Justiça manda bet pagar R$ 9,6 mil a apostadora após cancelamento de quatro apostas vencedoras
A Justiça potiguar manteve a condenação da Kaizen Gaming Brasil Ltda. ao pagamento de R$ 9.683,53 a uma apostadora do Rio Grande do Norte. O valor corresponde ao lucro de quatro apostas vencedoras que foram canceladas pela plataforma após uma partida de futebol disputada em julho de 2025.
A empresa havia devolvido R$ 14.592,61 referentes aos valores apostados, mas não pagou os ganhos. A justificativa foi de que as apostas teriam sido afetadas por informações incorretas sobre o evento.
A Kaizen recorreu e alegou que as apostas foram feitas após o encerramento da partida, quando o resultado já seria conhecido, e que a consumidora teria se aproveitado de uma falha no sistema. O argumento, porém, não foi aceito pela Primeira Turma Recursal.
Segundo o relator, juiz Mádson Ottoni, a empresa não apresentou provas técnicas suficientes de erro no sistema ou de irregularidade que justificasse o cancelamento. A decisão também destacou que a plataforma manteve uma aposta desfavorável à consumidora no mesmo evento, mas cancelou aquelas que resultaram em lucro.
Com isso, a Justiça determinou o pagamento dos R$ 9.683,53. O pedido de indenização por danos morais, entretanto, foi negado, por não ter sido identificada violação a direito da personalidade.
Pesquisa aponta irregularidades entre apostadores
Um levantamento do Instituto Locomotiva mostrou que 77% dos usuários de plataformas de apostas esportivas no Brasil admitiram ter praticado pelo menos uma conduta considerada irregular nos três meses anteriores à pesquisa.
Entre as práticas estão apostar em plataformas sem reconhecimento facial, utilizar sites sem o domínio “bet.br”, fazer depósitos com cartão de crédito e usar criptoativos para financiar apostas.
A prática mais citada foi o uso de plataformas que não exigem reconhecimento facial, mencionada por 53% dos entrevistados. Outros 48% disseram ter utilizado sites sem o domínio “bet.br”, enquanto 37% relataram uso de cartão de crédito e 23%, de criptoativos.
Considerando duas ou mais dessas práticas, 50% dos entrevistados foram classificados como apostadores irregulares. O índice foi maior entre pessoas de 18 a 29 anos, chegando a 54%.
O estudo também apontou que 63% dos entrevistados acreditam que o governo federal poderia fazer mais para combater plataformas ilegais de apostas. Entre os apostadores classificados como irregulares, 58% compartilham dessa avaliação.
A pesquisa ouviu 2.291 pessoas em maio deste ano e tem margem de erro de 2,1 pontos percentuais.


