mel para a União Europeia (UE) podem ser retomadas no curto prazo. A indicação foi dada nesta quarta-feira (30) pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante reunião com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros de Comércio do G20. O grupo é formado pelas 19 maiores economias do planeta, mais União Europeia e União Africana.

Segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o representante europeu mencionou o resultado positivo de uma auditoria realizada recentemente no Brasil e afirmou que, após a conclusão dos procedimentos burocráticos, os embarques de carne de aves e mel para os países do bloco poderão ser retomados no curto prazo. 

Decisão técnica

A decisão final sobre a retomada das exportações será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia. A reunião técnica está prevista para os dias 20 e 21 de outubro.

O Ministério da Agricultura pediu que o relatório da auditoria seja incluído na pauta do comitê. Na avaliação divulgada nesta semana, a Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel e concluiu que o país apresenta condições para cumprir as exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.

Durante a fiscalização, os auditores verificaram, entre outros pontos, os controles brasileiros que impedem o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais ou aumentar o rendimento da produção.

Carne bovina

O governo brasileiro também tenta obter um procedimento acelerado para a retomada das exportações de carne bovina. Segundo a nota divulgada após a reunião, os representantes brasileiros manifestaram a expectativa de que o mesmo tratamento dado às cadeias de aves e mel possa ser aplicado à proteína bovina.

A situação, porém, envolve exigências adicionais. No caso da carne bovina, a comprovação do controle sanitário depende do acompanhamento de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate. Esse processo de rastreabilidade pode levar até dois anos, o que torna a reversão da restrição mais complexa.

A carne bovina também representa uma parcela relevante das exportações brasileiras de proteína animal destinadas ao mercado europeu.

Suspensão das vendas

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco para o uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária. As substâncias podem ser utilizadas no tratamento de infecções em animais, mas a legislação europeia proíbe seu uso para estimular o crescimento.

A suspensão das importações entrou em vigor em 3 de setembro e atingiu produtos como carne bovina, suína e de frango, além de mel, pescados, ovos e outros itens de origem animal.

Desde então, o governo brasileiro mantém negociações com autoridades europeias para reverter as restrições. A auditoria realizada neste mês nas cadeias de aves e mel foi considerada um passo positivo, mas não determina, por si só, a retomada das compras.

Outros produtos

Na reunião em Milwaukee, os ministros brasileiros e o comissário europeu também discutiram as restrições da União Europeia às importações de aço.

De acordo com o governo brasileiro, o bloco está revisando a distribuição das cotas para produtos siderúrgicos. A mudança poderá abrir espaço para o Brasil, embora o processo ainda tenha etapas adicionais previstas para 2027.

Noticias ao Minuto

Clique no banner

Lojão do Real
Notícia
01 out

TSE tem maioria para derrubar notícias falsas sobre Nossa Senhora e Flávio Bolsonaro

TSE tem maioria para derrubar notícias falsas sobre Nossa Senhora e Flávio Bolsonaro

© Getty Images

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta quarta-feira (30) para manter a decisão do ministro André Mendonça que derrubou publicações nas redes sociais com a notícia falsa de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) iria retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Dois ministros divergiram por discordarem da amplitude da medida.

Relator do caso, Mendonça foi o primeiro a votar. O magistrado disse que as ordens de remoção de conteúdo “não constituem censura prévia” nem violação à liberdade religiosa. Também afirmou que as decisões não englobam críticas e opiniões sobre questões alheias à notícia falsa. O entendimento foi seguido pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e pelo ministro Dias Toffoli.

Horas depois de apresentar o voto, Mendonça fez um ajuste no trecho que trata de uma publicação feita pelo humorista Antonio Tabet. O magistrado passou a propor a manutenção dessa postagem especificamente, por considerar que essa é a solução mais coerente com os critérios de intervenção mínima e de proteção da liberdade de expressão.

Na postagem, feita no X, Tabet afirmava, sem citar Flávio Bolsonaro, que “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. O humorista foi o responsável por protocolar uma ação no Supremo no âmbito de um processo relatado por Flávio Dino, que acabou por anular a decisão de Mendonça.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva abriu divergência para manter a derrubada de apenas algumas postagens, entendimento também adotado por Floriano de Azevedo Marques. A votação se encerra às 23h59 desta quarta-feira.

Como o plenário do TSE é formado por sete ministros, são necessários quatro votos para formar maioria.

Caso provocou decisões divergentes no STF

O julgamento na corte eleitoral foi pautado por Kassio na noite de terça-feira (29). Às vésperas do primeiro turno das eleições, o caso abriu uma nova disputa interna no STF (Supremo Tribunal Federal), com sobreposição de decisões de três diferentes ministros sobre o mesmo assunto.

