Transplante de coração a paciente com cardiopatia grave é feito com sucesso em Natal
Com quadro de cardiopatia grave, em estágio avançado, um paciente de 67 anos recebeu um novo coração após transplante nesta quinta-feira (16), em Natal. De acordo com os médicos do Hospital Rio Grande, onde o órgão do doador foi transplantado para o receptor, o procedimento foi um sucesso. O paciente ficará na UTI em acompanhamento intensivo.
O paciente é morador de Natal e, segundo o hospital, não apresentava mais possibilidade de tratamento clínico ou cirúrgico, tendo o transplante como única alternativa para garantir a continuidade da vida. Ele era o único inscrito na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para o procedimento cardíaco no estado.
Ele recebeu o órgão de um homem de 27 anos que estava internado no Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, desde julho. O doador sofreu um traumatismo cranioencefálico após um acidente de moto. Com a autorização da família, foram captados o coração, o fígado, dois rins e duas córneas.
“O procedimento cirúrgico transcorreu conforme o esperado e foi concluído com êxito. Neste momento, o paciente será transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva Cardiológica, onde receberá acompanhamento intensivo da equipe multiprofissional”, disse o Hospital Rio Grande em comunicado.
As primeiras horas após o transplante são consideradas decisivas e exigem monitoramento contínuo. O paciente já possuía outras doenças associadas em função da insuficiência cardíaca e, por isso, a sua evolução clínica será acompanhada diariamente. Por causa disso, não é possível, neste momento, estimar o tempo de internação.
Como ocorre em todos os transplantes cardíacos, o paciente iniciará o tratamento imunossupressor, indispensável para prevenir a rejeição do novo órgão e garantir a melhor evolução possível.
Ação mobilizou equipes médicas e forças de segurança
Para ser possível o transplante, foi necessária uma complexa operação de captação, transporte e transplante de órgãos entre os municípios de Mossoró e Natal. A ação foi coordenada pela Central de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), e mobilizou equipes médicas, forças de segurança e profissionais de logística para garantir que o órgão chegasse ao hospital dentro do tempo adequado para a realização dos procedimentos.
A operação teve início com a autorização da família para que fosse feita a captação dos órgãos do doador, vítima de trauma cranioencefálico decorrente de acidente de moto. A retirada dos órgãos foi realizada por profissionais da equipe médica do Hospital Rio Grande e Hospital Universitário Walter Cantídio, em Fortaleza, para onde foi encaminhado o fígado. Após a captação, o coração, os rins e as córneas foram transportados para Natal a bordo da aeronave Potiguar 02, que pousou no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, na capital, no início da tarde.
Do local, o coração seguiu em carro escoltado por batedores da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) até o Hospital Rio Grande, para realização do transplante no paciente de 67 anos, que era atualmente o único inscrito na fila do SUS para o procedimento cardíaco no Rio Grande do Norte.
Os rins foram encaminhados ao Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), onde outros dois receptores aguardavam os órgãos para o transplante. A fila de pessoas que necessitam de rins no RN é de 346 e com esses dois órgãos captados hoje, fica em 344 pessoas.
A operação contou com a atuação integrada da Central de Transplantes da Sesap, equipes médicas, Polícia Militar, STTU, e demais servidores envolvidos na logística de transporte entre as duas cidades. A articulação entre as instituições foi fundamental para reduzir o tempo de deslocamento e assegurar que todas as etapas ocorressem dentro dos prazos exigidos para a preservação dos órgãos.
De acordo com coordenadora da Central Estadual de Regulação da Sesap, Letícia Duarte, o trabalho da Central Estadual de Transplantes, aliado ao apoio das instituições parceiras, é essencial para garantir o acesso dos pacientes ao transplante e transformar a decisão pela doação de órgãos em uma nova oportunidade de vida para quem aguarda na fila do SUS.
O transporte de órgãos para transplante é uma das operações mais sensíveis da rede de saúde, exigindo planejamento, rapidez e integração entre diferentes órgãos públicos. Em procedimentos como o transplante cardíaco, cada minuto é decisivo para preservar a viabilidade do órgão e ampliar as chances de sucesso da cirurgia.
Tribuna do Norte



