RN depende de cabo submarino para atrair grandes data centers
O Rio Grande do Norte busca ampliar sua participação no mercado de centros de processamento de dados, mas ainda depende da instalação de cabos submarinos de telecomunicações para atrair empreendimentos de grande porte. Apesar dos avanços na regulamentação do setor e da disponibilidade de energia, o Estado aguarda uma definição do governo federal sobre a infraestrutura de conectividade necessária aos projetos. O tema foi discutido nesta sexta-feira, 23, durante a Data Center Conference, realizada na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), em Natal.
A instalação de cabos submarinos é considerada uma das condições para viabilizar estruturas capazes de atender empresas nacionais e internacionais. Esses equipamentos permitem a transmissão de grandes volumes de dados entre diferentes regiões e países, com capacidade e velocidade necessárias às operações digitais. A expectativa do setor é de que a infraestrutura amplie a competitividade potiguar na atração de investimentos associados à inteligência artificial, computação em nuvem e armazenamento de informações.
O gerente comercial da Mendes Holler, Gladson Mortoza, afirmou que a chegada da tecnologia poderá ocorrer no curto e médio prazos. Segundo ele, a disponibilidade de energia representa uma vantagem para o Estado, mas precisa ser acompanhada de infraestrutura de telecomunicações. “O Estado já possui oferta de energia. Com a expectativa da chegada de conectividade via cabo submarino, o Rio Grande do Norte abre a porta para atender às demandas daqui, de todo País e até mesmo internacionais”, afirmou.
O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, defendeu a ampliação das negociações para acelerar a conexão do Estado às redes internacionais. Ele lembrou que o Ceará já dispõe dessa infraestrutura, o que poderia facilitar a integração regional. “É uma etapa que nós precisamos trabalhar. Os cabos já existem no Ceará, então, a ligação com o RN se torna apenas um ponto de diálogo. Com essa conectividade, fechamos mais um ciclo para que, definitivamente, os investimentos cheguem ao RN”, declarou.
A secretária-adjunta de Desenvolvimento Econômico do Estado, Emília Casanova, informou que o governo potiguar já possui estudos sobre possíveis áreas de instalação, mas depende de uma decisão federal. “Nós temos um estudo de atracação em áreas de interesse, porém, não houve ainda uma decisão do Ministério de Telecomunicações, a qual inclui uma definição sobre os locais de instalação. A gente não sabe se será somente em Natal ou se haverá uma conexão também na região da Costa Branca”, explicou.
A indefinição mantém em aberto a localização dos futuros pontos de conexão e o cronograma de implantação. Além da disponibilidade de energia e telecomunicações, projetos de data centers exigem investimentos em sistemas de refrigeração, segurança operacional e fornecimento contínuo de eletricidade, fatores considerados na avaliação econômica dos empreendimentos.
RN já tem regras para licenciamento ambiental
A regulamentação dos centros de dados no Rio Grande do Norte avançou em setembro, quando o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema) aprovou normas específicas para o licenciamento desses empreendimentos. Publicada no Diário Oficial em 25 de setembro, a Resolução nº 2/2026 estabelece critérios conforme o porte das instalações, o consumo de energia e os sistemas de refrigeração utilizados.
A legislação prevê procedimentos simplificados para instalações menores e estudos ambientais mais abrangentes para estruturas de maior porte. Projetos classificados como grandes ou excepcionais, quando utilizarem sistemas abertos de refrigeração, deverão apresentar Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). As exigências procuram estabelecer condições para a expansão do setor, considerando o consumo de eletricidade e os possíveis impactos sobre os recursos hídricos.
No âmbito federal, a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), em setembro, criou incentivos fiscais para investimentos em infraestrutura de processamento e armazenamento de dados. A medida contempla atividades relacionadas à computação em nuvem, inteligência artificial e processamento de alto desempenho.
A demanda por esses empreendimentos também cresce no Nordeste. Levantamentos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificaram interesse em mais de 30 projetos na região, com potencial de consumo de 8,3 gigawatts. A dimensão dessa demanda reforça a necessidade de planejamento da infraestrutura elétrica e de telecomunicações.
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