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14 ago

Jornalista que teve sigilo violado por Moraes nega ter monitorado Dino

Jornalista que teve sigilo violado por Moraes nega ter monitorado Dino

Investigado no Inquérito das Fake News por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o jornalista Luís Pablo, 40 anos, nega ter monitorado ou perseguido o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus familiares. O repórter teve o sigilo de suas comunicações quebrado pela Polícia Federal (PF) — medida que revelou sua fonte de informação e gerou fortes reações de entidades de imprensa, que apontaram violação ao direito constitucional do sigilo de fonte (Art. 5º da Constituição).

As reportagens publicadas por Luís Pablo revelaram o uso supostamente irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pela família de Dino, antes que houvesse formalização do pedido de cessão entre o STF e o tribunal estadual.

Em entrevista ao Poder360 nesta quinta-feira (13), o jornalista rechaçou as acusações de perseguição e de ter recebido pagamentos para atacar o magistrado:

  • Atuação e Fonte: Afirma que apenas divulgou documentos entregues de forma espontânea por sua fonte, o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, e que não realizou campo ou monitoramento presencial.
  • Repasses Financeiros: Explicou que o valor citado no relatório da PF tratou-se de um empréstimo pessoal feito em setembro com o advogado Diogo Lima — quitado em fevereiro —, mais de um mês antes de ter acesso ao material da reportagem, recebido apenas em 1º de novembro.
  • Contraditório: Garante que seguiu os ritos jornalísticos, buscando o posicionamento oficial do STF e do TJ-MA via e-mail institucional antes de publicar o texto.

Reações no STF

Durante sessão no plenário do STF, o ministro Flávio Dino classificou as investigações como legítimas e afirmou que ele e seus filhos foram alvo de fotos e acompanhamento ostensivo, comparando a situação a episódios da ditadura militar.

O ministro Luiz Edson Fachin defendeu a apuração de eventuais crimes ou ameaças aos magistrados, mas ressaltou que as investigações não devem ultrapassar os limites da “atividade jornalística legítima exercida no cumprimento de sua função constitucional”. Já o ministro Alexandre de Moraes declarou apoio a Dino, afirmando que o sigilo da fonte não pode ser utilizado como “instrumento de impunidade criminal”.

Outro Lado

A defesa de Raimundo Cutrim apontou suspeição superveniente no processo, destacando que o ex-secretário já era alvo de um inquérito relatado pelo próprio ministro Flávio Dino. O espaço segue aberto para a manifestação da defesa do advogado Diogo Lima.

BG

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