Serviços do RN pagam salário um terço menor que a média nacional do setor
Foto: Acervo Agora RN
As empresas de serviços não financeiros do Rio Grande do Norte pagam, em média, um salário 34% menor que o do conjunto do país. A conta sai da base oficial da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2024, divulgada pelo IBGE na quinta-feira 27 e consultada pelo Agora RN no Sidra: os R$ 4,78 bilhões gastos com salários no Estado, divididos pelos 178.198 ocupados e por 13 pagamentos anuais, resultam em cerca de R$ 2.060 mensais — no Brasil, a mesma conta chega a R$ 3.120.
A distância aparece também no peso econômico. O RN reúne 17.319 empresas de serviços (0,9% das 1,92 milhão do país) e 1,1% do pessoal ocupado nacional, mas responde por apenas 0,64% da receita — R$ 24,2 bilhões dos R$ 3,81 trilhões do setor no Brasil. A diferença indica um setor mais intensivo em mão de obra e concentrado em atividades de menor valor por trabalhador, conforme registrou O Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 28 ao detalhar os dados estaduais.
Dentro do Estado, a liderança em faturamento e emprego é dos serviços profissionais, administrativos e complementares: 5.903 empresas, 100.647 pessoas (56,5% de todo o pessoal do setor) e R$ 9,2 bilhões de receita. Já os serviços prestados às famílias — alojamento, alimentação, ensino, cultura e serviços pessoais — concentram o maior número de negócios, 6.281, com 36.795 trabalhadores. “Atividades de serviços profissionais, administrativos e complementares tendem a reunir empresas de maior porte, enquanto os serviços prestados às famílias são caracterizados por uma presença mais expressiva de empresas menores”, afirmou o gerente da pesquisa, Marcelo Miranda de Melo, na divulgação.
No país, o setor ocupou 15,9 milhões de pessoas e pagou R$ 644,2 bilhões em salários e outras remunerações em 2024, com média de 2,2 salários mínimos, segundo o resumo nacional da pesquisa. O IBGE alerta que os resultados de 2024 não se comparam diretamente aos anos anteriores: a adoção de um novo indicador de atividades a partir dos registros da Receita Federal quebrou a série histórica.
O retrato ajuda a explicar tensões recentes do mercado de trabalho potiguar nos segmentos ligados às famílias: a hotelaria abriu 400 vagas em cursos gratuitos por falta de mão de obra, enquanto o índice de atividades turísticas do Estado acumulou três quedas mensais seguidas. Realizada desde 1998, a PAS investiga empresas formais cuja receita principal vem da prestação de serviços não financeiros.
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