Polícia | Operação Conto da Sorte investiga esquema bilionário de apostas e tem Bodó no RN centro das apurações
Destaque: A investigação do Ministério Público aponta que a Lotseridó, criada pela Prefeitura de Bodó, teria sido utilizada para dar aparência de legalidade a plataformas de apostas online que movimentaram bilhões de reais em todo o país.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta última quinta-feira (18) a Operação Conto da Sorte, com ações simultâneas nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo. A investigação apura um esquema de exploração irregular de apostas de quotas fixas e jogos de azar pela internet, além de crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, exploração de loterias não autorizadas e crimes contra as relações de consumo.
De acordo com o MPRN, o município de Bodó, localizado na região do Seridó potiguar, aparece como peça central nas investigações. Segundo os promotores, a Lotseridó, órgão criado pela administração municipal, teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade a dezenas de plataformas de apostas que operavam em âmbito nacional.
As apurações tiveram início após análises da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e contaram com a atuação conjunta da Receita Federal e dos Ministérios Públicos de Pernambuco, Ceará e São Paulo.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra sete pessoas físicas e seis empresas nos municípios de Recife, Caruaru e Toritama, em Pernambuco; Fortaleza, no Ceará; além de São Paulo e Iguape, no estado paulista.
Segundo a investigação, as empresas vinculadas ao esquema teriam arrecadado cerca de R$ 415 milhões em apenas dez meses de funcionamento, gerando repasses superiores a R$ 8,3 milhões para os cofres municipais de Bodó. Além disso, uma das empresas investigadas movimentou aproximadamente R$ 4,6 bilhões em créditos ao longo de 2025.
Os investigadores também identificaram uma rede de empresas registradas em nome de laranjas, incluindo pessoas de baixa renda e beneficiários de programas sociais. Em um dos casos, foram encontradas 21 empresas registradas em um mesmo endereço considerado fictício no município de Bodó.
Em novembro de 2025, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 145 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados. A medida incluiu contas bancárias, aplicações financeiras, veículos, imóveis e planos de previdência privada.
O Ministério Público sustenta que municípios não possuem competência legal para criar ou regulamentar loterias e apostas, entendimento que segue decisões do Supremo Tribunal Federal. As investigações continuam e buscam identificar todos os envolvidos, interromper as atividades consideradas irregulares e garantir a reparação dos prejuízos causados aos consumidores.
Divulgação/MPRN


