Inadimplência do agro potiguar no 1º trimestre é a mais alta do Nordeste
Foto: JÚNIOR SANTOS/ARQUIVO TN
O índice de inadimplência do agronegócio potiguar foi de 13% no primeiro trimestre de 2026, o mais alto do Nordeste e o sexto maior do Brasil, de acordo com dados da Serasa Experian. Em seguida, na região, vêm os estados do Maranhão (12,1%), Piauí e Alagoas (ambos com 11,8%). Para o levantamento, a Serasa Experian considera as dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio. No Nordeste, a inadimplência do setor foi de 10,2%, e de 8,8% no país, ambas abaixo do índice potiguar.
Para a Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern), entre os fatores para o quadro estão a elevação dos custos de produção, especialmente com insumos, alimentação animal, energia e logística, a irregularidade climática, que compromete a produtividade e a renda dos produtores, e um ambiente financeiro mais desafiador, marcado por juros elevados.
“Além do aumento do custo do crédito, observa-se também maior seletividade por parte das instituições financeiras na concessão e renovação de operações, o que dificulta o acesso ao financiamento, sobretudo para produtores que já apresentam alguma restrição financeira. No RN, esses fatores são potencializados pela elevada exposição da agropecuária às oscilações climáticas, contribuindo para que o estado apresente um índice de inadimplência superior às médias do Nordeste e do Brasil”, escreveu a federação, em nota.
A inadimplência, de acordo com a Faern, reduz a capacidade de investimento do produtor e limita seu acesso a novas operações de crédito, comprometendo decisões fundamentais para o ciclo produtivo. Segundo a federação, isso pode afetar a aquisição de insumos, o preparo das áreas, a irrigação, a recuperação de pastagens, a adoção de tecnologias e outros investimentos necessários para manter a produtividade e a competitividade das propriedades.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetarn), Erivan do Carmo, avalia que no caso dos pequenos agricultores o cenário tem a ver, especialmente, com as questões climáticas. “Temos um clima semiárido e muitas vezes o que acontece é que um projeto dependente do ciclo de chuvas se perde, acaba não se concretizando”, avalia.
O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Sape), Guilherme Saldanha, pontuou que, apesar do cenário, medidas recém-adotadas pelo governo federal na semana passada, podem trazer um alívio para os produtores.
“O Governo editou uma Medida Provisória tratando do endividamento junto aos bancos referente ao crédito rural. É algo que vai dar um alívio e permitir a regularização de débitos para que os produtores consigam acessar um novo crédito rural”, disse Saldanha, referindo-se à MP nº 1376, que autoriza a criação de linhas especiais destinadas à composição e renegociação de dívidas.
A medida abrange produtores vinculados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e a outras linhas de crédito rural, oferecendo prazos alongados e taxas de juros diferenciadas.
Tribuna do Norte


