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07 ago

Apesar da alta no Ideb, aprendizagem no Estado está entre as piores do Brasil

Apesar da alta no Ideb, aprendizagem no Estado está entre as piores do Brasil

Foto: Arquivo TN

Se, por um lado, o Rio Grande do Norte comemorou o maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de sua série histórica, por outro, os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que mede a aprendizagem dos estudantes, mostram uma evolução discreta e mantêm o estado entre os estados com pior desempenho do país. O índice em 2025 ficou em 4,0 considerando todas as modalidades do ensino médio e 3,9 no ensino médio regular.

Considerando apenas o desempenho dos estudantes no Saeb, a rede estadual potiguar ficou na 23ª posição entre as 27 redes estaduais, à frente apenas de Amapá, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro. A nota padronizada utilizada no cálculo do Ideb passou de 4,11 para 4,17. Em Língua Portuguesa, a média subiu de 257,71 para 260,73 pontos, avanço de 3,02 pontos. Em Matemática, disciplina em que historicamente os resultados são mais baixos, a nota passou de 253,69 para 254,60, alta de apenas 0,91 ponto.

Contudo, o fluxo escolar, teve peso decisivo no resultado, isso porque, além do Saeb, o Ideb considera o rendimento escolar, calculado a partir das taxas de aprovação. Nesse indicador, entre 2023 e 2025, a taxa no ensino médio da rede estadual passou de 75,8%, então a melhor da série histórica, para 93,4%. O índice é o 22º melhor entre as 27 unidades da Federação, à frente de Maranhão, Paraíba, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal.

A melhora ocorreu após a ampliação da progressão parcial para estudantes reprovados em até seis componentes curriculares. A medida passou a permitir que esses alunos avancem para a série seguinte, mantendo dependências a serem cursadas posteriormente. A Secretaria de Educação de Estado afirma que a mudança no modelo de reprovação não teve influência no avanço do Ideb.

Para a doutora em Educação Cláudia Santa Rosa, o Ideb revela um avanço importante, mas não pode substituir a análise sobre a aprendizagem efetiva. “O estado conseguiu avançar no número, mas em um contexto de questionamentos sobre a estratégia. O desafio de garantir aprendizagem que resulte em aprovações no curso natural do ano letivo permanece.”

Segundo ela, a evolução observada nas notas do Saeb não acompanha o crescimento registrado pelo Ideb. “Como se explicam percentuais altos de aprovação nas escolas se os mesmos estudantes não deram conta de mostrar proficiência na prova do Saeb? O Ideb precisa servir para comunicar a necessidade de corrigir rotas de aprendizagem, e não como um número que precisa crescer para ser estampado.”

Para Denise Bortoletto, doutora em Educação e diretora do Núcleo de Educação da Infância (NEI-CAp/UFRN), os resultados ainda estão aquém do necessário para uma mudança consistente na qualidade da educação. “Eu vejo como um avanço muito discreto essa pontuação, que foi considerada levemente superior ao índice anterior.”

Embora reconheça o avanço obtido pelo estado, ela lembra que o Ideb deve ser interpretado como um indicador de todo o percurso formativo do estudante. “O índice mede não apenas a aprendizagem de uma turma, mas a evolução do processo que o estudante vivenciou ao longo do ensino médio.”
“Não há segredos: os estudantes precisam aprender. A educação do RN precisa de um tratamento sem gambiarras. Falo de gestão, escolas que funcionem, bem acompanhadas, formação com foco na prática pedagógica”, destaca Cláudia Santa Rosa.

Apesar da avaliação crítica sobre os indicadores estaduais, ela afirma que experiências exitosas demonstram ser possível alcançar resultados mais consistentes. “A minha escola alcançou o maior Ideb entre as estaduais e o segundo maior de todo o Rio Grande do Norte. O segredo foi um projeto consistente, liderança pedagógica, envolvimento das famílias e uma equipe comprometida”, frisou.

