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27 ago

Após enxurradas, Nepal e China ainda buscam mais de 1.300 desaparecidos

Após enxurradas, Nepal e China ainda buscam mais de 1.300 desaparecidos

© Lusa

Equipes de resgate continuam procurando mais de 1.300 pessoas desaparecidas após enxurradas atingirem áreas do Nepal e da China, na região dos Himalaias. O número de mortos chegou a pelo menos 168, segundo os balanços mais recentes divulgados pelas autoridades dos dois países.

No Nepal, a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres contabiliza 165 mortes e 826 desaparecidos. Os trabalhos de busca foram reforçados principalmente nos distritos de Nuwakot e Rasuwa, entre os mais afetados pelas chuvas.

Na China, as autoridades elevaram de 265 para 558 o número de desaparecidos em Shigatse, na região do Tibete. Três mortes foram confirmadas até o momento.

Estradas e prédios são destruídos no Nepal

Imagens feitas por drones mostram a dimensão dos danos em território nepalês. Estradas foram destruídas, veículos ficaram soterrados e prédios foram atingidos por grandes volumes de água e lama.

Em Nuwakot, imagens mostram construções cobertas por lama até a altura dos segundos andares. Destroços também ficaram presos em árvores e cabos, enquanto sobreviventes apareciam cobertos de lama após conseguirem deixar as áreas atingidas.

As inundações interromperam deslocamentos em diferentes pontos da região, dificultando o acesso das equipes de emergência.

Os vales e encostas abaixo da cordilheira dos Himalaias formam importantes corredores de transporte e atividade econômica, mas sua geografia também aumenta a vulnerabilidade a enchentes e deslizamentos de terra.

Estrangeiros estão entre os desaparecidos

Antes da atualização mais recente, as autoridades nepalesas haviam informado que 403 pessoas estavam desaparecidas, das quais 341 eram estrangeiras.

Segundo Sunil Sharma, porta-voz do órgão de turismo do Nepal, 133 cidadãos indianos que participavam de uma peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete, estavam entre os desaparecidos. O local é considerado sagrado pelo hinduísmo.

A relação divulgada também incluía 47 cidadãos dos Estados Unidos, 34 australianos, 33 britânicos e 24 canadenses.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal informou que dois portugueses, um homem e uma mulher, também estão entre as pessoas desaparecidas.

Região já havia enfrentado desastre semelhante

A área atingida voltou a sofrer com enxurradas cerca de um ano após outro episódio de grande impacto.

Em agosto de 2025, um lago glaciar no Tibete transbordou após o aumento das temperaturas. Nove pessoas morreram e infraestruturas importantes foram danificadas, entre elas uma ponte que fazia a ligação entre Nepal e China.

Os Himalaias, que atravessam diferentes países do sul da Ásia, concentram alguns dos picos mais altos do planeta e grande quantidade de geleiras.

Fenômenos meteorológicos extremos, como monções mais intensas e o derretimento de geleiras, vêm se tornando mais frequentes em meio ao aquecimento provocado pelas mudanças climáticas de origem humana.

O governo do Nepal ainda não solicitou ajuda internacional. A Austrália, porém, informou que mantém contatos com autoridades nepalesas, Nações Unidas, Cruz Vermelha e outras organizações para avaliar uma eventual resposta humanitária.

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