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26 out

Ministros veem erros do TSE e do STF sobre prorrogação e esperam contestações, mas descartam anular eleição

Ministros veem erros do TSE e do STF sobre prorrogação e esperam contestações, mas descartam anular eleição

© Shutterstock

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) veem erros das duas cortes ao lidar com o pedido de prorrogação do horário de votação e aguardam contestações por parte da campanha perdedora, independentemente de qual seja.

Apesar de reconhecerem que a extensão da votação das 17h para as 19h causou confusão e abriu margem para questionamentos, dois magistrados e um interlocutor de outro ministro descartam, neste momento, uma medida drástica, como a anulação da eleição.

Um grupo do STF avalia que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, foi omisso ao não deliberar com celeridade sobre as denúncias de problemas no transporte público, que prejudicaram o deslocamento de eleitores em diversas cidades do Brasil.

Com a demora, a campanha petista acionou o Supremo, mas, na Corte, também houve morosidade. A petição foi apresentada às 15h46 e levou quase uma hora para ser distribuída, por sorteio, ao ministro Cristiano Zanin.

O gabinete do ministro divulgou a decisão mais de meia hora depois. O STF não explicou a demora.

A decisão de Zanin prorrogou das 17h para as 19h o horário de encerramento da votação em todo o Brasil, mas não houve tempo hábil para comunicar oficialmente a determinação às seções eleitorais.

Com isso, muitos locais de votação acabaram fechando as portas no horário originalmente previsto.

Diante do impasse, Zanin divulgou um novo esclarecimento, determinando que as urnas já fechadas permanecessem encerradas, mas que as seções ainda abertas respeitassem o novo horário.

O TSE ainda está apurando em quais locais específicos isso aconteceu.

Ministros descartam anulação da eleição neste momento
Às 19h, os ministros do TSE se reuniram em uma sala para acompanhar a totalização dos votos.

O clima era de normalidade, segundo uma pessoa que relatou a situação à Folha de S.Paulo.

Kassio Nunes Marques disse a um auxiliar que sua intenção era anunciar o resultado ainda neste domingo (25).

A avaliação desse interlocutor é a de que o TSE não pode antecipar movimentos. A Corte precisa preservar, ao máximo, um ambiente de institucionalidade e lidar com as contestações e os questionamentos à medida que forem apresentados à Justiça Eleitoral.

Dois ministros do STF aliados a Zanin concordam com essa avaliação.

Eles defendem a decisão do ministro devido à gravidade dos relatos sobre os obstáculos ao transporte de eleitores e lembram que o próprio PL também pediu a prorrogação do horário, mas sob o argumento de eventos climáticos.

Segundo esses magistrados, não há motivos para anular a eleição ou o segundo turno.

A avaliação é de que a Constituição prevê expressamente que o primeiro e o segundo turnos das eleições ocorram no primeiro e no último domingos de outubro, o que inviabilizaria a transferência da votação para outra data.

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26 out

Brasil despenca do 28º para o 62º lugar em ranking de crescimento da indústria

Brasil despenca do 28º para o 62º lugar em ranking de crescimento da indústria

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Apesar de uma pequena recuperação recente, a indústria de transformação brasileira segue entre as que menos crescem no mundo e está bem abaixo da posição que ocupava em 2024, quando figurava na metade de cima do ranking global.

Há apenas dois anos, no segundo trimestre de 2024, o Brasil ocupava o 28º lugar na lista dos países com maior avanço na produção industrial. Após forte aumento na taxa básica de juros (Selic), despencou para a 62ª posição no segundo trimestre deste ano.

A conclusão é de uma análise feita pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) a partir de dados da Unido, a organização da ONU (Organização das Nações Unidas) para o desenvolvimento industrial.

Os números apontam que, enquanto a indústria de transformação mundial avançou 7,6% entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2024, a brasileira cresceu somente 0,84% na mesma comparação.

O economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin, afirma que a escalada da Selic, que penaliza a indústria tanto do lado do investimento como da demanda dos consumidores, está diretamente relacionada ao tombo brasileiro no ranking durante o período.

Em setembro de 2024, os juros básicos, então em 10,50% ao ano, começaram a subir e atingiram 15% em junho de 2025, patamar onde se mantiveram até o início deste ano. Hoje a taxa, em um ciclo de queda desde março último, está em 13,75% ao ano.

“A taxa de juros é um condicionante poderoso da produção industrial. A indústria é muito sensível a ela porque produz bens duráveis, onde a demanda depende do patamar da Selic, e depende também de crédito para investir”, diz Cagnin.

No final de 2025, o Brasil chegou a atingir o 75º lugar no ranking, mas subiu algumas posições nos últimos trimestres. Para o economista do Iedi, a base de comparação fraca do ano passado, aliada à queda recente dos juros, ajudaram nesse movimento.

Ele afirma que, após amargar três trimestres consecutivos de queda anual, a indústria avançou 0,5% entre abril e junho sobre igual período de 2025. Apesar disso, ressalva, a manufatura mundial cresceu 3,7% nessa comparação, ritmo sete vezes maior, o que mostra um descompasso prejudicial ao Brasil em relação ao resto do mundo.