Na avaliação de Denise Bortoletto, o estado precisa intensificar investimentos voltados ao ensino médio. “Ainda precisamos avançar muito e corrigir as rotas, principalmente nas questões relacionadas ao ensino médio em tempo integral, à formação integral dos estudantes e ao fortalecimento de políticas públicas educacionais voltadas especificamente para esse segmento.”

Progressão parcial

A secretária de Educação, Socorro Batista, destacou, durante a divulgação dos resultados na quarta-feira (5), que a melhora do índice não pode ser atribuída apenas ao fluxo escolar, pois a evolução da proficiência dos estudantes também contribuiu para o resultado. “O Ideb é um somatório em que a proficiência tem seu peso. À medida que os alunos melhoram a aprendizagem, que a proficiência aumenta, a gente tem um resultado que se reflete na média do Ideb”, afirmou.

Ela ressaltou que a nota padronizada do Saeb também cresceu em relação à edição anterior e atribuiu o desempenho ao monitoramento permanente das escolas e às ações de recomposição das aprendizagens.
Segundo a secretária, a progressão parcial representa uma parcela reduzida dos concluintes do ensino médio: 377 estudantes avançaram com dependência em seis disciplinas e 520 em cinco, o equivalente a cerca de 0,35% dos alunos que concluíram essa etapa em 2025. “Quando você calcula isso sobre o quantitativo de estudantes que concluíram o ensino médio em 2025, o impacto é praticamente zero.”

Socorro Batista acrescentou que a progressão parcial não foi criada para elevar indicadores educacionais, mas para reduzir a evasão e o abandono escolar. “O maior quantitativo de estudantes ficou com dependência em até duas disciplinas, e isso já acontecia desde 2016.”

Embora haja divergências sobre o peso do aumento da aprovação no resultado final do Ideb, governo e especialistas convergem quanto à necessidade de ampliar a recomposição das aprendizagens, fortalecer a formação de professores, melhorar as condições das escolas e consolidar políticas capazes de transformar o avanço do indicador em melhoria efetiva da qualidade da educação.

Natal melhora, mas tem pior índice entre as capitais

A rede municipal de Natal alcançou nota 4,8 nos anos iniciais do ensino fundamental, abaixo da média nacional (6,1), embora tenha evoluído em relação aos 4,5 registrados em 2023. Isso coloca a capital na última posição entre as capitais brasileiras.

O índice ficou apenas 0,1 ponto abaixo do melhor resultado da série histórica do município, registrado em 2017 e repetido em 2019 (4,9). Nos anos finais do ensino fundamental, a nota passou de 3,3 para 3,7, alta de 0,4 ponto. “É assustadora a dificuldade de avançar na aprendizagem de forma consistente. Natal é uma rede que precisa evoluir porque responde por uma fatia importante das matrículas e gera impactos também na rede estadual”, avalia a doutora em Educação Cláudia Santa Rosa.

A secretária adjunta de Gestão Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Natal, Naire Jane Capistrano, afirmou que a evolução da aprendizagem tem ocorrido de forma consistente na maior parte das escolas da rede e que isso se reflete nos resultados do Saeb. Segundo ela, o desempenho é resultado de ações como o fortalecimento do planejamento estratégico, a ampliação da formação continuada e do assessoramento pedagógico, além da contratação de professores, investimentos na infraestrutura das escolas, aquisição de material didático e avaliações diagnósticas.

Naire acrescentou que a secretaria pretende intensificar e consolidar essas estratégias para ampliar os resultados da rede municipal. “Recebemos a missão de transformar a educação pública em uma política baseada em planejamento, método, acompanhamento e valorização das pessoas. Os resultados do Ideb mostram que estamos no caminho certo”, declarou o secretário, Aldo Fernandes.

Para a doutora em Educação Denise Bortoletto, o desempenho da capital reforça a necessidade de investimentos permanentes na área. “É preciso pensar em políticas públicas que valorizem a infância, a formação continuada dos professores, a carreira docente e melhores condições de trabalho. Também são necessários mais recursos para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental.”

Tribuna do Norte

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