No voto, Mendonça afirmou que são “irresponsáveis” as alegações de que a decisão proferida por ele na última sexta-feira (25) tenha implicado violação à liberdade religiosa, argumento utilizado pelo ministro do Supremo Flávio Dino para restaurar as publicações.

“Causa especial perplexidade a insinuação de que as decisões proferidas nestes autos teriam buscado impedir fiéis católicos de manifestar apoio ou devoção a Nossa Senhora Aparecida. Nada, absolutamente nada, nas decisões autoriza semelhante conclusão”, disse, salientando que não ordenou “proibições genéricas”.

O magistrado reiterou que a decisão preservava o direito irrestrito de qualquer pessoa de defender a manutenção do título de Nossa Senhora como padroeira e não proibia críticas a uma eventual proposta para retirar o título, nem manifestações de fé ou debates que envolvam religião e política.

Segundo Mendonça, a questão nunca foi a proibição de críticas, mas a divulgação da informação falsa que atribuía a Flávio o apoio, a articulação ou o compromisso com uma iniciativa que ele não teria formulado.

“Confundir uma fake news com restrição à fé representa inversão do conteúdo objetivo da decisão. A fé não estava em julgamento”, destacou.

Mendonça diz que decisão não atinge publicações futuras

O ministro disse que não houve suspensão de perfis, contas ou canais de usuários. Também negou que a determinação alcance publicações futuras, mas afirmou que ela se aplica às “sucessivas replicações” da notícia falsa.

Mendonça ponderou, por outro lado, que, se os provedores indisponibilizarem publicações indevidamente, quem se sentir prejudicado poderá acionar o relator para uma possível revisão.

O magistrado disse que, no julgamento sobre o Marco Civil da Internet pelo STF, discordou de atribuir às plataformas um papel mais ativo na remoção de conteúdos, mas afirmou que deve orientar suas decisões pela tese aprovada pela maioria.

Na sexta-feira, o ministro afirmou que as publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e uma suposta intenção de Flávio de retirar da santa o título de padroeira eram “notoriamente inverídicas”.

Por isso, determinou que as plataformas atuassem preventivamente contra a disseminação desses conteúdos, com a remoção imediata de publicações que reproduzissem a notícia falsa, mesmo sem uma nova ordem judicial específica.

Ministros divergem sobre alcance da remoção de posts

Depois de Mendonça apresentar o voto e ser acompanhado por Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva abriu divergência no plenário virtual.

Em seu voto, o ministro, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, fez uma análise preliminar considerando falsas as declarações de que Flávio teria apoiado ou articulado a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida.

Cueva, no entanto, propôs que o alcance da decisão do relator preservasse críticas, opiniões e manifestações sobre uma eventual atuação futura do candidato.

Na prática, o magistrado sugeriu o restabelecimento dos conteúdos removidos que se enquadrem nesses critérios e a manutenção da derrubada dos materiais que apenas compartilhavam a informação falsa sobre o senador.

Cueva também se posicionou contra a retirada da publicação do humorista Antonio Tabet.

Em relação às plataformas, o ministro defendeu ainda que a remoção preventiva de novas publicações dependa de uma definição clara, pela própria Justiça Eleitoral, do que é considerado ilegal. Em caso de dúvida, segundo ele, a orientação deve ser preservar a postagem e pedir esclarecimentos ao TSE.

Notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida viralizou nas redes

A notícia falsa sobre a retirada do título de padroeira do Brasil viralizou nas redes sociais na última quinta-feira (24).

Dias antes, havia circulado a interpretação de que o alinhamento de bispos católicos com discursos do presidente Lula (PT) estaria relacionado a um suposto temor de que Flávio Bolsonaro, caso fosse eleito, pudesse retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

No domingo, Dino anulou a medida de Mendonça e liberou as publicações, atendendo ao pedido de Antonio Tabet. Para o ministro, os conteúdos não apresentavam “grau de certeza” de ilicitude suficiente para justificar restrições à liberdade de expressão.

Fux contrariou Dino e restabeleceu suspensão dos posts

Na segunda-feira (28), Luiz Fux contrariou a ordem de Dino e voltou a dar razão a Mendonça, determinando novamente a suspensão das publicações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida.

Relator da ação sobre o Marco Civil da Internet, Fux justificou a adoção da medida citando a proximidade das eleições.

Segundo apurou a Folha de S.Paulo, integrantes da corte eleitoral avaliam que a escalada das tensões e a sucessão de liminares no Supremo poderiam ter sido evitadas caso o processo tivesse sido julgado anteriormente pelo colegiado do TSE.

