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24 out

Inteligência artificial avança na gestão da saúde no Estado

Inteligência artificial avança na gestão da saúde no Estado

Foto: Divulgação

A inteligência artificial (IA) começa a ganhar espaço na gestão de clínicas, consultórios e empresas de saúde do Rio Grande do Norte, com aplicações que vão do agendamento de consultas à organização de prontuários. A tecnologia promete reduzir o tempo de espera dos pacientes, automatizar atividades administrativas e ampliar a capacidade de atendimento sem exigir aumento proporcional das equipes. As possibilidades foram discutidas na quinta-feira, 22, durante o HeadOffice Day, realizado em Natal, com a participação de empresários e especialistas.

Entre as aplicações apresentadas estão agentes digitais capazes de responder mensagens, confirmar consultas, organizar informações e acompanhar solicitações de pacientes. Esses sistemas funcionam conforme orientações predefinidas e podem executar tarefas repetitivas, mantendo a supervisão humana nas decisões que envolvem avaliação profissional. A expectativa é reduzir custos operacionais e liberar funcionários para atividades que exigem atendimento direto.

Um dos fundadores da HeadOffice AI, Marco Carvalho, afirmou que a tecnologia também pode auxiliar médicos na anamnese, no acompanhamento de pacientes e na atualização de registros clínicos. Segundo ele, a automação da documentação permite reduzir o tempo dedicado ao computador durante as consultas. “Hoje você vai no médico, o médico fica lá no computador o tempo todo, quase não olha o paciente e a gente quer que ele preste atenção no paciente”, disse.

Carvalho avalia que a resistência das equipes representa um obstáculo à adoção das ferramentas. Para ele, o treinamento e a participação dos funcionários na implantação são necessários para que a automação seja incorporada às rotinas. “Na hora que você traz o time junto e eles entendem o potencial, a produtividade deles cresce 20%, 50%, e eles são capazes de parar de fazer aquele trabalho chato, repetitivo e focar na estratégia”, afirmou. Os percentuais são estimativas apresentadas pelo empresário, sem comprovação específica para o mercado potiguar.

O fundador Ivan Zorn também defendeu a transferência de procedimentos repetitivos para agentes digitais, permitindo que os profissionais concentrem esforços em atividades de relacionamento, planejamento e atendimento. O evento apresentou demonstrações de ferramentas destinadas à integração de setores, ao acompanhamento de demandas e à análise de informações empresariais.

Clínicas potiguares testam novas aplicações

No Rio Grande do Norte, empresários da saúde já utilizam ferramentas de inteligência artificial para organizar rotinas administrativas. O médico Ruy Medeiros Júnior, parceiro local da HeadOffice AI, afirma que os sistemas podem ser desenvolvidos conforme as necessidades de cada estabelecimento, incluindo agendamentos, atendimento e controle de materiais. “A ideia é você fazer vários agentes de acordo com a dor de cada serviço”, explicou.

Para Mara Thaísa, também parceira da empresa, a demora no atendimento e na marcação de consultas está entre os problemas que podem ser reduzidos. “O recepcionista da clínica, por exemplo, ele vai conseguir dar atenção ao paciente, enquanto a inteligência artificial tá lá no WhatsApp fazendo o agendamento, fazendo a confirmação, tirando as dúvidas dos pacientes”, afirmou.

A empresária Juliana Maia, que utiliza a tecnologia em uma empresa de saúde ortodôntica, aponta melhorias na integração de informações e no acompanhamento de resultados. “A gestão da empresa precisa ter esse braço muito forte, que fique presente na cultura da empresa, de trazer a inovação para o dia a dia de trabalho”, declarou.

A HeadOffice AI também apresentou experiências de redes nacionais. Na OdontoCompany, agentes digitais registraram mais de 25 mil conversas em sete meses, com atendimento contínuo e redução informada de 99,8% no tempo de resposta. Já a Clínica da Cidade utiliza sistemas voltados ao atendimento de pacientes e ao treinamento interno. Os resultados foram divulgados pela empresa e não representam necessariamente o desempenho de outras clínicas.

A expansão dessas ferramentas exige atenção à segurança das informações. Pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), informações relativas à saúde são classificadas como dados pessoais sensíveis, sujeitos a regras específicas de tratamento. A adoção de sistemas automatizados deve considerar medidas de proteção, controle de acesso e supervisão profissional.

O interesse pela tecnologia também integra outras discussões no setor potiguar. O I Congresso Unimed Natal, realizado de 22 a 24 de outubro, incluiu inteligência artificial e gestão de serviços de saúde entre os assuntos da programação.

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