RN terá ao menos quatro obras até 2030 para ampliar rede de transmissão
Foto: Alex Régis
O Rio Grande do Norte contará com ao menos quatro obras que deverão reforçar ou ampliar a rede básica de transmissão de energia elétrica, de acordo com a Quinta Emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) ciclo 2025, divulgada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Conforme apurado pela reportagem, o plano contempla o reforço e a ampliação da rede no estado com a Subestação Açu III 500/230 kV, a Subestação Angicos 500/230 kV e a Linha de Transmissão Angicos-Jaguaruana II C1. Um dos principais destaques, no entanto, é a expansão estrutural nas regiões de Pecém (CE) e Parnaíba (PI), as quais serão interligadas ao RN.
As obras que interligarão as três unidades federativas incluem a implantação da nova Subestação Pecém IV 500 kV, concebida como hub de conexão dedicado a grandes consumidores industriais, e mais de 1.800 km de novas linhas de transmissão em 500 kV (quilovolts). O objetivo é viabilizar a conexão de novas cargas eletrointensivas na região Nordeste. As obras atendem à crescente demanda por acesso à rede de projetos de hidrogênio de baixa emissão de carbono e de data centers, segmentos estratégicos para a política energética e industrial nacional.
Para Sérgio Azevedo, presidente da Comissão Técnica de Energias Renováveis da Fiern (Coere), o fortalecimento da rede de transmissão aumenta a segurança energética da região Nordeste, mas é necessário que esse fortalecimento venha acompanhado de novos investimentos. “Os reforços previstos para o RN são importantes, mas o grande desafio agora é garantir que essa expansão da infraestrutura venha acompanhada da atração de novos empreendimentos industriais e tecnológicos para o nosso estado”, disse.
“Não basta apenas ampliar a capacidade de transporte de energia ou criar as condições necessárias para grandes projetos que estão sendo estruturados em estados vizinhos. Precisamos transformar essa disponibilidade energética em empregos, renda, arrecadação e desenvolvimento para os potiguares”, completou Sérgio Azevedo.
Williman Oliveira, presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), avalia que a medida representa um alívio para os investidores e para a rede elétrica brasileira, que atualmente vive uma crise em razão do excesso de energia produzida.
“Contudo, como quase tudo no país se desenvolve no longo prazo, preocupa o fato de que esses investimentos só serão concluídos a partir de 2030. Ainda assim, nunca é tarde: até lá, o país vai se desdobrando com o uso de sistemas de armazenamento em baterias (BESS) na busca por esse equilíbrio”, falou Oliveira.
De acordo com o Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica do MME, o prazo estimado para a entrada em operação comercial do reforço da Subestação Açu III 500/230 kV é janeiro de 2030. Já a Subestação Pecém IV 500 kV, a Subestação Angicos 500/230 kV e a Linha de Transmissão Angicos-Jaguaruana II C1, que servirão para ampliar a rede no RN, têm previsão de começar a operar em junho de 2032.
A reportagem pediu ao MME um detalhamento do valor necessário para as obras que irão reforçar a rede básica de energia no RN e dos prazos previstos para o início delas, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. Ao todo, a quinta emissão do POTEE incorpora 31 novas obras de transmissão e reforça seu papel como principal instrumento de planejamento da expansão do Sistema Interligado Nacional. A incorporação delas atende a recomendações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
As obras se concentram nos estados do CE, PI e RN (Nordeste); PA (Norte); RS (região Sul); e SP e MG (Sudeste). Se no Nordeste o fortalecimento do sistema básico de energia atende à demanda por acesso à rede de projetos de hidrogênio e data centers, no Pará, o relatório da EPE identificou restrições operativas associadas ao crescimento da carga mineral na região.
Em resposta à referida demanda, o POTEE 2025 – 5ª Emissão inclui a implantação da nova Subestação 230 kV Ourilândia do Norte e novos circuitos de transmissão interligando as subestações existentes da área.
Para o estado de SP, a emissão incorpora obras recomendadas em três estudos da EPE. O conjunto abrange reforços nas redes de 345 kV, 440 kV e 500 kV que suprem a Grande SP, incluindo recondutoramentos de linhas de transmissão, substituição e instalação de transformadores nas subestações Embu-Guaçu e Poços de Caldas, instalação de compensadores síncronos e de dispositivos FACTS, utilizados para controle dinâmico de potência.
Tribuna do Norte





