Abaixo-assinado por cassação de Nikolas ultrapassa 100 mil assinaturas
Um abaixo-assinado que pede a cassação do mandato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) superou a marca de 100 mil assinaturas e se tornou mais um capítulo da disputa política em torno da atuação do parlamentar nas redes sociais. A iniciativa é encabeçada pelo ex-presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros, e pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), que também protocolaram representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o parlamentar mineiro.
Até a tarde desta terça-feira (13/1), a petição contabilizava 100.794 assinaturas. O documento sustenta que Nikolas ultrapassou os limites da imunidade parlamentar ao publicar uma montagem que retrata o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo preso por militares dos Estados Unidos. A imagem, gerada por inteligência artificial, foi divulgada após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação autorizada pela Casa Branca, e sugere que o chefe do Executivo brasileiro poderia ter destino semelhante.
O texto do abaixo-assinado afirma que a publicação configuraria apologia a crime e estímulo à intervenção estrangeira no Brasil. Os organizadores pedem que o Ministério Público investigue a conduta do deputado e defendem punições que vão da perda do mandato à prisão. A campanha também relembra episódios anteriores envolvendo Nikolas, como a divulgação de informações falsas sobre o sistema PIX, condenações por falas consideradas machistas e investigações relacionadas a atos antidemocráticos.
A mobilização virtual se soma a uma série de iniciativas formais apresentadas por parlamentares de esquerda. No domingo passado (4/1), Ivan Valente e Juliano Medeiros anunciaram que ingressariam com representação na PGR. Em publicação nas redes sociais, Medeiros afirmou que a imunidade parlamentar não protege congressistas quando há ameaça à soberania nacional ou sugestão de intervenção estrangeira.
A reação se ampliou nos dias seguintes. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) também acionou a Procuradoria, incluindo na representação o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ela, ambos teriam feito apologia ao crime de golpe de Estado ao defender ou relativizar a possibilidade de interferência externa no país. Para Hilton, autoridades eleitas não podem propor ataques à soberania nacional, independentemente do contexto político.
A publicação de Nikolas Ferreira alcançou mais de 7 milhões de visualizações e gerou forte repercussão no meio político. Em meio às críticas, o deputado minimizou o episódio. Em conversa com a imprensa na última segunda-feira (5/1), durante agenda na Santa Casa de Belo Horizonte, afirmou que a imagem não passava de “um meme” e negou defender a captura do presidente brasileiro.
Segundo ele, a intenção seria cobrar punição a pessoas que considera criminosas. “Acho que pode postar meme ainda, né?! ‘Ah, Nikolas, você deseja que capturem o presidente do do Brasil? Não tô dizendo isso.’ O meu desejo é muito claro: é de que os criminosos do nosso país também paguem pelos seus crimes”, disse.
Nikolas Ferreira (PL-MG) durante agenda em Belo Horizonte; publicação nas redes sociais motivou representações na PGRcrédito: Túlio Santos/EM/D.A.Press
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