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17 out

Setor de bonés no Estado aponta perdas de R$ 2,5 mi após proibição de apostas

Setor de bonés no Estado aponta perdas de R$ 2,5 mi após proibição de apostas

Foto: Divulgação

A proibição das apostas esportivas e dos cassinos online no Brasil provocou perdas estimadas em R$ 2,95 milhões para duas fabricantes de bonés do Seridó potiguar. As empresas WRL Bonés e DF Bonés e Chapéus relatam o cancelamento de encomendas que somavam 500 mil peças, destinadas a operadoras de apostas.

Os pedidos envolveriam trabalhadores das fábricas, oficinas terceirizadas e pequenos produtores da região de Caicó, um dos principais centros de fabricação de bonés do Rio Grande do Norte. Os valores correspondem ao faturamento previsto com as encomendas, e não a prejuízos financeiros já contabilizados.

A WRL Bonés concentra a maior parte das perdas informadas. A empresa tinha uma encomenda de 300 mil unidades para a plataforma Esportes da Sorte, com receita estimada em R$ 2,1 milhões. A produção mobilizaria aproximadamente 200 trabalhadores, entre funcionários da própria fábrica e profissionais vinculados a fornecedores. Com o cancelamento, a fabricante enfrenta dificuldades para substituir o volume de pedidos, segundo a diretora Larissa Almeida. “Muitos trabalhadores serão afetados. A verdade é que todos no setor estão arrasados com esse impacto inesperado”, afirma Larissa.

Segundo ela, a empresa não possui atualmente outros clientes com demanda suficiente para absorver a capacidade produtiva que seria utilizada no atendimento à operadora de apostas. A situação aumenta a preocupação com a manutenção da atividade e a renda dos profissionais envolvidos na cadeia de produção.

Na DF Bonés e Chapéus, as encomendas canceladas representam R$ 850 mil em faturamento previsto, correspondentes à fabricação de 200 mil peças. A produção estava programada para começar em novembro e envolveria aproximadamente 50 pequenos produtores. A empresa procura alternativas comerciais para compensar a perda dos contratos e evitar desligamentos.

O impacto ultrapassa as instalações das duas fabricantes. Parte da produção de bonés na região é realizada por oficinas e trabalhadores terceirizados, que dependem das encomendas das empresas para manter suas atividades. A redução dos pedidos pode afetar desde a compra de materiais até os serviços de costura, montagem e acabamento, distribuídos entre diferentes estabelecimentos.

“Só aqui na cidade de Caicó são cerca de 30 fábricas de bonés e chapéus impactadas. Os terceirizados até me contaram os planos para o dinheiro que iriam receber – um iria comprar uma moto para trabalhar, outro reformar casa, outro visitar parentes distantes. Perdemos muito”, afirma Elnio, representante da DF Bonés e Chapéus.

Além do Esportes da Sorte, as fabricantes mantêm relações comerciais com marcas como Betnacional e Sportingbet. As encomendas de bonés fazem parte das ações promocionais e de divulgação dessas empresas, que utilizam produtos personalizados para exposição de suas marcas. Com a interrupção das atividades das operadoras, os fornecedores passaram a enfrentar incertezas sobre a continuidade dos contratos.

Embora as duas fabricantes tenham informado o volume de encomendas perdidas, ainda não existe um levantamento consolidado sobre os efeitos da medida no conjunto do polo de bonés do Seridó. Também não foram quantificados os eventuais desligamentos ou a redução de renda entre trabalhadores terceirizados. A dimensão dos impactos dependerá da capacidade das empresas de conquistar novos clientes e substituir os contratos cancelados.

Setor de apostas projeta mais demissões no País

As perdas relatadas pelas fabricantes potiguares fazem parte de uma redução mais ampla das atividades ligadas ao mercado de apostas. Segundo levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), divulgado em outubro, mais de 3,5 mil trabalhadores perderam seus empregos após a edição da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de apostas esportivas e jogos online no Brasil.

A pesquisa também identificou 4.167 funcionários colocados em férias coletivas, elevando para mais de 7,6 mil o número de profissionais diretamente afetados pelas medidas adotadas pelas operadoras. A associação estima que, caso as condições atuais sejam mantidas, os desligamentos poderão chegar a 5,6 mil em até 90 dias. Os números são parciais e foram fornecidos pelas empresas participantes do levantamento.

A proibição foi estabelecida pelo governo federal em 25 de setembro, com um período de transição para o encerramento das operações. Desde 6 de outubro, os sites e aplicativos das empresas autorizadas devem permanecer indisponíveis para apostas. A medida também alcança a publicidade das plataformas, atividade que movimentava contratos de patrocínio e fornecimento de materiais promocionais.

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