“Na margem melhorou um pouco, mas ainda próximo de zero, e muito longe do que estávamos em 2024”, afirma.

Entre os ramos da indústria mais afetados, ele diz que o destaque são os bens de capital (máquinas e equipamentos), onde juros elevados são especialmente prejudiciais. Esse segmento acumula queda de 5,3% da produção no ano até agosto, depois de fechar 2025 com recuo de 1,7%. Em 2024, havia crescido 9%.

“Essa é a parcela da indústria que está travada, porque existe o custo de oportunidade: para investir em bens de capital, as empresas precisam ter um retorno de no mínimo os juros básicos, porque senão vale mais a pena aplicar em títulos públicos.”

Outro destaque negativo são os bens de consumo duráveis, que também dependem de financiamento e que tiveram crescimento de apenas 2,1% no acumulado do ano até agosto -em 2024, a alta havia sido de 10,7%.

Já os segmentos ligados à renda corrente, como alimentos, bebidas, vestuário e calçados, são menos afetados porque dependem menos de crédito para serem consumidos, apesar de ainda demandarem algum grau de financiamento no Brasil, segundo Cagnin.

Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, a indústria brasileira enfrenta uma série de desafios. “O problema estrutural da indústria é o custo elevado em praticamente todos os itens que compõem sua produção”, diz.

Ele cita o custo Brasil (dificuldades estruturais, burocráticas, tributárias e econômicas que tornam o ato de produzir e fazer negócios no Brasil mais caro), além do custo trabalhista elevado e do custo de energia, historicamente alto. “Sem falar nos juros.”

Para Vale, o fato de a economia brasileira ser uma das mais fechadas do planeta manteve o país afastado das cadeias globais de produção, o que fica mais visível na comparação setorial entre países.

“Nosso foco de competitividade é nos setores que têm exposição aos mercados externos, como as commodities. A indústria relacionada a esses setores foi ganhadora. Mas aqui há um novo problema no horizonte, que é a forte presença da China em nossa pauta importadora industrial”, aponta.

RESILIÊNCIA DA INDÚSTRIA MUNDIAL

Há outro lado que explica a forte queda do Brasil no ranking, e ele está relacionado com a resiliência mostrada pela indústria internacional, a despeito de guerras, que levaram a rupturas em cadeias globais de fornecimento, e inflação persistente.

O motor, segundo dados da Unido citados pelo Iedi, são os setores de alta intensidade tecnológica, ligados à digitalização e à transição energética. Eles cresceram 2% no mundo no trimestre, com destaque para outros equipamentos de transporte (+3,8%) e computadores e eletrônicos (+3,4%).

Enquanto isso, os setores de menor intensidade tecnológica avançaram 0,4%. “Existe um processo de dinamismo industrial, e o que está por trás é principalmente a indústria de alta intensidade tecnológica, liderada por computação, transporte, digitalização e eletrificação”, diz Cagnin. “A Unido aponta que, desde a pandemia, essas atividades cresceram praticamente o dobro do que cresceu a indústria como um todo.”

O Brasil, entretanto, não vem conseguindo aproveitar esse movimento, aponta o economista do Iedi, já que esses segmentos não possuem a força que poderiam ter no mercado doméstico.

“São os ramos mais dinâmicos da indústria global nesse momento da história, mas são sub-representados na estrutura da produtividade brasileira”, diz. “Isso faz com que o Brasil perca o vento de popa que impulsiona o mundo.”

Para Cagnin, o cenário para os próximos meses segue restritivo. Os juros caem lentamente, mas o endividamento de famílias e empresas e a incerteza eleitoral pesam sobre os setores que dependem de confiança para decidir investimentos, como os de bens duráveis.

O mercado interno, com emprego e renda razoáveis, evita uma queda maior, mas não basta para iniciar um ciclo de expansão. “A indústria reage, mas o suficiente apenas para estancar a queda”, afirma.

Em 2027, ele espera mais desaceleração. O resultado dependerá da estratégia econômica do próximo governo e do ritmo de redução dos juros.
“A queda de juros demora para bater na atividade”, lembra. “O cenário para os próximos meses e a primeira metade do ano que vem ainda é muito restritivo, de freio de mão puxado.”

Vale, da MB Associados, afirma que a solução passa por buscar acordos com outros países e reduzir os custos de produção. “O caminho é por mais acordos comerciais com países mais ricos, como estamos fazendo com a União Europeia”, defende.

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26 out

Trump mantém silêncio após vitória de Lula

Trump mantém silêncio após vitória de Lula

© Getty Images

Até a madrugada desta segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não havia feito pronunciamento sobre o resultado do pleito presidencial no Brasil. O líder republicano desembarcou na Casa Branca na noite de domingo (25) e preferiu não falar com a imprensa.

Por outro lado, diversos líderes internacionais manifestaram-se prontamente para parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela conquista da reeleição. Entre as autoridades de direita na América Latina, a peruana Keiko Fujimori, o chileno José Antonio Kast e o presidente paraguaio, Santiago Peña, reagiram com rapidez ao pleito. Da mesma forma, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, felicitou Lula, ressaltando que a parceria entre ambos fez florescer as relações bilaterais entre os dois países.

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