Noticias ao Minuto

Clique no banner

Notícia
01 out

Eduardo ameaça diplomatas e promete ‘faxina’ se Flávio for eleito

Eduardo ameaça diplomatas e promete ‘faxina’ se Flávio for eleito

© Google

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ameaçou retaliar diplomatas que, segundo ele, atuaram para “sabotar” o governo de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), caso o irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja eleito presidente da República.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (30), Eduardo afirmou ter feito um levantamento de embaixadores e diplomatas do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e prometeu uma “faxina” no Itamaraty em um eventual governo do irmão. As declarações foram divulgadas inicialmente pelo Metrópoles e também repercutidas por outros veículos.

“Então, meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade porque eu vou estar na tua cola”, afirmou Eduardo.

Na sequência, o ex-deputado disse que os servidores que, na avaliação dele, não participaram de ações contra o governo de Jair Bolsonaro fariam parte de uma nova fase do Ministério das Relações Exteriores.

Eduardo diz ter mapeado diplomatas do Itamaraty

No vídeo, Eduardo afirmou que acompanhou as movimentações de embaixadores durante os últimos governos e que identificou quem entrou e saiu de postos diplomáticos durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A acusação de que integrantes do Itamaraty teriam “sabotado” o governo de Jair Bolsonaro é feita pelo próprio Eduardo. Reportagens anteriores relataram a existência de diplomatas que, durante a gestão Bolsonaro, buscaram conter ou contornar determinadas orientações da política externa.

Eduardo argumentou que servidores públicos devem executar as políticas definidas pelo governo eleito, independentemente de suas posições pessoais.

“[A faxina] é para evitar esse tipo de coisa e relembrar que diplomatas, embaixadores e qualquer cargo dentro do Itamaraty são de servidores públicos, que servem ao público, não a seus próprios gostos”, afirmou.

Caso de Lulinha na Espanha motivou novo ataque ao Itamaraty

O vídeo foi publicado depois da divulgação de uma informação sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Segundo reportagem do Metrópoles, um diplomata teria oferecido ajuda da Embaixada do Brasil na Espanha para encontrar uma escola para os filhos de Lulinha, que se mudou com a família para Madri em 2025.

Eduardo usou o episódio para questionar a atuação da representação diplomática.

“O dinheiro do brasileiro não é para proteger filho do presidente”, afirmou.

O ex-deputado comparou o episódio à própria mudança para os Estados Unidos e disse não ter recebido tratamento semelhante de representantes diplomáticos quando deixou o Brasil.

Eduardo promete retirar embaixador do Brasil na Espanha

Eduardo também afirmou que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, o embaixador do Brasil na Espanha estaria entre os primeiros a deixar o posto.

“Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente um dos primeiros a sair do posto será o embaixador do Brasil na Espanha, para dar o exemplo de que isso não acontecerá”, declarou.

O atual embaixador do Brasil na Espanha é o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Alberto Figueiredo. Na época mencionada no áudio apresentado por Eduardo, porém, o posto era ocupado por Orlando Ribeiro.

Eduardo já havia feito ameaças de mudanças no Itamaraty

Não é a primeira vez que Eduardo Bolsonaro fala em mudanças profundas no Ministério das Relações Exteriores caso o irmão chegue à Presidência.

Em maio, após a Embaixada do Brasil em Washington não autorizar a realização de uma entrevista coletiva de Flávio Bolsonaro em suas instalações, Eduardo publicou novas críticas ao Itamaraty.

Na ocasião, escreveu que os diplomatas não iriam “sabotar o governo Bolsonaro 2.0” e pediu que se preparassem para “reformas profundas”. As declarações provocaram preocupação entre integrantes da carreira diplomática ouvidos pelo UOL.

Aliados discutem reestruturação das carreiras diplomáticas

Além das declarações públicas de Eduardo, aliados discutem uma ampla reformulação da estrutura do Itamaraty em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Segundo a Folha de S.Paulo, Marcos Degaut, aliado de Eduardo na área de política externa, relatou a interlocutores a intenção de adotar uma reestruturação inspirada nas mudanças promovidas por Marco Rubio no Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Entre as ideias mencionadas estão mudanças no sistema de promoções, maior especialização dos diplomatas por regiões e temas e a criação de metas relacionadas a exportações, investimentos e inserção comercial.

Degaut também teria defendido a possibilidade de pessoas de fora da carreira diplomática ocuparem determinadas funções. Ao mesmo tempo, segundo a reportagem, afirmou que não haveria uma “caça às bruxas” nem perseguição por motivos políticos.

Noticias ao Minuto

Clique no banner

WhatsApp ⌃